Enquanto eu procurava, a todo o custo, manter actividade útil nas Secções de Caminha e de Talhadas, investigando as existências de recursos minerais, em vastas área da região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima (essencialmente em procura de ocorrências de minérios de tungsténio e estanho) e na denominada Faixa Metalífera da Beira Litoral (em procura de ocorrências de minérios de cobre, chumbo e zinco), Jorge Gouveia mantinha a sua atitude totalmente desinteressada quanto à evolução dos estudos a meu cargo, persistindo na sua pretensão de transmitir para os “assaltantes “ de outros cargos de chefia (Directores de Serviço e Chefes de Divisão) os trabalhos criados naquelas Secções, por minha iniciativa, para cuja eficácia eu tivera que dar adequada formação a pessoal localmente recrutado, pouco instruído, mas ávido em aprender.
Jorge Gouveia transferira a sede do SFM para Lisboa, nomeando seu representante, em S. Mamede de Infesta, o Engenheiro António da Silva Neto, bem conhecido pelo seu negativo currículo.
António Neto tinha sido companheiro de Gouveia nas investigações da Brigada do Norte, em Guadramil e tinha assumido papel de Colector do Professor Cotelo Neiva, tal como Soares Carneiro (Ver publicação do SFM ”Rochas e Minérios da Região de Bragança - Vinhais” onde ambos aparecem em várias fotos)
Em 1963, Múrias de Queiroz, quando foi colocado no cargo de Director do SFM, atribuiu-lhe a chefia de um departamento a que deu a designação de MOVIC, o qual deveria zelar pelos móveis (M), pelas Oficinas (O), pelas viaturas (V), pelas instalações (I) e efectuar as compras necessárias (C), isto é, matérias que não exigiriam curso de Engenharia de Minas e que seriam bem desempenhadas por alguns funcionários que eu recrutara, apenas com a 4.ª Classe de Instrução Primária. Além disso, o que constava da sua honestidade, não era muito abonatório.
Quando Gouveia aparecia nas instalações de S. Mamede de Infesta, procurava evitar-me e, se eu, apercebendo-me da sua presença, lhe apresentava os problemas que me preocupavam, as explicações que me dava, eram semelhantes às de um funcionário subalterno encontrado em falta.
Ora não tinha tempo, porque outros assuntos tinha a tratar, ora tentava justificar as suas atitudes de desconsideração para comigo com o facto de não ter plenos poderes (só tinha meios poderes!!); quando viesse o Diploma Orgânico, tudo se resolveria!
No relatório do 3.º trimestre de 1979, continuei a usar os recursos, a que me referi no post anterior.
A seguir, transcrevo passagens do capítulo “Dificuldades encontradas”, desse relatório:
“… O novo Director emitiu, em 4 de Julho, talvez como reacção ao nosso ofício de 30 de Junho, a Ordem de Serviço n.º 8, nomeando o geólogo Goinhas, o engenheiro Nolasco da Silva e o geólogo Viegas, para funções directivas que praticamente cobrem os domínios da prospecção mineira estatal, em todo o País.
Por enquanto, ao Sector de Coimbra continuará apenas confiada a actividade de prospecção e pesquisa de minérios metálicos que já se encontra a seu cargo, porém sob a chefia do geólogo Viegas.
Estabelece-se, no entanto, desde já, que este sector integrará, quando for publicado o Diploma Orgânico, todas as actividades previstas para a Divisão de Prospecção das Províncias Metalogénicas Setentrionais.
Deste modo sub-reptício, através de Ordem de Serviço que nem sequer foi distribuída aos funcionários, como era habitual, mas apenas afixada em local por nós raramente frequentado, está preparado o nosso afastamento da chefia do Serviço de Prospecção, Serviço que foi praticamente por nós criado e desenvolvido, a partir de 1963.
Assim, o novo Director se encaminha para obter aquilo que se não tornou possível ao seu antecessor.
Não obstante ter declarado, numa das duas únicas reuniões connosco havidas, estar consciente da obra que temos vindo a realizar no SFM, a ponto de até ter já chamado a atenção do Director-Geral para o facto de ser essa obra que ele constantemente utiliza para a propaganda da Direcção-Geral, não obstante ter também reconhecido ignorar a capacidade técnica de qualquer dos novos chefes; o Director do Serviço aceita ser o instrumento do Director-Geral para estas nomeações, porque elas estavam já decididas, antes do seu reingresso na DGGM.
Não é de Directores com estas características que o País precisa.
Cada funcionário, na sua esfera de acção, tem de ser capaz de assumir as suas próprias responsabilidades.
Como funcionário consciente que nos prezamos de ser, não nos eximimos às nossas.
Por isso, aqui denunciamos esta incoerência, para não dizer inconsciência do novo Director do Serviço; o estado de atraso em que o País se encontra não consente mais decisões desta natureza
Os cargos directivos têm de ser confiados a técnicos competentes e de carácter.
Não basta que isto se escreva!
É indispensável que se pratique!
Nos três casos em referência, não foram nem a competência nem o carácter as determinantes das nomeações para as chefias”
Constou que Jorge Gouveia, estimulado pelos componentes do “Gabinete de Estudos”, (que alguns funcionários, perante o seu negativo papel, depreciativamente designavam por “Nave dos Loucos”), pretendeu instaurar-me processo disciplinar.
Gouveia, que se vangloriava da sua experiência africana, nesta matéria, manifestava até estranheza pela raridade de tais procedimentos, em Portugal.
Todavia, o Secretário de Estado não terá dado bom acolhimento à proposta, talvez atendendo às repetidas recomendações das Resoluções de Conselhos de Ministros, quanto ao aproveitamento do mérito e da competência profissional. (Ver posts n.ºs 128 e 123)
Continua …
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
135 – O 4.º Director do SFM. Continuação 1
Confirmando os maus prenúncios iniciais, Jorge Gouveia, foi dando continuidade à obra de destruição do Serviço de Fomento Mineiro (SFM), em que muito se empenhara o seu antecessor, com o estímulo do Director-Geral de Minas e a passividade dos Ministros da tutela dos sucessivos Governos.
Teimosamente, eu persistia na realização de trabalhos de investigação, nos núcleos que conseguia manter a meu cargo, procurando contribuir para o cumprimento dos nobres objectivos visados pelo SFM.
Simultaneamente, aproveitava esses núcleos para a formação de técnicos em prospecção mineira, alguns dos quais poderiam, futuramente, ingressar em Organismos oficiais ou em Empresas privadas, onde teriam oportunidade de aplicar correctamente os conhecimentos adquiridos.
Conforme revelei, em posts anteriores, não só dei formação a alunos das Faculdades de Ciências e de Engenharia da Universidade do Porto, do Instituto Superior de Engenharia do Porto e do departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, em aulas teóricas e práticas de campo e de gabinete, como permiti que Engenheiros recém-formados frequentassem, a seu pedido, essas aulas, por se sentirem impreparados neste importante ramo da indústria mineira, perante a inexistência de docentes, na Faculdade de Engenharia, aptos a ministrarem tais ensinamentos.
Porém, a triste realidade era que também estes estabelecimentos de ensino tinham sido afectados pela onda de mediocridade que invadira o País.
Se de alguns docentes encontrei total apoio, também houve quem menosprezasse a minha colaboração, sendo certo que dela recebia apenas exígua remuneração, na qualidade de Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências do Porto.
Registo que os Professores Montenegro de Andrade e Ávila Martins, em várias ocasiões realçaram essa colaboração, que afirmavam muito prestigiar o departamento de Geologia da Faculdade de Ciências, salientado o facto de os Geólogos formados no Porto terem preferência na admissão em Empresas privadas, devido à sua melhor preparação em prospecção mineira.
Aos docentes que me apoiavam, fiquei a dever a possibilidade de prosseguir na execução dos trabalhos de investigação, por me facultarem o uso de equipamentos que possuíam e até dos seus meios de transporte.
De facto, Jorge Gouveia, na sua obsessão destrutiva, ia progressivamente tomando decisões para dificultar a minha actividade, conforme irei relatar.
Os equipamentos facultados pelas Universidades do Porto e de Aveiro e até o trabalho de professores e alunos da Universidade de Aveiro foram fundamentais para que os trabalhos prosseguissem a um ritmo quase normal, com resultados de excepcional interesse.
Mas Jorge Gouveia, apesar dos elogios que ouviu, a meu respeito, de técnicos estrangeiros, os quais me transmitiu, jamais se mostrou interessado em tomar conhecimento da actividade que eu dirigia no campo.
As suas preocupações centravam-se em domínios de ordem burocrática ou na satisfação de interesses das pessoas medíocres de que se rodeou.
Inconformado com a degradação acelerada que estava observando em Organismo essencial ao aproveitamento das nossas matérias-primas minerais, restavam-me dois recursos:
1- continuar a apelar à urgente intervenção do Governo para que fizesse cumprir as suas Resoluções, quanto ao rigor na utilização dos dinheiros públicos e ao aproveitamento do mérito e da competência profissional (Ver posts n.ºs 126 e 133)
2– registar, em documentos vários, o que se estava passando, na ingénua esperança de aparecer personalidade capaz de acabar com o regabofe.
Quanto à intervenção do Governo, além da oportuna acção de Maria de Lourdes Pintasilgo (ver posts n.ºs 130, 131 e 132), nada mais aconteceu. Os documentos que eu enviava eram sistematicamente remetidos para as pessoas por mim visadas, que os arquivavam ou destruíam.
Os outros documentos, que eu produzia, tinham provavelmente o mesmo destino.
De facto, chegou ao meu conhecimento que o novo dirigente do Laboratório, o Geólogo Santos Oliveira, mandou substituir valiosos móveis em madeira de castanho, que constituíam o mobiliário da Secretaria, por móveis metálicos e todo o arquivo neles contido foi acumulado na cave do edifício, sem cuidado na sua classificação. Não se sabe para onde foram os móveis em castanho. Constou que importantes relatórios desapareceram e que alguns foram negociados com Empresas que detinham contratos de prospecção, por um Engenheiro, após a sua aposentação.
Dos principais documentos por mim elaborados, guardei cópia, que posso exibir, se tal se revelar necessário.
O meu relatório do 2.º trimestre de 1979 é bem elucidativo sobre o comportamento de Jorge Gouveia, como Director do SFM.
Dele transcrevo o capítulo “Dificuldades encontradas”
“No presente trimestre, ficou amplamente confirmada a determinação do novo Director do SFM em prosseguir na senda destrutiva em que se empenhava o seu antecessor, sobretudo no que respeita aos trabalhos que decorrem sob nossa orientação.
Na verdade, não só não deu qualquer andamento aos problemas por nós apresentados nas duas reuniões que com ele tivemos, no trimestre anterior, como gerou connosco incidentes gratuitos, a provocar reacções que, mais tarde pudesse invocar, para justificar as suas premeditadas arbitrariedades.
As amostras de solos da região de Caminha continuam a não ser analisadas; o gravímetro ainda não foi tornado disponível, apesar das promessas feitas; quanto a sondagens, persiste a obstrução a que tantas vezes nos temos referido.
Mas o novo Director considerou mais importante que debruçar-se sobre estes problemas, endereçar às Secções de Talhadas e Caminha, ofícios com data de 12 de Abril, ameaçando os seus funcionários com a devolução dos seus boletins itinerários, se estes continuassem a ser por nós visados.
Notara o novo Director que “contrariando as disposições em vigor, que regulam que os boletins itinerários são visados pelo Director do Serviço”, os boletins das referidas Secções estavam sendo por nós visados, “com a aposição de um carimbo de um cargo que não existe de momento”.
O Senhor Eng.º Gouveia esquecera-se ou pretendera ignorar que fora precisamente por nos recusarmos a visar boletins itinerários fraudulentos, que os funcionários da 1.ª Brigada de Prospecção, subscritores dos referidos boletins, apresentaram ignóbil exposição contra nós, que levou ao nosso afastamento, “a título provisório” da chefia da referida Brigada.
Ao declarar não existir o cargo de Chefe do 1.º Serviço, o Eng.º Gouveia persiste ainda no lamentável lapso de considerar válidas ordens emanadas de uma Comissão comprovadamente ilegal!
Para nós, visar ou não boletins itinerários dos funcionários que connosco colaboram não tem a mínima relevância. Não nos sentimos mais realizados na nossa carreira profissional com o cumprimento deste preceito!
Ao apormos o nosso visto, apenas pretendíamos assumir a responsabilidade das deslocações originadas pelo cumprimento das tarefas por mim distribuídas aos funcionários.
Ao chamar a si tal formalidade, o novo Director só vem aliviar-nos um pouco. Não compreendemos, porém, que crédito mereceria o seu visto, se não fôssemos nós a enviar-lhe os boletins com a informação de estarem correctamente preenchidos, como parece seria seu desejo.
Mas não foi este o único incidente com que o novo Director entendeu provocar-nos.
Em 19 de Junho, enviou à Secção de Talhadas, com nota de remessa dirigida ao Senhor Silvestre Moreira Vilar, a sua informação n.º4/79 sobre uma proposta apresentada pelo geólogo Luís Viegas, subordinada ao curioso título “Equipa de campo para prospecção geofísica de campo”.
Pretendia a Secção de Coimbra efectuar trabalhos de prospecção eléctrica em Vale Grande (Aguada) e em Trás-os-Montes, com o objectivo de aumentar reservas de argilas. Não dispondo, porém, de pessoal experiente, para esse fim, propõe a utilização de funcionários da Secção de Talhadas do 1.º Serviço.
A informação-despacho do Director do Serviço começa por declarar a incapacidade da Secção de Coimbra para dar cumprimento aos seus projectos e termina ordenando que o sector de Talhadas contacte o sector de Coimbra, para satisfação do solicitado, mandando dar-nos conhecimento desta decisão para S. Mamede de Infesta.
O Director do Serviço prescindiu da consulta ao directo responsável pela Secção de Talhadas, sobre a possibilidade e oportunidade da colaboração pedida, considerando bastante dar-nos conhecimento da decisão tomada.
Reagimos a este intencional atropelo da hierarquia pelo nosso ofício n.º 3/79 de 30 de Junho, do qual enviamos cópia aos Senhores Secretário de Estado de Energia e Minas e Director-Geral de Minas.
Entretanto, para não criarmos eventuais dificuldades a funcionários que nada têm a ver com dissidências em escalões hierárquicos mais elevados, autorizamos, pelo n/ofício n.º 4/79, o Colector Senhor Silvestre Moreira Vilar a contactar directamente a Secção de Coimbra, com vista ao cumprimento do despacho do Director do Serviço.”
Mais uma vez, Jorge Gouveia demonstrou total insensibilidade perante este relatório, que lhe enviei.
Continua ...
Teimosamente, eu persistia na realização de trabalhos de investigação, nos núcleos que conseguia manter a meu cargo, procurando contribuir para o cumprimento dos nobres objectivos visados pelo SFM.
Simultaneamente, aproveitava esses núcleos para a formação de técnicos em prospecção mineira, alguns dos quais poderiam, futuramente, ingressar em Organismos oficiais ou em Empresas privadas, onde teriam oportunidade de aplicar correctamente os conhecimentos adquiridos.
Conforme revelei, em posts anteriores, não só dei formação a alunos das Faculdades de Ciências e de Engenharia da Universidade do Porto, do Instituto Superior de Engenharia do Porto e do departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, em aulas teóricas e práticas de campo e de gabinete, como permiti que Engenheiros recém-formados frequentassem, a seu pedido, essas aulas, por se sentirem impreparados neste importante ramo da indústria mineira, perante a inexistência de docentes, na Faculdade de Engenharia, aptos a ministrarem tais ensinamentos.
Porém, a triste realidade era que também estes estabelecimentos de ensino tinham sido afectados pela onda de mediocridade que invadira o País.
Se de alguns docentes encontrei total apoio, também houve quem menosprezasse a minha colaboração, sendo certo que dela recebia apenas exígua remuneração, na qualidade de Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências do Porto.
Registo que os Professores Montenegro de Andrade e Ávila Martins, em várias ocasiões realçaram essa colaboração, que afirmavam muito prestigiar o departamento de Geologia da Faculdade de Ciências, salientado o facto de os Geólogos formados no Porto terem preferência na admissão em Empresas privadas, devido à sua melhor preparação em prospecção mineira.
Aos docentes que me apoiavam, fiquei a dever a possibilidade de prosseguir na execução dos trabalhos de investigação, por me facultarem o uso de equipamentos que possuíam e até dos seus meios de transporte.
De facto, Jorge Gouveia, na sua obsessão destrutiva, ia progressivamente tomando decisões para dificultar a minha actividade, conforme irei relatar.
Os equipamentos facultados pelas Universidades do Porto e de Aveiro e até o trabalho de professores e alunos da Universidade de Aveiro foram fundamentais para que os trabalhos prosseguissem a um ritmo quase normal, com resultados de excepcional interesse.
Mas Jorge Gouveia, apesar dos elogios que ouviu, a meu respeito, de técnicos estrangeiros, os quais me transmitiu, jamais se mostrou interessado em tomar conhecimento da actividade que eu dirigia no campo.
As suas preocupações centravam-se em domínios de ordem burocrática ou na satisfação de interesses das pessoas medíocres de que se rodeou.
Inconformado com a degradação acelerada que estava observando em Organismo essencial ao aproveitamento das nossas matérias-primas minerais, restavam-me dois recursos:
1- continuar a apelar à urgente intervenção do Governo para que fizesse cumprir as suas Resoluções, quanto ao rigor na utilização dos dinheiros públicos e ao aproveitamento do mérito e da competência profissional (Ver posts n.ºs 126 e 133)
2– registar, em documentos vários, o que se estava passando, na ingénua esperança de aparecer personalidade capaz de acabar com o regabofe.
Quanto à intervenção do Governo, além da oportuna acção de Maria de Lourdes Pintasilgo (ver posts n.ºs 130, 131 e 132), nada mais aconteceu. Os documentos que eu enviava eram sistematicamente remetidos para as pessoas por mim visadas, que os arquivavam ou destruíam.
Os outros documentos, que eu produzia, tinham provavelmente o mesmo destino.
De facto, chegou ao meu conhecimento que o novo dirigente do Laboratório, o Geólogo Santos Oliveira, mandou substituir valiosos móveis em madeira de castanho, que constituíam o mobiliário da Secretaria, por móveis metálicos e todo o arquivo neles contido foi acumulado na cave do edifício, sem cuidado na sua classificação. Não se sabe para onde foram os móveis em castanho. Constou que importantes relatórios desapareceram e que alguns foram negociados com Empresas que detinham contratos de prospecção, por um Engenheiro, após a sua aposentação.
Dos principais documentos por mim elaborados, guardei cópia, que posso exibir, se tal se revelar necessário.
O meu relatório do 2.º trimestre de 1979 é bem elucidativo sobre o comportamento de Jorge Gouveia, como Director do SFM.
Dele transcrevo o capítulo “Dificuldades encontradas”
“No presente trimestre, ficou amplamente confirmada a determinação do novo Director do SFM em prosseguir na senda destrutiva em que se empenhava o seu antecessor, sobretudo no que respeita aos trabalhos que decorrem sob nossa orientação.
Na verdade, não só não deu qualquer andamento aos problemas por nós apresentados nas duas reuniões que com ele tivemos, no trimestre anterior, como gerou connosco incidentes gratuitos, a provocar reacções que, mais tarde pudesse invocar, para justificar as suas premeditadas arbitrariedades.
As amostras de solos da região de Caminha continuam a não ser analisadas; o gravímetro ainda não foi tornado disponível, apesar das promessas feitas; quanto a sondagens, persiste a obstrução a que tantas vezes nos temos referido.
Mas o novo Director considerou mais importante que debruçar-se sobre estes problemas, endereçar às Secções de Talhadas e Caminha, ofícios com data de 12 de Abril, ameaçando os seus funcionários com a devolução dos seus boletins itinerários, se estes continuassem a ser por nós visados.
Notara o novo Director que “contrariando as disposições em vigor, que regulam que os boletins itinerários são visados pelo Director do Serviço”, os boletins das referidas Secções estavam sendo por nós visados, “com a aposição de um carimbo de um cargo que não existe de momento”.
O Senhor Eng.º Gouveia esquecera-se ou pretendera ignorar que fora precisamente por nos recusarmos a visar boletins itinerários fraudulentos, que os funcionários da 1.ª Brigada de Prospecção, subscritores dos referidos boletins, apresentaram ignóbil exposição contra nós, que levou ao nosso afastamento, “a título provisório” da chefia da referida Brigada.
Ao declarar não existir o cargo de Chefe do 1.º Serviço, o Eng.º Gouveia persiste ainda no lamentável lapso de considerar válidas ordens emanadas de uma Comissão comprovadamente ilegal!
Para nós, visar ou não boletins itinerários dos funcionários que connosco colaboram não tem a mínima relevância. Não nos sentimos mais realizados na nossa carreira profissional com o cumprimento deste preceito!
Ao apormos o nosso visto, apenas pretendíamos assumir a responsabilidade das deslocações originadas pelo cumprimento das tarefas por mim distribuídas aos funcionários.
Ao chamar a si tal formalidade, o novo Director só vem aliviar-nos um pouco. Não compreendemos, porém, que crédito mereceria o seu visto, se não fôssemos nós a enviar-lhe os boletins com a informação de estarem correctamente preenchidos, como parece seria seu desejo.
Mas não foi este o único incidente com que o novo Director entendeu provocar-nos.
Em 19 de Junho, enviou à Secção de Talhadas, com nota de remessa dirigida ao Senhor Silvestre Moreira Vilar, a sua informação n.º4/79 sobre uma proposta apresentada pelo geólogo Luís Viegas, subordinada ao curioso título “Equipa de campo para prospecção geofísica de campo”.
Pretendia a Secção de Coimbra efectuar trabalhos de prospecção eléctrica em Vale Grande (Aguada) e em Trás-os-Montes, com o objectivo de aumentar reservas de argilas. Não dispondo, porém, de pessoal experiente, para esse fim, propõe a utilização de funcionários da Secção de Talhadas do 1.º Serviço.
A informação-despacho do Director do Serviço começa por declarar a incapacidade da Secção de Coimbra para dar cumprimento aos seus projectos e termina ordenando que o sector de Talhadas contacte o sector de Coimbra, para satisfação do solicitado, mandando dar-nos conhecimento desta decisão para S. Mamede de Infesta.
O Director do Serviço prescindiu da consulta ao directo responsável pela Secção de Talhadas, sobre a possibilidade e oportunidade da colaboração pedida, considerando bastante dar-nos conhecimento da decisão tomada.
Reagimos a este intencional atropelo da hierarquia pelo nosso ofício n.º 3/79 de 30 de Junho, do qual enviamos cópia aos Senhores Secretário de Estado de Energia e Minas e Director-Geral de Minas.
Entretanto, para não criarmos eventuais dificuldades a funcionários que nada têm a ver com dissidências em escalões hierárquicos mais elevados, autorizamos, pelo n/ofício n.º 4/79, o Colector Senhor Silvestre Moreira Vilar a contactar directamente a Secção de Coimbra, com vista ao cumprimento do despacho do Director do Serviço.”
Mais uma vez, Jorge Gouveia demonstrou total insensibilidade perante este relatório, que lhe enviei.
Continua ...
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
134 – O 4.º Director do Serviço de Fomento Mineiro
O famigerado decreto 548/77, da autoria de Nobre da Costa, abriu a “boceta de Pandora” a muitos oportunistas.
Foi através desta irreflectida abertura que o Engenheiro Jorge Augusto da Cunha Gouveia, foi nomeado, em 1-9-1978, Subdirector-geral da Direcção-Geral de Geologia e Minas, e depois, indigitado para dirigente do Serviço de Fomento Mineiro.
Conforme referi no post n.º 126, Jorge Gouveia já tinha pertencido ao Quadro de Engenheiros do SFM.
Ingressara, neste Organismo em 27-5-1948, nele permanecendo, durante cerca de 7 anos.
Exerceu a sua actividade sempre na Brigada do Norte.
Ocupou-se, em conjunto com muitos outros técnicos, entre os quais se destacou Soares Carneiro, que viria a ser nomeado Director-Geral, essencialmente do estudo do jazigo de ferro de Guadramil.
Foi co-autor de um relatório acerca deste jazigo, que conseguiu publicar, em 1950, na Revista do SFM, quando os trabalhos de reconhecimento ainda prosseguiam.
Este relatório é bem revelador do enorme atraso em que se encontrava a Brigada do Norte do SFM, em matéria de investigação mineira, comparativamente com o desenvolvimento que a Brigada do Sul, sob minha orientação, já tinha atingido.
De facto, no que respeita à geologia, os levantamentos efectuados não tiveram em vista o conhecimento da estrutura, nem se encarou a hipótese de as diversas camadas ferríferas, onde incidiram os trabalhos de pesquisa, pertencerem ao mesmo horizonte geológico e surgirem em diferentes situações topográfica, por acção de dobramentos, ou falhas.
São referidas reservas certas de 3.5 milhões de toneladas de minério (óxidos e carbonato de ferro), mas não se apresentam peças desenhadas comprovativas do modo como se chegou a esse valor e aos respectivos teores de ferro e outros elementos essenciais para uma correcta avaliação do jazigo.
Não se encarou a aplicação de técnicas geofísicas, nem sondagens, para um melhor conhecimento do jazigo.
Estas técnicas eram, então, usadas no Sul do País, e havia insistentes propostas por mim apresentadas, nos planos anuais de trabalhos, para sua mais ampla utilização.
Não foi considerada a hipótese de a siderite ser ganga de jazigo de sulfuretos, que poderiam existir, a maior profundidade, pois até se refere a existência de pirite, calcopirite, blenda e arsenopirite em veios quartzosos atravessando as camadas ferríferas.
Estes sulfuretos poderiam resultar de remobilizações, à semelhança do que veio a ser demonstrado em Neves-Corvo, confirmando as minhas previsões de que as mineralizações cupríferas em Barrigão. Porteirinhos e Brancanes teriam origem em remobilizações. (Ver “Prospecção de Pirites no Baixo Alentejo”, publicado em 1955).
Ocorre-me sugerir a comparação do relatório sobre o jazigo de Guadramil, com os que apresentei sobre os Jazigos ferro-manganíferos de Cercal-Odemira, sobre o Jazigo de cobre, chumbo e zinco do Torgal, e muitos outros referentes a estudos concluídos, que não foram objecto de publicação.
Em 1955, Jorge Gouveia deixou de ser funcionário do SFM, não se conhecendo outras actividades dignas de menção, a que se tenha dedicado, para além da que descrevi, bastante modesta e não isenta de deficiências, como assinalei.
Foi, então, integrado nos Serviços de Geologia e Minas do Ultramar Português, primeiro em Angola, depois em Moçambique.
Em meados de Abril de 1965, encontrei-o, nas Jornadas de Engenharia de Moçambique, onde fui representar a Metrópole, por nomeação do Director-Geral, Eng.º Soares Carneiro, que então se encontrava ainda, no início do seu mandato.
O meu relacionamento com Gouveia, se já era muito cordial, ficou fortalecido com o convívio que, com ele, estabeleci, durante a minha permanência naquele ex-território ultramarino português.
Gouveia apresentou comunicação às Jornadas que muito me decepcionou, pois traçou um panorama muito pessimista quanto à existência de recursos minerais, em território com área nove vezes a da Metrópole, o que é contrário a todas as estatísticas.
A realidade era que a prospecção do território estava por fazer, apesar das tentativas de Rogério Cavaca, quando, em 1948, (Ver post n.º 5) fez deslocar, da Metrópole, numerosos técnicos, supostamente preparados para essa prospecção.
Foi, por isso, que a comunicação que apresentei sobre resultados positivos da aplicação de métodos geofísicos e geoquímicos à prospecção mineira na Metrópole (Casos de Portel e Barrancos, referidos nos posts n.ºs 20, 21 e 44) despertou grande interesse a Gouveia. (Ver post n.º 44)
Ele manifestou o desejo de aproveitar a experiência do SFM nesses métodos, para fazer estagiar na 1.ª Brigada de Prospecção alguns técnicos dos Serviços Ultramarinos e criar posteriormente, em Moçambique, um departamento com idênticas atribuições para fomentar o desenvolvimento da indústria mineira da Província.
Gouveia veio à Metrópole tomar contacto directo com os trabalhos de prospecção que se encontravam em curso sobretudo no Sul do País e, na sequência dos dados que colheu vieram alguns técnicos fazer estágios nesses métodos.
Não tive conhecimento de que, realmente, tenha desenvolvido actividades nas ex-províncias ultramarinas portuguesas, de Angola e Moçambique, de que tenham resultado significativos progressos na valorização do património mineiro destes longínquos territórios.
Após a independência de Moçambique, Jorge Gouveia ainda permaneceu nos Serviços de Geologia e Minas, por tempo que não posso precisar, mas julgo ter-se prolongado por alguns anos.
Foi, porém, compelido a regressar a Portugal, devido a problemas em que esteve envolvido, os quais ocasionaram que as novas autoridades determinassem a sua prisão
Veio, portanto, para Portugal, fortemente afectado, do ponto de vista psicológico, por estes acontecimentos, cujas origens desconheço. Constava que teria havido relação com posse ilegal de pedras preciosas.
Dizia-se que o Ministro Almeida Santos teria tido intervenção na nomeação de Jorge Gouveia como Subdirector-geral, aproveitando as possibilidades abertas pelo Decreto-lei n.º 548/77. Sabia-se como o Director-Geral, Soares Carneiro era sensível a “sugestões” de personalidades com altos cargos governativos (Ver posts n.º 25 e 50)
Indigitado para o cargo de Director do SFM, teve que aguardar que Norberto Afonso Múrias de Queiroz, pedisse a demissão, em obediência a instruções que deve ter recebido
Múrias de Queiroz só deixou a direcção do SFM em 13-1-79, isto é, quando conseguiu nomeação para o cargo simbólico, de Adjunto do Director-Geral dos Serviços de Prospecção da Junta de Energia Nuclear, simbólico porque estes Serviços já tinham sido extintos.
Embora demitido, Múrias de Queiroz manteve-se sem funções, nas instalações de S. Mamede de Infesta!!
Não chegou a saber-se em que se ocupou Jorge Gouveia, durante aqueles 4 meses, mas pelo seu comportamento posterior, fui levado a concluir que esteve a ser negativamente influenciado por colegas, que não tendo conseguido realização no SFM, se haviam instalado no conforto das instalações de Lisboa, com funções burocráticas, isto é, como técnicos de papel selado, na expressiva designação de Castro e Solla.
Por este mau prenúncio inicial, era de prever que, mais uma vez, iria ter confirmação a famosa lei de Murphy: “Havendo mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la.
Apesar disto e embora, pelo passado de Gouveia de pouca ou nula experiência válida em prospecção mineira, eu não pudesse esperar uma actuação muito empenhada, quando foi indigitado para dirigir o SFM, alimentei algumas esperanças de que, do nosso bom relacionamento, pudessem resultar medidas que promovessem a reabilitação do Serviço.
Infelizmente, as minhas esperanças cedo começaram a desvanecer-se.
Com o meu inveterado optimismo, confiava que Jorge Gouveia me contactasse, imediatamente a seguir ao abandono de Múrias de Queiroz do cargo de Director do SFM, por variadas razões.
Por um lado, eu era o funcionário com mais elevada categoria, na hierarquia do SFM, a seguir ao Director.
Por outro lado, ele devia estar consciente de que Múrias de Queiroz não abandonara o cargo, de sua livre vontade, mas porque a sua actuação estava longe de corresponder ao que se espera de um dirigente responsável.
E finalmente, porque ele era conhecedor do meu valioso currículo e da minha capacidade para o ajudar a reabilitar um Organismo que se encontrava em franca decadência, como até um Ministro já havia declarado a delegados sindicais com quem tivera reunião.
Mas só, em 31-1-79, isto é cerca de 5 meses após a sua nomeação de Subdirector-geral, ele se decidiu a ter o primeiro contacto comigo. Foi um contacto casual, em corredor do edifício de S. Mamede de Infesta.
Disse-me, então, que ia precisamente procurar-me. Queria falar comigo, mas já não podia ser, nesse dia, pois tinha outras pessoas com quem também queria conversar!!!. Pergunta-me se pode ser no dia seguinte. Respondo afirmativamente, embora tivesse planeado ir ao campo.
A conversa, em 1-2-79, foi extremamente decepcionante.
Ouviu o relato completo do que fiz no SFM e o rebater da acusação que me faziam quanto a “más relações humanas”.
Ele até tivera oportunidade de observar o meu comportamento amistoso para com todo o pessoal, quando veio de Moçambique avaliar as possibilidades de técnicos dos Serviços de Geologia e Minas desta ex-província ultramarina virem especializar-se no 1.º Serviço em técnicas geofísicas e geoquímicas.
Já estava completamente influenciado pelas conversas que tivera com Soares Carneiro, Múrias de Queiroz, Orlando Cardoso e António Neto, isto é, por alguns dos principais responsáveis pelo declínio do SFM.
O cúmulo da sua desconsideração e desrespeito pela deontologia profissional foi tentar colocar-me sob as ordens do traidor Goinhas, que ele indigitava para responsável pela Prospecção Mineira, ignorando acintosamente o meu currículo, que até elogiara, a ponto de comentar, com base no que ouvira a técnicos estrangeiros, que eu, nem verdadeira consciência tinha da grandeza da obra por mim realizada, sobretudo no Sul do País, a qual causava a admiração desses técnicos estrangeiros.
A documentação técnica que se preparava, por minha iniciativa, estava a render dinheiro para os cofres do Estado.
Apesar deste elogio, e de eu lhe ter revelado aspectos fortemente negativos do currículo do Geólogo Goinhas mantinha o seu propósito de o aceitar como dirigente da Prospecção.
Posteriormente, Gouveia foi continuando a invocar motivos fúteis para se esquivar a novas reuniões comigo, chegando a faltar a encontros combinados, sem qualquer explicação, assim continuando a evidenciar o seu verdadeiro carácter.
Em 7-3-79, apercebendo-me de que estava nas instalações de S. Mamede de Infesta e que também estivera no dia anterior, perguntei-lhe quando poderíamos ter a reunião há muito tempo planeada. Respondeu que poderia ser na tarde desse dia.
A reunião decorreu das 14 às 19 horas, sem interrupção.
Apesar de todas as minhas explicações, percebi que nada havia a esperar de Gouveia.
Já estava completamente envenenado, e afinal, ele não era quem eu julgava. Também não prestava. Tentando agora desvalorizar a minha obra no Sul do País, comentou que a 1.ª Brigada de Prospecção tinha excesso de pessoal e que, por lá, andavam a inventar trabalho!!! Reagi, esclarecendo que, quando estiveram sob minha chefia, não conseguiam realizar senão uma parcela mínima do que eu projectava.
Eram, depois, Companhias privadas a executar os meus projectos, frequentemente com a minha colaboração, que solicitavam e agradeciam.
Apesar deste ambiente fortemente adverso, mantive actividade com resultados de muito interesse, nos núcleos de Caminha e de Talhadas, que conseguia manter a meu cargo.
Aproveitei esses resultados para demonstrações, em aulas teóricas e práticas de campo e de gabinete a alunos e professores das Faculdades de Ciências e de Engenharia da Universidade do Porto e também do departamento de Geociências da Universidade de Aveiro.
Proporcionei à Universidade de Aveiro matéria para tese de doutoramento de um dos seus docentes.
A actividade das Secções a meu cargo ficou pormenorizadamente descrita em diversos relatórios. Neles acentuei, os obstáculos que enfrentei, para realizar trabalho útil, na esperança de uma eventual acção correctiva e também para justificar atrasos no cumprimento dos objectivos do SFM, isto é, na definição de novas reservas de minérios susceptíveis de exploração económica.
A título de exemplo, a seguir, transcrevo parte do que escrevi, no tema “Dificuldades encontradas” no relatório da actividade do 1.º Serviço, no 1.º trimestre de 1979: que deverá existir em arquivo na DGGM, se nenhum dirigente o tiver mandado destruir:
“ Em 24 de Janeiro, o Director-Geral de Geologia e Minas submete ao Senhor Secretário de Estado de Energia e Minas várias propostas de afectação de pessoal dirigente.
Destas, destacamos duas: uma propondo o Engenheiro Jorge Augusto da Cunha Gouveia – que desde Setembro de 1978 tinha a categoria de Subdirector-geral – para o cargo de Director de um departamento derivado do antigo Serviço de Fomento Mineiro, pela amputação dos Laboratórios e adição do resíduo dos antigos Serviços de Prospecção e Exploração Mineira da Junta de Energia Nuclear, resultante da criação da Empresa Nacional de Urânio; outra, propondo o Engenheiro Orlando Martins Cardoso – que, desde Julho de 1978, tinha a categoria de Director de Serviço, - para o cargo de Director do Laboratório da Direcção-Geral de Geologia e Minas.
Ao novo departamento confiado ao Engenheiro Jorge Gouveia foi mantida a designação de Serviço de Fomento Mineiro.
Ambas as propostas mereceram despacho homologatório do Senhor Secretário de Estado.
Com esta nomeação do Engenheiro Jorge Gouveia, nasceram esperanças de que o Serviço de Fomento Mineiro, não obstante a inconcebível amputação que sofreu, passaria, finalmente a dedicar-se sobretudo à concretização dos objectivos para que fora criado.
Tais esperanças, porém, cedo começaram a desvanecer-se.
Na realidade, em duas reuniões que connosco teve (a primeira em 1 de Fevereiro; a segunda em 7 de Março), o Eng.º Jorge Gouveia não se interessou minimamente pelos trabalhos que decorrem sob nossa responsabilidade, nem tão pouco sobre os resultados que têm sido alcançados.
As suas preocupações situaram-se, quase exclusivamente no domínio da nova Organização do Serviço de Fomento Mineiro, planeada pelo Director-Geral, a qual pretende pôr em funcionamento.
Ordens de Serviço que emitiu, escolhendo para seus mais directos colaboradores funcionários desacreditados, interna e externamente, com magro currículo ou mesmo sem currículo técnico, são bem esclarecedoras do rumo que pretende imprimir ao Serviço.
Lógico seria, portanto, prever que as dificuldades na execução dos trabalhos de prospecção a nosso cargo, às quais vimos aludindo insistentemente, há vários anos, ou se mantivessem ou se vissem ainda agravadas.
De facto, assim está acontecendo.
As amostras de solos da região de Caminha continuam a acumular-se no Laboratório de Geoquímica, sem que se tome decisão de voltarem a afazer-se as análises de tungsténio, não obstante termos conhecimento de que tal Laboratório tem enfrentado situações de subaproveitamento do seu pessoal.
No que respeita a sondagens não se vislumbra a mínima esperança de virem a iniciar-se, na Faixa Metalífera da Beira Litoral ou a retomar-se na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Continuarão, pois, por tempo indeterminado, sem investigação, anomalias geoquímicas e geofísicas de raro interesse, assim se bloqueando a sequência lógica das actividades das Secções de Talhadas e Caminha.
Até a estrangeiros que estiveram presente, em palestra que proferimos na Universidade de Aveiro, este facto provocou estupefacção.
É legítimo que estrangeiros se surpreendam de deliberadamente se atrasar o aproveitamento dos recursos mineiros nacionais, ao mesmo tempo que, a eles, estrangeiros, se recorre constantemente a mendigar empréstimos para resolução das nossas dificuldades.
Quanto ao gravímetro, que requisitamos em 19 de Janeiro, para ensaios de curta duração, há agora a promessa de ser cedido em breve. Aguarda-se apenas que termine um trabalho que a 1.ª Brigada de Prospecção está realizando no Algarve.
Jorge Gouveia demonstrou total insensibilidade perante o que leu, neste relatório trimestral,
Veremos, em próximos posts o seu empenhamento na destruição dos poucos núcleos do SFM, onde ainda se exercia, com honestidade, alguma actividade no campo.
Foi através desta irreflectida abertura que o Engenheiro Jorge Augusto da Cunha Gouveia, foi nomeado, em 1-9-1978, Subdirector-geral da Direcção-Geral de Geologia e Minas, e depois, indigitado para dirigente do Serviço de Fomento Mineiro.
Conforme referi no post n.º 126, Jorge Gouveia já tinha pertencido ao Quadro de Engenheiros do SFM.
Ingressara, neste Organismo em 27-5-1948, nele permanecendo, durante cerca de 7 anos.
Exerceu a sua actividade sempre na Brigada do Norte.
Ocupou-se, em conjunto com muitos outros técnicos, entre os quais se destacou Soares Carneiro, que viria a ser nomeado Director-Geral, essencialmente do estudo do jazigo de ferro de Guadramil.
Foi co-autor de um relatório acerca deste jazigo, que conseguiu publicar, em 1950, na Revista do SFM, quando os trabalhos de reconhecimento ainda prosseguiam.
Este relatório é bem revelador do enorme atraso em que se encontrava a Brigada do Norte do SFM, em matéria de investigação mineira, comparativamente com o desenvolvimento que a Brigada do Sul, sob minha orientação, já tinha atingido.
De facto, no que respeita à geologia, os levantamentos efectuados não tiveram em vista o conhecimento da estrutura, nem se encarou a hipótese de as diversas camadas ferríferas, onde incidiram os trabalhos de pesquisa, pertencerem ao mesmo horizonte geológico e surgirem em diferentes situações topográfica, por acção de dobramentos, ou falhas.
São referidas reservas certas de 3.5 milhões de toneladas de minério (óxidos e carbonato de ferro), mas não se apresentam peças desenhadas comprovativas do modo como se chegou a esse valor e aos respectivos teores de ferro e outros elementos essenciais para uma correcta avaliação do jazigo.
Não se encarou a aplicação de técnicas geofísicas, nem sondagens, para um melhor conhecimento do jazigo.
Estas técnicas eram, então, usadas no Sul do País, e havia insistentes propostas por mim apresentadas, nos planos anuais de trabalhos, para sua mais ampla utilização.
Não foi considerada a hipótese de a siderite ser ganga de jazigo de sulfuretos, que poderiam existir, a maior profundidade, pois até se refere a existência de pirite, calcopirite, blenda e arsenopirite em veios quartzosos atravessando as camadas ferríferas.
Estes sulfuretos poderiam resultar de remobilizações, à semelhança do que veio a ser demonstrado em Neves-Corvo, confirmando as minhas previsões de que as mineralizações cupríferas em Barrigão. Porteirinhos e Brancanes teriam origem em remobilizações. (Ver “Prospecção de Pirites no Baixo Alentejo”, publicado em 1955).
Ocorre-me sugerir a comparação do relatório sobre o jazigo de Guadramil, com os que apresentei sobre os Jazigos ferro-manganíferos de Cercal-Odemira, sobre o Jazigo de cobre, chumbo e zinco do Torgal, e muitos outros referentes a estudos concluídos, que não foram objecto de publicação.
Em 1955, Jorge Gouveia deixou de ser funcionário do SFM, não se conhecendo outras actividades dignas de menção, a que se tenha dedicado, para além da que descrevi, bastante modesta e não isenta de deficiências, como assinalei.
Foi, então, integrado nos Serviços de Geologia e Minas do Ultramar Português, primeiro em Angola, depois em Moçambique.
Em meados de Abril de 1965, encontrei-o, nas Jornadas de Engenharia de Moçambique, onde fui representar a Metrópole, por nomeação do Director-Geral, Eng.º Soares Carneiro, que então se encontrava ainda, no início do seu mandato.
O meu relacionamento com Gouveia, se já era muito cordial, ficou fortalecido com o convívio que, com ele, estabeleci, durante a minha permanência naquele ex-território ultramarino português.
Gouveia apresentou comunicação às Jornadas que muito me decepcionou, pois traçou um panorama muito pessimista quanto à existência de recursos minerais, em território com área nove vezes a da Metrópole, o que é contrário a todas as estatísticas.
A realidade era que a prospecção do território estava por fazer, apesar das tentativas de Rogério Cavaca, quando, em 1948, (Ver post n.º 5) fez deslocar, da Metrópole, numerosos técnicos, supostamente preparados para essa prospecção.
Foi, por isso, que a comunicação que apresentei sobre resultados positivos da aplicação de métodos geofísicos e geoquímicos à prospecção mineira na Metrópole (Casos de Portel e Barrancos, referidos nos posts n.ºs 20, 21 e 44) despertou grande interesse a Gouveia. (Ver post n.º 44)
Ele manifestou o desejo de aproveitar a experiência do SFM nesses métodos, para fazer estagiar na 1.ª Brigada de Prospecção alguns técnicos dos Serviços Ultramarinos e criar posteriormente, em Moçambique, um departamento com idênticas atribuições para fomentar o desenvolvimento da indústria mineira da Província.
Gouveia veio à Metrópole tomar contacto directo com os trabalhos de prospecção que se encontravam em curso sobretudo no Sul do País e, na sequência dos dados que colheu vieram alguns técnicos fazer estágios nesses métodos.
Não tive conhecimento de que, realmente, tenha desenvolvido actividades nas ex-províncias ultramarinas portuguesas, de Angola e Moçambique, de que tenham resultado significativos progressos na valorização do património mineiro destes longínquos territórios.
Após a independência de Moçambique, Jorge Gouveia ainda permaneceu nos Serviços de Geologia e Minas, por tempo que não posso precisar, mas julgo ter-se prolongado por alguns anos.
Foi, porém, compelido a regressar a Portugal, devido a problemas em que esteve envolvido, os quais ocasionaram que as novas autoridades determinassem a sua prisão
Veio, portanto, para Portugal, fortemente afectado, do ponto de vista psicológico, por estes acontecimentos, cujas origens desconheço. Constava que teria havido relação com posse ilegal de pedras preciosas.
Dizia-se que o Ministro Almeida Santos teria tido intervenção na nomeação de Jorge Gouveia como Subdirector-geral, aproveitando as possibilidades abertas pelo Decreto-lei n.º 548/77. Sabia-se como o Director-Geral, Soares Carneiro era sensível a “sugestões” de personalidades com altos cargos governativos (Ver posts n.º 25 e 50)
Indigitado para o cargo de Director do SFM, teve que aguardar que Norberto Afonso Múrias de Queiroz, pedisse a demissão, em obediência a instruções que deve ter recebido
Múrias de Queiroz só deixou a direcção do SFM em 13-1-79, isto é, quando conseguiu nomeação para o cargo simbólico, de Adjunto do Director-Geral dos Serviços de Prospecção da Junta de Energia Nuclear, simbólico porque estes Serviços já tinham sido extintos.
Embora demitido, Múrias de Queiroz manteve-se sem funções, nas instalações de S. Mamede de Infesta!!
Não chegou a saber-se em que se ocupou Jorge Gouveia, durante aqueles 4 meses, mas pelo seu comportamento posterior, fui levado a concluir que esteve a ser negativamente influenciado por colegas, que não tendo conseguido realização no SFM, se haviam instalado no conforto das instalações de Lisboa, com funções burocráticas, isto é, como técnicos de papel selado, na expressiva designação de Castro e Solla.
Por este mau prenúncio inicial, era de prever que, mais uma vez, iria ter confirmação a famosa lei de Murphy: “Havendo mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la.
Apesar disto e embora, pelo passado de Gouveia de pouca ou nula experiência válida em prospecção mineira, eu não pudesse esperar uma actuação muito empenhada, quando foi indigitado para dirigir o SFM, alimentei algumas esperanças de que, do nosso bom relacionamento, pudessem resultar medidas que promovessem a reabilitação do Serviço.
Infelizmente, as minhas esperanças cedo começaram a desvanecer-se.
Com o meu inveterado optimismo, confiava que Jorge Gouveia me contactasse, imediatamente a seguir ao abandono de Múrias de Queiroz do cargo de Director do SFM, por variadas razões.
Por um lado, eu era o funcionário com mais elevada categoria, na hierarquia do SFM, a seguir ao Director.
Por outro lado, ele devia estar consciente de que Múrias de Queiroz não abandonara o cargo, de sua livre vontade, mas porque a sua actuação estava longe de corresponder ao que se espera de um dirigente responsável.
E finalmente, porque ele era conhecedor do meu valioso currículo e da minha capacidade para o ajudar a reabilitar um Organismo que se encontrava em franca decadência, como até um Ministro já havia declarado a delegados sindicais com quem tivera reunião.
Mas só, em 31-1-79, isto é cerca de 5 meses após a sua nomeação de Subdirector-geral, ele se decidiu a ter o primeiro contacto comigo. Foi um contacto casual, em corredor do edifício de S. Mamede de Infesta.
Disse-me, então, que ia precisamente procurar-me. Queria falar comigo, mas já não podia ser, nesse dia, pois tinha outras pessoas com quem também queria conversar!!!. Pergunta-me se pode ser no dia seguinte. Respondo afirmativamente, embora tivesse planeado ir ao campo.
A conversa, em 1-2-79, foi extremamente decepcionante.
Ouviu o relato completo do que fiz no SFM e o rebater da acusação que me faziam quanto a “más relações humanas”.
Ele até tivera oportunidade de observar o meu comportamento amistoso para com todo o pessoal, quando veio de Moçambique avaliar as possibilidades de técnicos dos Serviços de Geologia e Minas desta ex-província ultramarina virem especializar-se no 1.º Serviço em técnicas geofísicas e geoquímicas.
Já estava completamente influenciado pelas conversas que tivera com Soares Carneiro, Múrias de Queiroz, Orlando Cardoso e António Neto, isto é, por alguns dos principais responsáveis pelo declínio do SFM.
O cúmulo da sua desconsideração e desrespeito pela deontologia profissional foi tentar colocar-me sob as ordens do traidor Goinhas, que ele indigitava para responsável pela Prospecção Mineira, ignorando acintosamente o meu currículo, que até elogiara, a ponto de comentar, com base no que ouvira a técnicos estrangeiros, que eu, nem verdadeira consciência tinha da grandeza da obra por mim realizada, sobretudo no Sul do País, a qual causava a admiração desses técnicos estrangeiros.
A documentação técnica que se preparava, por minha iniciativa, estava a render dinheiro para os cofres do Estado.
Apesar deste elogio, e de eu lhe ter revelado aspectos fortemente negativos do currículo do Geólogo Goinhas mantinha o seu propósito de o aceitar como dirigente da Prospecção.
Posteriormente, Gouveia foi continuando a invocar motivos fúteis para se esquivar a novas reuniões comigo, chegando a faltar a encontros combinados, sem qualquer explicação, assim continuando a evidenciar o seu verdadeiro carácter.
Em 7-3-79, apercebendo-me de que estava nas instalações de S. Mamede de Infesta e que também estivera no dia anterior, perguntei-lhe quando poderíamos ter a reunião há muito tempo planeada. Respondeu que poderia ser na tarde desse dia.
A reunião decorreu das 14 às 19 horas, sem interrupção.
Apesar de todas as minhas explicações, percebi que nada havia a esperar de Gouveia.
Já estava completamente envenenado, e afinal, ele não era quem eu julgava. Também não prestava. Tentando agora desvalorizar a minha obra no Sul do País, comentou que a 1.ª Brigada de Prospecção tinha excesso de pessoal e que, por lá, andavam a inventar trabalho!!! Reagi, esclarecendo que, quando estiveram sob minha chefia, não conseguiam realizar senão uma parcela mínima do que eu projectava.
Eram, depois, Companhias privadas a executar os meus projectos, frequentemente com a minha colaboração, que solicitavam e agradeciam.
Apesar deste ambiente fortemente adverso, mantive actividade com resultados de muito interesse, nos núcleos de Caminha e de Talhadas, que conseguia manter a meu cargo.
Aproveitei esses resultados para demonstrações, em aulas teóricas e práticas de campo e de gabinete a alunos e professores das Faculdades de Ciências e de Engenharia da Universidade do Porto e também do departamento de Geociências da Universidade de Aveiro.
Proporcionei à Universidade de Aveiro matéria para tese de doutoramento de um dos seus docentes.
A actividade das Secções a meu cargo ficou pormenorizadamente descrita em diversos relatórios. Neles acentuei, os obstáculos que enfrentei, para realizar trabalho útil, na esperança de uma eventual acção correctiva e também para justificar atrasos no cumprimento dos objectivos do SFM, isto é, na definição de novas reservas de minérios susceptíveis de exploração económica.
A título de exemplo, a seguir, transcrevo parte do que escrevi, no tema “Dificuldades encontradas” no relatório da actividade do 1.º Serviço, no 1.º trimestre de 1979: que deverá existir em arquivo na DGGM, se nenhum dirigente o tiver mandado destruir:
“ Em 24 de Janeiro, o Director-Geral de Geologia e Minas submete ao Senhor Secretário de Estado de Energia e Minas várias propostas de afectação de pessoal dirigente.
Destas, destacamos duas: uma propondo o Engenheiro Jorge Augusto da Cunha Gouveia – que desde Setembro de 1978 tinha a categoria de Subdirector-geral – para o cargo de Director de um departamento derivado do antigo Serviço de Fomento Mineiro, pela amputação dos Laboratórios e adição do resíduo dos antigos Serviços de Prospecção e Exploração Mineira da Junta de Energia Nuclear, resultante da criação da Empresa Nacional de Urânio; outra, propondo o Engenheiro Orlando Martins Cardoso – que, desde Julho de 1978, tinha a categoria de Director de Serviço, - para o cargo de Director do Laboratório da Direcção-Geral de Geologia e Minas.
Ao novo departamento confiado ao Engenheiro Jorge Gouveia foi mantida a designação de Serviço de Fomento Mineiro.
Ambas as propostas mereceram despacho homologatório do Senhor Secretário de Estado.
Com esta nomeação do Engenheiro Jorge Gouveia, nasceram esperanças de que o Serviço de Fomento Mineiro, não obstante a inconcebível amputação que sofreu, passaria, finalmente a dedicar-se sobretudo à concretização dos objectivos para que fora criado.
Tais esperanças, porém, cedo começaram a desvanecer-se.
Na realidade, em duas reuniões que connosco teve (a primeira em 1 de Fevereiro; a segunda em 7 de Março), o Eng.º Jorge Gouveia não se interessou minimamente pelos trabalhos que decorrem sob nossa responsabilidade, nem tão pouco sobre os resultados que têm sido alcançados.
As suas preocupações situaram-se, quase exclusivamente no domínio da nova Organização do Serviço de Fomento Mineiro, planeada pelo Director-Geral, a qual pretende pôr em funcionamento.
Ordens de Serviço que emitiu, escolhendo para seus mais directos colaboradores funcionários desacreditados, interna e externamente, com magro currículo ou mesmo sem currículo técnico, são bem esclarecedoras do rumo que pretende imprimir ao Serviço.
Lógico seria, portanto, prever que as dificuldades na execução dos trabalhos de prospecção a nosso cargo, às quais vimos aludindo insistentemente, há vários anos, ou se mantivessem ou se vissem ainda agravadas.
De facto, assim está acontecendo.
As amostras de solos da região de Caminha continuam a acumular-se no Laboratório de Geoquímica, sem que se tome decisão de voltarem a afazer-se as análises de tungsténio, não obstante termos conhecimento de que tal Laboratório tem enfrentado situações de subaproveitamento do seu pessoal.
No que respeita a sondagens não se vislumbra a mínima esperança de virem a iniciar-se, na Faixa Metalífera da Beira Litoral ou a retomar-se na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Continuarão, pois, por tempo indeterminado, sem investigação, anomalias geoquímicas e geofísicas de raro interesse, assim se bloqueando a sequência lógica das actividades das Secções de Talhadas e Caminha.
Até a estrangeiros que estiveram presente, em palestra que proferimos na Universidade de Aveiro, este facto provocou estupefacção.
É legítimo que estrangeiros se surpreendam de deliberadamente se atrasar o aproveitamento dos recursos mineiros nacionais, ao mesmo tempo que, a eles, estrangeiros, se recorre constantemente a mendigar empréstimos para resolução das nossas dificuldades.
Quanto ao gravímetro, que requisitamos em 19 de Janeiro, para ensaios de curta duração, há agora a promessa de ser cedido em breve. Aguarda-se apenas que termine um trabalho que a 1.ª Brigada de Prospecção está realizando no Algarve.
Jorge Gouveia demonstrou total insensibilidade perante o que leu, neste relatório trimestral,
Veremos, em próximos posts o seu empenhamento na destruição dos poucos núcleos do SFM, onde ainda se exercia, com honestidade, alguma actividade no campo.
domingo, 18 de julho de 2010
133 – Novas tentativas do Governo para acabar com regabofes
Apesar das recomendações do Conselho de Ministros, expressas na sua Resolução n.º 10/79, que transcrevi no post n.º 128, persistia o regabofe das nomeações, com desprezo pela análise curricular.
Perante as previsíveis consequências deste regabofe, novos diplomas legais foram publicados, com datas de 26 de Junho de 1979 e 26 de Março de 1980, para tentar evitar o agravamento da lamentável situação a que se havia chegado.
A seguir, transcrevo passagens principais destes diplomas
1 - Decreto-Lei n.º 191 – F /79 – de 26 de Junho de 1979
A necessidade de modernizar a Administração Pública, adaptando-a à realidade do País actual, constitui um dos objectivos prioritários do Governo, aliás prosseguido na esteira de propósitos de Governos anteriores, que, apesar de programados, não chegaram, em muitos casos, a ter expressão em medidas concretas de carácter genérico.
É desnecessário realçar a importância dos quadros dirigentes numa mudança que se deseja orientada no sentido da eficácia, já que os mesmos são, por um lado, o elo de ligação entre o Governo e a máquina que deverá dar execução ao seu Programa, por outro, os verdadeiros motores do seu funcionamento.
…
A resolução do problema passa, porém, por medidas de mais largo alcance orientadas para a atribuição de maiores níveis de responsabilidade e por um maior rigor na selecção de dirigentes, que deverá basear-se no critério de competência.
…
Como princípios fundamentais respeitantes ao regime de cargos dirigentes podem apontar-se:
A criação de estímulos complementares ao desenvolvimento da carreira resultante da delimitação de áreas de recrutamento para os lugares de dirigente, que deverão ser ocupados, sempre que possível, por indivíduos que, possuindo a qualidade de funcionários públicos, já ocupem lugares de topo da carreira.
…
Artigo 2.º
(Recrutamento e selecção)
1 – O recrutamento do pessoal dirigente referido no artigo anterior far-se-á de entre indivíduos habilitados com licenciatura, mediante apreciação curricular e de acordo com as seguintes regras:
a) O cargo de director-geral ou equiparado é provido por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro competente, devendo a escolha recair em indivíduos de reconhecida competência e que possuam experiência válida para o exercício das funções;
b) O cargo de subdirector-geral ou equiparado é provido por despacho do Ministro competente, sob proposta do director-geral, devendo a escolha recair em indivíduos de reconhecida competência e que possuam experiência válida para o exercício das funções;
c) os cargos de director de serviço e de chefe de divisão ou equiparados serão providos por despacho do membro do Governo competente, sob proposta do director-geral, de acordo com o disposto nos números seguintes.
2 – O recrutamento para os cargos referidos na alínea c) do número anterior far-se-á de acordo com as seguintes regras:
a) Directores de Serviço, de entre chefes de divisão e assessores;
b)Chefes de divisão, de entre assessores e técnicos superiores principais.
2 - Portaria n.º 133/80, de 26 de Março de 1980
Presidências do Conselho de Ministros e Ministério das Finanças e dos Plano.
O controle do aumento de efectivos não pode deixar de ser uma preocupação da Administração. Com efeito, o crescimento desregrado do pessoal ao serviço do Estado, no sector público administrativo, leva necessariamente à frustração pessoal resultante das situações de subemprego e à diminuição da produtividade dos funcionários e agentes, com a consequente deterioração progressiva do seu estatuto económico-social, apesar do constante aumento dos encargos sociais.
Uma profunda reflexão sobre esta matéria levou à conclusão de ser necessário actuar simultaneamente em dois campos: o da elaboração e apreciação dos diplomas orgânicos e o das admissões de pessoal.
É um facto notório a profusão de leis orgânicas aparecidas nos últimos anos e as suas sucessivas alterações. Mas, as mais das vezes, esta legislação outra coisa não visa que não seja o empolamento quantitativo e qualitativo dos quadros de pessoal e o aumento de efectivos através de vias como a da possibilidade de contratar pessoal além do quadro, ou em regime de prestação eventual de serviço, sendo omissa ou ficando em plano secundário a identificação das actividades desenvolvidas e a definição dos objectivos prosseguidos.
Esta legislação permissiva é em grande parte responsável pelo crescimento desregrado dos efectivos. Impôs-se, por isso, disciplinar o processo de elaboração dos diplomas orgânicos, aliás na peugada dos Decretos-Leis n.ºs 362/75 e 59/76, nos quais já se determinava a submissão dos projectos a pereceres da Secretaria de Estado responsável pela Administração Pública e do Ministério das Finanças.
… Para além da sua repercussão no sustamento da actual tendência para o exagerado crescimento de efectivos, espera-se que este condicionamento ponha travão à já aludida avalanche de diplomas orgânicos de uma Administração que tem estado mais virada para si própria do que para os seus utentes.
…
Foi isso que levou à publicação do Decreto-lei n.º 439-A/77 de 25 de Outubro, que colocou no âmbito da competência do Ministro das Finanças a responsabilidade final sobre toda e qualquer nova admissão.
…
Nestes termos … manda o Governo da República Portuguesa, pelos Secretários de Estado da Reforma Administrativa e do Orçamento:
1 – Dos diplomas orgânicos
1.º Os diplomas que estruturem ou reestruturem serviços da Administração Pública Central deverão:
a) Conter uma clara e correcta definição dos objectivos a prosseguir;
b) Identificar as actividades indispensáveis para os atingir.
2.º Os diplomas a que se refere o número anterior deverão ser sistematizados da seguinte forma:
a) Serviços dependentes
Capítulo I – Natureza e atribuições
Capítulo II – Órgãos e serviços
Capítulo III – Pessoal
Capítulo IV – Disposições gerais e transitórias
b) Serviços autónomos
Capítulo I – Natureza e atribuições
Capítulo II – Órgãos e serviços
Capítulo III – Gestão financeira e patrimonial
Capítulo IV – Pessoal
Capítulo V – Disposições gerais e transitórias
3.º Os projectos de diplomas orgânicos ou de simples alteração de quadros de pessoal dos serviços devem ser acompanhados de estudo da sua real necessidade e oportunidade, da estimativa de custos e sua cobertura.
Os diplomas orgânicos, na DGGM, continuavam por publicar!!!.
No Serviço de Fomento Mineiro, mantinha-se em vigor a Orgânica estabelecida em 1964, com os seus 4 Serviços, o primeiro dos quais a meu cargo.
Os malefícios já estavam consumados. Os cargos de dirigentes tinham sido tomados de assalto por funcionários incompetentes, à maioria dos quais não tinham sido atribuídas funções em conformidade com as suas categorias, como revelei em posts anteriores.
Só restava esperar pelas consequências.
É matéria de que me ocuparei nos futuros posts.
Perante as previsíveis consequências deste regabofe, novos diplomas legais foram publicados, com datas de 26 de Junho de 1979 e 26 de Março de 1980, para tentar evitar o agravamento da lamentável situação a que se havia chegado.
A seguir, transcrevo passagens principais destes diplomas
1 - Decreto-Lei n.º 191 – F /79 – de 26 de Junho de 1979
A necessidade de modernizar a Administração Pública, adaptando-a à realidade do País actual, constitui um dos objectivos prioritários do Governo, aliás prosseguido na esteira de propósitos de Governos anteriores, que, apesar de programados, não chegaram, em muitos casos, a ter expressão em medidas concretas de carácter genérico.
É desnecessário realçar a importância dos quadros dirigentes numa mudança que se deseja orientada no sentido da eficácia, já que os mesmos são, por um lado, o elo de ligação entre o Governo e a máquina que deverá dar execução ao seu Programa, por outro, os verdadeiros motores do seu funcionamento.
…
A resolução do problema passa, porém, por medidas de mais largo alcance orientadas para a atribuição de maiores níveis de responsabilidade e por um maior rigor na selecção de dirigentes, que deverá basear-se no critério de competência.
…
Como princípios fundamentais respeitantes ao regime de cargos dirigentes podem apontar-se:
A criação de estímulos complementares ao desenvolvimento da carreira resultante da delimitação de áreas de recrutamento para os lugares de dirigente, que deverão ser ocupados, sempre que possível, por indivíduos que, possuindo a qualidade de funcionários públicos, já ocupem lugares de topo da carreira.
…
Artigo 2.º
(Recrutamento e selecção)
1 – O recrutamento do pessoal dirigente referido no artigo anterior far-se-á de entre indivíduos habilitados com licenciatura, mediante apreciação curricular e de acordo com as seguintes regras:
a) O cargo de director-geral ou equiparado é provido por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro competente, devendo a escolha recair em indivíduos de reconhecida competência e que possuam experiência válida para o exercício das funções;
b) O cargo de subdirector-geral ou equiparado é provido por despacho do Ministro competente, sob proposta do director-geral, devendo a escolha recair em indivíduos de reconhecida competência e que possuam experiência válida para o exercício das funções;
c) os cargos de director de serviço e de chefe de divisão ou equiparados serão providos por despacho do membro do Governo competente, sob proposta do director-geral, de acordo com o disposto nos números seguintes.
2 – O recrutamento para os cargos referidos na alínea c) do número anterior far-se-á de acordo com as seguintes regras:
a) Directores de Serviço, de entre chefes de divisão e assessores;
b)Chefes de divisão, de entre assessores e técnicos superiores principais.
2 - Portaria n.º 133/80, de 26 de Março de 1980
Presidências do Conselho de Ministros e Ministério das Finanças e dos Plano.
O controle do aumento de efectivos não pode deixar de ser uma preocupação da Administração. Com efeito, o crescimento desregrado do pessoal ao serviço do Estado, no sector público administrativo, leva necessariamente à frustração pessoal resultante das situações de subemprego e à diminuição da produtividade dos funcionários e agentes, com a consequente deterioração progressiva do seu estatuto económico-social, apesar do constante aumento dos encargos sociais.
Uma profunda reflexão sobre esta matéria levou à conclusão de ser necessário actuar simultaneamente em dois campos: o da elaboração e apreciação dos diplomas orgânicos e o das admissões de pessoal.
É um facto notório a profusão de leis orgânicas aparecidas nos últimos anos e as suas sucessivas alterações. Mas, as mais das vezes, esta legislação outra coisa não visa que não seja o empolamento quantitativo e qualitativo dos quadros de pessoal e o aumento de efectivos através de vias como a da possibilidade de contratar pessoal além do quadro, ou em regime de prestação eventual de serviço, sendo omissa ou ficando em plano secundário a identificação das actividades desenvolvidas e a definição dos objectivos prosseguidos.
Esta legislação permissiva é em grande parte responsável pelo crescimento desregrado dos efectivos. Impôs-se, por isso, disciplinar o processo de elaboração dos diplomas orgânicos, aliás na peugada dos Decretos-Leis n.ºs 362/75 e 59/76, nos quais já se determinava a submissão dos projectos a pereceres da Secretaria de Estado responsável pela Administração Pública e do Ministério das Finanças.
… Para além da sua repercussão no sustamento da actual tendência para o exagerado crescimento de efectivos, espera-se que este condicionamento ponha travão à já aludida avalanche de diplomas orgânicos de uma Administração que tem estado mais virada para si própria do que para os seus utentes.
…
Foi isso que levou à publicação do Decreto-lei n.º 439-A/77 de 25 de Outubro, que colocou no âmbito da competência do Ministro das Finanças a responsabilidade final sobre toda e qualquer nova admissão.
…
Nestes termos … manda o Governo da República Portuguesa, pelos Secretários de Estado da Reforma Administrativa e do Orçamento:
1 – Dos diplomas orgânicos
1.º Os diplomas que estruturem ou reestruturem serviços da Administração Pública Central deverão:
a) Conter uma clara e correcta definição dos objectivos a prosseguir;
b) Identificar as actividades indispensáveis para os atingir.
2.º Os diplomas a que se refere o número anterior deverão ser sistematizados da seguinte forma:
a) Serviços dependentes
Capítulo I – Natureza e atribuições
Capítulo II – Órgãos e serviços
Capítulo III – Pessoal
Capítulo IV – Disposições gerais e transitórias
b) Serviços autónomos
Capítulo I – Natureza e atribuições
Capítulo II – Órgãos e serviços
Capítulo III – Gestão financeira e patrimonial
Capítulo IV – Pessoal
Capítulo V – Disposições gerais e transitórias
3.º Os projectos de diplomas orgânicos ou de simples alteração de quadros de pessoal dos serviços devem ser acompanhados de estudo da sua real necessidade e oportunidade, da estimativa de custos e sua cobertura.
Os diplomas orgânicos, na DGGM, continuavam por publicar!!!.
No Serviço de Fomento Mineiro, mantinha-se em vigor a Orgânica estabelecida em 1964, com os seus 4 Serviços, o primeiro dos quais a meu cargo.
Os malefícios já estavam consumados. Os cargos de dirigentes tinham sido tomados de assalto por funcionários incompetentes, à maioria dos quais não tinham sido atribuídas funções em conformidade com as suas categorias, como revelei em posts anteriores.
Só restava esperar pelas consequências.
É matéria de que me ocuparei nos futuros posts.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
132 - A exoneração de Fernando Soares Carneiro do cargo de Director-Geral de Minas
Na Função Pública, a demissão de funcionário superior, por incompetência profissional, não era regra admissível, conforme já tive ocasião de registar.
Ainda nos tempos actuais, isso acontece, como revela Manuel António Pina, em 12-7-2010, na sua coluna habitual do Jornal de Notícias
Pela sua oportunidade, não resisto a reproduzir o comentário deste ilustre escritor e jornalista, sobre a satisfação manifestada publicamente, pela Ministra da Cultura, com o pedido de demissão de um seu director-geral:
“O Ministério da Cultura manifestou “grande satisfação” pelo pedido de demissão do seu director-geral das Artes. A ministerial satisfação resulta de aquele director-geral ser responsável por “sucessivos atrasos nos concursos”, pela construção de uma “barreira” entre o “Gabinete da ministra e os agentes culturais” e por “ineficácia dos procedimentos”. Daí o sonoro “Uff!” público soltado pela Ministério mal soube que o homem pedira a demissão, pois, apesar de ele ser tão mau, o Ministério nunca se tinha lembrado de o demitir. O pedido “vem permitir finalmente (um ministerial “hurrah”) que a DGA se liberte de constrangimentos vários que têm vindo a dificultar a sua acção”, pondo o Ministério em condições de “alavancar o sector”. Recorde-se que o “sector” anda em polvorosa (num processo que, no elegante português da ministra é “muito liderado” pelo BE) em razão de cortes cegos feitos pela ministra e desfeitos pelo primeiro ministro, bem precisando que o “alavanquem”.E, para quem acha que touradas são “cultura” nada melhor para o “alavancar”que umas boas bandarilhas públicas num ex-funcionário.,,
Foi, por isso, grande a surpresa, quando se divulgou a notícia de que Fernando Soares Carneiro tinha sido exonerado do cargo de Director-Geral, que ocupava desde 1962.
Nunca se souberam os argumentos para tão drástica decisão.
A circunstância de esta exoneração ter acontecido, na imediata sequência do bom acolhimento de Primeira Ministra, à minha exposição, em contraste com anteriores diligências junto de Ministros da tutela, que não tiveram efeitos positivos, induziu-me a julgar que eu tenha contribuído para a decisão ministerial.
É certo que motivos não faltavam, entre os quais se evidenciavam ostensivos actos de corrupção usando viaturas e pessoal do SFM, dentro do horário normal de trabalho, em proveito pessoal.
Mas muita coragem seria necessária, para alterar o que estava tacitamente estabelecido!
Havia quem dissesse que Soares Carneiro se considerava tão seguro no cargo, que teria cometido a imprudência de declarar, perante o Ministro Álvaro Barreto que os Governos se sucediam, mudando os Ministros, enquanto ele persistia inamovível.
Álvaro Barreto não terá apreciado o comentário e terá feito uso de disposição legal que tinha alterado a nomeação dos Directores-Gerais. De carácter definitivo, passara a ser exercida em comissão de serviço.
Terá sido esta a causa para o despacho que surgiu, em 22-3-1980, o qual, a seguir reproduzo:
Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Indústria e Energia
Ao abrigo do n.º 3 do artigo 4.º do Decreto-Lei N.º 191-F/79 de 26 de Junho, é dada por finda a comissão de serviço pela qual, de acordo com o n.º 1 do artigo 12.º do referido decreto-lei e despacho n.º 326/79 de 25 de Julho. Do Ministro da Indústria e Tecnologia, fora provido no cargo de director-geral de Geologia e Minas o engenheiro Fernando Soares Carneiro.
Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Indústria e Energia, 17 de Março de 198. O Primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro. O Ministro da Indústria e Energia Álvaro Roque de Pinho Bissaia Barreto.
Soares Carneiro viria a ser “recompensado” com o cargo simbólico de Presidente do Conselho Superior de Geologia e Minas, isto é, com a presidência de Organismo cuja extinção estava prevista no decreto-lei n.º 548/77. Manteria, também, funções burocráticas no Ministério.
Tal como Múrias de Queiroz, antes de chegar à aposentação, conseguiria, a categoria de Assessor da letra B,
O regabofe continuava!
Ainda nos tempos actuais, isso acontece, como revela Manuel António Pina, em 12-7-2010, na sua coluna habitual do Jornal de Notícias
Pela sua oportunidade, não resisto a reproduzir o comentário deste ilustre escritor e jornalista, sobre a satisfação manifestada publicamente, pela Ministra da Cultura, com o pedido de demissão de um seu director-geral:
“O Ministério da Cultura manifestou “grande satisfação” pelo pedido de demissão do seu director-geral das Artes. A ministerial satisfação resulta de aquele director-geral ser responsável por “sucessivos atrasos nos concursos”, pela construção de uma “barreira” entre o “Gabinete da ministra e os agentes culturais” e por “ineficácia dos procedimentos”. Daí o sonoro “Uff!” público soltado pela Ministério mal soube que o homem pedira a demissão, pois, apesar de ele ser tão mau, o Ministério nunca se tinha lembrado de o demitir. O pedido “vem permitir finalmente (um ministerial “hurrah”) que a DGA se liberte de constrangimentos vários que têm vindo a dificultar a sua acção”, pondo o Ministério em condições de “alavancar o sector”. Recorde-se que o “sector” anda em polvorosa (num processo que, no elegante português da ministra é “muito liderado” pelo BE) em razão de cortes cegos feitos pela ministra e desfeitos pelo primeiro ministro, bem precisando que o “alavanquem”.E, para quem acha que touradas são “cultura” nada melhor para o “alavancar”que umas boas bandarilhas públicas num ex-funcionário.,,
Foi, por isso, grande a surpresa, quando se divulgou a notícia de que Fernando Soares Carneiro tinha sido exonerado do cargo de Director-Geral, que ocupava desde 1962.
Nunca se souberam os argumentos para tão drástica decisão.
A circunstância de esta exoneração ter acontecido, na imediata sequência do bom acolhimento de Primeira Ministra, à minha exposição, em contraste com anteriores diligências junto de Ministros da tutela, que não tiveram efeitos positivos, induziu-me a julgar que eu tenha contribuído para a decisão ministerial.
É certo que motivos não faltavam, entre os quais se evidenciavam ostensivos actos de corrupção usando viaturas e pessoal do SFM, dentro do horário normal de trabalho, em proveito pessoal.
Mas muita coragem seria necessária, para alterar o que estava tacitamente estabelecido!
Havia quem dissesse que Soares Carneiro se considerava tão seguro no cargo, que teria cometido a imprudência de declarar, perante o Ministro Álvaro Barreto que os Governos se sucediam, mudando os Ministros, enquanto ele persistia inamovível.
Álvaro Barreto não terá apreciado o comentário e terá feito uso de disposição legal que tinha alterado a nomeação dos Directores-Gerais. De carácter definitivo, passara a ser exercida em comissão de serviço.
Terá sido esta a causa para o despacho que surgiu, em 22-3-1980, o qual, a seguir reproduzo:
Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Indústria e Energia
Ao abrigo do n.º 3 do artigo 4.º do Decreto-Lei N.º 191-F/79 de 26 de Junho, é dada por finda a comissão de serviço pela qual, de acordo com o n.º 1 do artigo 12.º do referido decreto-lei e despacho n.º 326/79 de 25 de Julho. Do Ministro da Indústria e Tecnologia, fora provido no cargo de director-geral de Geologia e Minas o engenheiro Fernando Soares Carneiro.
Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Indústria e Energia, 17 de Março de 198. O Primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro. O Ministro da Indústria e Energia Álvaro Roque de Pinho Bissaia Barreto.
Soares Carneiro viria a ser “recompensado” com o cargo simbólico de Presidente do Conselho Superior de Geologia e Minas, isto é, com a presidência de Organismo cuja extinção estava prevista no decreto-lei n.º 548/77. Manteria, também, funções burocráticas no Ministério.
Tal como Múrias de Queiroz, antes de chegar à aposentação, conseguiria, a categoria de Assessor da letra B,
O regabofe continuava!
terça-feira, 13 de julho de 2010
131 – A provável acção da Primeira Ministra Maria de Lourdes Pintasilgo em prol da indústria mineira. Continuação
A seguir, transcrevo algumas passagens da carta de 5 páginas dactilografadas, com dois documentos anexos, que escrevi à Primeira Ministra, em 4-9-1979:
“Em entrevistas concedidas a órgãos de comunicação social, tem V. Ex.ª manifestado o desejo de ouvir o povo directamente e não apenas através de quantos se apresentam como seus legítimos representantes.
Isto me encoraja a dirigir-me a V. Ex.ª, pois tenho algo de muito importante a dizer.
Referiu V. Ex.ª, recentemente, o facto bem patente a todos nós de os recursos da Terra estarem gradualmente a desaparecer.
Referiu, também, a instante necessidade de se fazerem progressos para melhor aproveitamento do que temos disponível diante de nós.
Que está sendo feito no País, no que respeita a jazigos minerais?
Porque tanto se fala em agricultura, nas pescas e indústrias associadas e tão pouco na indústria mineira?
È o País pobre, de matérias primas minerais?
Para determinar de que podemos dispor, neste domínio, foi criado, em 1939, um departamento integrado na Direcção-Geral de Minas, ao qual foi dada a designação de Serviço de Fomento Mineiro.”
…
“Apesar dos consideráveis obstáculos com que deparou, algum pessoal mais dedicado do Serviço de Fomento Mineiro foi capaz de se constituir em equipas, com um princípio de especialização nas variadas e complexas técnicas de prospecção e pesquisa mineiras e obter assinaláveis êxitos, que fizeram granjear ao Serviço algum prestígio interno e também além fronteiras.
Refiram-se, por exemplo, as descobertas na Faixa Piritosa Alentejana, das quais agora tanto fala o Director-Geral, como se tivesse sido seu impulsionador, ele que, em tal matéria, não teve a mínima intervenção.
Mas, se o que se realizou foi já alguma coisa, muito mais poderia ter-se feito, até sem maiores dispêndios. Bastaria que se não tivesse impedido de trabalhar quem estava disposto a isso, mesmo sem especiais compensações e já tinha dado provas evidentes de possuir a competência que conduz aos êxitos.
Não o tem entendido assim o Senhor Director-Geral de Minas. A sua acção nunca foi verdadeiramente positiva, mas, nos últimos anos, tem sido francamente negativa.
O País, no que respeita à indústria mineira, sobretudo no Norte, pode dizer-se que se encontra num estádio primário de desenvolvimento.
Quase tudo está por fazer!
Existem boas possibilidades de se encontrarem riquezas que contribuam para o desenvolvimento económico do País, criando postos de trabalho, evitando ou diminuindo as actuais vultosas importações de metais e as consequentes sangrias de divisas e conseguindo até talvez obter receitas através de exportações.”
…
“Em ofício que ontem dirigi ao Senhor Ministro da Indústria, fiz novo apelo ao Governo para intervir neste sector tão importante, quão maltratado da economia nacional.
Tomo a liberdade de enviar a V. Ex.ª cópias, não só do meu ofício para o Ministro da Indústria, mas também do documento que o acompanhava, subordinado ao título “PARECER SOBRE A ACTIVIDADE DE UNION CARBIDE GEOTÉCNICA PORTUGUESA – ASSISTÊNCIA MINEIRA, L.DA, NA REGIÃO DE VILA NOVA DE CERVEIRA -. CAMINHA – PONTE DE LIMA.
Se V. Ex.ª tiver oportunidade de passar em revista estes documentos ou de o mandar fazer a alguém idóneo, aperceber-se-á do modo como estão sendo acautelados os interesses nacionais, na Direcção-Geral de Minas
Fico confiante que V. Ex.ª interprete correctamente esta minha iniciativa.
Como tive ocasião de dizer, num dos seus discursos, o Senhor Presidente da República, cidadãos conscientes não podem permitir a ineficácia e o desmazelo dos serviços públicos, nem ficar calados perante a incompetência e a corrupção.
Pela minha parte, creio estar a comportar-me como cidadão consciente.
Espero que o Governo, na posse destes e de muitos outros dados que, ao longo dos anos, fui enviando, actue, no sector mineiro, como as circunstâncias exigem.”
Ao contrário do procedimento adoptado por Ministros e Secretários de Estado dos Governos anteriores, que nunca se dignaram responder às minhas exposições, a ponto de eu ter chegado a apresentar-me na Secretaria de Estado da Indústria para expor pessoalmente a grave crise por que passava o Serviço de Fomento Mineiro, com os resultados contraproducentes a que me referi no post anterior, Maria de Lourdes Pintasilgo deu o melhor acolhimento à minha exposição.
É do seguinte teor a resposta que recebi da sua Chefe do Gabinete, em 17 de Setembro de 1979:
“Em referência à sua carta de 4.9.79, dirigida a Sua Excelência a Primeiro Ministro, informo que o assunto exposto nos mereceu a melhor atenção e foi, nesta data, através do n/ofício n.º 11 680, submetido à consideração do Ministério da Indústria.”
Infelizmente, o V Governo Constitucional só se manteve em funções, durante 85 dias e não seria de esperar rapidez de reacção do Ministro da tutela, que já havia dado provas de negligência relativamente ao sector mineiro, em anterior Governo, no qual tivera comportamento inadmissível para um governante, conforme descrevi no meu post n.º 99.
O tema transitou para o Governo seguinte, e provavelmente contribuiu para a decisão que se impunha e que o Ministro Álvaro Barreto teve a coragem de assumir.
Esta decisão será objecto do próximo post.
“Em entrevistas concedidas a órgãos de comunicação social, tem V. Ex.ª manifestado o desejo de ouvir o povo directamente e não apenas através de quantos se apresentam como seus legítimos representantes.
Isto me encoraja a dirigir-me a V. Ex.ª, pois tenho algo de muito importante a dizer.
Referiu V. Ex.ª, recentemente, o facto bem patente a todos nós de os recursos da Terra estarem gradualmente a desaparecer.
Referiu, também, a instante necessidade de se fazerem progressos para melhor aproveitamento do que temos disponível diante de nós.
Que está sendo feito no País, no que respeita a jazigos minerais?
Porque tanto se fala em agricultura, nas pescas e indústrias associadas e tão pouco na indústria mineira?
È o País pobre, de matérias primas minerais?
Para determinar de que podemos dispor, neste domínio, foi criado, em 1939, um departamento integrado na Direcção-Geral de Minas, ao qual foi dada a designação de Serviço de Fomento Mineiro.”
…
“Apesar dos consideráveis obstáculos com que deparou, algum pessoal mais dedicado do Serviço de Fomento Mineiro foi capaz de se constituir em equipas, com um princípio de especialização nas variadas e complexas técnicas de prospecção e pesquisa mineiras e obter assinaláveis êxitos, que fizeram granjear ao Serviço algum prestígio interno e também além fronteiras.
Refiram-se, por exemplo, as descobertas na Faixa Piritosa Alentejana, das quais agora tanto fala o Director-Geral, como se tivesse sido seu impulsionador, ele que, em tal matéria, não teve a mínima intervenção.
Mas, se o que se realizou foi já alguma coisa, muito mais poderia ter-se feito, até sem maiores dispêndios. Bastaria que se não tivesse impedido de trabalhar quem estava disposto a isso, mesmo sem especiais compensações e já tinha dado provas evidentes de possuir a competência que conduz aos êxitos.
Não o tem entendido assim o Senhor Director-Geral de Minas. A sua acção nunca foi verdadeiramente positiva, mas, nos últimos anos, tem sido francamente negativa.
O País, no que respeita à indústria mineira, sobretudo no Norte, pode dizer-se que se encontra num estádio primário de desenvolvimento.
Quase tudo está por fazer!
Existem boas possibilidades de se encontrarem riquezas que contribuam para o desenvolvimento económico do País, criando postos de trabalho, evitando ou diminuindo as actuais vultosas importações de metais e as consequentes sangrias de divisas e conseguindo até talvez obter receitas através de exportações.”
…
“Em ofício que ontem dirigi ao Senhor Ministro da Indústria, fiz novo apelo ao Governo para intervir neste sector tão importante, quão maltratado da economia nacional.
Tomo a liberdade de enviar a V. Ex.ª cópias, não só do meu ofício para o Ministro da Indústria, mas também do documento que o acompanhava, subordinado ao título “PARECER SOBRE A ACTIVIDADE DE UNION CARBIDE GEOTÉCNICA PORTUGUESA – ASSISTÊNCIA MINEIRA, L.DA, NA REGIÃO DE VILA NOVA DE CERVEIRA -. CAMINHA – PONTE DE LIMA.
Se V. Ex.ª tiver oportunidade de passar em revista estes documentos ou de o mandar fazer a alguém idóneo, aperceber-se-á do modo como estão sendo acautelados os interesses nacionais, na Direcção-Geral de Minas
Fico confiante que V. Ex.ª interprete correctamente esta minha iniciativa.
Como tive ocasião de dizer, num dos seus discursos, o Senhor Presidente da República, cidadãos conscientes não podem permitir a ineficácia e o desmazelo dos serviços públicos, nem ficar calados perante a incompetência e a corrupção.
Pela minha parte, creio estar a comportar-me como cidadão consciente.
Espero que o Governo, na posse destes e de muitos outros dados que, ao longo dos anos, fui enviando, actue, no sector mineiro, como as circunstâncias exigem.”
Ao contrário do procedimento adoptado por Ministros e Secretários de Estado dos Governos anteriores, que nunca se dignaram responder às minhas exposições, a ponto de eu ter chegado a apresentar-me na Secretaria de Estado da Indústria para expor pessoalmente a grave crise por que passava o Serviço de Fomento Mineiro, com os resultados contraproducentes a que me referi no post anterior, Maria de Lourdes Pintasilgo deu o melhor acolhimento à minha exposição.
É do seguinte teor a resposta que recebi da sua Chefe do Gabinete, em 17 de Setembro de 1979:
“Em referência à sua carta de 4.9.79, dirigida a Sua Excelência a Primeiro Ministro, informo que o assunto exposto nos mereceu a melhor atenção e foi, nesta data, através do n/ofício n.º 11 680, submetido à consideração do Ministério da Indústria.”
Infelizmente, o V Governo Constitucional só se manteve em funções, durante 85 dias e não seria de esperar rapidez de reacção do Ministro da tutela, que já havia dado provas de negligência relativamente ao sector mineiro, em anterior Governo, no qual tivera comportamento inadmissível para um governante, conforme descrevi no meu post n.º 99.
O tema transitou para o Governo seguinte, e provavelmente contribuiu para a decisão que se impunha e que o Ministro Álvaro Barreto teve a coragem de assumir.
Esta decisão será objecto do próximo post.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
130 –A provável. acção da Primeira Ministra Maria de Lourdes Pintasilgo em prol da indústria mineira
Enquanto perdurou o regime político de Salazar – Caetano, nunca fiz exposições ao Governo, a solicitar medidas correctivas para irregularidades que estivessem a ser cometidas na Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos (DGMSG), principalmente no Serviço de Fomento Mineiro (SFM).
Na verdade, na fase inicial do SFM, tive o apoio incondicional do seu primeiro Director, Engenheiro António Bernardo Ferreira, em todas as actividades de que tinha sido encarregado.
Era deveras estimulante receber as suas frequentes visitas aos trabalhos que eu dirigia, no Alentejo e observar como por eles se interessava. Nesses recuados tempos, uma deslocação do Porto, onde era a sede do SFM, até ao Alentejo, por más estradas, muitas vezes de macadame, era quase uma aventura!
A afabilidade, quase familiar, com que tratava todo o pessoal, transformava-o num verdadeiro amigo
Quando o SFM teve a grande infelicidade de perder este seu grande impulsionador, algumas vezes senti necessidade de solicitar a intervenção do Director-Geral de Minas, Engenheiro Luís de Castro e Solla, para que fossem corrigidas decisões insensatas do novo Director.
Os temas que me levaram à presença do Director-Geral, ou a enviar documentos escritos, sempre foram objecto da sua cuidadosa atenção.
Tratando-se de pessoa de fino trato, conseguia resolver diplomaticamente, as situações anormais para que o novo Director do SFM ia resvalando, possivelmente mal aconselhado pelos seus mais próximos colaboradores, que se haviam instalado, na sede, no Porto.
Castro e Solla, conquanto não tivesse experiência mineira, tinha grande cultura e fina inteligência, características que lhe permitiam compreender, com rapidez, as questões que eu lhe apresentava.
Conservo documentos escritos pela sua mão, demonstrando elevada consideração pela competência e direitura (para usar a sua expressão) que em mim encontrava.
Nestas circunstâncias, continuava a não sentir necessidade de me dirigir ao Governo a chamar a atenção para desvios que estivessem a acontecer do cumprimento dos nobres objectivos visados pelo decreto de criação de SFM.
Quando Castro e Solla tomou a inesperada decisão de abandonar o cargo de Director-Geral, isso causou-me natural apreensão, pois não encontrava, dentro do DGMSG técnico com estatura para tais funções.
Ao tomar conhecimento de que. Fernando Soares Carneiro, que exercia as funções de Chefe da Circunscrição Mineira do Norte, estava indigitado para o cargo de Director-Geral, alimentei esperanças de que ele viria a ter para com o SFM, atitude idêntica à de Castro e Solla, pois era Engenheiro da minha geração e eram muito cordiais as nossas relações.
Mas logo no início do seu mandato, sofri enorme decepção, com a nomeação do Engenheiro Múrias de Queiroz para a direcção do SFM.
Castro e Solla, que não nutria a mínima simpatia por Múrias de Queiroz, a quem atribuía responsabilidade em decisões erradas do anterior Director, Eng.º Guimarães dos Santos, já tinha reconhecido ser eu a pessoa indicada para exercer essas funções, na oportunidade que estava a surgir com a aposentação de um Inspector Superior.
Soares Carneiro, em conversa que com ele tive, manifestou-se igualmente nesse sentido, mas, segundo me declarou, não pôde resistir às indicações do Secretário de Estado, Edgar de Oliveira, que tinha sido companheiro de Múrias de Queiroz, na JUC - Juventude Universitária Católica, isto é, organização politica e religiosa dos tempos de Salazar e Cerejeira.
Perante os inevitáveis efeitos maléficos desta nomeação, que eram facilmente previsíveis, Soares Carneiro garantiu-me que a nomeação tinha carácter transitório e que o cargo viria a ser-me confiado. (Ver post n.º 25).
Durante os primeiros anos do seu mandato, Soares Carneiro não mostrou a mínima consideração pelo Director que nomeara para o SFM. Quase ignorou a sua existência.
Era a mim que se dirigia quando surgiam problemas de ordem técnica, a que era necessário dar seguimento. Para Múrias de Queiroz reservava as questões burocráticas.
São exemplos as visitas, com o Secretário de Estado, a zonas mineiras do Alentejo, para evidenciar a importância do SFM, na valorização do património mineiro nacional (ver post n.º 47); a minha nomeação, em 1965, para representar a DGMSG nas Jornadas de Engenharia de Moçambique (ver post n.º 44); a minha permanência como real representante de Portugal no grupo “ad hoc” constituído em 1961, no âmbito da OCDE (Ver post n.º 22); a minha nomeação para uma missão ao Japão que eu declarei não ter condições para bem desempenhar (Ver post n. 51).
Com o decurso do tempo, Soares Carneiro foi-se apercebendo da verdadeira dimensão da ignorância de Múrias de Queiroz e do seu carácter subserviente .
Em vez de procurar, para ele, cargo compatível com as suas reais capacidades, como o exigia o interesse nacional e de me confiar a direcção do SFM, em conformidade com o que me havia declarado, resolveu chamar a si o comando total do SFM.
Foi assim que criou a chamada Comissão de Fomento (Ver post n.º 49).
Mais uma vez, alimentei a esperança de que, através das reuniões desta Comissão, eu conseguiria vencer as dificuldades com que deparava para cumprir os programas de prospecção que submetia anualmente a apreciação superior e que considerava aprovados, por nada me ser comunicado sobre a sua aceitação.
Por outro lado, também pensava que, através desta Comissão, seria encontrada solução para a grave crise por que estava passando o 2.º Serviço, com o importante sector dos Trabalhos Mineiros em grande decadência.
Mas, mais uma vez as minhas ingénuas expectativas foram rapidamente frustradas.
A sua actuação, que roçava muitas vezes a grosseria, contrastando com a fina educação de Castro e Solla, fez-me sentir envergonhado, quando ostentava essa sua característica, na presença de representantes de empresas estrangeiras, que não se inibiam, depois, de o ridicularizar perante mim, quando o nosso habitual convívio já isso permitia.
E esse estilo fez escola, dele abusando não só o Director do SFM, nas sobretudo o Adjunto do Director-Geral, o cognominado Ajax.
Em vez de contribuir para o bom desempenho das actividades a meu cargo, passou a introduzir graves perturbações nessas actividades, em total desrespeito pelas disposições do decreto-lei n.º 18730 de 1 de Agosto de 1930 que codificava a legislação mineira e do decreto-lei n.º 29725, de 28 de Junho de 1939, que criava o Serviço de Fomento Mineiro, os quais acentuavam o importante papel a desempenhar pelos técnicos portugueses no racional aproveitamento dos nossos recursos minerais.
Também desprezava completamente as minhas recomendações no mesmo sentido, constantes do capítulo final do artigo de minha autoria, também subscrito pelo Engenheiro Fernando José da Silva, “Prospecção de Pirites no Baixo Alentejo”, publicado no Volume X de “Estudos Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento Mineiro”.
Tendo em curso estudos sistemáticos, por variadas técnicas, na Faixa Piritosa Alentejana, com resultados fortemente encorajantes, decidiu, sem ouvir o meu parecer, outorgar vastas parcelas desta Faixa, sobretudo a Empresas estrangeiras.
Entre vários sucessos, em fase terminal de concretização, que ofereceu, de mão beijada, a empresas privadas, que logo reivindicaram a sua total autoria, chegando, num caso, a depreciar a anterior preparação pelo SFM, com a vergonhosa cumplicidade do adjunto do Director-Geral (Ver post n.º 36), destaca-se a descoberta de Neves-Corvo, isto é, do maior jazigo de cobre da Europa, que acabou por chegar 5 anos atrasada, devido a inépcia do grupo empresarial dominado por técnicos e capitais franceses, ao qual tinha sido adjudicada a área em que se situa (Ver posts n.ºs 37 a 43).
Também ignorou completamente a minha recomendação de fazer da Mina de cobre de Aparis uma Escola de Minas (Ver post n.º48).
Verdadeiramente esclarecedor sobre os seus conhecimentos relativamente à condução dos exigentes trabalhos de prospecção mineira, foi a sua incrível atitude de se atrever a dirigir Geólogos jovens, tão inexperientes como ele, em campanhas de investigação de existências de scheelite, em zonas de Trás-os-Montes e das Beiras, com as desastrosas consequências que relatei nos posts n.ºs 56 e 94.
Alimentava o sonho de ficar na História das Minas como grande descobridor de jazigos minerais, pois subitamente tinha chegado ao seu conhecimento (!!), que a scheelite, que mal se distingue, à vista desarmada, de minerais estéreis, fluoresce intensamente, quando submetida a radiação ultra-violeta de determinado comprimento de onda. Simplesmente primário!!
Estas e outras situações que se geraram levaram-me naturalmente a manifestar as minhas grandes divergências sobre a orientação que o Director-Geral se permitia dar ao SFM.
Mas o Director-Geral mantinha a sua atitude autoritária, com expressões como estas:
“Oh Rocha Gomes, todos sabemos que é assim …, mas não pode ser!”
“Mas o Senhor Engenheiro Rocha Gomes pensa que por ter essa opinião todos temos o dever de concordar?” (Eu era, na matéria em discussão, a única pessoa presente que conhecia o problema - a Mina do Barrigão, em Almodôvar, onde o 2.º Serviço realizava inadequados trabalhos, inserida em área que até estava adjudicada a empresa canadiana, sem que manifestasse o mínimo interesse no seu estudo).
“Aquele gajo está ali, há muito tempo com o dedo no ar! Vamos ouvir o que tem para dizer!” (Não estava instituído este procedimento para pedir a palavra, de modo que muitos falavam ao mesmo tempo e pouco se progredia nas discussões habituais sobre temas banais, que não interessavam à maior parte dos presentes). Após a minha intervenção, que, obviamente lhe não agradava, não raro tinha expressões como esta:
“É ou não é retorcido?”
As minhas relações com o Director-Geral foram-se progressivamente degradando, ao mesmo tempo que ele ia tirando partido das minhas deficientes relações com o Director do SFM.
Já constava que se preparava para me instaurar processo disciplinar, quando surgiu a Revolução de 25 de Abril de 1974.
No regime político de Salazar-Caetano, nunca encarei dirigir-me ao Governo para denunciar as irregularidades do Director-Geral, até porque já tinha recebido um aviso de que, nesse regime, estava estabelecido que “Os Chefes têm sempre razão” (Ver post n.º 23)
Após a Revolução, muitas foram as minhas exposições a Ministros ou Secretários de Estado que tutelavam o sector mineiro estatal.
Surpreendia-me que nunca me fosse dada resposta.
Chegou, porém, ao meu conhecimento que todas as minhas exposições eram enviadas ao Director-Geral, isto é, a pessoa por mim visada, algumas delas possivelmente sem que os governantes delas tomassem conhecimento.
Havia, no gabinete dos governantes, secretária que a troco de umas amostras de minerais, se encarregava de informar o Director-Geral das minhas exposições, ou até de lhas fazer chegar à mão.
Houve até um caso em que, da minha intervenção junto de governante, resultou um efeito contraproducente.
O Geólogo Assessor do Secretário de Estado, que agia em representação deste, aproveitou em seu benefício pessoal, as denúncias que eu fizera acerca de irregularidades cometidas pelo Director-Geral e pelo Director do SFM.
Conseguiu, sem currículo que o creditasse, ser nomeado Subdirector-Geral na DGGM e, mais tarde, chegar até a Director-Geral!!! Ver post n.º 126)
Mas eu não fiz exposições apenas para os Ministros da tutela.
Uma dessa exposições foi dirigida à Primeira Ministra, Engenheira D. Maria de Lourdes Pintasilgo. E dessa obtive resposta encorajadora.
Essa exposição e á sua resposta será objecto do próximo post.
Na verdade, na fase inicial do SFM, tive o apoio incondicional do seu primeiro Director, Engenheiro António Bernardo Ferreira, em todas as actividades de que tinha sido encarregado.
Era deveras estimulante receber as suas frequentes visitas aos trabalhos que eu dirigia, no Alentejo e observar como por eles se interessava. Nesses recuados tempos, uma deslocação do Porto, onde era a sede do SFM, até ao Alentejo, por más estradas, muitas vezes de macadame, era quase uma aventura!
A afabilidade, quase familiar, com que tratava todo o pessoal, transformava-o num verdadeiro amigo
Quando o SFM teve a grande infelicidade de perder este seu grande impulsionador, algumas vezes senti necessidade de solicitar a intervenção do Director-Geral de Minas, Engenheiro Luís de Castro e Solla, para que fossem corrigidas decisões insensatas do novo Director.
Os temas que me levaram à presença do Director-Geral, ou a enviar documentos escritos, sempre foram objecto da sua cuidadosa atenção.
Tratando-se de pessoa de fino trato, conseguia resolver diplomaticamente, as situações anormais para que o novo Director do SFM ia resvalando, possivelmente mal aconselhado pelos seus mais próximos colaboradores, que se haviam instalado, na sede, no Porto.
Castro e Solla, conquanto não tivesse experiência mineira, tinha grande cultura e fina inteligência, características que lhe permitiam compreender, com rapidez, as questões que eu lhe apresentava.
Conservo documentos escritos pela sua mão, demonstrando elevada consideração pela competência e direitura (para usar a sua expressão) que em mim encontrava.
Nestas circunstâncias, continuava a não sentir necessidade de me dirigir ao Governo a chamar a atenção para desvios que estivessem a acontecer do cumprimento dos nobres objectivos visados pelo decreto de criação de SFM.
Quando Castro e Solla tomou a inesperada decisão de abandonar o cargo de Director-Geral, isso causou-me natural apreensão, pois não encontrava, dentro do DGMSG técnico com estatura para tais funções.
Ao tomar conhecimento de que. Fernando Soares Carneiro, que exercia as funções de Chefe da Circunscrição Mineira do Norte, estava indigitado para o cargo de Director-Geral, alimentei esperanças de que ele viria a ter para com o SFM, atitude idêntica à de Castro e Solla, pois era Engenheiro da minha geração e eram muito cordiais as nossas relações.
Mas logo no início do seu mandato, sofri enorme decepção, com a nomeação do Engenheiro Múrias de Queiroz para a direcção do SFM.
Castro e Solla, que não nutria a mínima simpatia por Múrias de Queiroz, a quem atribuía responsabilidade em decisões erradas do anterior Director, Eng.º Guimarães dos Santos, já tinha reconhecido ser eu a pessoa indicada para exercer essas funções, na oportunidade que estava a surgir com a aposentação de um Inspector Superior.
Soares Carneiro, em conversa que com ele tive, manifestou-se igualmente nesse sentido, mas, segundo me declarou, não pôde resistir às indicações do Secretário de Estado, Edgar de Oliveira, que tinha sido companheiro de Múrias de Queiroz, na JUC - Juventude Universitária Católica, isto é, organização politica e religiosa dos tempos de Salazar e Cerejeira.
Perante os inevitáveis efeitos maléficos desta nomeação, que eram facilmente previsíveis, Soares Carneiro garantiu-me que a nomeação tinha carácter transitório e que o cargo viria a ser-me confiado. (Ver post n.º 25).
Durante os primeiros anos do seu mandato, Soares Carneiro não mostrou a mínima consideração pelo Director que nomeara para o SFM. Quase ignorou a sua existência.
Era a mim que se dirigia quando surgiam problemas de ordem técnica, a que era necessário dar seguimento. Para Múrias de Queiroz reservava as questões burocráticas.
São exemplos as visitas, com o Secretário de Estado, a zonas mineiras do Alentejo, para evidenciar a importância do SFM, na valorização do património mineiro nacional (ver post n.º 47); a minha nomeação, em 1965, para representar a DGMSG nas Jornadas de Engenharia de Moçambique (ver post n.º 44); a minha permanência como real representante de Portugal no grupo “ad hoc” constituído em 1961, no âmbito da OCDE (Ver post n.º 22); a minha nomeação para uma missão ao Japão que eu declarei não ter condições para bem desempenhar (Ver post n. 51).
Com o decurso do tempo, Soares Carneiro foi-se apercebendo da verdadeira dimensão da ignorância de Múrias de Queiroz e do seu carácter subserviente .
Em vez de procurar, para ele, cargo compatível com as suas reais capacidades, como o exigia o interesse nacional e de me confiar a direcção do SFM, em conformidade com o que me havia declarado, resolveu chamar a si o comando total do SFM.
Foi assim que criou a chamada Comissão de Fomento (Ver post n.º 49).
Mais uma vez, alimentei a esperança de que, através das reuniões desta Comissão, eu conseguiria vencer as dificuldades com que deparava para cumprir os programas de prospecção que submetia anualmente a apreciação superior e que considerava aprovados, por nada me ser comunicado sobre a sua aceitação.
Por outro lado, também pensava que, através desta Comissão, seria encontrada solução para a grave crise por que estava passando o 2.º Serviço, com o importante sector dos Trabalhos Mineiros em grande decadência.
Mas, mais uma vez as minhas ingénuas expectativas foram rapidamente frustradas.
A sua actuação, que roçava muitas vezes a grosseria, contrastando com a fina educação de Castro e Solla, fez-me sentir envergonhado, quando ostentava essa sua característica, na presença de representantes de empresas estrangeiras, que não se inibiam, depois, de o ridicularizar perante mim, quando o nosso habitual convívio já isso permitia.
E esse estilo fez escola, dele abusando não só o Director do SFM, nas sobretudo o Adjunto do Director-Geral, o cognominado Ajax.
Em vez de contribuir para o bom desempenho das actividades a meu cargo, passou a introduzir graves perturbações nessas actividades, em total desrespeito pelas disposições do decreto-lei n.º 18730 de 1 de Agosto de 1930 que codificava a legislação mineira e do decreto-lei n.º 29725, de 28 de Junho de 1939, que criava o Serviço de Fomento Mineiro, os quais acentuavam o importante papel a desempenhar pelos técnicos portugueses no racional aproveitamento dos nossos recursos minerais.
Também desprezava completamente as minhas recomendações no mesmo sentido, constantes do capítulo final do artigo de minha autoria, também subscrito pelo Engenheiro Fernando José da Silva, “Prospecção de Pirites no Baixo Alentejo”, publicado no Volume X de “Estudos Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento Mineiro”.
Tendo em curso estudos sistemáticos, por variadas técnicas, na Faixa Piritosa Alentejana, com resultados fortemente encorajantes, decidiu, sem ouvir o meu parecer, outorgar vastas parcelas desta Faixa, sobretudo a Empresas estrangeiras.
Entre vários sucessos, em fase terminal de concretização, que ofereceu, de mão beijada, a empresas privadas, que logo reivindicaram a sua total autoria, chegando, num caso, a depreciar a anterior preparação pelo SFM, com a vergonhosa cumplicidade do adjunto do Director-Geral (Ver post n.º 36), destaca-se a descoberta de Neves-Corvo, isto é, do maior jazigo de cobre da Europa, que acabou por chegar 5 anos atrasada, devido a inépcia do grupo empresarial dominado por técnicos e capitais franceses, ao qual tinha sido adjudicada a área em que se situa (Ver posts n.ºs 37 a 43).
Também ignorou completamente a minha recomendação de fazer da Mina de cobre de Aparis uma Escola de Minas (Ver post n.º48).
Verdadeiramente esclarecedor sobre os seus conhecimentos relativamente à condução dos exigentes trabalhos de prospecção mineira, foi a sua incrível atitude de se atrever a dirigir Geólogos jovens, tão inexperientes como ele, em campanhas de investigação de existências de scheelite, em zonas de Trás-os-Montes e das Beiras, com as desastrosas consequências que relatei nos posts n.ºs 56 e 94.
Alimentava o sonho de ficar na História das Minas como grande descobridor de jazigos minerais, pois subitamente tinha chegado ao seu conhecimento (!!), que a scheelite, que mal se distingue, à vista desarmada, de minerais estéreis, fluoresce intensamente, quando submetida a radiação ultra-violeta de determinado comprimento de onda. Simplesmente primário!!
Estas e outras situações que se geraram levaram-me naturalmente a manifestar as minhas grandes divergências sobre a orientação que o Director-Geral se permitia dar ao SFM.
Mas o Director-Geral mantinha a sua atitude autoritária, com expressões como estas:
“Oh Rocha Gomes, todos sabemos que é assim …, mas não pode ser!”
“Mas o Senhor Engenheiro Rocha Gomes pensa que por ter essa opinião todos temos o dever de concordar?” (Eu era, na matéria em discussão, a única pessoa presente que conhecia o problema - a Mina do Barrigão, em Almodôvar, onde o 2.º Serviço realizava inadequados trabalhos, inserida em área que até estava adjudicada a empresa canadiana, sem que manifestasse o mínimo interesse no seu estudo).
“Aquele gajo está ali, há muito tempo com o dedo no ar! Vamos ouvir o que tem para dizer!” (Não estava instituído este procedimento para pedir a palavra, de modo que muitos falavam ao mesmo tempo e pouco se progredia nas discussões habituais sobre temas banais, que não interessavam à maior parte dos presentes). Após a minha intervenção, que, obviamente lhe não agradava, não raro tinha expressões como esta:
“É ou não é retorcido?”
As minhas relações com o Director-Geral foram-se progressivamente degradando, ao mesmo tempo que ele ia tirando partido das minhas deficientes relações com o Director do SFM.
Já constava que se preparava para me instaurar processo disciplinar, quando surgiu a Revolução de 25 de Abril de 1974.
No regime político de Salazar-Caetano, nunca encarei dirigir-me ao Governo para denunciar as irregularidades do Director-Geral, até porque já tinha recebido um aviso de que, nesse regime, estava estabelecido que “Os Chefes têm sempre razão” (Ver post n.º 23)
Após a Revolução, muitas foram as minhas exposições a Ministros ou Secretários de Estado que tutelavam o sector mineiro estatal.
Surpreendia-me que nunca me fosse dada resposta.
Chegou, porém, ao meu conhecimento que todas as minhas exposições eram enviadas ao Director-Geral, isto é, a pessoa por mim visada, algumas delas possivelmente sem que os governantes delas tomassem conhecimento.
Havia, no gabinete dos governantes, secretária que a troco de umas amostras de minerais, se encarregava de informar o Director-Geral das minhas exposições, ou até de lhas fazer chegar à mão.
Houve até um caso em que, da minha intervenção junto de governante, resultou um efeito contraproducente.
O Geólogo Assessor do Secretário de Estado, que agia em representação deste, aproveitou em seu benefício pessoal, as denúncias que eu fizera acerca de irregularidades cometidas pelo Director-Geral e pelo Director do SFM.
Conseguiu, sem currículo que o creditasse, ser nomeado Subdirector-Geral na DGGM e, mais tarde, chegar até a Director-Geral!!! Ver post n.º 126)
Mas eu não fiz exposições apenas para os Ministros da tutela.
Uma dessa exposições foi dirigida à Primeira Ministra, Engenheira D. Maria de Lourdes Pintasilgo. E dessa obtive resposta encorajadora.
Essa exposição e á sua resposta será objecto do próximo post.
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