sexta-feira, 17 de abril de 2009

61 – Região de Braçal – Talhadas. Sua potencialidade mineira

Este é o título de um relatório, em 2 volumes, que apresentei em 31-12-1972, em cumprimento da parte final de um despacho do Director do SFM, com data de 6-11-1972 (não 6-12-1972, como, por lapso, escreveu), em ofício do Governador Civil de Aveiro datado de 30-10-1972, que tinha merecido despacho do Director-Geral de Minas em 31-10-1972, ordenando urgente e rigoroso inquérito sobre matéria exposta no referido ofício.

Deste relatório consta um texto de 22 páginas dactilografadas, um Apêndice com cópias de correspondência trocada com a Companhia alemã Preussag que se mostrou interessada em contrato de prospecção para a região e 45 peças desenhadas explicativas dos resultados que tinham sido obtidos até 31-12-1972

Dele transcrevo o resumo.

“1 – O País necessita aproveitar as suas existências de minérios de cobre, chumbo e zinco para evitar as volumosas importações que faz destes metais.
2 – Uma análise dos dados existentes, em 1968, fez sobressair a região de Braçal – Talhadas, isto é, uma faixa de mais de 60 km de extensão norte-sul e largura variável mas ultrapassando por vezes 40 km, desde as proximidades de S. João da Madeira até perto da Mealhada, como uma das de maior potencialidade para esses minérios.
3 – Embora os elementos geológicos sobre a região sejam escassos, há motivos para crer que nela possam encontrar-se jazigos importantes, não só de cobre, chumbo e zinco, mas também de outros metais, como tungsténio e estanho, não sendo de excluir os jazigos estratóides.
4 – De 1968 até ao presente, tem vindo a efectuar-se uma campanha de prospecção geoquímica, especialmente com base em amostragem de sedimentos de linhas de água e análise de metais pesados, pela ditizona, na fracção extraível a frio, pelo citrato de amónio. Acessoriamente, têm-se feito, também, análises de cobre, chumbo e zinco, também pela ditizona, mas com extracção a quente.
Foram já colhidas 102.400 amostras e efectuadas 154.420 análises, das quais 66% no Laboratório de Beja.
5 – Os resultados têm sido animadores, conforme temos assinalado em exposições verbais feitas em reuniões da Comissão de Fomento e em relatórios trimestrais. No último relatório, por exemplo, referente ao 3.º trimestre de 1972, destacamos a Região de Braçal – Talhadas dentre aquelas onde a actividade do 1.º Serviço fez aparecer resultados de maior interesse.
6 – A demonstrar a importância de região, no que respeita à possibilidade de existências minerais, há o interesse revelado pela Companhia alemãs Preussag e por outras Companhias estrangeiras nos resultados dos levantamentos geoquímicos do Serviço de Fomento Mineiro e a intenção manifestada de apresentação de propostas para novas fases de trabalho, visando a obtenção de concessões.
7 – Apesar do que se expõe nos números anteriores, foi superiormente levantada dúvida quanto à real potencialidade mineira da região de Braçal – Talhadas e mandado elaborar “relatório indicando o que se fez até agora, perspectivas e resultados, o que se projecta para o futuro, a fim de habilitar o Senhor Engenheiro Director do Serviço a propor ao Senhor Engenheiro Director-Geral a continuação ou paralisação dos trabalhos” (despacho de 6-11-1972 exarado no ofício de 30-10-1972, do Governo Civil de Aveiro).
8 – O presente relatório dá satisfação ao que superiormente se determina.
9 – Demonstra-se que, se em 1968 a região já tinha bastante interesse, em face dos dados dobre ela existentes, presentemente esse interesse é muito maior, por virtude da valorização introduzida pelos trabalhos de prospecção geoquímica realizados.
10 – Estes trabalhos permitiram definir diversos conjuntos de anomalias, alguns dos quais em coincidência com o “grande filão metalífero da Beira” e outros em áreas não anteriormente consideradas com grande potencialidade.
11 – Apresenta-se um programa para continuação do estudo da região e sugerem-se algumas medidas para mais rápida obtenção de resultados finais, isto é, definição de reservas minerais exploráveis.”

Do texto, constam os seguintes capítulos:
1 – Introdução
2 – Breve história das actividades mineiras na região
3 – Geologia da região
4 – Ocorrências minerais
5 – Trabalhos de prospecção realizados pelo Serviço de Fomento Mineiro
5.1 – Justificação da nova campanha
5.2 – Trabalhos realizados até 31-12-1972
5.3 – Resultados
6 – Conclusões
7 - Apêndice

Das peças desenhadas, a primeira (8.1) é uma carta parcial, à escala de 1:100 000, da área em estudo, salientando o “grande filão metalífero” e as 37 ocorrências minerais a ele subordinadas; as seis seguintes (8.2 a 8.7) são mapas à escala 1:250 000 indicando as áreas prospectadas pelo método geoquímico, com análises de sedimentos de linhas de água para metais pesados/extracção a frio) e para cobre, chumbo e zinco (extracção a quente); as 33 seguintes (8.8 a 8.40) são mapas à escala 1:25 000 das anomalias registadas, obtidos por redução de 434 mapas à escala 1: 5 000 constantes dos arquivos da Sede da 2.ª Brigada e da Secção de Talhadas; a 8.41 é um mapa à escala 1:5 000 com expressivas anomalias electromagnéticas da campanha de 1946; as 4 restantes (8.42 a 8.45) são mapas geoquímicos à escala 1:5 000 exemplificativos de bons resultados obtidos, merecedores de investigação por outras técnicas, incluindo sondagens.

A elaboração deste relatório, em tão curto espaço de tempo, só se tornou possível, mercê da capacidade de trabalho e disciplina da equipa constituída na Secção de Talhadas sob a directa orientação do Colector Silvério Vilar, que o Director-Geral de Minas chegou a admitir que deveria ser dispensado, sem sequer curar de saber da validade das acusações do Governador Civil de Aveiro.

Tenho sérias dúvidas de que este relatório tenha sido lido e devidamente apreciado, porquanto sobre ele nunca foi emitida qualquer informação e, em ocasiões posteriores foi demonstrada grande ignorância sobre a actividade em curso na região de Braçal – Talhadas, conforme irei revelar em post seguinte.

terça-feira, 14 de abril de 2009

60 – A prospecção mineira na região de Braçal – Talhadas, retomada pelo SFM, em 1968

No post N.º 28, descrevi as condições que me foram proporcionadas par dar cumprimento a planos de prospecção sistemática, no Norte e no Centro do País.

Apesar das limitações referidas, foi-me possível, em 1968, criar dois núcleos com actividade no terreno, um com sede em Caminha e outro com sede em Talhadas, ambos entregues a funcionários com a categoria de Colectores, cujas habilitações de base se limitavam à antiga 4.ª Classe de Instrução Primária, aos quais eu tinha dado formação transformando-os em Prospectores e confiando-lhes trabalhos que no Sul do País estavam a cargo de Agentes Técnicos de Engenharia.

Já me referi, no post N.º 56, ao núcleo de Caminha da 2.ª Brigada de Prospecção e aos êxitos que nele estavam a obter-se em prospecção de tungsténio.

A Secção de Talhadas foi criada para investigação de uma área que sobressaiu da análise documental como tendo grande potencialidade principalmente para jazigos de chumbo, zinco e cobre.

A esta área dei, inicialmente a designação de “Região de Braçal – Talhadas”, por nela ocorrerem como minas principais as de Braçal do concelho de Sever do Vouga e as de Talhadas do concelho de Águeda.

Os trabalhos na Secção de Talhadas tiveram início em 1968 e decorriam com relativa normalidade, deles resultando anomalias sobretudo pelo método geoquímico, sugestivas de poderem corresponder a ocorrências minerais com interesse económico, justificando, por isso, o prosseguimento da investigação através de sondagens.

Todos estes resultados constavam de relatórios mensais e anuais que eu apresentava, com regularidade.

Além disso, em reuniões da Comissão de Fomento, em Lisboa, eu descrevia, com pormenor, toda a actividade do Serviço de Prospecção que me estava confiado e os resultados que estava a obter. Nestas descrições, salientava os encorajantes resultados na região de Braçal – Talhadas.

Surpreendiam-me os comentários que o Director-Geral se permitia fazer quanto ao interesse mineiro desta região, que conhecia de contactos que com ela tivera, quando exercera o cargo de Chefe da Circunscrição Mineira do Norte.
Mostrava-se o Director-Geral muito reticente quanto ao interesse de filões. Para ele só as formações estratificadas, como as que ocorrem na Faixa Piritosa ou na Faixa Zincífera Alentejana, eram susceptíveis de conter reservas que viessem a justificar exploração.

Todavia, consentia que o 2.º Serviço, que tinha a seu cargo os trabalhos mineiros, se mantivesse a reconhecer jazigos filonianos no Norte e no Sul do País, num caso (Mina do Barrigão) no interior de área adjudicada a Companhia canadiana para prospecção mineira, conforme referi em post anterior.

Apesar das reticências do Director-Geral, os estudos prosseguiam na região de Braçal-Talhadas, com a regularidade possível, dentro das limitações que me tinham sido proporcionadas.

Em Outubro de 1972, um imprevisto acontecimento veio perturbar esta relativa normalidade, O Director-Geral de Minas recebeu do Governador Civil de Aveiro o ofício com data de 30-10-1972, confidencial e pessoal, que a seguir transcrevo:

“Existe conflito entre a Junta de Freguesia de Talhadas e os Serviços Florestais.
Esse conflito tem-se agravado com a intervenção, como advogado de defesa da Junta de Freguesia, de um profissional muito mais político do que advogado – e político só preocupado em fazer especulação – dominando por inteiro o Presidente da Junta.
A campanha já atingiu a fase do manifesto agressivo.
Há um funcionário dependente da Direcção-Geral ao digno cargo de V. Ex.ª. - Silvério Vilar – em exercício de funções na região, que, em carro desses Serviços, aparece em muitas reuniões e, ao que consta, ao inteiro serviço do Presidente da Junta de Freguesia, transportando pessoas, etc.
A confirmarem-se estas informações, não há dúvida de que a actuação de Silvério, utilizando carro do Estado, levará as populações ao convencimento de que o Presidente da Junta de Freguesia tem o apoio do Governo, o que, nem em caricatura, corresponde à verdade, conforme Sua Ex.ª o Secretário de Estado da Agricultura pode esclarecer.
À esclarecida apreciação de V. Ex.ª, com os melhores cumprimentos.
A bem da Nação
O Governador Civil
(Assinatura ilegível)”

Sobre este ofício, incidiu o seguinte despacho do Director-Geral:
“Ao eng. Director do Serviço Fomento Mineiro para urgente e rigoroso inquérito. Assinatura ilegível. 31-X-72”

O Director do SFM, quando recebeu este ofício, chamou-me ao seu gabinete e revelou-me que a primeira reacção do Director-Geral, em telefonema que lhe fizera, tinha sido no sentido de despedir Silvério Vilar.
Mas reflectindo melhor, lhe ordenara que se extinguisse a Secção de Talhadas. Esperava que do rigoroso inquérito, a que mandara proceder, resultasse essa decisão. Ele, Director do SFM era de opinião que a Secção se extinguisse, pois a sua actividade “não estava a dar nada!”.

Chamei-lhe, então, a atenção para os resultados francamente positivos que estavam a ser encontrados, os quais constavam dos meus relatórios e tinham sido descritos em reuniões da Comissão de Fomento.
Relativamente à acusação do Governador Civil, informei ter conhecimento de que Silvério Vilar apenas auxiliara o Presidente da Junta de Freguesia, realizando trabalho de topografia para demarcação de baldios e fizera isso dentro do espírito de boa colaboração que deve existir com as entidades locais, que também se mostram colaborantes, como era o caso.
Realcei, igualmente, as excepcionais qualidades de Silvério Vilar, só a elas de devendo a possibilidade de executar trabalhos por variadas técnicas, que normalmente estariam a cargo de Agentes Técnicos de Engenharia.

O Director do SFM, depois desta conversa, exarou o seguinte despacho no ofício do Governador Civil de Aveiro:
“Ao Eng.º Chefe do 1.º Serviço:
Ouvi o Colector Silvestre Moreira Vilar, o qual procurou justificar a sua actuação que não terá tido a gravidade que se poderá depreender da leitura do presente ofício.
Como se trata de um funcionário muito trabalhador, interessado, competente e com muitos anos de serviço no decorrer dos quais sempre se mostrou correcto e disciplinado, procurar-se-á resolver este caso retirando imediatamente o referido funcionário da área em que presentemente trabalha evitando-se assim contactos que podem originar problemas mais graves.
Quanto aos trabalhos em curso na região elabore-se um relatório indicando o que se fez até agora, perspectivas e resultados, o que se projecta para futuro, a fim de me habilitar a propor ao Senhor Eng.º Director-Geral a continuação ou paralisação dos trabalhos. Assinatura ilegível. 6-12-1972

Em cumprimento deste despacho, dei instruções ao Senhor Silvério Vilar no sentido de procurar instalações em Sever do Vouga, para transferir para lá a sede da Secção, que se encontrava em Talhadas, mas recomendei-lhe que não tivesse pressa nessa transferência, convencido de que este caso não passava de “uma tempestade num copo de água”.
O tempo foi passando e a transferência foi sendo sucessivamente adiada, acabando por não se efectuar, sem que deste caso voltasse a lembrar-se o Director do SFM.

Quanto ao relatório que me foi exigido, dele me ocuparei no próximo post.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

59 – Mina de chumbo do Braçal

Conheci esta Mina, no verão de 1946.

Nesse tempo, eu chefiava a Brigada de Prospecção Eléctrica, que tinha sido criada pelo primeiro Director do SFM, Engenheiro António Bernardo Ferreira, com o objectivo de descobrir novas concentrações de pirite complexa na Faixa Piritosa Alentejana, que permitissem não só manter em laboração as indústrias instaladas no Barreiro para produção de enxofre, cobre e seus derivados, mas também a exportação desta matéria-prima.

A Brigada actuava então na zona de Aljustrel, em áreas que estavam a ser aproveitadas para cultivo de trigo e outros cereais. O desenvolvimento das searas, durante o verão, não permitia o seu atravessamento, para efectuar as observações electromagnéticas, nos perfis previamente piquetados, sem causar danos aos proprietários agrícolas.

O Director do SFM decidiu que a Brigada se transferisse para as Minas do Braçal, para investigar a continuidade de filões conhecidos e a possível existência de filões que ainda não tivessem sido detectados.

Foi nestas circunstâncias que passei a conhecer as Minas do Braçal.

Embora os resultados da prospecção electromagnética efectuada não tivessem sido positivos, no que respeita a novas descobertas, o que pude observar, durante os meses em que residi nas Minas, deixou-me francamente bem impressionado.

As Minas tinham sido objecto de intensa exploração desde recuados tempos, como o demonstravam objectos encontrados em trabalhos antigos com os quais as mais recentes explorações iam deparando. Lembro-me de ter visto em pequeno Museu organizado nas Minas, lucernas e chicotes em couro entrançado, que eram interpretados como “argumentos” usados para o trabalho de escravos.

A Companhia que, nessa época, adquirira a concessão do Braçal e várias outras concessões na sua imediata proximidade, não tinha como principal objectivo a actividade mineira. Tratava-se de uma Companhia industrial e agrícola, que tendo observado a grande quantidade de minério existente em antigas escombreiras, resolvera fazer a sua recuperação.
Dos estudos que terá mandado efectuar, concluíra que o minério existente nas escombreiras justificava a instalação de uma lavaria.

Para dirigir a actividade desta lavaria, contratou um jovem Agente Técnico de Engenharia que, embora sem experiência mineira, revelava grande capacidade de aproveitamento de excelente mão de obra que conseguia recrutar localmente.

Este técnico interessou-se, não apenas pelo bom funcionamento da lavaria. Julgo ter sido de sua iniciativa retomar a exploração da Mina do Braçal e das Minas Malhada e Coval da Mó, que lhe ficam próximas.

Visitei a Mina do Braçal e, conquanto, nessa data, a minha experiência de trabalhos mineiros fosse praticamente nula, pois estava dirigindo desde a minha formatura trabalhos de prospecção à superfície, fiquei convencido de que se estava em presença de jazigo rico.
A exploração estava a incidir principalmente em antigos desmontes, aproveitando zonas cujos teores de chumbo não tinham sido considerados suficientes para se justificar a sua extracção. A produção que se conseguia, permitia manter uma actividade mineira lucrativa.

Durante a minha permanência nestas Minas, tive ainda a oportunidade de assistir à produção de chumbo metálico, em fornos que tinham sido construídos em meados do século XIX e que a Companhia recuperara.

Pelo que acabo de referir, foi com enorme surpresa que tomei conhecimento, em 1959, do encerramento destas Minas e o consequente despedimento de cerca de 600 mineiros que lá exerciam a sua actividade.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

58 – Problema no abastecimento de água a Mira d’Aire resolvido pelo SFM

Em Setembro de 1968, Mira d’Aire preparava-se para festejar melhoramento importante no abastecimento de água à sua população, quando um acontecimento imprevisto fez adiar a inauguração, para a qual até já os foguetes tinham sido adquiridos.

Tinha-se tornado premente alteração no sistema de captação que estava a ser utilizado.
A água era aspirada num algar do maciço calcário de Porto de Mós e bombeada para a superfície, em condições que não garantiam a qualidade recomendável.
À medida que baixava o seu nível, por ausência de recarga motivada por escassez de chuvas, tornava-se necessário, com bastante frequência, deslocar os grupos moto-bombas, para garantir a possibilidade de aspiração.

Para acabar com esta permanente preocupação, planeou-se a abertura de um poço com a profundidade 100 metros e uma galeria também com a extensão de cerca de 100 metros, orientada para atingir o algar a um nível que evitasse as constantes mudanças de posição dos grupos electro-bombas.

O levantamento topográfico do algar foi feito à bússola por um escafandrista, com as naturais dificuldades.

Aconteceu que, tendo a galeria atingido comprimento mais que suficiente para ter interceptado o algar, este não fora encontrado.

Fui, então contactado por um Engenheiro dos Serviços de Urbanização, que tinha anteriormente pertencido ao Quadro de técnicos do SFM, integrado na extinta Brigada de Prospecção Eléctrica, com vista a tentativa de resolução deste problema, usando o equipamento Turam de prospecção electromagnética.

Com o melhor espírito de colaboração, após autorização superior, planeei o ataque do problema com aplicação, não apenas do método electromagnético Turam, mas também do gravimétrico.

Relativamente ao método Turam, projectei o seu emprego, como método do ângulo de inclinação. Ao dar as minhas instruções ao Engenheiro que, na 1.ª Brigada de Prospecção estava encarregado dos métodos eléctricos, obtive, inicialmente como reacção, dúvidas quanto à eficácia da modalidade indicada, uma vez que ainda não tinha sido tentada no País e o método, (como o seu nome indica, na linguagem sueca de onde é originário), exigia o uso de duas bobinas, ao passo que na modalidade que eu pretendia usar, apenas uma se tornava necessária.
Sugeri-lhe que fizesse experiência, estendendo um cabo condutor rectilíneo por cima de trincheira de uma estrada e verificasse se conseguia localizar esse cabo, do modo por mim indicado, A este respeito, sugeri que colhesse mais informação no livro elementar de Prospecção da autoria de Parasnis.

Em 25 e 26 de Setembro de 1968, estiveram em Mira d’Aire, os Engenheiros da 1.ª Brigada de Prospecção que tinham a seu cargo os métodos eléctricos e o método gravimétrico, a fim de darem execução aos trabalhos projectados.

No dia 25, foi estendido um cabo condutor eléctrico, desde o poço até uma distância de cerca de 50 metros, numa direcção sensivelmente perpendicular à da galeria. Este condutor foi ligado à terra em ambos os extremos, tendo um destes ficado situado no ponto mais fundo do algar que o mergulhador conseguiu atingir.

No dia 26, eu desloquei-me do Porto para acompanhar os trabalhos que iam ser realizados.

Fiquei deveras surpreendido com a instalação que estava a ser usada para a movimentação do pessoal, dentro do poço, a qual não reunia as mínimas condições de segurança, só por muita sorte não acontecera, até então, nenhum acidente grave.
Os meus colegas, sem experiência de trabalhos mineiros terão considerado que estes teriam, pela sua natureza, que ser perigosos e não me fizeram qualquer observação sobre o assunto, talvez para não darem sinal de se mostrarem medrosos.
Eu hesitei antes de me decidir a deixá-los entrar com todos os equipamentos, arriscando-me a originar perdas de vidas, entre as quais a minha e material valiosíssimo.
A minha decisão final foi enfrentar esse perigo, consciente de que outra atitude da minha parte poderia ser mal interpretada pela DGGM e confiante de que, se nenhum acidente tinha acontecido até àquela data, a probabilidade de acontecer, nesse dia, não seria grande.

Fez-se então percorrer pelo cabo uma corrente alterna de cerca de 1,5 A e uma frequência de 440 hz e fez-se a pesquisa das características geométricas do campo electromagnético gerado pela passagem desta corrente, ao longo de toda a extensão da galeria.
Dos resultados encontrados, foi possível determinar, com exactidão, o local mais próximo do algar, onde à galeria passava a um nível que lhe estava subjacente cerca de uma dezena de metros.

A aplicação do gravímetro tinha por base o grande contraste densitário entre o calcário e a água que preenchia a gruta nele existente, que comunicava com o algar. Todavia, não se registou anomalia significativa, talvez devido às reduzidas dimensões da gruta.

Quando regressei ao Porto, após a conclusão deste trabalho, a minha primeira preocupação foi escrever ao colega dos Serviços de Urbanização para mandar suspender, de imediato, os trabalhos que estavam a decorrer nas deploráveis condições a que aludi, antes que um acidente grave viesse a registar-se.
A sua reacção deixou-me estupefacto. Referiu que nas Minas sujeitas à fiscalização da DGGM, se registavam situações muito piores! Eu nunca tivera funções de fiscalização, mas tinha tido oportunidade de visitar numerosas minas em exploração por empresas privadas e nunca encontrara qualquer situação que se assemelhasse à que mereceu os meus reparos.

Tudo acabou por correr bem. O algar foi encontrado à marca prevista e até houve que bater em retirada, algo apressadamente, perante a invasão de água que se verificou através de furo que foi efectuado na sua direcção.

Os festejos foram noticiados nos jornais da época.

O colega que me tinha contactado fez deste êxito artigo que publicou, como se tivesse sido seu autor.

segunda-feira, 30 de março de 2009

57 – A vaca, a gasolina e os corredores dos edifícios do SFM

Houve quem passando perto do edifício principal do SFM estranhasse a presença frequente de um funcionário à janela absorvido em contemplação da paisagem exterior.
Maior estranheza manifestou quando soube que esse funcionário era …o Director.

Estava o Director, numa dessas atitudes contemplativas, quando entra no seu gabinete o Agente Técnico de Engenharia ABDC e lhe expõe uma situação delicada que tinha herdado. Tratava-se de um caso de silicose diagnosticada a um operário da sua equipa que transitara de uma extinta Secção do SFM.

O Director, concentrado como estava na sua contemplação, pouca atenção dava à exposição de ABDC. Em dado momento, a demonstrar o seu apurado espírito de observação, declara: “Aquela vaca passa aqui, todos os dias à mesma hora”. Esta atitude só não deixou ABDC perplexo, porque já se habituara a observações do género!

Em outra ocasião, expunha ABDC um caso a resolver e o Director mantinha-se bastante alheio à matéria em causa, tão absorvido se encontrava a observar a extensa fila de automóveis que aguardava a vez para encher os seus depósitos de gasolina, em posto de abastecimento situado na Via Norte, em período de grande carência deste combustível. Aparentemente encantado, exclamou, com veemência: “Acabou-se a gasolina!”. Por esta não esperava ABDC, conforme me declarou, desabafando comigo, como era seu hábito.

Outro caso que bem define o Director que tive que suportar durante 15 anos passou-se comigo.
O Director entra no meu gabinete para pedir que lhe ceda um dos dois Agentes Técnicos afectados, no Norte, ao Serviço de Prospecção sob minha chefia, para dar apoio em matéria de topografia a outro departamento do SFM.
Estranhei o pedido, pois sempre considerei fundamental que em todos os departamentos técnicos existisse pessoal habilitado a fazer topografia. No Alentejo, eu tinha preparado muitos funcionários, vários deles apenas com a 4.ª classe de Instrução Primária a desempenhar-se, não só dos trabalhos de campo, como do cálculo das cadernetas e da implantação dos resultados em mapas finais. Só não ensinei cálculos de triangulações, por envolverem uso, em larga escala, de funções trigonométricas.
Nas minhas funções docentes na Faculdade de Ciências do Porto, cheguei até a proporcionar instrução nesta matéria a vários Geólogos do SFM, em trabalhos, tanto no campo como no gabinete, para não ficarem na dependência do trabalho de Agentes Técnicos de Engenharia, cuja qualidade era, por vezes, discutível.
Dado que para as imensas tarefas a resolver no Norte do País, além de Geólogos envolvidos em cartografia para os Serviços Geológicos e em estudos de testemunhos de sondagens, apenas dispunha de dois Agentes Técnicos de Engenharia de modesta qualidade, reagi dizendo que o técnico no qual se mostrara interessado, tinha trabalho distribuído que o absorvia completamente.
Reagiu prontamente o Director: “Eu vejo-o sempre a passear pelos corredores!” Surpreendido, disse apenas: “Eu não sabia disso, porque não frequento assiduamente esses corredores!”

Outros casos irei revelar, a propósito de variados temas, que contribuem para bem definir um Director que conseguiu permanecer no cargo durante década e meia!

domingo, 29 de março de 2009

56 – Os “Scheeliteiros”

O Director-Geral de Minas, assumindo-se progressivamente como dirigente do SFM, tinha ideias peculiares sobre os minérios que deveriam ser procurados no território metropolitano português.
Tendo exercido o cargo de Chefe da Circunscrição Mineira do Norte, durante vários anos, e tendo, por esse facto, tido frequente contacto com as Minas do Norte e do Centro do País, era de esperar que se tivesse apercebido de potencialidades que estavam longe de ter sido aproveitadas.
Não foi, porém, esse o caso.
A opinião que se gerou no seu espírito foi essencialmente de carácter negativo.

Relativamente ao tungsténio, não mostrava empenho em que fosse efectuada uma prospecção sistemática, com vista à definição das reais existências dos seus minérios, apesar de, durante os primeiros anos em que desempenhou funções na DGMSG, ter ocorrido a chamada “febre do ouro negro”, que fez afluir a Portugal, durante a 2.ª Guerra Mundial, empresas alemãs e inglesas, para explorarem volframite (essencial para as suas indústrias de guerra), em filões, em que o Norte e o Centro do País se revelavam pródigos.

Demonstrara, porém, algum optimismo relativamente às Minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira, nas quais decorria uma modesta exploração, sob a orientação técnica de um prestigiado Professor da Faculdade de Engenharia, seu amigo pessoal. Para elas, dera instruções no sentido de o SFM prestar colaboração, usando as técnicas que eu tinha conseguido instituir no Sul do País.
O tungsténio, nestas minas, ocorria sob a forma de volframite (tungstato de ferro e manganés), ferberite (tungstato de ferro) e scheelite (tungstato de cálcio), em associação com pirrotite, mineral que pelas suas propriedades magnéticas podia ser detectado pelo método magnético de prospecção.

Já no final da década de 50, tinha sido efectuado, pela Brigada de Prospecção Geofísica, um primeiro levantamento magnético, cobrindo as principais concessões onde aflorava a formação mineralizada. Foram então registadas diversas anomalias, algumas das quais sugestivas de corresponderem a concentrações de pirrotite, que poderiam justificar exploração, se a elas estivesse associada mineralização tungstífera.

Todavia, estas anomalias não puderam ser imediatamente investigadas por trabalhos mineiros ou sondagens, por se ter verificado grande discrepância entre a topografia e a correspondente implantação dos resultados da prospecção

Houve que repetir todo o trabalho, com os cuidados aconselháveis em zona com relevo acidentado.

Após um estudo geológico rudimentar, de que se encarregou Geólogo com experiência já comprovada, sobre a zona das principais anomalias registadas na concessão Fervença, na confluência da Ribeira de Arga com o Rio Coura, realizaram-se sondagens.
Os resultados foram francamente positivos.
Encontrou-se abundante mineralização de volframite, ferberite e scheelite em associação com pirrotite.
A empresa concessionária logo passou à sua exploração.

Este foi o início de uma campanha de prospecção orientada sobretudo para a detecção de minérios de tungsténio, numa vasta área dos concelhos de Vila Nova de Cerveira, Caminha e Ponte de Lima, cujas condições geológicas foram consideradas favoráveis para a ocorrências de tais minérios.

A esta campanha me irei referir, em posts futuros, pois ela decorreu de modo atormentado, revelador de um espírito anti-fomento que passou a caracterizar o SFM após a Revolução de Abril de 1974.

Por agora, quero apenas assinalar que o Director-Geral, tendo tomado conhecimento de que um dos principais minerais detectados em Covas era a scheelite, que tem uma coloração esbranquiçada e pode facilmente confundir-se com minerais estéreis e apercebendo-se de que este mineral se torna fluorescente com uma cor azulada, quando sobre ele se faz incidir radiação ultravioleta de determinado comprimento de onda, logo congeminou que poderia ele-próprio ser autor de importantes descobertas, mediante uso de aparelho produtor dessas radiações.

Eu tinha já começado a compilar documentação para ataque do problema do tungsténio do Norte e Centro do País, dentro das funções que me estavam atribuídas.

O Director-Geral, porém, não teve pejo em quebrar a disciplina interna do SFM e decidiu invadir as funções que me estavam atribuídas. Pretendia ficar na história como autor da descoberta dos grandes jazigos que ele já ousava designar de “Torres dos Clérigos”, os quais se manteriam ocultos por terem passado desapercebidos devido à semelhança que, à simples observação visual macroscópica, a scheelite manifestava com outros minerais destituídos de valor comercial.

Afectou vários Geólogos, de recente formatura, portanto sem experiência em prospecção mineira, para a campanha de investigação das existências de scheelite, sob a sua directa dependência, cognominando-os simpaticamente de “scheeliteiros”

Esses Geólogos lograram descobrir, na região de Mogadouro, em rochas que denominaram de calcosilicatadas, bons indícios de mineralização de scheelite e logo “embandeiraram em arco”.

Durante alguns anos, foi muito propagandeado um jazigo denominado de Cravezes, onde foram efectuados trabalhos mineiros e sondagens.

Em artigo publicado no N.º 82 de “Memórias e Notícias” da Universidade de Coimbra, um desses Geólogos dá notícia desta ocorrência de Cravezes.
Em capítulo sob o título “Breve referência sobre os aspectos económicos do jazigo”, escreve o seu autor:
“O estudo do jazigo scheelítico de Cravezes encontra-se ainda numa fase inicial. Fizeram-se 14 sanjas com a finalidade de obter uma amostragem das rochas, onde foram determinados sistematicamente os teores de WO3, Sn, Pb e Ag”.
“A amostragem foi praticada, na sua maior parte, na zona alterada das rochas e foi executada por pessoal não especializado, pelo que os resultados podem estar sujeitos a uma certa rectificação”

Dois factos me surpreenderam nesta publicação.
O primeiro foi a inacreditável declaração do Geólogo responsável pelo estudo, de duvidar da correcta execução da amostragem efectuada. A amostragem é uma operação fundamental sendo a sua execução da competência do Geólogo ou de pessoa agindo sob sua directa orientação.
O segundo foi que tivesse sido aceite para publicação artigo respeitante a fase tão inicial de estudo de uma ocorrência de scheelite e com tal declaração de incompetência.

Tenho conhecimento de terem sido realizadas sondagens para investigação em profundidade desta ocorrência. Ignoro se foram publicados novos artigos sobre o tema e grau de confiança que essas sondagens merecem, sobretudo no que respeita a recuperação de testemunhos.
Constou-me que, quando O SFM começou a organizar uma “caroteca”, em novo edifício, construído na sua sede em de S. Mamede de Infesta, não foram encontrados os testemunhos destas sondagens.

Sei que se procurou interessar neste “jazigo de Cravezes” a Companhia americana Union Carbide, que cumpria contratos de prospecção com concessionários e com o Estado, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha. Em conversa que tive com o Geólogo americano responsável pelo cumprimento destes contratos, soube que Cravezes não lhe despertou o mínimo interesse, porquanto os seus teores de WO3 eram inferiores aos do estéril das minas que estavam em exploração na zona que estava a investigar.

Os estudos em outras áreas não pareciam mais felizes. As tais “Torres dos Clérigos” tardavam em aparecer!

Em 22-2-1972, o Director-Geral convocou os “scheeliteiros” para prestarem informações sobre os trabalhos que tinham em curso. Como eu continuava a dirigir estudos na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, essencialmente com vista à descoberta de concentrações tungstíferas, fui também convocado.
O Director-Geral, depois de ouvir os “scheeliteiros”, quis então ouvir-me. Comecei por lhe chamar a atenção para o facto de o SFM ter uma “Orgânica”, segundo a qual me fora atribuída a chefia de um departamento que tinha a seu cargo os estudos geológicos e os trabalhos de prospecção mineira, em todo o território metropolitano nacional.
O facto de ter colocado o programa de investigação das existências de scheelite, na sua dependência directa, representava uma invasão das minhas atribuições e um acto de indisciplina que não contribuía para o normal funcionamento do SFM.
Permiti-me chamar-lhe ainda a atenção para a distracção que isso representava das importantes funções que tinha a seu cargo, prejudicando o seu cabal cumprimento.
Redarguiu o Director-Geral que eu poderia ter muita razão, mas o Secretário de Estado tinha mostrado urgência nesta matéria e ele entendera que devia dela encarregar-se directamente para corresponder ao seu apelo. Não encontrou reacção menos “esfarrapada”. O Secretário de Estado provavelmente nem saberia o que é a scheelite!

Em reunião da Comissão de Fomento de 10-7-1973, o Director-Geral começara já reconhecer o que classificou de “falhanço” desse programa de prospecção de scheeelites em que tanto se tinha empenhado.

sábado, 21 de março de 2009

55 – A conferência do Director – Geral sobre pirites em 23-5-1969

Ao conhecimento do Director-Geral chegou publicação do Instituto Bartelli, que abordava o tema da pirite, como minério de enxofre, num âmbito global.
Entusiasmado com o que leu, quis aproveitar os dados que lá encontrou, para demonstrar, perante um membro do Governo e alguns dos seus assessores, a posição privilegiada de Portugal nesta matéria e o futuro risonho que era de prever para as concentrações minerais que tinham sido descobertas com a valiosa intervenção da Direcção-Geral de Minas, através do seu Serviço de Fomento Mineiro.

Para esse fim, solicitou a presença do Engenheiro Rogério Martins (Secretário de Estado da Indústria), Engenheiro João Salgueiro (Sub-Secretário de Estado do Planeamento Económico), Dr. Cardoso Torres, Dr. Magalhães Mota e dois técnicos de produtividade do Instituto Nacional da Indústria, para estarem presentes em reunião restrita da Comissão de Fomento, onde se propunha fazer a sua exposição sobre o tema.
Da parte da DGMSG, convocou os Inspectores Superiores, o Director do SFM, o seu Adjunto conhecido por Ajax e os Chefes dos 1.º e 4.º Serviços do SFM.

Na véspera da reunião, após ter desabafado que convocara também o Director do SFM, esperando porém que ele se mantivesse calado, ensaiou, perante mim, a exposição que iria fazer e perguntou-me, quando a concluiu, qual a minha opinião.

Honestamente, refreei o seu entusiasmo, fazendo-lhe ver que a pirite como minério de enxofre, sem os outros minerais que a costumam acompanhar, é uma matéria-prima muito frequente e que a vantajosa posição de Portugal se devia à proximidade dos mercados, visto que sendo produto barato não suportava grandes despesas de transporte.

O Director-Geral não gostou desta resposta e reagiu dizendo que eu poderia saber muito de prospecção, mas da matéria da exposição ele sabia muito mais!

A reunião iniciou-se pelas 10 horas e 30 minutos de 23 de Maio de 1969, com todas as presenças previstas, mas não teve o sucesso que o Director-Geral desejava.

O Engenheiro Rogério Martins nem o deixou terminar. Já cansado da sua longa exposição acompanhada de projecções para o futuro, teve esta expressão: “E se ouvíssemos agora o Engenheiro Rocha Gomes sobre a prospecção na Faixa Piritosa Alentejana?”

Eu tive, então, oportunidade de explicar o que já tinha sido realizado, a actividade em curso e o que estava projectado.

Quanto ao Director do SFM, cumpriu o que o Director-Geral dele esperava.

Poucos anos após esta reunião, aconteceu que a pirite, como minério de enxofre, deixou de ter valor comercial. Passou a ser considerada como ganga, dado que se tornou possível obter enxofre, a partir de outras fontes, em condições muito mais económicas. O minério piritoso voltou a ser valorizado pelo seu conteúdo de cobre, zinco, chumbo e outros metais minoritários, tais como ouro, prata.