segunda-feira, 17 de maio de 2010

123 – As realidades e as fantasias do Director-Geral de Munas. Continuação 4

Continuando na análise da fantástica Comunicação do Director-Geral de Minas ao Congresso 78, vou agora pôr em evidência graves malefícios originados pela sua ingerência na actividade do Serviço de Fomento Mineiro, em flagrante contradição com actuação positiva que pretendeu fazer passar aos congressistas.

Já demonstrei, no post n.º 120, com vários exemplos, o seu clamoroso erro ao declarar terminada a prospecção de jazigos que se denunciem por afloramentos.

A atenção do SFM, em sua opinião, apenas se justificaria na procura de jazigos sem afloramentos.

São suas as afirmações seguintes: No que respeita à prospecção de jazigos não aflorantes, a situação evidentemente é bem diferente. ….
No entanto, deve dizer-se que, entre nós, este processo – a prospecção de corpos ocultos – nem é novo, nem está nos seus primórdios"
.

Exalta, depois, até à exaustão, a “capacidade técnica dos nossos prospectores, o alto nível científico e técnico alcançado pelas respectivas equipas, quer no que respeita a estudos efectuados, quer no que interessa a resultados obtidos”.

Tudo isto me pareceu estranho, ao lembrar-me que comentara depreciativamente, com o seu adjunto (jocosamente baptizado de Ajax, o mais poderoso), o meu desperdício de tempo com vectores, referindo-se à aplicação da gravimetria, cujo papel em prospecção mineira excedia a sua capacidade de entendimento.

Durante as incursões que fizera, em 1974, na 1.ª Brigada de Prospecção, onde, alguns anos antes, havia introduzido o Geólogo Delfim de Carvalho, seu astucioso afilhado, descobriu um valioso arquivo técnico, constituído por muitos milhares de mapas (geológicos, gravimétricos, magnéticos, de resistividade eléctrica, de polarização espontânea, de aplicação do método electromagnético Turam, geoquímicos de Cu, Pb, Zn, MPef, etc) à escala 1:5 000 e algumas dezenas às escalas de 1:25 000, 1:50 000. 1: 100 000.

Logo pensou em publicar alguns desses mapas, para realçar a capacidade dos Geólogos e dos Engenheiros, que os teriam produzido. Ignorava, porém que todo esse arquivo fora por mim organizado, com a eficiente participação de pessoal das Secções e com escassa ou nula intervenção dos técnicos superiores da Brigada (Ver post n.º27).

Qualquer publicação teria de passar pela minha supervisão, pois esses mapas estavam ainda em fase de interpretação, e eu não confiaria essa fase a qualquer dos técnicos da Brigada, por saber não estarem preparados para tão importante tarefa.

Na verdade, após a minha demissão da chefia da 1.ª Brigada de Prospecção, foi publicada uma carta magnética à escala 1:25 000, de área do Alentejo, com uma notícia explicativa, contendo erros, que me levaram a aproveitá-la, em ponto de exame aos meus alunos da Faculdade de Ciências do Porto, para que os detectassem, tão evidentes eles eram.
A este tema, voltarei, mais tarde.

Foi sobretudo na selecção de áreas para estudo pelo SFM que a ingerência do Director-Geral se revelou particularmente perniciosa.

São suas as seguintes curiosas afirmações:

“Que há muito a fazer, muito se poderá esperar quanto a resultados, é evidente que ninguém duvida. Mas também não será menos verdadeiro e menos evidente que, também aqui, (até principalmente aqui) não terão cabimento sonhos de fabulosas riquezas por toda a parte, à espera do primeiro vidente para as detectar”.
Longe da cobertura total das áreas geologicamente potenciais para todas as principais substâncias, a verdade é que serão muito raras, se existirem, as parcelas virgens consideradas mais promissoras”.

Este nebuloso discorrer, ora optimista, ora negativista, é bem revelador da confusão reinante no seu espírito, quanto à disciplina a que devia obedecer a actividade do SFM.
De facto, muitos foram os estudos que nem sequer deixou iniciar, por considerar que não iriam gerar as fabulosas riquezas que pretendia.

Ora o real papel do SFM, estava bem explícito, logo no artigo 1.º do Decreto-lei de sua criação. Nele se estabelecia que “compete ao Estado o estudo sistemático da riqueza mineira do País, para o seu melhor aproveitamento, conforme os interesses superiores da economia nacional”.

Estudo sistemático significa que todas as potencialidades deveriam ser investigadas, obviamente com bases científicas e não em meros "palpites".
O único problema seria o estabelecimento de prioridades e este evoluiria, em função dos novos conhecimentos que se iam adquirindo.

Ideias negativistas, sem base científica, seriam, evidentemente, de rejeitar.

Não foi, porém, esse o raciocínio do Director-Geral.

Não autorizou que se atacasse, o problema do volfrâmio e do estanho, do Norte e do Centro do País, porque, em seu entender, a prospecção tinha já sido feita, durante a 2.ª Guerra Mundial, com as botas, na sua curiosa expressão, referindo-se à intensa procura efectuada, nessa época, em que o volfrâmio atingiu elevadíssimas cotações, porque a sua utilização era essencial às indústrias de guerra de ambos os contendores.

Apenas se justificava, seguindo ele, a procura de jazigos de scheelite, por poderem ter passado despercebidos, devido à semelhança deste mineral com minerais estéreis, à simples observação visual. E julgou que poderia orientar essa prospecção, apenas com a colaboração de Geólogos recém-licenciados, em princípio de carreira.
Já referi o “fiasco” em que redundou tal orientação.
Chegou a retirar uma sonda que estava a prestar bons serviços na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima, para aplicar no chamado jazigo de Cravezes, que não passava de uma ocorrência, em fase inicial de estudo, a exigir mais aprofundada investigação, antes de se justificarem sondagens.
Quando a sonda foi retirada da região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima, estava projectada uma das sondagens com melhores prognósticos, pois se baseava em pronunciadas anomalias magnética e geoquímica de tungsténio, em zona onde se descobrira afloramento de skarn (a rocha hospedeira da scheelite), bem mineralizado.

Mais tarde, a área, onde estava projectado esta sondagem, foi adjudicada, à Companhia americana Union Carbide, sem que eu tivesse sido consultado sobre as cláusulas contratuais. A Companhia, sem executar estudos adicionais, baseando-se exclusivamente nos dados fornecidos pelo SFM, imediatamente passou a fazer sondagens, com os resultados positivos que se esperavam, isto é interceptou níveis de skarn com teores de tungsténio muito superiores aos do minério que estava a ser explorado nas Minas de Valdarcas, Fervença e Cerdeirinha.

Sempre contrariou a investigação de possíveis concentrações de minerais de crómio, níquel, cobre e até metais do grupo da platina, associadas às rochas básicas e ultra-básicas de Trás-os-Montes.
No entanto, quando uma empresa portuguesa associada à Companhia canadiana Noranda, me contactou interessada em fazer investimentos com vista a futuras explorações mineiras e lhe indiquei tal possibilidade, logo a aproveitou e através de contrato que firmou com o Estado, realizou diversos trabalhos de prospecção, que fui acompanhando, com muito interesse.
Além de levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos, a empresa executou várias sondagens. Houve, deste modo, um acréscimo notável de conhecimento acerca desta área, embora não se tivesse chegado a descoberta de concentrações que justificassem exploração.
Não se espera que a atitude das Companhias, em matéria de prospecção coincida com a que deve ter um Organismo de Estado.
As Companhias destinam um determinado orçamento e um determinado período de tempo para realizarem os seus estudos. Se após o esgotamento do orçamento e do tempo previsto, conseguem bons resultados, requerem ou novos contratos ou concessões de exploração. Caso contrário, dão por terminada a sua presença no País, deixando documentação e testemunhos de sondagens, que poderão, mais tarde, ser utilizados em novos estudos, pois o seu abandono não significa, necessariamente que não existam jazigos minerais. Apenas podem considerar-se diminuídas as probabilidades de existirem, para as possibilidades das técnicas, à data, utilizáveis.

No que respeita a áreas do Norte e Centro do País, onde eram conhecidos jazigos auríferos ou manifestações da sua existência, nunca permitiu que fossem realizados os estudos sistemáticos que se impunham.
Já me referi aos obstáculos criados para poder dar apoio solicitado pelo concessionário das Minas de Jales, que se encontravam em exploração enfrentando grandes dificuldades no reconhecimento do seu sistema filoniano.
Pretendi aplicar, em vasta área abrangendo as Minas de Jales e Três Minas, o método electromagnético Turam, que tanto sucesso tivera num caso semelhante: o sistema filoniano de Aparis. O Director-Geral não contrariou os obstáculos que o Director do SFM criou à execução desta campanha de prospecção.

Com esta zona aconteceu o mesmo que com a faixa de rochas básicas e ultra-básicas de Trás-os-Montes. Indiquei, à empresa BP Minerals, esta área para investigação e soube que ela realizou importantes estudos, sem contudo chegar a conclusões que a entusiasmassem a estabelecer contrato com o concessionário para passar ela a fazer uma exploração em moldes mais científicos.
Ignoro se os resultados dos seus trabalhos foram arquivados no SFM, como eu costumava fazer, pois me foi progressivamente retirado o contacto com os investidores.

Curiosamente, ao mesmo tempo que não proporcionava as condições para que se realizassem criteriosamente os estudos para investigação das existências de ouro, no Norte e no Centro do País, para cumprimento dos programa que eu apresentava anualmente, mostrou-se pressuroso em auxiliar, sem base legal, entidade privada que sonhava com fabulosas riquezas em risco de se perderem, devido à construção da barragem de Fratel, no Rio Tejo, perto de Vila Velha de Ródão.
Vem de recuada data o conhecimento de que as areias do Rio Tejo e de alguns dos seus afluentes contêm ouro, em proporções muito reduzidas. Embora não fosse de desprezar o seu estudo, havia outras áreas com muito maior prioridade, não se justificando portanto alterar a programação existente, para satisfazer pedido, sem base legal, de entidade privada que era conhecida pela sua especialização em acumular alvarás de concessões mineiras com o propósito de os negociar, aproveitando-se da complacência da DGMSG para com estes infractores da legislação vigente.
Tendo-me recusado a colaborar nesta ilegalidade, o Director do SFM introduziu mais uma indisciplina na actividade deste Organismo. Determinou que o 2.º Serviço se encarregasse de fazer os estudos que a entidade privada tinha requerido, para que se aproveitasse "uma riqueza que estava em risco de se perder".
O 2.º Serviço, que já havia demonstrado a sua incapacidade técnica, ao terminar com os Trabalhos Mineiros Clássicos no SFM, acabou por fazer mais uma demonstração dessa incapacidade. “As vastas ocorrências auríferas, porventura as de maiores dimensões entre nós”, a que o autor do relatório que apresentou e que foi publicado no Boletim de Minas (!) não deram, afinal, origem, até hoje, que eu saiba, a quaisquer explorações (Ver post n.º 70).

Ocorre-me, reflectir se, no momento presente, não seria viável, em termos económicos, a exploração de algumas das numerosas ocorrências auríferas conhecidas ou que tivessem sido descobertas, se se tivesse efectuado a prospecção racional que se impunha.
A actual cotação de 31 euros/gr (Ver JN de 8-5-2010) permitiria, sem dúvida, explorar concentrações de muito mais baixo teor que as exigidas na época em que o problema se colocou.

Já me referi pormenorizadamente ao extraordinário caso do jazigo de chumbo de Braçal – Malhada - Coval da Mó, em que o Director-Geral consentiu o encerramento de minas que se encontravam em exploração, sem que se notasse escassez de reservas, apenas por baixa ocasional de cotação do metal, sabendo-se que tal situação é cíclica. (Ver posts n.ºs 59 a 66)
Em vez de aproveitar estas minas para estudo, visto que não estavam reconhecidas devidamente, preferiu lançar-se no reconhecimento das Minas de Talhadas há muito encerradas e com menor potencialidade revelada.
Nem andamento deu ao projecto de sondagens no Cabeço do Telégrafo, perto das Minas do Braçal, com base em excepcional alinhamento de anomalias geoquímicas de Pb que apresente, em 17.09.74, por “não simpatizar com filões“ (Ver post n.º 66)
O seu pouco entusiasmo com os filões não impedia, contudo, de permitir que o 2.º Serviço mantivesse em estudo, com muito deficiente orientação técnica, quer as minas de Talhadas, quer a de Barrigão, esta última localizada no interior de área adjudicada a empresas com predomínio da capitais canadianos, que por ela não mostrava o mínimo interesse, dada a pequena extensão do filão conhecido.

Continua …

quarta-feira, 12 de maio de 2010

122 – As realidades e fantasias do Director-Geral de Minas - Continuação 3

Nos 3 posts anteriores, pus em evidência a disparidade entre afirmações do Director-Geral de Minas, na sua Comunicação ao Congresso 78, relativamente a exigências de grande competência técnica para as tarefas da prospecção mineira e a sua real impreparação neste domínio, em que decidiu ter papel activo.

Salientei, também, o modo irresponsável como o Director do SFM desempenhava o seu cargo, remetendo-se a um papel subserviente, perante arbitrariedades do Director-Geral.

Adaptando do épico: Fracos dirigentes produzem incompetentes … e até os premeiam!

Este foi, na realidade, o fantástico lema que dominou a actividade do Serviço de Fomento Mineiro, após o falecimento do seu primeiro Director.

Nunca me intimidei, porém, com as prepotências de dirigentes ignorantes e fui conseguindo, durante alguns anos, contrariar os seus obsessivos propósitos de dificultarem a minha actividade.

Foi com muita determinação e perseverança, que conduzi o SFM aos seus maiores êxitos, aos quais já me referi em vários posts.

No expressivo comentário do Director do SFM, perante representante de membro do Governo, isto foi alcançado “porque ele deixou!!”, (Ver post n.º 112), talvez se tivesse exprimido melhor, se tivesse dito ”porque não consegui impedir”.

Mas se o Director-Geral, durante os primeiros tempos do seu mandato, teve a astúcia de se apoiar em sucessos dos trabalhos que dirigi, para a sua promoção pessoal junto do Governo, a partir de 1968, decidiu dispensar esse apoio e tentou adoptar para comigo o procedimento que tinha usado com o Director do SFM, isto é, tentou passar a orientar os trabalhos de prospecção mineira, no território metropolitano.

É certo que, além da nomeação de indivíduo com currículo negativo para dirigir o SFM, já, em Maio de 1963, me tinha desconsiderado, ao desligar-me, sem sequer me informar, da representação do País no grupo “ad hoc” constituído na OCDE sobre aplicação de métodos modernos de prospecção, para a qual tinha sido nomeado pelo Engenheiro Castro e Solla, seu antecessor no cargo. (Ver post n.º 22)

E quem foi, então, designar para me substituir nessas funções? O anterior Director do SFM, que tinha declarado a Robert Woodtly não ter justificação a prospecção mineira no Norte do País!! (Ver post n.º 120)

Como referi noutros posts, o Director-Geral decidiu orientar jovens e inexperientes Geólogos, em campanha de prospecção de scheelites, nas regiões de Alfândega de Fé, Mogadouro, Almendra, Figueira de Castelo Rodrigo.
Sonhava com êxitos espectaculares (as Torres dos Clérigos, na sua curiosa expressão), porque tinha descoberto que a scheelite, que à vista desarmada se confunde com minerais estéreis, fluoresce intensamente, quando submetida, na escuridão, a radiação ultra-violeta de determinado comprimento de onda.
Fez a descoberta, quando, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima, há muito tempo eu já usava correntemente este procedimento, nos trabalhos de prospecção que lá tinha em curso! (Ver posts n.sº 56 e 94).

Passou, depois, a interferir, abertamente, na programação do SFM e na colocação dos técnicos que iam ingressando neste Organismo, insistindo no desrespeito pela Orgânica em vigor.

Técnicos com cursos superiores ou médios, não mais foram integrados, no Serviço de Prospecção, como impunha a Orgânica, apesar das minhas persistentes informações, em sessões da Comissão de Fomento, quanto à necessidade, sobretudo de Geólogos, para colaborarem nos estudos em curso, quer na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, quer na Faixa Metalífera da Beira Litoral.

Numa dessas reuniões, em jeito de grande condescendência, recomendou ao Director do SFM, que tivesse em consideração tais informações, “para não mais ouvir as minhas lamentações”.

Como eu esperava, o Director do SFM fez desta recomendação orelhas moucas.
A realidade foi que a carência de Geólogos no 1.º Serviço se manteve, sem que o Director-Geral com isso tivesse demonstrado a mínima preocupação.

Quanto a acções no sentido de formar e manter técnicos competentes, já descrevi, no post n.º 71, a total insensibilidade do Director-Geral.

Nas suas reiteradas divagações sobre este candente tema da competência, ora declara haver escassez de meios humanos e materiais, para as tarefas a empreender, ora tece rasgados elogios às equipas de prospectores (sem concretizar a quem estaria a referir-se), ora revela preocupação perante o envelhecimento dos técnicos.

Quanto a escassez de meios humanos, assinalarei em post futuro, que o pessoal da Direcção-Geral de Minas atingia no final da década de 70 do passado século, o assombroso número de 590 pessoas, entre técnicos superiores, médios e auxiliares, administrativos, etc.!!

Já me referi, no post n.º 93, à minha estupefacção quando soube do empolamento de pessoal, na sede do SFM em S. Mamede de Infesta, para 104 funcionários (!), em acentuado contraste com a progressiva redução de trabalhadores no campo, isto é, onde se devia processar o real fomento mineiro.

Era, portanto, muito incorrecta a afirmação de escassez de pessoal. Pelo contrário, havia tal superabundância, que o excesso era fonte de problemas.

A realidade era que, se exceptuarmos os departamentos que estiveram ou estavam ainda sob minha jurisdição, nem tinha havido cuidado no recrutamento de pessoal, nem tinham sido tomadas medidas para melhorar a preparação obtida nos estabelecimentos de ensino, também eles carecidos de experientes profissionais.

Mas o Director-Geral, não só nada fez para melhorar a preparação dos técnicos da DGMSG, como destruiu quanto eu tinha feito, nesse âmbito, na 1.ª Brigada de Prospecção, ao permitir ou talvez até incentivar que o Director do SFM me demitisse da chefia desta Brigada que, durante anos, eu pacientemente organizara. (Ver post n.º81)

Quando elogiou as equipas que chegaram a grandes êxitos, referia-se, obviamente, ao 1.º Serviço, e tinha plena consciência de que essas equipas foram por mim constituídas com grande esforço e determinação.

Ocorre, naturalmente perguntar qual a sua capacidade para se pronunciar sobre a competência destas equipas, sabendo-se quão ignorante era sobre as técnicas que elas utilizavam.
Imagino que desejaria realçar o papel dos Geólogos e dos Engenheiros, excluindo-me obviamente desse conjunto, visto que eu estava a ser alvo de sucessivas ameaças, “até às últimas consequências”.

A realidade é que a competência desses Engenheiros e Geólogos era bastante modesta, chegando a roçar a mediocridade, como já pus em evidência nalguns posts.
Revelarei, mais tarde, indesculpáveis erros patenteados em artigos que fizeram publicar, quando deixaram de estar submetidos à minha chefia.

Os sucessos das equipas ficaram a dever-se muito mais à minha acção e à colaboração de pessoal de nível médio (Agentes Técnicos de Engenharia) e auxiliar recrutado localmente, nas áreas das Secções, que eu directa ou indirectamente tinha preparado, desde o início da década de 40, do que aos Geólogos e aos Engenheiros de recente ingresso no SFM. (Ver posts n.ºs 85 a 90)

Outra realidade foi que, durante a ausência dos 3 Geólogos, em cursos pós-graduação, no E.U.A. e em França, os estudos da 1.ª Brigada prosseguiram, com normalidade, sem que se tivesse feito sentir a sua falta.
E quando regressaram, até se registaram estranhas divergências, quanto à selecção de áreas para investigação.
Esperava-se, do seu aperfeiçoamento profissional, uma contribuição positiva para a orientação dos estudos da Brigada.
Mas não foi, infelizmente, isso que aconteceu. Atribuindo-se uma superioridade que queriam aparentar ter conseguido, mas que não tinha suporte científico, geraram divergências que me levaram a fazer censura escrita a um deles, que tivera a ousadia de querer substituir-me na programação dos estudos, contrariando o que havia sido decidido em reunião na sede da Brigada em que ele havia participado... (Ver post n.º 88).

O Director-Geral tinha consciência de que os sucessos terminaram completamente com o meu afastamento, não obstante o Geólogo Delfim de Carvalho seu afilhado, que se auto-investiu no cargo que eu fora forçado a abandonar, tenha promovido a jazigos minerais, bons indícios de mineralizações, que haviam sido descobertos ou preparados, durante a minha chefia, sem a sua mínima intervenção.

Relativamente à sua afirmação quanto ao envelhecimento do pessoal técnico, observo que a média das idades dos engenheiros e dos geólogos destacados para o 1.º Serviço (incluindo os 58, que eu já contava), era de 42 anos, em finais de 1978, muito distante dos 60, que o Director-Geral calculou!
Outros Geólogos que não foram integrados no 1.º Serviço tinham provavelmente idades ainda inferiores, pois eram, na sua maioria, recém-licenciados (caso dos scheeliteiros).
Não pode, pois, dizer-se que era pessoal já velho, embora houvesse indivíduos, cujo comportamento poderia levar a tal classificação.

É certo que não ingressavam novos Engenheiros, pois o ambiente deixou de se tornar atractivo, após decisões arbitrárias do Director do SFM. É disso exemplo a saída de um jovem Engenheiro que prometia vir a tornar-se técnico competente, após curta permanência no SFM, sem que lhe fossem definidas funções, em conformidade com as suas habilitações académicas. (Ver post n.º 116).

Nunca vi quaisquer medidas do Director-Geral para tornar atractiva a entrada de Engenheiros no SFM.
Recordo uma circular, que o seu antecessor enviou às Universidades, sugerindo que alunos inscritos em cursos de Engenharia dessem preferência ao curso de Minas, pois teriam colocação assegurada no SFM. Aproveitaram esta sugestão os Engenheiros que passaram a integrar a 1.ª Brigada de Prospecção.
Nunca este Director-Geral tomou iniciativa semelhante.

Ao contrário do Director-Geral, já na Universidade do Porto, onde regia a cadeira de Prospecção Mineira, eu chamava a atenção dos meus alunos para as reais potencialidades do País, em recursos minerais, na esperança de que viessem a integrar-se num Instituto de Investigação Mineira verdadeiramente eficaz, liberto, portanto, da influência nefasta de dirigentes incompetentes.

O papel negativo do Director-Geral, na formação de técnicos competentes, mais uma vez se evidenciou quando resolveu não dar seguimento à minha proposta de aproveitamento do jazigo de cobre de Aparis, como verdadeira Escola de Minas, onde aperfeiçoariam a sua formação, não só Engenheiros, Geólogos e Agentes Técnicos de Engenharia, mas também pessoal das diversas profissões que intervêm na indústria mineira.
Além disso, projectava-se ensaiar, nessa Escola, novos equipamentos que fossem surgindo no mercado, a facilitar o desenvolvimento da indústria mineira.

O que aconteceu foi o Director-Geral adjudicar, precipitadamente, a concessão, a empresa constituída por um seu amigo e colega de curso, como sócio principal, propositadamente para exploração das parcelas mais ricas do jazigo, (Ver post n.º48, sobre o fim inglório do jazigo de Aparis)

Mas o cúmulo da acção destrutiva deste Director-Geral, foi atingido quando se mostrou incapaz de pôr travão a decisões do Director do SFM, reveladoras de malvadez ou insanidade mental, as quais me colocavam na dependência de técnicos oportunistas, inexperientes e de mau carácter, em despudorado desrespeito pela hierarquia e pela Orgânica vigente. (Ver posts n.ºs 97 a 100).

Como já referi, tendo-me recusado a acatar tais decisões ditatoriais, ilegais, de reais fascistas travestidos de democratas, fui ameaçado com sanções disciplinares, até às últimas consequências.

Este foi o prémio que recebi, ao fim de 39 anos de actividade, durante os quais revelei competência, em todas as funções que desempenhei, originando êxitos que muito prestigiaram o SFM até a nível internacional.

Mas que devia eu esperar de um dirigente que já me havia censurado asperamente por ser “um gajo que com a mania das justiças estragava tudo”? (Ver post n.º 50)

Relativamente a meios materiais a realidade é que só eram escassos, por decidida acção dos dirigentes que não davam andamento às solicitações que lhes eram apresentadas, pois as generosas dotações atribuídas ao SFM até permitiam os esbanjamentos do Director-Geral na aquisição de viaturas para seu uso pessoal e outras despesas que nada tinham a ver com fomento mineiro.

Houve até equipamentos que nunca chegaram a ser utilizados e que, com o decorrer do tempo se tornaram obsoletos, como foi o caso de diverso material recebido ao abrigo do Plano Marshall.

Ocorre também perguntar qual o destino de abundante material que ficou disponível, quando o 2.º Serviço se mostrou incapaz de manter trabalhos mineiros clássicos, após a adjudicação da concessão de Aparis e o termo dos estudos nas Minas de Talhadas.

Todo este material teria aplicação, se tivesse havido uma racional programação da actividade do SFM.

Abordarei, no próximo post, o tema da programação do SFM e o papel negativo que o Director-Geral teve a este respeito, e até nas prioridades que estabeleceu para a distribuição de equipamentos, sobretudo sondas, em flagrante contradição com as suas afirmações na Comunicação que apresentou ao Congresso 78.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

121 – As realidades e as fantasias do Director-Geral de Minas. Continuação 2

Prosseguindo na análise da Comunicação do Director-Geral de Minas ao Congresso 78, vou agora pôr em evidência a enorme discrepância entre as suas exigências quanto à elevada competência para o desempenho das tarefas da prospecção mineira e as decisões que tomou ou aceitou, quanto a escolha dos responsáveis pela execução dessas tarefas.

No post anterior, salientei a ignorância do Director-Geral em matérias em que decidiu intervir. Mas não ficaram por aí os erros que foi cometendo, nem sempre resultantes dessa ignorância...

Logo no início do seu mandato, em 1962, cometeu clamoroso erro ao nomear um Engenheiro, cuja incompetência e cujo duvidoso carácter eram bem conhecidos, para o importante cargo de Director do Serviço de Fomento Mineiro

De facto, o currículo deste Engenheiro não era pobre; era negativo.

Na qualidade de adjunto do anterior Director do SFM, as suas funções resumiam-se ao cumprimento das formalidades burocráticas para a aquisição dos equipamentos essenciais aos trabalhos mineiros das Brigada.

Pelo que dizia respeito aos estudos a meu cargo, no Sul do País, foi permanente a sua criação de dificuldades. Nunca satisfazia inteiramente as minhas requisições, com o mesquinho argumento de reduzir despesas, alegando duvidar das reais necessidades.

O Governo dotava o SFM com generosos orçamentos, pois mantinha grande empenho em ver cumpridos os objectivos visados pelo Decreto da sua criação.
Mas o Director do SFM de então e este seu adjunto, interpretavam as naturais recomendações de boa administração dos dinheiros públicos, como obrigação de apresentar abundantes saldos, no final de cada ano, embora à custa da não realização dos estudos que seriam de prever.

O que tornou possível um eficaz reconhecimento dos jazigos que estavam em investigação, nas Secções de Cercal - Odemira, Montemor-o-Novo, Moura e Barrancos e Castro Verde, da Brigada do Sul, que eu chefiava, foi o abundante material recebido ao abrigo do Plano Marshall (Ver post n.º 15).

Pude aplicar este material (grupos electrogéneos, moto-compressores, grupos electro-bombas, martelos pneumáticos e seus acessórios, etc.) porque, nas Brigadas do Norte e do Centro do País, poucos estudos havia em curso, que exigissem a sua utilização.

A um projecto que apresentei para a instituição do piso 210 na Mina de cobre de Aparis, com o objectivo de aumentar significativamente as suas reservas, não foi dado andamento e nem sequer foi acusada a sua recepção.
Este projecto ia exigir um conjunto de equipamentos (grupos electro-bombas de elevada potência, novas tubagens para ar comprimido e para esgoto de águas, cabos eléctricos, tudo devidamente dimensionado) e a instalação de um posto de transformação à boca do poço S. Francisco.

Salientei estas e outras características negativas do novo Director do SFM, em conversa informal com o recém-nomeado Director-Geral.
Registo que, nessa época, eu via este Director-Geral como um colega da minha geração, que tinha sido investido em elevado cargo, como poderia ter sido eu, até porque, quando ele teve acesso ao Quadro definitivo da DGMSG, ficou colocado em lugar inferior ao meu, por ter menor classificação académica.

Com o natural à-vontade, resultante desta circunstância, fiz-lhe ver as inevitáveis consequências de nomeação de pessoa com tão fraco currículo para o desempenho de funções de tamanha exigência.

A reacção do Director-Geral foi a que já descrevi no post n.º 25. A nomeação fora “imposta” por um Secretário de Estado, e ele não sentia poder contrariá-la.

Mas acrescentou que teria carácter transitório e que a direcção do SFM viria a ser-me confiada, por reconhecer ter eu, indiscutivelmente, maior qualificação para o cargo.

O grande desrespeito pelo cargo de Director do SFM era atitude desprestigiante de Organismo de fundamental importância para o País, mas havia a esperança de que esta situação transitória se não prolongasse.
Só o regime político vigente, que protegia os seus subservientes apoiantes, explicava, mas não justificava tão aberrante nomeação.

Após a Revolução, não era, obviamente, expectável que tal situação se mantivesse.

A realidade, porém, foi que a transitoriedade se prolongou por 15 anos (!!!), com os malefícios que já descrevi em vários posts.

Mas outra realidade, que progressivamente passou a evidenciar-se, foi que um Director do SFM, incompetente e subserviente, se tornou muito útil para o Director-Geral poder usar o generoso orçamento extraordinário do SFM para despesas que nada tinham com fomento mineiro e não eram consentidas pelo orçamento ordinário.

Foi, deste modo, que passou, por exemplo, a ter 3 viaturas ao seu serviço, oficial e particular, em acentuado contraste com o seu antecessor que se deslocava em transportes públicos para exercer funções.

O Director-Geral, assumiu-se como o verdadeiro dirigente do SFM, reservando para o titular do cargo funções subalternas pouco edificantes.

Uma das suas primeiras acções, nesta qualidade, foi utilizar-me para demonstrar, ao Secretário de Estado da Indústria, Engenheiro Amaro da Costa (pai do malogrado Ministro da Defesa do Governo de Sá Carneiro), em viagens organizadas pelo Sul do País, os maiores sucessos do Organismo que dirigia, embora realizados anteriormente ao seu investimento no cargo de Director-Geral.
Por meu intermédio, apresentou-lhe trabalhos mineiros bem sucedidos, fundamentais para explorações que se encontravam em curso nas Minas de ferro e manganés de Cercal – Odemira, nas Minas de zinco das Preguiças em Moura ou iriam ser iniciadas na Mina de cobre de Aparis, em Barrancos. (Ver post n.º 47),

Entusiasmado com o bom acolhimento do Secretário de Estado, preparou idêntica visita a trabalhos do SFM no Norte do País. Mas esta visita correu mal, porque muito pouco havia para mostrar e o Director do SFM nem esse pouco soube valorizar, o que levou o Director-Geral a lamentar-se de lhe ter faltado no Norte, um “Rocha Gomes”

Nesta primeira fase do seu mandato, foi frequente nomear-me para apresentar perante membros do Governo, ou em ambientes externos à DGMSG, sucessos do SFM, os quais diziam respeito essencialmente ao sul do País, pois aí se tinha exercido, até então, a minha principal actividade.

Cito, como exemplos, as várias exposições que fiz no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, no âmbito do Agrupamento Português de Prospecção Geofísica, a nomeação para representar a Metrópole nas Jornadas de Engenharia que em 1965 se realizaram em Moçambique
Nunca se lembrou de convidar o Director para estes fins.

Tornou-se, também, normal encaminhar para mim representantes de Companhias nacionais ou estrangeiras interessadas em fazer investimentos em prospecção mineira, para eu indicar as áreas onde poderiam exercer essa actividade, geralmente em continuidade das investigações realizadas pelo SFM.
Isto acontecia, não só pelo desconhecimento que geralmente tinham, tanto o Director-Geral, como o Director do SFM, da evolução dos estudos a meu cargo, apesar de receberem, regularmente, relatórios (que não liam) do progresso dos trabalhos, mas também, porque se sentiam pouco à-vontade a exprimir-se em inglês ou mesmo francês.

Recordo-me de o Director-Geral ter exigido a presença de intérprete, quando Grupo franco-canadiano quis indagar as possibilidades de fazer contratos de prospecção mineira em Portugal, de me ter advertido, de modo áspero, quando, inadvertidamente me estava exprimindo em francês, ao ser convidado a prestar as informações que o Grupo pretendia.
Recordo-me ainda de o intérprete traduzir, em escassos minutos, as longas e repetitivas dissertações do Director-Geral, passeando-se pela sala, onde decorria a reunião, esticando e encolhendo um ponteiro telescópico que costumava usar.

Já me referi, no post n.º 55, a reunião que provocou com representantes do Governo para expor o papel de Portugal que se lhe afigurava fortemente privilegiado em matéria de exploração de pirites. Tinha desabafado comigo, no dia anterior, que não pudera deixar de convidar o Director do SFM, para também estar presente, mas, esperava que ele se mantivesse calado. E foi o que realmente aconteceu!

A criação da Comissão de Fomento resultou da sua decisão de se assumir como dirigente do SFM, sem que o verdadeiro titular do cargo, com isso, se mostrasse desautorizado. Pelo contrário, pareceu até aliviado, pois alguém a nível hierárquico superior assumia responsabilidades em matérias em que não se sentia à vontade.
A total inutilidade das reuniões desta Comissão, já eu denunciara na conversa de 15-6-1974 (Ver post n.ºs 49 e 72).
O Director-Geral não teve coragem de lhes dar continuidade após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Em próximos posts, ocupar-me-ei de outras decisões do Director-Geral, que redundaram na (de)formação técnica e cívica de pessoal seu subordinado, em flagrante contradição quanto às exigências de elevada competência, que reiteradamente proclama na sua Comunicação.

domingo, 25 de abril de 2010

120 – Realidades e fantasias do Director-Geral de Minas. Continuação 1

Nas suas divagações sobre “Determinantes fundamentais da política mineira nacional”, o Director-Geral declarou “tentar definir a nossa cousa mineira (!), desde a inventariação à exploração”.

Pretendeu ainda distinguir as realidades, das fantasias de visionários de fabulosas riquezas.

No post anterior, já salientei a realidade que o Director-Geral tentou escamotear. Essa realidade era que a lei de minas se não cumpria e que, a actividade privada se exercia sem adequada orientação técnica e com deficiente ou nula fiscalização

Vou agora referir-me ao papel dos Serviços do Estado na inventariação dos recursos minerais do País.

Ao Decreto-lei n.º 29 725 de Junho de 1939, fundamental neste âmbito, não é feita qualquer referência na Comunicação!!

No entanto, logo no preâmbulo deste Decreto-lei, são feitas considerações, que ainda hoje, em 2010, merecem séria reflexão, pois mantêm muita actualidade.

Vou salientar algumas delas:

Falta ainda, um reconhecimento geral das nossas possibilidades mineiras, não só porque têm sido incompletos, por parciais e pouco profundos os estudos realizados, mas também porque a evolução da técnica na exploração das minas e no aproveitamento das matérias primas pode fazer com que sejam hoje susceptíveis de aproveitamento jazigos que antes não eram considerados economicamente exploráveis.”
….
Torna-se, por isso, necessário um novo estudo e reconhecimento das possibilidades do País, sobretudo em relação aos minérios fundamentais.”
….
Interessa inventariar as possibilidades do País prosseguir no caminho que o Governo, já iniciou de preparar técnicos para estudar novas modalidades industriais.”
….
Restam-nos, é certo, os recursos do Império e as possibilidades de actividade que ele nos oferece; mas, apesar do que há feito e do que se está fazendo, não é demais que se aproveitem ao máximo os recursos conhecidos da metrópole, como elemento de melhoria do nível de vida, de fixação de população e até de adestramento para a missão a desempenhar no Portugal de além mar.

O objectivo do desenvolvimento diversificado da produção depende mais de iniciativas que faltam do que de disposições de lei. Mas quando aquelas de facto não surgem, compete ao Estado, na medida em que lhe é possível, tomar as medidas necessárias para estimular, e até forçar, os particulares a não manterem inaproveitadas riquezas que oferecem possibilidades de trabalho para uma parte da população.

Na verdade, uma grande parte do minério extraído é exportado em bruto e embora não seja talvez possível – ainda que muito desejável – realizar a sua transformação integral, o certo é que talvez se possa, pelo menos, desenvolver tratamentos e operações que o valorizem, diminuam encargos de transporte e empreguem mão-de-obra nacional.

Fundamental é também, neste decreto, o papel atribuído ao Estado no domínio da prospecção e pesquisa das riquezas mineiras do País.

A importância dos capitais necessários para certos trabalhos e a pulverização das concessões e registos mineiros
tornam impossível pela iniciativa particular trabalhos sistemáticos e profundos.
Ao Estado compete suprir essa deficiência da actividade privada e por isso se estabelece que poderá realizar, quer nas zonas declaradas cativas, quer nas zonas livres, os trabalhos de prospecção e pesquisa que entender necessários para o reconhecimento da riqueza mineira do País e que, quando seja necessário realizar pesquisas em concessões já dadas e os concessionários não possam ou não queiram fazê-las, o Estado poderá realizá-las pelos seus meios, compensando-se depois sobre o minério extraído.

Logo no artigo 1.º deste Decreto-lei se estabelece que “compete ao Estado o estudo sistemático da riqueza mineira do País, para o seu melhor aproveitamento, conforme os interesses superiores da economia nacional”.

Nos restantes artigos, este papel é reforçado, definindo-se os meios para se alcançar o objectivo visado.

Para a concretização do disposto neste Decreto-lei, foi criado o Serviço de Fomento Mineiro, na dependência da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos.

Não foi, portanto, por falta de disposições legais que se não conseguiu dar ao inventário dos recursos minerais do País, o impulso expectável, após quase 40 anos de existência, que aquele Organismo já contava, quando o Director-Geral apresentou Comunicação ao Congresso 78, com curiosas divagações sobre o tema.

Quando se instituiu o Serviço de Fomento Mineiro, tinha-se em vista, não só um verdadeiro conhecimento dos recursos minerais do País, mas também a formação de técnicos, a todos os níveis, para que a inventariação fosse realmente fidedigna e o aproveitamento dos recursos pudesse ser racionalmente efectuado.

Não se excluía a possibilidade de formação complementar em adequados centros de outros países, nem a contratação de empresas especializadas estrangeiras.

Foram, por isso, totalmente descabidos o despacho de Torres Campos “Para a dinamização da indústria nineira” e as consequentes medidas, que originaram vultosos dispêndios, completamente inúteis.

O diagnóstico da situação, na turbulenta época, que se seguiu à Revolução de Abril de 1974, tinha sido feito por mim, quando propus a criação de um Instituto Geológico e Mineiro, para poderem ter efectiva concretização os objectivos visados no Decreto-lei n.º 29 725. (ver post n.º 78)

Durante a minha permanência de 47 anos no Serviço de Fomento Mineiro, uma das minhas constantes preocupações foi a formação de pessoal para poder desempenhar, com rigor, as várias tarefas exigidas pela prospecção mineira, quer proporcionando-lhe, eu próprio, instrução, quer promovendo estágios em centros apropriados nacionais ou estrangeiros (Ver posts n.ºs 24 e 85, 86, 87, 88, 89 e 90).
Até a Engenheiros e Agentes Técnicos de Engenharia tive que dar formação, perante a fraquíssima preparação com que ingressavam nos departamentos que chefiei. Aconteceu que pessoal auxiliar, habilitado apenas com a instrução primária conseguira maior capacidade técnica que funcionários com cursos superiores e médios, através dos ensinamentos que eu lhes havia ministrado. Esta situação chegou a originar problemas de ordem disciplinar, que rapidamente se resolviam, pois além de lições técnicas, dei lições de civismo.
Também na qualidade de docente de disciplinas de Prospecção Mineiras, nas Faculdades de Ciências e de Engenharia do Porto, preparei futuros Geólogos e Engenheiros nesta matéria.
Ministrei, ainda, aulas essencialmente de ordem prática, em cursos no âmbito da CEE, para formação de prospectores.

É uma verdade do Senhor de La Palice que competência é essencial para que a execução de qualquer tarefa mereça credibilidade.

Assim também o reconheceu o Director-Geral, em numerosas passagens da sua Comunicação.

São suas as seguintes afirmações:

“todos os projectos de investigação de recursos têm de ser ponderados, reflectidos, elaborados fundamentalmente com o conhecimento pleno da informação possível, isto é, tem de se obra de técnicos de alta qualidade”.

“os projectos relativos à inventariação de recursos exigem alto nível técnico e completo conhecimento da informação acumulada nos estudos já efectuados relativos a milhares de casos” .

Todavia, como já referi, em vários posts, na prática, o seu procedimento foi completamente oposto ao que enunciou.

Vou começar por apreciar a sua própria competência nas matérias sobre as quais teve directa intervenção.
.
Lembrarei, seguidamente, o que já referi, detalhadamente, em vários posts isto é, as graves perturbações aos trabalhos de prospecção, ocasionadas pela protecção que dispensou a funcionários que sabia serem muito incompetentes para o desempenho dos cargos em que os investiu, ou consentiu que fossem investidos.

Considerando-se perito em investigação mineira, atreveu-se a assumir a orientação directa de jovens e inexperientes Geólogos, em prospecção de scheelites, com os desastrosos resultados que já descrevi no post n.º 94.

Mas, nesta Comunicação, revela, além de uma enorme ignorância em prospecção mineira, grande ousadia nas suas conclusões quanto à situação actual do País nesta matéria.

A sua impreparação resulta da curta permanência que teve no Serviço de Fomento Mineiro. De facto, apenas nele esteve integrado de 1942 a 1944, mas muito do seu tempo foi passado a desempenhar o papel de Colector do Professor da Universidade de Coimbra, colaborador do SFM, João Manuel Cotelo Neiva, como bem assinalam as estampas III, V, VIII, XI, XII e XVIII de “Rochas e Minérios de Bragança-Vinhais” publicado na colecção “Relatórios do SFM”.

Não teve oportunidade de adquirir experiência em prospecção, até porque, como afirmou o Director do SFM de então, perante Robert Woodtly, representante de um Grupo “ad hoc” constituído para a aplicação de “métodos modernos de prospecção”, nos países da OCDE, propositadamente vindo a Portugal, para auscultar as necessidades do País em tal domínio, a prospecção não tinha aplicabilidade, no Norte do País. Só no Sul se justificava – disse ele!

Ao declarar que “dum modo geral, a prospecção de superfície está praticamente terminada para a maioria dos principais minerais, ….com resultados francamente positivos (identificadas milhares de ocorrências)” e que a “prospecção de superfície está bem em dia” comete um incomensurável erro.
Mas volta a afirmar
Anota-se que aqui e por agora, apenas nos referimos à identificação de jazigos aflorantes (prospecção de superfície, repete-se). Assim, poderá concluir-se que, em nosso entender esta história … está bem em dia nos domínios da prospecção de superfície.
É preciso que se entenda, duma vez por todas, que ninguém, tecnicamente responsável, tem o direito de se imaginar prospector de superfície batendo terrenos virgens, quando, na verdade, caminhará, quase sempre, sobre terrenos devassados, pejados por densa rede de pistas, de rastos, de pegadas, testemunhos de uma das mais antigas e frutuosas histórias mineiras do Mundo. História, em cuja feitura participaram muitos dos melhores prospectores de todos os tempos, desde os Romanos (até pré-Romanos) até hoje…
E insiste: É que aqui, sobretudo aqui e agora, não têm cabimento os tradicionais prospectores de superfície, ... mas apenas os cientistas e técnicos do complexo conjunto de disciplinas que intervêm no processo geológico de formação de jazigos.

Em primeiro lugar, confunde procura de indícios de jazigos aflorantes com o que designa por prospecção de superfície.

A realidade é que as técnicas de prospecção mineira se aplicam, na sua maioria, a partir da superfície.

Mas é também real que a procura de indícios de jazigos aflorantes está muito longe de terminada.

Ter-se-ia apercebido de quão insensata era a sua afirmação, se tivesse consultado, por exemplo, qualquer das publicações que, a seguir, menciono:
“Recherche et Étude Économique dês Gîtes Métalifères L.Thiébaut. 1934,
La prospection minière à la batée dans le Massif Armorican. Mémoire du B.R.G.M n.º71. J. Guigues et F. Desvismes. 1969
La prospeccion aluvionar sistematizada en la fase estrategica de la investigacion minera de grandes areas. Aplicacion al complejo granítico de los Pedroches (Córdoba). Echevarria e Razabal. Publicações do Congresso Hispano-Luso-Americano de Geologia Económica. 1971
Interpretation of Leached Outcrops. Roland Blanchard. 1968

Confirmaria, também a insensatez das suas afirmações negativistas, se tivesse lido os relatórios que apresentei, no SFM, quer na qualidade de Chefe da Brigada do Sul, quer como Chefe do 1.º Serviço.
Nesses relatórios, teria verificado que a prospecção de jazigos aflorantes, em Portugal, está ainda em fase muito atrasada e que numerosas ocorrências minerais, que justificaram estudos, para verificar se corresponderiam a jazigos, foram descobertas, por simples exame da superfície, em todas as zonas onde foram efectuados trabalhos sob minha orientação.
Entre outros, são disso exemplo:
a) a descoberta do jazigo de cobre, chumbo, zinco e prata do Torgal (Odemira), referido no post n.º 17,
b) a descoberta de ocorrências de ouro nas Herdades de Grou, Romeiras, Defesa, Chaminé na região de Montemor-o-Novo, às quais me refiro no post n.º 18,
c) a descoberta de ocorrência de barita na área do Monte dos Clérigos, na região de Alcácer do Sal,
d) a descoberta do jazigo de ferro da Alagada, na região de Elvas,
e) a descoberta de vários afloramentos de skarn com mineralização de scheelite, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, às quais me referirei detalhadamente em futuro post,
f) a descoberta de mineralizações essencialmente zincíferas, na zona de Vale do Vargo (Moura),
g) a revelação da grande mancha de rochas vulcânicas da região de Castro Verde – Almodôvar, como área potencial, antes desconhecida, para a ocorrência de grandes jazigos de sulfuretos maciços; na qual viria a concretizar-se o maior êxito, de todos tempos, em Portugal, o já célebre Jazigo de Neves-Corvo,
h) a revelação da grande mancha de rochas vulcânicas da região de Cercal – Odemira, antes desconhecida, e a sua potencialidade para jazigos de sulfuretos idênticos aos da Faixa Piritosa
i) a revelação da região de Alcácer do Sal como prolongamento de um dos horizontes da Faixa Piritosa Alentejana.

Tive a intenção de aplicar, o método de prospecção aluvionar, usado no Maciço Armoricano francês, pelo BRGM, método que representava um aperfeiçoamento da técnica aconselhada no livro de Thiébaut de 1934.
Começaria, com ensaios de orientação em zonas seleccionadas por considerações de ordem geológica e estenderia progressivamente a sua aplicação até abranger todo o território nacional.

Tal método exigiria a colaboração de técnicos especialistas no exame, à lupa binocular, dos concentrados obtidos em aluviões nas linhas de água.
O BRGM francês aceitava preparar esses técnicos.
Perante a total falta de receptividade do Director do SFM, cheguei a propor que um Assistente da Faculdade de Ciências do Porto, onde eu dava aulas de Prospecção Mineira, se especializasse, em França, em tal matéria. Esteve indigitado o Dr. Aprígio, mas a ideia não teve concretização, por dificuldades orçamentais.
É meu parecer que, ainda actualmente, se justifica considerar o uso desta técnica.

No próximo post, revelarei outras situações de real obstrução ao progresso do inventário dos recursos minerais do País, as quais demonstram uma atitude do Director-Geral de Minas absolutamente oposta àquela com que pretendeu apresentar-se de grande defensor de um sã política de valorização da indústria mineira nacional.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

119 – “Realidades e fantasias” do Director-Geral de Minas

Ao “Congresso 78” de Engenharia, que decorreu no Porto, em fins de Novembro de 1978, o Director-Geral de Minas apresentou duas comunicações, às quais deu os títulos seguintes:

Determinantes fundamentais da política mineira em Portugal
Caracterização económica da indústria extractiva de Portugal

A ambas acrescentou o subtítulo “Realidades e Fantasias”

A primeira é um exemplo de como, neste País, é possível um alto dirigente divagar, em total impunidade, sobre matéria que não domina, perante uma selecta assistência, que esperaria ouvir a definição clara da estratégia do Governo para o desenvolvimento da indústria mineira nacional, como o seu título prenunciava.

Interpretei os insensatos juízos de tal dirigente, emitidos em jeito de paternais conselhos, como velada intenção de se desculpabilizar pelo estado catastrófico a que fez chegar o Organismo cuja direcção lhe foi confiada,

É certo que começou por prevenir que se tratava apenas de apontamentos escritos ao correr da pena, nos intervalos de outras tarefas”, acerca da “cousa mineira”.

Não obstante tal aviso, não teve pejo de fazer publicar o texto no “Boletim de Minas”, n.º 15 de Abril/Junho de 1978, com novas divagações acerca dos seus conceitos quanto às fases das investigações mineiras.

Mas a atitude de desrespeito pelos congressistas não é, o que mais se salienta na comunicação.

Trata-se, de facto de um documento desconexo, cheio de banalidades, “lapaliçadas” e contradições, repetitivo, retórico, pretensioso, revelador de enorme ignorância quanto às reais possibilidades das diversas fases a que deve obedecer a prospecção mineira, nos tempos actuais, não só para evitar atrasos no cumprimento dos programas, mas também para não originar inúteis dispêndios, estando em causa dinheiros públicos.

Em minha opinião, o subtítulo que melhor se adaptaria a este documento seria “Perversidades e pesporrências”

Se o autor tivesse frequentado a cadeira de Prospecção Mineira, cuja docência esteve a meu cargo na Faculdade de Ciências do Porto, seguindo o exemplo de outros Engenheiros, aos quais também tinham faltado lições desta matéria, por não constar do Curso de Minas da Faculdade de Engenharia, não teria feito tantas afirmações destituídas de fundamento.

Muito provavelmente nunca terá feito uso de qualquer das mais de 100 publicações, cuja consulta eu aconselhava aos meus alunos, para completar o ensino que lhes ministrava nas aulas teóricas e práticas de gabinete e de campo.

Se tivesse, por exemplo, consultado o excelente tratado “Mining Geology” de Mc Kinstry, teria aprendido como se deve elaborar um documento técnico, e não nos teria submetido a tamanha trapalhada.

Nas suas divagações, não resulta evidente quando está a comentar a actividade da indústria mineira privada ou a actividade dos serviços oficiais.

A política mineira nacional estava, há muito tempo, claramente determinada, principalmente nas disposições do Decreto-lei n.º 18 713 de 1 de Agosto de 1930 e do Decreto-lei n.º29 725 de 28 de Junho de 1939.

O primeiro estabelecia que as matérias-primas minerais existentes no subsolo nacional, são bens do domínio público e que a sua exploração podia ser autorizada, através de concessões mineiras, sob condições bem definidas.

O segundo atribuía ao Estado um papel fundamental no inventário das existências de minerais úteis no subsolo português.

Surpreendentemente, não há na Comunicação, referência a qualquer destes importantíssimos diplomas legais.

O Decreto-lei n.º 18 713 facilitava o acesso à actividade mineira a qualquer entidade que tivesse descoberto indício de existência de minério ou presumisse essa existência.
Bastar-lhe-ia apresentar, na Câmara Municipal do concelho onde se situasse a área em que estava interessada, um manifesto mineiro, do qual constassem os dados exigidos pela lei, para poder realizar os estudos necessários à demonstração da existência de jazigo mineral.
Tinha o prazo de dois anos para empreender esses estudos, sendo-lhe porém permitido solicitar o prolongamento do prazo, se tal se tornasse necessário.

Quando considerasse evidenciada a existência de jazigo mineral, poderia requerer a concessão da sua exploração.

A Direcção-Geral de Minas, faria, então, deslocar ao terreno um técnico das suas Circunscrições, para fazer o reconhecimento de que tinham sido cumpridas as disposições legais para poder ser atribuída a concessão de exploração.

A realidade insofismável é que ao autor desta Comunicação se ficou devendo o maior desrespeito pelas disposições do Decreto-lei n.º 18 713.

Tendo exercido funções de chefia na Circunscrição Mineira do Norte, de 1944 a 1962, foi o responsável pela outorga de numerosas concessões, sem que tivesse sido comprovada a existência de minerais úteis, em quantidade e em qualidade que justificasse a instalação de empresa economicamente viável, como exigia a lei.

Nesta Comunicação, pretende explicar o incumprimento da lei, afirmando que “houve disposições legais, de política marcadamente conjuntural, que obrigaram a dar concessões a requerimento”, o que obviamente, não pode corresponder à verdade.

Foi de sua inteira responsabilidade a outorga de concessões mineiras, onde nem sequer havia indícios de minério e também o prolongamento artificial da validade de registos mineiros, em cujas áreas nenhuma actividade tinha sido exercida, através de propositado atraso no reconhecimento, exigido por lei.

Como exemplo da leviandade como eram atribuídas concessões, a seguir transcrevo passagens do relatório de reconhecimento da Mina do Sobredo, da freguesia de S. Miguel de Entre Ambos os Rios, do concelho de Ponte da Barca, com data de 27-5-1949, subscrito pelo Engenheiro da Circunscrição Mineira do Norte, que viria a ser o autor da Comunicação que estou a comentar:

“Para se avaliar dos teores de ouro fez-se uma amostragem extensiva ao maior volume possível dos 3 filões, e numerosos roços transversais, com profundidade e largura de cerca de 0,5 m, desde o tecto ao muro.
A fim de reduzir o seu grande volume e peso, fez-se, no local, uma amostragem média, aproveitando-se cerca de ¼ do total, beneficiando-se o seu teor em arsenopirite, que ficou superior ao do tout-venant.
….
O certificado de análise, que se junta, apresentou o valor de 18 gr/T.
….
Admitimos que este resultado seja um pouco superior ao valor médio da metalização de ouro das partes amostradas, visto que, como dissemos, a amostra foi um pouco beneficiada em arsenopirite. Contudo, mesmo considerando um erro, por excesso, de 20% no teor de ouro na amostragem relativamente ao tout-venant, o resultado final ainda é suficiente para conferir valor industrial aos volumes amostrados.

Atendendo ao que se expôs na descrição do jazigo, somos de opinião de que esta mina tem valor industrial para ser objecto de concessão.”

Este curiosíssimo processo, ao qual eufemísticamente foi dada a designação de “benefício da amostra” com as naturais consequências na avaliação de jazigo mineral, é referido, em extenso capítulo dedicado à importante matéria da amostragem, no livro “Economia Mineira” de Theodore Jesse Hoover, como alerta para fraudes passíveis de acontecerem em negócios mineiros.

Eu nunca esperaria que fosse utilizado em Serviços do Estado, que tinham obrigação de dar o exemplo de rigor e seriedade nos seus procedimentos.

Os Serviços oficiais, em vez de procurarem reabilitar uma indústria, a respeito da qual já era habitual usar a expressão “Minas, pantominas!; Mineiros, pantomineiros!, estava a contribuir para confirmar a sua validade!

Eu não creio que a qualquer dos meus ex-alunos da cadeira de Prospecção Mineira passasse pela cabeça usar esta “técnica”, tal a ênfase que eu dedicava à amostragem.

Em consequência deste facilitismo, usado sobretudo na Circunscrição Mineira do Norte, o número de concessões mineiras foi crescendo, atingindo mais de quatro milhares, sendo certo que apenas havia trabalhos de exploração, em pouco mais de uma centena e actividade significativa em menos de uma dezena.

Os detentores de alvarás de concessão passaram a negociar estes alvarás, em vez dos minérios que era suposto explorarem, com total passividade dos Serviços oficiais.

Tenta agora o Director-Geral desculpabilizar-se desta situação, de que foi um dos principais responsáveis, destacando a “obra colossal”, as “ricas cartas mineiras”, “as cartas de afloramentos” resultantes do registo dos indícios de ocorrências mineiras declarados pelos novos “concessionários sem minério para explorarem”.

A realidade é que, quando, em 1964, fui nomeado Chefe do Serviço de Prospecção, extensivo a todo o território metropolitano nacional, tentei cumprir a fase de Documentação, consultando os arquivos da Circunscrição Mineira do Norte, encontrei dificuldade em distinguir os relatórios que mereciam crédito, daqueles que tinham apenas por objectivo obter alvará de concessão, sem correspondência com o que, de facto, ocorria, no terreno.

Nesta consulta, nunca vi as tais cartas mineiras, nem as cartas de afloramentos. O que vi foram cartas de concessões, a várias escalas, que, como já referi, não traduzem a realidade mineira do País; pelo contrário, dão uma falsa ideia de riqueza, que deu origem à expressão de Castro e Solla: “País rico em minas pobres” (Ver post N.º 2)

Continua ...

terça-feira, 30 de março de 2010

118 – O GPEP (Gabinete para a Prospecção e Exploração de Petróleo)

A atitude obstrucionista do Director-Geral de Minas não se fazia sentir apenas nas actividades de prospecção mineira do 1.º Serviço do SFM, que, na Orgânica em vigor desde 1964, me tinham sido confiadas.

Também o 3.º Serviço do SFM, que tinha a seu cargo a execução de sondagens e o acompanhamento e fiscalização dos trabalhos de empresas privadas, que tinham firmado contratos com o Estado Português para investigação da existência de petróleo no território nacional (on-shore e off-shore), era alvo idêntica obstrução.

As minhas insistentes exposições a membros do Governo, com o objectivo de eliminar as acções negativas do Director-Geral e do Director do SFM, não tinham, porém, qualquer efeito.

O Chefe do 3.º Serviço, que conseguira estabelecer a sua residência em Lisboa, ao contrário de outros Chefes de Serviço, que exerciam funções, a partir da sede em S. Mamede de Infesta, encontrava-se em situação mais privilegiada para se fazer ouvir pelo Governo.

Aproveitando a circunstância de ter conseguido bom relacionamento com o Engenheiro Nobre da Costa, quando ambos desempenharam cargos na Ordem dos Engenheiros, pôde exprimir a este colega, quando ele foi investido em funções governamentais, o seu desalento perante a obstrução que estava a sentir na celebração de contratos de prospecção de petróleo com empresas que se mostravam muito interessadas em fazer investimentos sobretudo no off-shore português.

Nobre da Costa, então Ministro da Indústria e Tecnologia, deu o melhor acolhimento ao desejo do Chefe do 3.º Serviço do SFM de terminar com a atitude obstrucionista do Director-Geral, mas o seu procedimento excedeu muito o que seria de esperar.

Tendo em consideração todas as informações que chegavam ao Ministério, acerca de actuações do Director-Geral de Minas, lesivas dos interesses do País, natural seria que providenciasse no sentido de promover que fosse feito inquérito e deste extraísse as medidas que deveriam ser adoptadas para corrigir a situação, as quais, em minha opinião, deveriam levar à substituição desse dirigente.

Em vez disso, Nobre da Costa decidiu excluir toda a actividade relacionada com petróleo, da tutela do SFM e, consequentemente, da intervenção do Director-Geral de Minas, ignorando todas as restantes informações.

Em 15 de Abril de 1977, foi assim, criado um novo Organismo, com a categoria de Direcção Geral (!!), que passou a ser designado Gabinete para a Prospecção e Exploração de Petróleo (GPEP)

É oportuno referir que, desde a sua criação, em 1939, o SFM sempre fez acompanhamento da actividade de empresas privadas envolvidas em trabalhos de prospecção, com vista à investigação da existência de petróleo, no território nacional.

Este acompanhamento, de características essencialmente burocráticas, sempre foi considerado como actividade secundária, dentro do SFM.

Não era actividade directamente exercida pelo SFM, pois estava longe de se considerar justificável que o SFM viesse a equipar-se para executar tais trabalhos, não só perante os elevados custos e riscos envolvidos, mas também perante a grande especialização necessária.

Quando foi criado o 3.º Serviço, os temas relacionadas com o petróleo foram nele incluídos, como actividade secundária, sendo a sua principal função executar sondagens projectadas sobretudo pelo Serviço de Prospecção, sob minha chefia.

Foi, consequentemente, com grande perplexidade, que tomei conhecimento da criação deste novo Organismo, com a categoria de Direcção-Geral e com abundante pessoal dirigente e técnico que lhe foi afectado (1 Director-geral, 1 Subdirector-geral, 3 Directores de Serviço, 22 outros funcionários!!!)

O Director-Geral de Minas já tinha “consentido” que um Secretário de Estado, antes da Revolução de 25 de Abril, amputasse, da então Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos, as Circunscrições Mineiras, isto é dois dos seus mais importantes departamentos.
Com o seu comportamento obstrucionista, estava sem prestígio e autoridade para se manifestar contrário a mais esta amputação das suas naturais atribuições.

No GPEP recém-criado, logo ingressaram diversos técnicos que em territórios das ex-províncias ultramarinas portuguesas tinham exercido funções relacionadas com as investigações petrolíferas nesses territórios.
Entre esses técnicos, contava-se o Geólogo Alcides Pereira, ao qual, em conformidade com o seu currículo, fora atribuída apenas a categoria de técnico superior principal.
Com geral estupefacção, este Geólogo, que não fizera a sua carreira profissional na Direcção-Geral de Geologia e Minas e não era conhecido por especial competência profissional, viria a conseguir, em apenas três anos, ultrapassar toda a hierarquia, deste Organismo, chegando a ser nomeado seu Director-Geral!!! (Ver parte final do post n.º 112).

segunda-feira, 22 de março de 2010

117 – Paradoxos e contrastes: Estranhas coincidências

No mesmo tempo, em que, no SFM, eu era marginalizado, através de insensatas ordens, emitidas pelo Director, com o apoio do Director-Geral de Minas e a cúmplice passividade de membros do Governo, externamente registavam-se, numerosos factos demonstrativos de apreço pelas actividades em que eu me empenhava, para dinamizar a indústria mineira nacional.

Ao serem-me retiradas todas as chefias dos núcleos por mim instituídos no Sul e no Norte do País, isto é, dos únicos núcleos onde se mantinham trabalhos sistemáticos no campo, e ao entregarem ou pretenderem confiar essas chefias a técnicos impreparados para as exercerem ia-se destruindo, progressivamente um Organismo de que muito havia a esperar para o progresso da economia nacional.

Quando deixei de chefiar a Brigada do Sul, numa fase em que os Trabalhos Mineiros tinham atingido o seu maior desenvolvimento (Ver post N.º 21), depressa se extinguiu este importante sector do SFM por manifesta incapacidade dos Engenheiros do 2.º Serviço, então instituído para lhes dar continuidade.

Quando fui demitido, a título provisório, da chefia da 1.ª Brigada de Prospecção, que eu tinha pacientemente organizado, ao longo de mais de uma dezena de anos, para vir a dar origem a um SFM eficiente, capaz de dar solução racional às fases iniciais da investigação mineira, logo começaram a sentir-se os efeitos desta trágica decisão do Director.

Apesar de o Director ter imposto que, da 1.ª Brigada de Prospecção, continuassem a ser-me enviados relatórios, para ele poder aproveitar a “minha experiência e conhecimentos” (Ver post N.º 81) na planificação da sua actividade, a realidade é que essa determinação rapidamente deixou de ser cumprida. Sem a minha ajuda, o Director não tinha a mínima capacidade para orientar e fiscalizar a actividade daquela Brigada.

Em 12-5-78, chegou ao meu conhecimento que o Geólogo Delfim de Carvalho, um dos principais responsáveis pela minha demissão, deixara de pertencer ao corpo de técnicos superiores da Brigada, por ter sido nomeado Director dos Serviços Geológicos de Portugal.
Este afastamento até poderia ser benéfico, pois a sua presença na Brigada estava a tornar-se mais prejudicial que útil.
Arvorando-se em principal dirigente da Brigada, desrespeitou a normal sequência das fases da prospecção. Pretendia chegar rapidamente aos grandes êxitos, ignorando completamente as lições que de mim recebera, quanto à disciplina severa a usar na aplicação dos dinheiros públicos. Estava a aplicar uma regra que eu tanto censurara ao Director-Geral, isto é, a acção de bombeiro, que nunca conduziu a qualquer êxito. Foi assim que insistiu em sondagens irracionais na área do Salgadinho, onde chegou a promover a jazigo uma ocorrência de mineralização que, sem mais cuidada investigação, teria de considerar-se apenas como um bom indício, aguardando o apoio de outras técnicas além das que já tinham sido aplicadas, para se definir o seu real interesse económico.
A preocupação em se apresentar como o grande descobridor de jazigos minerais, embora essencialmente com uso de técnicas geofísicas e geoquímicas que não dominava e com fraco apoio geológico, levava-o a cometer erros que se traduziram em enormes desperdícios de dinheiros dos nossos impostos.

Outro elemento da Brigada, que considerei como um dos grandes responsáveis pelo meu afastamento foi o Engenheiro Vítor Borralho.
Este Engenheiro decidira travestir-se de político de esquerda, quando já havia revelado o seu baixo carácter ao subscrever o infame documento que levara à minha demissão daquela chefia.
Chegara a ser indigitado para Governador Civil de Beja.
Não obteve, porém, esse cargo, mas conseguiu ser nomeado Administrador por parte do Estado, nas Minas de Aljustrel, deixando também de pertencer ao Quadro de Técnicos da Brigada.
Neste caso, a sua falta iria fazer-se sentir, pois a ele se devera a instalação e orientação de um Laboratório de Análises Geoquímicas em Beja, que estava a desempenhar bem a sua missão.
Vítor Borralho, que tão preocupado se manifestara com os prejuízos que eu estava a originar à Brigada, enquanto era seu Chefe, não se importou com os prejuízos que a sua saída poderia acarretar

Quanto às Secções de Caminha e de Talhadas, eu conseguia mantê-las, em actividade produtiva, apesar das Ordens de uma Comissão ilegal que me destituía da sua chefia e apesar dos muitos obstáculos criados para o seu funcionamento, que me levavam a recorrer a equipamentos obsequiosamente cedidos pela Faculdade de Engenharia e até pela empresa americana Union Carbide, que estava actuando na região de Caminha.

O Director e seus acólitos nem se preocupavam que, com o meu afastamento da actividade no campo, eu prejudicasse severamente as aulas práticas de campo aos alunos da Faculdade de Ciência e de Engenharia do Porto, e da Faculdade de Geociências da Universidade de Aveiro, isto é a preparação de prováveis futuros técnicos do SFM e de empresas privadas.

Pela minha constante dedicação à causa do Fomento Mineiro, eu sentia-me no direito de esperar reconhecimento pela obra realizada e estímulo para continuar essa obra. Porém, em vez disso, fui alvo de censuras e graves ameaças de sanções disciplinares, até às últimas consequências !!

Paradoxalmente, sendo no Serviço de Fomento Mineiro, que exerci sempre a minha principal actividade profissional, foi externamente, que tive a satisfação de receber as maiores manifestações de apreço pelo que fizera e estava fazendo em benefício da indústria mineira nacional

A seguir, menciono alguns dessas manifestações.:

1 - Felicitações do Sindicato constituído pela Sociedade Mineira de Santiago, pelo BRGM francês (equivalente do SFM português) e pela Sociedade Mineira e Metalúrgica de Penarroya Portuguesa Limitada, através dos Geólogos Xavier Leca e Nabais Conde, pela minha fundamental contribuição para a descoberta do jazigo de Neves-Corvo, tendo-me o Geólogo francês Xavier Leca classificado como o “pai do jazigo”

2 – Elogio, em Diário da República, pelo meu desempenho como docente da disciplina de Prospecção Mineira, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, funções que vinha exercendo desde 1970, encarregando-me das aulas teóricas e das práticas no gabinete e no campo.

3 – Convite da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para me encarregar também da docência da disciplina de Prospecção Mineira do Curso de Engenharia de Minas daquela Faculdade, dando continuidade a uma colaboração que já vinha sendo estabelecida, através da cedência de equipamentos para os trabalhos a meu cargo na região de Caminha e na Faixa Metalífera da Beira Litoral.
Só alguns anos mais tarde, foi possível prestar a colaboração que me foi pedida. Esta colaboração foi prestada, a título gratuito.

4 – Convite do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro para participar, como docente, num Curso de Mestrado em Geoquimica.

5 – Aula de campo, na região de Caminha, em 8-6-78, dedicada a alunos do Instituto Superior de Engenharia, correspondendo a pedido do aluno desse instituto, Laurentino Rodrigues, que era também funcionário do SFM.
Foi feita exemplificação da aplicação das técnicas de polarização espontânea e de resistividade eléctrica (Sclumberger e Wenner).
De notar que o equipamento era da Faculdade de Engenharia (Terrameter).
Chegou a encarar-se a hipótese de eu dar aulas nesse Instituto. Laurentino foi, para esse efeito, portador do meu currículo.

6- Convite para presidir a uma das sessões de um Seminário de Geoquímica realizado na Universidade de Aveiro, por iniciativa dos docentes Britaldo Rodrigues e Edmundo Fonseca.

7 – Convite para presidir a uma das sessões de um Seminário de Geoquímica realizado no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a convite do Professor Aires de Barros.

8 – Pedido do Geólogo. Edmundo Fonseca, docente do departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, para usar os trabalhos do SFM na Mina do Sanguinheiro, redescoberta através da campanha de prospecção geoquímica em curso pela da Secção de Talhadas, para a sua tese de doutoramento. Este pedido foi, obviamente, aceite, pois se esperava que a tese viesse a acrescentar valioso conhecimento sobre a geologia da zona.

9 – Convite de Edmundo Fonseca, para participar num Seminário Internacional de Geoquímica, com uma palestra sobre “Casos de prospecção integrada” , na qual eu descreveria resultados da aplicação de técnicas de prospecção, nos trabalhos por mim dirigidos. Acentuou que contava com a minha comunicação como do pão para a boca.
Sem esperar pela minha concordância, fez distribuir cartazes com a inclusão do meu nome, juntamente com os nomes dos conceituados cientistas Barbier e Clifford James.
Em 30-6-1978, fiz a palestra, que ocupou a maior parte da manhã socorrendo-me de abundantes mapas que tinha exposto antecipadamente, com auxílio de Laurentino Rodrigues.
Apresentei alguns resultados das campanhas de prospecção que se encontravam em curso, há cerca de 10 anos, na Faixa Metalífera da Beira Litoral e na região de Caminha.
Justifiquei a primeira campanha e informei que, apesar do seu inegável interesse, não tinha grande aceitação a nível superior, com o argumento de que filões não merecem investigação, “pois todo o cobre, chumbo e zinco de que o País necessita se contém, em abundância, nas pirites alentejanas”.
Mostrei os casos de Cabeço do Telégrafo (com sondagem projectada), Cabeço Santo, Sanguinheiro e outros, com aplicação conjunta de métodos geofísicos e geoquímicos.
Mostrei, depois, resultados dos trabalhos na região de Caminha.
Houve muitas intervenções, sendo de salientar as de Barbier, e dos Geólogos Viegas e Luís Gaspar da DGGM.
Barbier, teceu elogios, usando a expressão “Aqui há substância”, o que foi interpretado como crítica a comunicação do dia anterior apresentada pela Geólogo Santos Oliveira. Mostrou grande surpresa por se não ter sondado a expressiva série de anomalias de Pb no Cabeço do Telégrafo.
Viegas, que tinha chegado atrasado e não assistira ao início da minha exposição, teve palavras elogiosas sobre o pouco que ouvira, ignorando totalmente as censuras em que participara como membro de uma das Comissões alegadamente criadas para melhorar a eficácia do SFM (!).
Mostrou-se depois interesse no acesso a levantamentos geoquímicos realizados sob minha supervisão na região de Moncorvo. Informei que seriam obviamente cedidos se requeridos por quem tem esse direito.
Luís Gaspar manifestou o parecer de que já deveria haver outro tipo de trabalhos, em campanha que estava em curso há 10 anos.
Concordei e repeti a minha informação inicial sobre a obstrução a nível superior, pois o Director-Geral é de opinião “que filões não têm interesse!”. Salientei as suas contradições a este respeito, citando de publicações de sua autoria.
Quanto às Minas do Braçal, acentuei as actuais dificuldades do SFM em proceder ao estudo do jazigo, através de trabalhos mineiros clássicos, por ter deixado extinguir o departamento que estava encarregado desse género de actividade.

Relativamente à Secção de Caminha, mostrei os resultados excepcionais de sondagem de Union Carbide, exclusivamente baseada em estudos do SFM, a qual se localizava em área que lhe fora recentemente adjudicada.
Nesta área, eu tinha projectado a sondagem N.º 69 que não chegou a ser executada por superiormente ter sido decidido retirar a sonda, de Caminha, para ir fazer furos injustificados em Mogadouro.

10 – Convite de Union Carbide para eu ser nomeado consultor desta importante Companhia americana, assim oficializando colaboração que efectivamente já lhe vinha prestando em matéria de topografia e de magnetometria. Sugeri que escrevessem carta nesse sentido ao Director-Geral de Minas, pois já havia precedentes relativamente às Empresas que cumpriam contratos de prospecção na Faixa Piritosa Alentejana. À carta que Union Carbide escreveu jamais foi dada resposta.

11 - Autorização que eu tinha obtido de Union Carbide para que dois dos meus alunos da Faculdade de Ciências do Porto fizessem estágio nessa Companhia em prospecção de minérios de tungsténio

12 - Ajuda que a Companhia Geominas frequentes vezes me solicitava para orientar os seus trabalhos de exploração das concentrações de minério tungstífero, reveladas pelos trabalhos do SFM, nas áreas das suas concessões.