Na ânsia de encontrar rapidamente reservas minerais, para prolongar a vida de minas em lavra activa, ou para iniciar novas explorações, é vulgar que empresas privadas e certos núcleos de “serviços oficiais” decidam passar à fase de sondagens, sem ter esgotado as capacidades de técnicas menos onerosas, que possibilitariam melhor selecção dos alvos a sondar.
É também vulgar serem algo secundarizados os reais objectivos das sondagens, ao descurar os procedimentos aconselháveis a uma boa recolha de testemunhos inteiros, de modo a obter a melhor representação possível das formações interceptadas.
É ainda corrente não se controlar, periodicamente, de modo eficaz, a trajectória dos furos, tanto em inclinação como em direcção, acontecendo ocorrerem enormes desvios dos alvos pretendidos, sobretudo em furos longos e (ou) com pequeno diâmetro inicial.
O uso de giroscópio torna-se essencial. O procedimento com bússola magnética não é rigoroso, porque as hastes ficam fortemente magnetizadas pelo atrito com as paredes dos furos e perturbam o campo magnético terrestre.
Também é frequente não se fazer a determinação sistemática das densidades e, em certos casos, a medição de susceptibilidades magnéticas dos testemunhos, análise geoquímica dos detritos, etc.
Seria de esperar recomendação de Goinhas no sentido de evitar a repetição de tais deficiências.
Todavia, tal não consta do documento intitulado "A Prospecção Mineira em Portugal. Áreas potenciais para implantação de projectos”, publicado no Boletim de Minas, que o autor classificou como pedagógica contribuição para o novo Plano Mineiro Nacional.
De facto, no parágrafo final desse documento, declara
“julgar ser a primeira vez que se aborda o problema das potencialidades dos recursos minerais do País, de forma integrada e sistematizada, que poderá conter, para além do simples interesse informativo, também um interesse pedagógico”.
A seguir, cito mais casos de actuação indisciplinada, relativamente à fase de sondagens.
11 –Na Faixa Metalífera da Beira Litoral.
A importância desta Faixa é bem evidenciada no “Catálogo Descritivo da Secção de Minas (Grupos I e II)" da Exposição Industrial das Indústrias Fabris, coordenada sob a direcção de José Augusto das Neves Cabral, por Severiano Monteiro e por João Augusto Barata, publicado pela Imprensa Nacional em 1889.
Nele são descritos trabalhos, em minas, que, nessa época, já atingiam profundidades de centenas de metros, chegando, num caso, aos 400 m.
São referidas, de Norte para Sul, as minas de Palhal, Telhadela, Braçal, Malhada, Coval da Mó e Barbadalhos, nas quais se exploravam minérios de cobre, chumbo, zinco, e secundariamente, prata, níquel e cobalto.
Já anteriormente, Carlos Ribeiro, na sua “Memória sobre o grande filão metalífero que passa a Nascente de Albergaria-a-Velha e Oliveira de Azeméis”, publicada em 1861, fizera pormenorizada descrição dessas e de outras minas, que considerava relacionadas com o acidente tectónico, onde se instalou aquele filão metalífero.
José Goinhas, apesar de considerar “de grande interesse prospectivo” esta banda blasto-milonítica, com zona de cisalhamento associada, onde ocorrem. mineralizações ainda metalogeneticamente pouco conhecidas”, de chumbo, cobre e antimónio, em particular na zona de Coimbra e na região entre Águeda e Oliveira de Azeméis, Braçal – Talhadas, Caima, etc...”, apenas lhe dedica meia dúzia de linhas, no seu extenso documento.
A tão “erudito” arrazoado, só faltou referir as “rochas flebociménicas", inspirando-se em nomenclatura usada por Vitorino Correia.
O leitor não se preocupe, pois ainda não encontrei Geólogo que conhecesse tal modo de designar filões.
Talvez venha a fazer post sobre esta manifestação de sabedoria, que não foi exclusiva de Vitorino.
É surpreendente a afirmação de se tratar de mineralizações metalogeneticamente pouco conhecidas, sabendo-se quão intensamente foram exploradas, desde o tempo dos romanos.
As mineralizações são, de facto, bem conhecidas, mas não tenho notícia da ocorrência de antimónio, que é citada por Goinhas.
Admito que Goinhas quisesse acentuar a insuficiente conhecimento geológico da zona, pois essa era uma notória realidade, mas longe de ser exclusiva da Faixa Metalífera.
Embora no período a que se reporta Goinhas, numerosos Geólogos tivessem ingressado no SFM, os minuciosos estudos de natureza estrutural, que se impunham, não eram realizados.
Inexperientes, na sua generalidade, esses Geólogos demonstravam pouca apetência para trabalhar no campo e, muito menos, no interior de minas.
Era mais fácil usurpar trabalho de outros, apresentando-se como seus autores.
O Geólogo Vítor Correia Pereira, chegou ao cúmulo de incluir, em currículo publicado em Diário da República, a autoria de levantamento geológico realizado pelos Geólogos checos Yanecka e Strnad, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Os mapas contendo este levantamento geológico, que me foram oferecidos pelos seus autores, como retribuição pelos mapas magnéticos que eu lhes fornecera, foram por mim cedidos a Vítor Pereira, a seu pedido, com vista à inserção no Livro Guia de Excursão incluída no programa do CHILAGE, que teve lugar em 1970-71.
Os autores deste levantamento não são citados na bibliografia!
Contrastando com esta atitude, em comunicação que apresentei ao CHILAGE sobre os trabalhos de prospecção que dirigia na mesma Região, também incluí esse levantamento, mas tive o cuidado de mencionar os verdadeiros autores.
Delfim de Carvalho, Vítor Oliveira, Santos Oliveira e também José Goinhas tiveram procedimentos semelhantes.
Já tive oportunidade de referir alguns, deles.
Dentre todos, os mais escandalosos foram, sem dúvida, os artigos sobre a descoberta do jazigo de Neves - Corvo, da autoria de Delfim de Carvalho, publicados, no Boletim de Minas e na “Economic Geology”, sendo certo que Delfim de Carvalho, não tendo tido a mínima intervenção em tão extraordinário sucesso, até incorre em grosseiros erros. (Ver posts N.ºs 38 e 41 a 43)
Estes Geólogos foram, além disso, alguns dos principais responsáveis pela progressiva degradação do SFM, que haveria de conduzir à extinção deste Organismo.
Goinhas demonstrou não ter lido as desenvolvidas descrições dos jazigos minerais da Faixa Metalífera, constantes quer de documentos publicados, quer de numerosos “relatórios internos”, sendo deveras estranho que nem os cite, na sua extensa bibliografia.
Além das publicações já mencionadas, seriam de consulta obrigatória.
a) Relatório acerca das Minas do Braçal, Palhal, Carvalhal e Pena, do distrito Administrativo de Aveiro, elaborado por José Augusto César das Neves Cabral, publicado pela Imprensa Nacional, em 1859 (87 páginas e 12 peças desenhadas).
b) Relatório de minha autoria, apresentado em 31 de Dezembro de 1972, com o título “Região de Braçal - Talhadas. Sua potencialidade Mineira”. Volumes I e II (Texto dactilografado com 22 páginas e um Apêndice) e 23 peças desenhadas).
Declarando mal conhecidas as mineralizações desta Faixa, Goinhas não explica porque lhes atribui grande interesse prospectivo.
Deduz-se que incluiria a Faixa Metalífera da Beira Litoral nas “Áreas potenciais para aplicação de projectos”.
Tal atitude, discordante da assumida pelos Directores-Gerais que sucederam a Luís de Castro e Solla e pelos Directores do SFM que sucederam a Guimarães dos Santos, deixou-me surpreendido, sabendo da sua cumplicidade com estes dirigentes, gerada após os procedimentos irregulares, por eles aconselhados ou consentidos, com a minha veemente repulsa, que tinham originado o meu compulsivo afastamento da chefia da 1.ª Brigada de Prospecção (Ver posts N.ºs 77 e 81 a 91).
Esses dirigentes sempre exprimiram abertamente o seu desacordo pelo estudo desta Faixa, assim justificando os obstáculos que deliberadamente foram criando, os quais culminaram com a suspensão, em 1980, de todos os trabalhos que nela decorriam, com notável sucesso, desde 1968. (Ver post N.º 138).
A realidade é que Goinhas, embora, no seu documento atribua grande interesse prospectivo a esta Faixa, nenhumas diligências fez para que o seu estudo fosse facilitado, não obstante até lhe ter sido “clandestinamente” atribuída a Prospecção Mineira, quando conseguiu a categoria de Director de Serviço, na onda de assaltos aos cargos directivos. (Ver post Nº 187)
Vários factos evidenciaram, mais uma vez, as incoerências de Goinhas, tornando indesculpável o seu real “desinteresse” por uma Faixa que classifica de grande “interesse” prospectivo.
Vou citar alguns desses factos.
a) Goinhas, que até tinha elaborado um relatório sobre a Mina do Braçal, com data de 1-9-64, num período em que, por minha intervenção, esteve prestando serviço na Compagnie Royale Asturienne des Mines, sabia que a Mina tinha cessado a laboração, em 1959, não por carência de matéria-prima, mas apenas por conjuntural baixa de cotação do chumbo.
Sabia também, que, sem justificação alguma, tinha sido revogada a respectiva concessão, porquanto não era normal isto acontecer!
Em casos como este, em que o concessionário abdicava dos seus direitos de exploração, a concessão passava à situação de abandonada, podendo ser novamente adjudicada, se não estivesse incluída em área cativa para o Estado.
O conhecimento da Legislação Mineira do País é um óbvio dever dos funcionários da DGGM, sobretudo dos que ocupam os escalões hierárquicos mais elevados.
Mas, nesta matéria, Goinhas tem maiores responsabilidades, não só pela categoria de Director de Serviço que conseguiu conquistar, mas porque, quando, em 1971-72, à custa do erário público, frequentou Curso de Economia Mineira, em Universidade de Arizona, teve o meu permanente apoio, através de correspondência assídua, que com ele mantive, constando dessa correspondência, a seu pedido, dados circunstanciados, acerca da legislação mineira de Portugal, para inserir nos trabalhos do Curso. (Ver post N.º 88)
O facto de se ter revogado esta concessão, que era a mais antiga do País, impedindo que fosse novamente adjudicada, não podia deixar de ser referido numa história da prospecção mineira em Portugal, à qual se pretendia atribuir um efeito pedagógico.
Mas a referência não deveria aí confinar-se, porquanto, erro muito mais grave foi o facto de o Serviço de Fomento Mineiro não ter usado as disposições do Decreto-lei N.º 29 725, para se substituir ao concessionário.
Era do mais elementar bom senso evitar a perda da valiosíssimo capital humano, experiente nas variadas profissões que se tinham desenvolvido, para manter, não apenas a Mina em laboração, mas também o estabelecimento metalúrgico localmente instalado, no qual se produzia chumbo metálico e seus derivados, para consumo no mercado nacional.
Teria sido muito mais útil ao País dar continuidade ao estudo desta Mina, do que iniciar estudos nas Minas de Talhadas, que, há longos anos, se encontravam inactivas.
A Mina do Braçal, apesar de, nos tempos recentes, se manter em exploração, durante mais de uma década, sendo até a mais importante produtora de minério de chumbo e seus derivados, estava longe de poder considerar-se reconhecida, de modo a ficarem definidas as suas reais reservas.
Impunham-se estudos idênticos aos que estavam, então, em curso na Mina de cobre de Aparis, em Barrancos, para que a exploração pudesse realizar-se segundo as boas regras da “arte de minas” e não de modo artesanal, como era vulgar acontecer, comprometendo o bom aproveitamento dos jazigos.
A Mina do Braçal reunia até condições excepcionais para ser utilizada como Mina-Escola, à semelhança do que eu tinha advogado para a Mina de Aparis, quando esta se encontrava ainda em estudo pelo SFM (Ver post N.º 21).
Na Mina do Braçal, nem sequer faltavam instalações para alojamento dos estagiários, que ali fossem completar a sua formação.
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Mas os dirigentes, nessa época, optaram, irresponsavelmente, pelo estudo das Minas de Talhadas, para manter activo o sector de Trabalhos Mineiros do Norte, até se esquecendo da fobia do Director-Geral de Minas pelos filões.
É certo que também se tinham esquecido desta fobia, quando consentiram que o 2.º Serviço continuasse a reconhecer um pequeno filão cuprífero, na Mina do Barrigão, localizada no Sul do País, no concelho de Almodôvar, apesar de se situar no interior de área que tinha sido adjudicada a Companhia canadiana para prospecção mineira!!!
Para esta decisão, pode ter contribuído uma real dependência técnica, que Engenheiros classificáveis como “de papel selado”, arvorados em dirigentes, que se refugiavam no conforto do9s seus gabinetes, manifestavam relativamente a um Agente Técnico de Engenharia, que se insinuara junto deles, por aliar a alguma experiência mineira, muito servilismo.
Este Agente Técnico de Engenharia tinha, aliás, adquirido a sua experiência, na Brigada do Sul, mas estava longe da capacidade desenvolvida pelos seus colegas que permaneceram no Sul.
Aconteceu até que os estudos a seu cargo, que incidiram na Mina do Cabeço de Macieira, enfermando de deficiente apoio geológico, tiveram que ser dados por concluídos, sem terem conseguido resultados com interesse económico.
Estando em reconhecimento um filão, em piso iniciado pelos anteriores exploradores, deparou-se com uma falha, não se tendo conseguido localizar a parte rejeitada.
Galerias abertas, em várias direcções, revelaram bem a desorientação do responsável pelos estudos.
É ainda digno de registo que os mesmos dirigentes que não aprovaram a investigação por sondagens, das espectaculares anomalias geoquímicas do Cabeço do Telégrafo, autorizaram a realização de várias sondagens, na Mina do Cabeço de Macieira, a partir de uma galeria, para reconhecer, a maior profundidade, um filão que não revelara características especialmente animadoras, em pisos superiores!
Eu que, nessa época, dirigia trabalhos na Mina de Aparis, em Barrancos, cuja importância não era inferior aos que decorreram na Mina do Braçal, poderia facilmente encarregar-me de dirigir também os trabalhos nesta Mina, orientando devidamente a actividade do Agente Técnico de Engenharia João de Oliveira Vidal, que lá residia, e tinha demonstrado grande motivação, que supria insuficiente preparação técnica, tal como eu tinha procedido com os Agentes Técnicos de Engenharia Oliveira Barros e Carlos de Araújo, no caso da Mina de Aparis.
b) Goinhas participara, em representação da 1.ª Brigada de Prospecção, no “Seminário em Geoquímica da Universidade de Aveiro”, realizado em 23 e 24 de Janeiro de 1976, por iniciativa dos docentes Britaldo Rodrigues e Edmundo Fonseca. (Ver post N.º88)
Tomara, então, conhecimento da minha comunicação, na qual informava terem sido colhidas, até àquela data, cerca de 130 000 amostras de sedimentos de linhas de água, cobrindo uma superfície aproximada de 1 800 km2.
Sabia, também, até porque se considerara apto a representar a 1.ª Brigada de Prospecção, no âmbito da Geoquímica, que, a maior parte das amostras, tinha sido analisada, no Laboratório daquela Brigada, em Beja, pelo método da ditizona, para determinação dos metais pesados solúveis, a frio, no citrato de amónio (MPef).
Obteve, então, a informação de que, se tinha definido, no Cabeço do Telégrafo, próximo da antiga Mina do Braçal, em resultado de análises efectuadas, por espectrofotometria de absorção atómica, no Laboratório de S. Mamede de Infesta, sobre amostras colhidas em perfis piquetados em áreas de fortes anomalias de MPef, um alinhamento de anomalias de Cu, Pb e Zn, que justificava a imediata execução de sondagens, tendo sido apresentado em 17-10-1974, o projecto da sondagem n.º 1.
Sabia, obviamente, que, à data do seu documento, a este projecto ainda não tinha sido dado cumprimento, pela Brigada de Sondagens.
Estava também consciente da descarada mentira do Director-Geral, quando mandou retirar a sonda da Região de Caminha, com o pretexto de não haver sondas disponíveis para todos os projectos, havendo, por isso, que estabelecer prioridades, porque estivera presente, em reunião em Lisboa, em 18-4-1975, acerca da distribuição das sondas do SFM (Ver post N.º 90).
Nessa reunião, o Eng.º Fernando Silva, na sua qualidade de Chefe da Brigada de Sondagens, desmentiu o Director-Geral, afirmando ter sondas paradas por falta de projectos, sendo certo que o projecto do Cabeço do Telégrafo, estava, há mais de um ano, por cumprir!!!!
Seria pedagógico que Goinhas explicasse, na sua história da “Prospecção Mineira em Portugal”, porque factos destes aconteciam!!!
c) Goinhas tivera conhecimento de que a Universidade de Aveiro iria realizar de 28 a 30 de Junho de 1978, um Seminário Internacional de Geoquímica, porque aquela Universidade enviara circular informativa. a todas as entidades públicas ou privadas do País, às quais o tema pudesse interessar.
Pelo teor da circular, ficara a saber que eu iria apresentar comunicação sobre “Casos concretos de prospecção integrada em Portugal”.
De facto, eu tinha sido, de modo amigável, praticamente “intimado”, pelo Dr. Edmundo Fonseca, organizador do Seminário, a colaborar, com comunicação, a que ele próprio se encarregou de dar título, sabendo das minhas actividades de prospecção, em diversas zonas do País.
Conforme me declarou, contava com ela, como “pão para a boca”.
Na comunicação que apresentei, descrevi os principais resultados da campanha de prospecção, por variados métodos (geoquímico com análises de MPef, Cu, Pb, Zn; magnético; resistividade eléctrica e electromagnético), que, então, se encontrava em curso, na Faixa Metalífera da Beira Litoral, apoiando-me nos mapas de anomalias.
Numerosas eram os casos, onde já se justificava a passagem à fase de sondagens. Dentre elas, salientei as seguintes:
Cabeço do Telégrafo
Alto da Serra (antiga mina de Vale do Vau),
Bertufo,
Boa Aldeia,
Cabeço Santo,
Sanguinheiro,
Bostelim,
Agrelo,
Boi
Um dos casos que mais interesse suscitou foi o do Cabeço do Telégrafo.
Os conferentes estrangeiros, que Edmundo Fonseca tinha convidado (Barbier do BRGM francês, B. Bolviken de Universidade norueguesa, Clifford James e H. Roesler de outras Universidades), interpelaram-me sobre os resultados de sondagens que acreditavam ter sido executadas para investigar tão espectacular alinhamento de anomalias geoquímicas, sobretudo de Pb.
Tive dificuldade em explicar porque tais anomalias se mantinham por investigar.
De facto, não era compreensível mais uma atitude negativista e prepotente do Director-Geral de Minas, não aprovando a sondagem do Cabeço do Telégrafo, apenas com o argumento esfarrapado de não gostar de filões!
Escusado será dizer que o Dirtector do SFM e a quase totalidade dos 22 (!!) novos Chefes primaram pela ausência neste Seminário.
Não lhes interessava saber o que realmente se passava nos poucos núcleos do SFM, onde havia actividade útil e disciplinada e os ensinamentos que os professores estrangeiros poderiam trazer
Só me lembro de ter visto o Chefe de Divisão Viegas, que chegou atrasado e o Director de Serviço, Santos Oliveira, que apresentou fraca comunicação sobre prospecção de scheelites.
Curiosa foi a intervenção do Geólogo Luís Gaspar, que tendo ingressado nos Serviços Geológicos, em data recente, ainda não tinha sido contaminado pelo mau ambiente que estava a dominar a DGGM, com os interesses de algumas pessoas a sobreporem-se aos interesses do País.
Manifestou estranheza com a fase incipiente de trabalhos, ainda em curso, apesar de a campanha ter sido iniciada há 10 anos e com o facto de se não ter decidido estudar a Mina do Braçal, após o seu abandono pela Empresa que detivera a concessão.
Concordei com as suas objecções, repetindo a minha explicação inicial sobre a falta de apoio, a nível superior, porque o Director-Geral entendia que filões não têm interesse e que todo o Pb e Zn de que o País precisa se contem nas pirites do Alentejo.
Salientei, no entanto, as contradições desse dirigente, a tal respeito, em publicações de sua autoria.
Quanto à retoma da actividade na Mina do Braçal, exprimi o parecer de que, para o actual SFM, tal retoma seria muito difícil, senão impossível, uma vez que já tinha sido extinto o sector de Trabalhos Mineiros.
d) Era, também, do conhecimento de Goinhas um acontecimento revelador, não só da correcta metodologia que estava a ser adoptada na investigação da Faixa Metalífera da Beira Litoral, mas também de muito significativas consequências dos resultados que estavam a ser obtidos.
De facto, após a comunicação referida na alínea anterior, o Geólogo Edmundo Fonseca da Universidade de Aveiro, solicitou-me autorização para utilizar o sucesso da prospecção geoquímica na redescoberta do jazigo de chumbo do Sanguinheiro, como tema principal da sua tese de doutoramento. (Ver post N.º 138)
Tendo obtido a minha concordância, Edmundo Fonseca fez deslocar, à área desta Mina, o orientador da sua tese, Professor H. Martin, de Universidade belga, e o Professor da Universidade de Aveiro, Renato Araújo.
Passou, depois a prestar colaboração, nos trabalhos que ali decorriam.
Uma sonda da Universidade e pessoal que tinha adestrado foram utilizados para colheita de dados sobre a formação mineralizada.
A Edmundo Fonseca, facultei também, acesso aos dados de estudos que eu tinha dirigido no Sul do País, na área de Algares de Portel, a fim de ele poder estabelecer o confronto de mineralizações de chumbo e zinco, em diferentes ambientes litológicos.
Foi Goinhas que, ainda na minha qualidade de Chefe da 1.ª Brigada de Prospecção, eu introduzira no estudo da área de Algares de Portel, quando esta já se encontrava em fase muito avançada, quem prestou a colaboração nesta matéria, a Edmundo Fonseca.
e) A suspensão dos trabalhos na Faixa Metalífera da Beira Litoral.
Quando deteve o cargo de Director-Geral de Minas, Soares Carneiro insistia em declarar, em reuniões da chamada Comissão de Fomento, não ter entusiasmo pela vasta área que eu denominara Faixa Metalífera da Beira Litoral.
Jorge Gouveia, quando lhe foi atribuído o encargo de dirigir o SFM, não teve o elementar cuidado de se informar sobre o real mérito desta Faixa.
Com total desprezo pelo longo passado do SFM, na Faixa e sem consideração pelo prejuízo que iria ocasionar à Universidade de Aveiro, na formação dos seus alunos e professores, passou a tomar decisões com vista a extinguir a Secção de Talhadas.
Começou por emitir ordens directas à Secção de Talhadas, para que cerca de 50% do seu pessoal fosse prestar serviço na Secção de Coimbra dirigida pelo Geólogo Viegas.
Esta deslocação de pessoal, apresentada com carácter temporário, foi-me, depois justificada, porque “o sector de Coimbra não tem estruturas à altura dos projectos que lhe estão cometidos, nem é oportuno desenvolvê-las, no momento presente" (!!!!!).
Nesta sua decisão, até teve o apoio de José Goinhas,” na fase em que “clandestinamente” esteve designado para dirigir a Prospecção!! apesar de considerar a Faixa “com grande interesse prospectivo”!!!
Pelo Colector Silvestre Vilar fui informado de que Viegas, dispondo de uma aparelhagem de resistividade eléctrica Askania, de elevada qualidade, herdada dos extintos Serviços de Prospecção de Junta de Energia Nuclear, pretendia efectuar 49 sondagens eléctricas, para investigação de ocorrências de argila.
Soube que tais sondagens não chegaram a ser efectuadas, por terem avariado a aparelhagem, visto ninguém se ter preparado, para seu uso e muito menos para a interpretação dos resultados que viessem a obter.
Apesar deste revés, Jorge Gouveia acabou por dar cumprimento ao seu propósito inicial.
Deu ordem para suspender a actividade na Faixa Metalífera da Beira Litoral, passando a utilizar todo o seu pessoal, em trabalhos de duvidosa qualidade e utilidade.
Foi do seguinte teor o ofício que me dirigiu em14-1-1980:
“Não tendo sido incluído no Programa Min - de Inventário e Valorização dos Recursos Minerais de País” do PIDDAC para 1980, o sub-projecto, relativo à área de Talhadas deverão os respectivos trabalhos ser suspensos”.
Continuando a usar os escassos recursos de que dispunha, registei, em relatórios, as arbitrariedades dos dirigentes, que estavam a reduzir a eficácia do SFM, conduzindo à sua previsível extinção. (Ver post N.º 136)
Não resisto a transcrever, de novo, o que deixei registado em “relatório interno”, que Goinhas tinha obrigação de ter consultado, na sua pesquisa para contribuir pedagogicamente para um novo Plano Mineiro Nacional.
“Não fora a falta de tempo e o desejo de não alongar demasiado este documento, gostaríamos de fazer mais profunda incursão no Programa para 1980.
Trata-se, de facto, de um documento exótico, que quase nos provocaria hilaridade, não fora o que de trágico está nele subjacente.
Na verdade, justificar o atraso ou não cumprimento de programas com argumentos tais como:
“Uma parte do corpo de técnicos licenciados do SFM do SFM foi chamada, no âmbito da reestruturação da DGGM, a desempenhar funções no quadro dirigente. Este facto veio agravar, ainda mais a situação, que já era carente nesses técnicos. Assim só o recrutamento de pessoal, de acordo com o novo quadro orgânico, poderá repor a capacidade de resposta do sector Norte, para levar a cabo as tarefas aqui programadas”é, pelo menos, um ultraje à inteligência de quem tiver que apreciar o aludido programa.
A nós, não restavam quaisquer dúvidas de que a reestruturação que paulatinamente se tem vindo a processar na Direcção-Geral de Minas só tem tido efeitos nefastos para o País.
Os interesses de alguns oportunistas têm sido satisfeitos, mas os Serviços têm-se degradado, como repetidamente temos denunciado.
No entanto, poderíamos esperar tudo, menos que os responsáveis por esta degradação viessem declará-lo, em documento de tamanha importância.
E não podemos deixar de manifestar a nossa surpresa por não termos notado reacções superiores a tão surpreendentes afirmações.
Pelo que nos diz respeito, queremos deixar aqui registado que, desde 1944, sempre temos exercido, efectivamente, dentro do Serviço de Fomento Mineiro, funções de chefia, sem que, por tal facto, tivéssemos recebido qualquer remuneração adicional.
Nunca abdicamos, porém, das funções técnicas e, a atestá-lo, está a obra que podemos apresentar, de que não nos envergonhamos, da qual outros se têm aproveitado e continuam a aproveitar…
Não podemos, por isso, deixar sem reparo que os agora alcandorados a cargos de chefia, quase sempre sem base em competência profissional ou qualquer outra e, em muitos casos, sem efectivamente exercerem o cargo … argumentem agora que não trabalham, porque já são chefes e os chefes só mandam…
Consequentemente, a suspensão dos trabalhos nesta Faixa constitui grave erro, que consideramos intencional, apenas com o propósito de retirar ao signatário a possibilidade de concretizar os êxitos que, com persistente labor e entusiasmo, vai preparando.”
Continua…
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
192 - Um novo Plano Mineiro Nacional. Continuação 16
Em 1984, o Conselho de Ministros mandou apresentar um novo Plano Mineiro Nacional, visando melhor aproveitamento dos nossos recursos minerais.
José Goinhas, pretendendo contribuir para a sua elaboração, assumiu o encargo de relatar a história da “Prospecção mineira em Portugal”.
Tenho vindo a analisar, desde o post N.º 178, o documento publicado no Boletim de Minas, da autoria daquele Geólogo.
Passei já em revista as fases, que deviam ter precedido e justificado a passagem à fase de sondagens.
Salientei não ter sido respeitada a regra elementar de utilizar criteriosamente as verbas disponíveis, mormente tratando-se de dinheiros públicos, obedecendo à velha recomendação:
“Always send the cheapest man first”
Revelei 8 casos, em que, relativamente a esta fase de sondagens, a contribuição de Goinhas foi francamente negativa.
Goinhas ou não consultou a abundante documentação disponível, principalmente nos designados “relatórios internos”, ou evitou denunciar os dirigentes dos denominados "serviços oficiais", que menosprezaram aquela norma elementar.
Vou continuar a citar casos de arbitrariedades e prepotências, com total impunidade dos responsáveis pelos prejuízos ocasionados à economia nacional.
9 - A retoma das sondagens na Região de Vila Nova de Cerveira –Caminha – Ponte de Lima
No N.º 2 do post N.º 190, revelei que o Director-Geral de Minas, Soares Carneiro, ordenou a suspensão da campanha de sondagens, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, quando estava projectado o furo N.º 69.
Dava-se, então, a feliz circunstância de este furo ser, dentre todos os projectados, na Região, talvez o que apresentava mais sólidos fundamentos (bom apoio geológico, geofísico e geoquímico).
Tais fundamentos vieram a ser plenamente confirmados por Union Carbide, quando esta Companhia americana, através de contrato que celebrou com o Estado, conseguiu estender a sua acção à área que abrangia o local seleccionado para a implantação desse furo.
Ficou amplamente demonstrada a despudorada falsidade dos argumentos que o Director-Geral apresentou, para justificar a sua arbitrária decisão.
O Engenheiro Soares Carneiro foi, entretanto, exonerado e substituído no cargo de Director-Geral, pelo Geólogo Alcides Pereira.
Já me referi a atitudes ainda mais prepotentes do novo Director-Geral, que o levaram à inacreditável ordem de proibição de eu realizar trabalho de campo!!!!
Uma vez mais se confirmava a famosa lei de Murphy!
Em relação com esta inconsciente ordem, foram, malevolamente, provocados incidentes, em consequência dos quais, o Geólogo Viegas teve finalmente o êxito que não conseguira, durante a permanência de Soares Carneiro e de Múrias de Queiroz, em cargos directivos.
Desta vez, o Geólogo Viegas, na qualidade de Chefe de Divisão, conquistada na vaga de assaltos a cargos de chefia a que me tenho referido, conseguiu, não só apropriar-se da Secção de Caminha, mas também aliciar o Engenheiro Laurentino Rodrigues, tornando-o cúmplice das suas disparatadas decisões.
Lembro a minha preocupação em preparar Laurentino para o exercício cabal da profissão, pensando que poderia substituir-me, quando me aposentasse (Ver posts N.ºs 116, 117, 143, 152, 155, 158, 188).
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Sou induzido a crer que o “relatório circunstanciado”, exigido por Alcides Pereira, para poder programar convenientemente as actividades da DGGM (sic) (Ver post N.º 156), tenha tido por objectivo facultar a Viegas, rápidos êxitos, que o creditassem como conceituado prospector.
Tal atitude, não seria, aliás, inédita. Os casos de Soares Carneiro e Delfim de Carvalho são disso bons exemplos. Também estes julgaram fácil obter sucessos, usurpando trabalhos que outros, metodicamente, vinham preparando.
Na posse do “relatório circunstanciado”, que fui compelido a entregar, com o texto ainda incompleto e só parcialmente dactilografado, Viegas logo se deslumbrou com as anomalias geofísicas e geoquímicas, representadas em muitas das 246 peças desenhadas.
Não tendo preparação nas técnicas aplicadas e sendo até muito inexperiente em matéria de Geologia, fez uma selecção errada das anomalias que deviam ser investigadas por sondagens.
Extasiou-se com anomalias magnéticas de grande intensidade, não percebendo que, dadas as suas características, facilmente seriam explicadas com simples sanjas.
Revelou, também, não saber distinguir estratificação de xistosidade e, por isso, acabou por mandar executar sondagem paralelamente à estrutura que pretendia investigar!!!!.
Foi Isto que constatei, em aula de campo aos meus alunos da Faculdade de Ciências do Porto, na qual tive a colaboração de alunos e professores da Universidade de Aveiro, que costumava convidar para estas aulas práticas.
Estando proibido de realizar trabalho de campo, usava, para poder dar aulas, autocarro contratado pela Faculdade de Ciências do Porto e equipamentos cedidos pela Faculdade de Engenharia do Porto e pelo Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro!!!
Aproveito a oportunidade para revelar que nunca me foi possível dar aulas de campo de gravimetria, aos alunos das Universidades, por estes estabelecimentos de ensino superior não possuírem, então, gravímetros e por não me ter sido disponibilizado, embora por curtíssimo período, um dos dois aparelhos, que tinham sido adquiridos para o SFM, por minha exclusiva iniciativa, após árdua luta de mais de uma dezena de anos (Ver post N.º14)
Uma vez mais recordo a promessa pública de Alcides, despudoradamente desrespeitada, de prestar toda a colaboração às Universidades, para que estas produzissem bons técnicos (Ver post N.º 160)
Fiquei com curiosidade sobre se tinham sido feitas determinações de susceptibilidades magnéticas, nos testemunhos desta sondagem, para saber se a anomalia magnética foi explicada.
Laurentino tinha conhecimento de que era prática corrente no Serviço de Prospecção sob minha chefia, encontrar sempre explicação para as anomalias que se investigavam.
Tenho, porém, sérias dúvidas de que tais determinações tenham sido feitas.
A retoma da campanha, que tinha sido interrompida, quando estava projectado um dos mais prometedores furos, foi, pois, extremamente infeliz.
A sua primeira sondagem teve resultados nulos, como era fácil de prever, pois se apoiava em errada interpretação de anomalia magnética,
Deste novo fiasco de Viegas, a adicionar ao de Cravezes e a outros que se lhe seguiram, iria resultar a extinção da Secção de Caminha, sendo certo que muito ficou por investigar, dentro do programa que eu vinha dirigindo, com a participação de 4 a 5 funcionários, que haviam sido admitidos, nos locais de trabalho, apenas com a instrução primária!!”
Como comentários finais, ocorrem-me os seguintes:
a) É surpreendente que, ao aprovar a sondagem projectada por Viegas, tenha sido esquecida a urgente necessidade de programar convenientemente as actividades da DGGM.(Ver post N.º 156)
b) É também surpreendente que os estudos a que meticulosamente se dedicava Rui Reynaud sobre a documentação entregue por Union Carbide (Ver post N.º166), não tivessem sido aproveitados.
c) Mais surpreendente ainda, foi a imediata disponibilidade de uma sonda, que passou a verificar-se, quando me foi extorquida a Secção de Caminha, apenas para satisfazer ambição pessoal do perverso Viegas.
10- Sondagens na Mina de Fonte Santa (Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta):
Embora não seja estudo em que me tenha envolvido, quero referir o meu conhecimento de terem sido efectuadas sondagens na Mina de Fonte Santa (Lagoaça), em cumprimento de projecto do prestigiado Geólogo António Ribeiro e sob a supervisão do Director-Geral.
A recuperação de testemunhos foi praticamente nula e o Geólogo optou por fazer avaliação das reservas globais da formação onde ocorria scheelite, partindo da hipótese de que este mineral se encontraria disperso, em grande espessura desta formação.
Chegou-se assim a um elevado valor global de reservas, com teor muito baixo, portanto, de exploração economicamente inviável.
Não tinha sido possível definir passagens economicamente exploráveis.
É um caso semelhante ao que acontecera com os carvões da Faixa Carbonífera do Douro, onde também se não obtivera suficiente recuperação de testemunhos.
Era esta lição que Goinhas deveria ter extraído.
Não se justificaria prosseguir campanha de sondagens, quando o seu objectivo, que era conhecer as formações em profundidade, não era cumprido.
A campanha da Fonte Santa deveria ter sido suspensa, logo que se verificou não produzir testemunhos e só deveria ser retomada quando este problema estivesse convenientemente resolvido.
Continua…
José Goinhas, pretendendo contribuir para a sua elaboração, assumiu o encargo de relatar a história da “Prospecção mineira em Portugal”.
Tenho vindo a analisar, desde o post N.º 178, o documento publicado no Boletim de Minas, da autoria daquele Geólogo.
Passei já em revista as fases, que deviam ter precedido e justificado a passagem à fase de sondagens.
Salientei não ter sido respeitada a regra elementar de utilizar criteriosamente as verbas disponíveis, mormente tratando-se de dinheiros públicos, obedecendo à velha recomendação:
“Always send the cheapest man first”
Revelei 8 casos, em que, relativamente a esta fase de sondagens, a contribuição de Goinhas foi francamente negativa.
Goinhas ou não consultou a abundante documentação disponível, principalmente nos designados “relatórios internos”, ou evitou denunciar os dirigentes dos denominados "serviços oficiais", que menosprezaram aquela norma elementar.
Vou continuar a citar casos de arbitrariedades e prepotências, com total impunidade dos responsáveis pelos prejuízos ocasionados à economia nacional.
9 - A retoma das sondagens na Região de Vila Nova de Cerveira –Caminha – Ponte de Lima
No N.º 2 do post N.º 190, revelei que o Director-Geral de Minas, Soares Carneiro, ordenou a suspensão da campanha de sondagens, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, quando estava projectado o furo N.º 69.
Dava-se, então, a feliz circunstância de este furo ser, dentre todos os projectados, na Região, talvez o que apresentava mais sólidos fundamentos (bom apoio geológico, geofísico e geoquímico).
Tais fundamentos vieram a ser plenamente confirmados por Union Carbide, quando esta Companhia americana, através de contrato que celebrou com o Estado, conseguiu estender a sua acção à área que abrangia o local seleccionado para a implantação desse furo.
Ficou amplamente demonstrada a despudorada falsidade dos argumentos que o Director-Geral apresentou, para justificar a sua arbitrária decisão.
O Engenheiro Soares Carneiro foi, entretanto, exonerado e substituído no cargo de Director-Geral, pelo Geólogo Alcides Pereira.
Já me referi a atitudes ainda mais prepotentes do novo Director-Geral, que o levaram à inacreditável ordem de proibição de eu realizar trabalho de campo!!!!
Uma vez mais se confirmava a famosa lei de Murphy!
Em relação com esta inconsciente ordem, foram, malevolamente, provocados incidentes, em consequência dos quais, o Geólogo Viegas teve finalmente o êxito que não conseguira, durante a permanência de Soares Carneiro e de Múrias de Queiroz, em cargos directivos.
Desta vez, o Geólogo Viegas, na qualidade de Chefe de Divisão, conquistada na vaga de assaltos a cargos de chefia a que me tenho referido, conseguiu, não só apropriar-se da Secção de Caminha, mas também aliciar o Engenheiro Laurentino Rodrigues, tornando-o cúmplice das suas disparatadas decisões.
Lembro a minha preocupação em preparar Laurentino para o exercício cabal da profissão, pensando que poderia substituir-me, quando me aposentasse (Ver posts N.ºs 116, 117, 143, 152, 155, 158, 188).
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Sou induzido a crer que o “relatório circunstanciado”, exigido por Alcides Pereira, para poder programar convenientemente as actividades da DGGM (sic) (Ver post N.º 156), tenha tido por objectivo facultar a Viegas, rápidos êxitos, que o creditassem como conceituado prospector.
Tal atitude, não seria, aliás, inédita. Os casos de Soares Carneiro e Delfim de Carvalho são disso bons exemplos. Também estes julgaram fácil obter sucessos, usurpando trabalhos que outros, metodicamente, vinham preparando.
Na posse do “relatório circunstanciado”, que fui compelido a entregar, com o texto ainda incompleto e só parcialmente dactilografado, Viegas logo se deslumbrou com as anomalias geofísicas e geoquímicas, representadas em muitas das 246 peças desenhadas.
Não tendo preparação nas técnicas aplicadas e sendo até muito inexperiente em matéria de Geologia, fez uma selecção errada das anomalias que deviam ser investigadas por sondagens.
Extasiou-se com anomalias magnéticas de grande intensidade, não percebendo que, dadas as suas características, facilmente seriam explicadas com simples sanjas.
Revelou, também, não saber distinguir estratificação de xistosidade e, por isso, acabou por mandar executar sondagem paralelamente à estrutura que pretendia investigar!!!!.
Foi Isto que constatei, em aula de campo aos meus alunos da Faculdade de Ciências do Porto, na qual tive a colaboração de alunos e professores da Universidade de Aveiro, que costumava convidar para estas aulas práticas.
Estando proibido de realizar trabalho de campo, usava, para poder dar aulas, autocarro contratado pela Faculdade de Ciências do Porto e equipamentos cedidos pela Faculdade de Engenharia do Porto e pelo Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro!!!
Aproveito a oportunidade para revelar que nunca me foi possível dar aulas de campo de gravimetria, aos alunos das Universidades, por estes estabelecimentos de ensino superior não possuírem, então, gravímetros e por não me ter sido disponibilizado, embora por curtíssimo período, um dos dois aparelhos, que tinham sido adquiridos para o SFM, por minha exclusiva iniciativa, após árdua luta de mais de uma dezena de anos (Ver post N.º14)
Uma vez mais recordo a promessa pública de Alcides, despudoradamente desrespeitada, de prestar toda a colaboração às Universidades, para que estas produzissem bons técnicos (Ver post N.º 160)
Fiquei com curiosidade sobre se tinham sido feitas determinações de susceptibilidades magnéticas, nos testemunhos desta sondagem, para saber se a anomalia magnética foi explicada.
Laurentino tinha conhecimento de que era prática corrente no Serviço de Prospecção sob minha chefia, encontrar sempre explicação para as anomalias que se investigavam.
Tenho, porém, sérias dúvidas de que tais determinações tenham sido feitas.
A retoma da campanha, que tinha sido interrompida, quando estava projectado um dos mais prometedores furos, foi, pois, extremamente infeliz.
A sua primeira sondagem teve resultados nulos, como era fácil de prever, pois se apoiava em errada interpretação de anomalia magnética,
Deste novo fiasco de Viegas, a adicionar ao de Cravezes e a outros que se lhe seguiram, iria resultar a extinção da Secção de Caminha, sendo certo que muito ficou por investigar, dentro do programa que eu vinha dirigindo, com a participação de 4 a 5 funcionários, que haviam sido admitidos, nos locais de trabalho, apenas com a instrução primária!!”
Como comentários finais, ocorrem-me os seguintes:
a) É surpreendente que, ao aprovar a sondagem projectada por Viegas, tenha sido esquecida a urgente necessidade de programar convenientemente as actividades da DGGM.(Ver post N.º 156)
b) É também surpreendente que os estudos a que meticulosamente se dedicava Rui Reynaud sobre a documentação entregue por Union Carbide (Ver post N.º166), não tivessem sido aproveitados.
c) Mais surpreendente ainda, foi a imediata disponibilidade de uma sonda, que passou a verificar-se, quando me foi extorquida a Secção de Caminha, apenas para satisfazer ambição pessoal do perverso Viegas.
10- Sondagens na Mina de Fonte Santa (Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta):
Embora não seja estudo em que me tenha envolvido, quero referir o meu conhecimento de terem sido efectuadas sondagens na Mina de Fonte Santa (Lagoaça), em cumprimento de projecto do prestigiado Geólogo António Ribeiro e sob a supervisão do Director-Geral.
A recuperação de testemunhos foi praticamente nula e o Geólogo optou por fazer avaliação das reservas globais da formação onde ocorria scheelite, partindo da hipótese de que este mineral se encontraria disperso, em grande espessura desta formação.
Chegou-se assim a um elevado valor global de reservas, com teor muito baixo, portanto, de exploração economicamente inviável.
Não tinha sido possível definir passagens economicamente exploráveis.
É um caso semelhante ao que acontecera com os carvões da Faixa Carbonífera do Douro, onde também se não obtivera suficiente recuperação de testemunhos.
Era esta lição que Goinhas deveria ter extraído.
Não se justificaria prosseguir campanha de sondagens, quando o seu objectivo, que era conhecer as formações em profundidade, não era cumprido.
A campanha da Fonte Santa deveria ter sido suspensa, logo que se verificou não produzir testemunhos e só deveria ser retomada quando este problema estivesse convenientemente resolvido.
Continua…
domingo, 15 de janeiro de 2012
191 - Um novo Plano Mineiro Nacional. Continuação 15
A História para ser Mestra da Vida, como se ensina nas Escolas, tem de ser escrita por personalidade idónea, que saiba seleccionar as fontes de informação, dignas de crédito.
Será prejudicial se não tiver havido esse elementar cuidado.
O Geólogo José Goinhas é exemplo de historiador, que não merece crédito.
A sua história da “Prospecção mineira em Portugal”, além de omitir os acontecimentos de maior relevância, distorce, intencionalmente, os que descreve.
É também elucidativo da extraordinária ignorância dos governantes, em matérias da indústria mineira, que esta história tenha sido elogiada pelo Secretário de Estado da tutela.
É, por outro lado, surpreendente que a Comissão Editorial, do Boletim de Minas, constituída por três Engenheiros de Minas, um Geólogo e um Economista, tenha decidido fazer a sua publicação, sem sequer ter utilizado a fórmula frequentemente adoptada: “As ideias expostas são da exclusiva responsabilidade do autor”, para não se comprometerem.
Tenho vindo a analisar, desde o post N.º 178, as descrições de José Goinhas, dispersas pelo seu documento, tentando enquadrá-las nas diferentes fases da prospecção mineira, no seu sentido lato.
Revistas as fases de Documentação, Investigação geológica com simultânea mineralometria, aplicação de técnicas geofísicas e geoquímicas, pequenos trabalhos de pesquisa suscitados pelas técnicas anteriores, cheguei, no post N.º 190, à fase de sondagens.
Tendo em consideração que o objectivo de José Goinhas, conforme sua declaração, era contribuir para a elaboração de novo Plano Mineiro Nacional, mais perfeito que anteriores planificações, era de esperar uma apreciação não só dos dados em que se basearam as sondagens, mas também dos procedimentos adoptados para se extrair o máximo de elementos sobre as formações que elas atravessaram.
Todavia, Goinhas apenas refere que foram executadas sondagens, quer pelos denominados “serviços oficiais”, quer pelas empresas privadas, sem adicionar quaisquer comentário, partindo, portanto, do princípio de que foram bem projectadas e bem conduzidas.
A realidade é, porém, bem diferente:
Houve graves deficiências, no que respeita, quer à fundamentação, quer à execução, tanto da parte dos “serviços oficiais”, como da parte das empresas privadas.
Já denunciei no post anterior três casos, em que dirigentes dos “serviços oficiais” adoptaram procedimentos escandalosos, de que resultaram desperdícios de dinheiros públicos e atrasos no cumprimento de programas racionalmente estruturados.
Vou agora citar mais exemplos, pouco edificantes, relativos a esta fase de sondagens.
4 - Sondagens efectuadas por Union Carbide na zona de Covas da Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima
Quando Union Carbide decidiu rescindir os seus contratos, com o Estado e com empresas concessionárias, enviei, em 5-12-1979, ao Director do SFM, Jorge Gouveia, ofício a dar conhecimento de diligências que tinha feito junto do dirigente local daquela Companhia americana, no sentido de ser entregue à DGGM toda a documentação respeitante aos seus estudos na Região, nela se incluindo os testemunhos das numerosas sondagens efectuadas.
Informei ter encontrado a melhor receptividade.
Union Carbide prometera entregar toda a documentação e propunha-se colocar também, no Porto, em local que lhe fosse indicado, as 1650 caixas de testemunhos, com o peso aproximado de 50 toneladas, resultantes dos seus trabalhos de prospecção mineira, apenas com a condição de o transporte ser efectuado até 31-12-1980, pois encerraria, nessa data, todas as actividades no País.
Informei o Director do SFM ser minha intenção analisar todos estes elementos e reprogramar a campanha de prospecção que, desde 1968, tinha em curso na Região, tendo em consideração os resultados dessa análise.
O que veio a acontecer foi deveras surpreendente.
Antes de me ter apercebido do uso que se pretendia dar à documentação que me estava a ser sonegada, eu escrevi, no relatório do 2.º trimestre de 1980, o que, a seguir transcrevo:
Obstrução à consulta da documentação técnica entregue por Union Carbide:
Por termos estado ausentes, em gozo de licença graciosa, durante a segunda quinzena do mês de Dezembro de1979, só em 9 de Janeiro recebemos a resposta do Director do Serviço, com data de 20-12-1979, ao ofício que lhe havíamos endereçado em 5-12-1979, acerca da intenção de Union Carbide entregar à Direcção-Geral de Minas, diversos documentos respeitantes à sua actividade na região de Caminha e também os testemunhos das sondagens efectuadas, a expensas suas, na mesma região.
Verificamos, com estupefacção, que se não aproveitou a oferta de Union Carbide de custear o transporte de cerca de 1650 caixas de testemunhos, de Covas para S. Mamede de Infesta, quando é certo que constantemente se afirma haver falta de meios de transporte no Serviço e, por este motivo, se criam obstáculos a certos trabalhos. Surgem, além disso, ordens recomendando parcimónia no consumo de combustíveis já que as dotações são escassas.
Verificamos, ainda, com alguma surpresa (na realidade já nada nos deveria surpreender do que acontece na Direccão-Geral de Minas) que, tendo sido exclusivamente mercê das minhas diligências e não por obrigação imposta por qualquer disposição legal ou contratual, que Union Carbide consentiu em fazer entrega quer dos testemunhos, quer dos logs das sondagens e outros documentos, o Director do Serviço decidiu, em nova atitude prepotente e obstrucionista, dificultar ou impedir mesmo a minha consulta a este material.
A maneira mais eficaz de atingir o seu objectivo foi introduzir no assunto o seu representante no núcleo de S. Mamede de Infesta, para “assuntos de rotina”, encarregando-o de receber o material e elaborar um documento, a que chamou “relatório”, sobre essa recepção.
Apesar das deficientes relações pessoais, que há muito mantemos com esse funcionário, cuja actuação no Serviço não tem merecido o nosso apreço, não tivemos dúvida em nos deslocarmos, no dia 3 de Janeiro, à região de Caminha, por ele acompanhados, a fim de lhe mostrarmos a quantidade de testemunhos a transportar, agora a expensas do Serviço e o modo como estavam acondicionados nas instalações de Union Carbide e lhe fazermos perceber os cuidados a ter no transporte, para que nada se destruísse e esse valioso material pudesse ser inteiramente aproveitado para novos estudos, quer do Serviço, quer de qualquer outra entidade.
Nessa data e, em vários dias seguintes, insistimos vigorosamente na indispensabilidade de prévia consulta à documentação já entregue ou a entregar ainda, por Union Carbide, antes de se iniciar o transporte, para que a identificação e a arrumação dos testemunhos, em S Mamede de Infesta, obedecesse a um plano, evitando que, por falta de cuidados, viesse a tornar-se inaproveitável tão valioso material.
Apesar das nossas insistências e das repetidas promessas, do género “Estou a elaborar o relatório (?!) que o Director pediu; na próxima semana, a documentação estará à sua disposição”, feitas desde Janeiro, sempre foram surgindo evasivas e a realidade incrível é que nenhum documento nos foi entregue por tal representante, até ao fim do trimestre.
A partir de certa data, quando nos convencemos de que a atitude era superiormente estimulada e que se pretendia nitidamente sonegar-nos a documentação, deixamos mesmo de falar no assunto.
O Director do Serviço, a terminar o seu ofício de 20-12-79, escreve:
“Na medida em que V. conhece melhor do que ninguém a actividade da empresa, poderá actuar junto da empresa, no sentido de não ser olvidada qualquer espécie de documentação.”
Como poderíamos nós saber se foi ou não olvidado algum documento de interesse, se ainda nesta data, nos mantemos na ignorância do que realmente foi entregue?
Não deveria, para tal, ter-nos sido confiada, com tempo para estudo, toda a documentação, antes de Union Carbide ter abandonado a região?
Escrevemos também no relatório da actividade do 1.º Serviço, no trimestre anterior:
“Até ao fim do trimestre, não se nos tornou possível, mercê da sonegação mencionada, dar qualquer passo no sentido da reavaliação do projecto de Covas e sua integração no plano geral de prospecção mineira, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Estamos convictos de que os documentos permanecem intactos, sem que alguém os tenha consultado, desde que Union Carbide os entregou.
Talvez seja mero capricho pueril ou talvez senil, a causa do obstrucionismo que está a ser praticado.
Entendemos ser já tempo de começar a responsabilizar aqueles que, além de não estimularem nem colaborarem seriamente, como é seu dever (para isso são remunerados), no inventário e na valorização da riqueza mineira nacional, pelo contrário, criam dificuldades à consecução deste objectivo”
Afinal, conforme já revelei, em posts anteriores, havia um real objectivo a justificar a sonegação dos documentos de Union Carbide.
Era preciso distribuir algum trabalho ao Engenheiro Rui Reynaud, recentemente admitido, na DGGM, na vaga de assaltos, a que me tenho referido, com frequência.
Este “génio” estava a justificar a sua admissão directamente com a elevada categoria de Director de Serviço (!!!), entretendo-se com inúteis exercícios académicos, repetindo cálculo de reservas já apresentados por Union Carbide (Ver post N.º 156 ).
Relativamente aos testemunhos das sondagens, escrevi no meu relatório do 2.º trimestre de 1980, texto de que, transcrevo as seguintes passagens:
“Incúria no tratamento de valioso material de sondagens alienado por Union Carbide, a favor da Direcção-Geral de Minas"
Três meses e meio passaram sobre a data do ofício que endereçamos, em 5-12-1979, ao Director do Serviço, acerca dos testemunhos que Union Carbide pretendia alienar a favor da Direcção-Geral de Minas, até que o funcionário representante do Director, no núcleo de S. Mamede de Infesta, “para assuntos de rotina”, se decidisse a cumprir a ordem que recebera de promover o transporte desse material para as instalações de S. Mamede de Infesta.
Argumentou-se que o problema não fora resolvido, em Dezembro de 1979, aproveitando transporte gratuito oferecido por Union Carbide, porque nós estivéramos ausentes.
No entanto, os transportes foram efectuados com total desrespeito pelas recomendações a que aludimos no n.º anterior.
Não se procurou identificar os testemunhos, antes de os retirar do local onde se encontravam metodicamente acondicionados.
Não houve o elementar cuidado de levar caixas para substituir as que apresentassem indícios de má conservação.
Não se estabeleceu qualquer plano para as cargas e descargas.
Não se aproveitou a minha sugestão de utilizar pessoal da Secção de Caminha para as cargas em Covas, tendo-se preferido deslocar de S. Mamede de Infesta ou de mais longe ainda, diversos funcionários (talvez 4 ou 5), em percursos superiores a 200 km, durante vários dias, com uso de duas viaturas (1 jeep para pessoal, um pequeno camião para os testemunhos) !!!
Afinal, uma vez mais, se confirma que as dificuldades de meios de transporte e de combustíveis só existem em certos casos.
Em S. Mamede de Infesta, empilharam-se as caixas ao ar livre, junto a um muro, de modo muito pouco cuidadoso, tendo algumas já caído e prevendo-se que a outras, em breve aconteça o mesmo.
Há já testemunhos dispersos pelo terreno, sendo duvidoso que se possa reconstituir a sua origem.
Receamos que grande parte do material transportado esteja já inaproveitável, constituindo pouco mais que lixo.
Não nos tendo sido facultada a documentação entregue por Union Carbide, obviamente nos poderia ser interdito ou revestir-se-ia de um reduzido interesse, o exame dos testemunhos.
Este é mais um assunto, para o qual chamamos a atenção superior.
O País não pode mais permitir que tão inconscientemente se destruam valiosos elementos de estudo, que custaram muitas dezenas de milhar de contos a produzir.”
Estas passagens de relatórios trimestrais foram transcritas na Introdução ao “Relatório circunstanciado dos trabalhos de prospecção mineira efectuados na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, até 29-2-1984”, sob a minha supervisão, o qual fui compelido a entregar ainda incompleto.
Neste relatório circunstanciado, acrescentei ainda:
“Vão passados 4 anos e, apesar de ter havido mudanças nas principais chefias da Direcção-Geral de Minas, ainda não tive acesso aos documentos entregues por Union Carbide !!!
Quanto aos testemunhos das sondagens permanecem atabalhoadamente empilhados, junto ao mesmo muro, sujeitos à intempérie, nas instalações de S. Mamede de Infesta, sendo já muito duvidoso que tenham qualquer utilidade!!!
Somos realmente um País muito rico, que se permite desperdiçar tamanho valor. Assim se deitam fora dezenas de milhar de contos!!!
Não temos dúvida em classificar isto de um autêntico crime. E não seria muito difícil encontrar os responsáveis.”
Conforme já revelei, tive oportunidade de entregar, pessoalmente ao Ministro Veiga Simão um exemplar desta Introdução.
As referências vagas e incorrectas de Goinhas aos jazigos tungstíferos da Região de Vila Nova de Cerveira –Caminha – Ponte de Lima demonstram não ter consultado os “relatórios internos”, que cita na extensa bibliografia com que termina o seu documento.
5 – As sondagens efectuadas na Mina de ferro de Vila Cova do Marão
A respeito de sondagens, que tinham sido efectuadas pelo SFM, para investigação deste jazigo, escrevi no post N.º 30:
“Nas Minas de Vila Cova, o SFM tinha feito realizar, no princípio da década de 40, uma campanha de prospecção magnética, por contrato com a Companhia sueca ABEM.
Em anos mais recentes, tinha dado cumprimento a um projecto de sondagens.
Numa das reuniões, o Director afirmou haver divergências grandes entre resultados dos estudos do concessionário e os do SFM.
Impunha-se uma análise cuidada de toda a documentação respeitante a este jazigo, pois se considerava a hipótese de novas sondagens deverem ser projectadas.
O Director encarregou-se de encontrar, não só os relatórios, como os logs, plantas e perfis pelas sondagens e os testemunhos destas sondagens.
Em reuniões seguintes, este caso de Vila Cova voltou a ser por mim abordado. Todavia, o Director começou a ficar embaraçado, pois nem relatórios, nem desenhos nem testemunhos se encontravam.
Deste embaraço resultou que não mais se realizaram reuniões!
No post N.º 68, acrescentei:
"Em relatório com data de 1966, o Geólogo Dr. António Ribeiro, menciona estudos anteriores, mais ou menos desenvolvidos, de diversos outros Geólogos, entre os quais Cotelo Neiva e Carlos Teixeira, para definir a estrutura do jazigo e avaliar as suas reservas.
Conclui, no entanto, das suas próprias observações, que o jazigo de Vila Cova se mantém incompletamente reconhecido.
Agora, pretendo apenas chamar a atenção para as possibilidades que se abrem com a aplicação conjugada dos métodos gravimétrico e magnético, na vasta área considerada potencial.
A campanha de prospecção magnética do início da década de 40 do século passado fez uso de equipamentos de baixa sensibilidade e limitou-se à área que então era tida como potencial.
A gravimetria permitirá fazer a avaliação das reservas, tal como aconteceu em jazigos de ferro descobertos no Alentejo, nomeadamente nos da Alagada e Vale de Pães, a que me referi nos posts N.ºs 45 e 46. Nestes casos, a avaliação, pela carta gravimétrica, foi plenamente confirmada pelo cálculo feita através dos resultados das sondagens.
O mesmo tinha acontecido com as massas de sulfuretos complexos de Moinho e Feitais em Aljustrel e parece a estar a confirmar-se com o conjunto das massas de sulfuretos de Neves-Corvo.
A História de José Goinhas é totalmente omissa no que respeita à prospecção com vista à descoberta de reservas de minérios de ferro, apesar de ferro e ouro terem sido, no início da actividade do SFM, quase os únicos estudos constantes dos programas deste Organismo.
6 – Sondagem profunda em Moncorvo
O Director-Geral de Minas Soares Carneiro não aprovou sondagem profunda, projectada para investigar a provável existência de uma parte oculta do jazigo de ferro de Moncorvo, que poderia contribuir para aumentar significativamente o valor das suas reservas, quer em quantidade quer em qualidade do minério.
Esta sondagem fundamentava-se em excepcionais resultados da aplicação dos métodos magnético e gravimétrico, registados em ambiente geológico altamente favorável.
As invulgares características destas anomalias, sobretudo no que respeita à sua intensidade, levaram-me, então, a emitir a hipótese de estarmos em presença de um depósito de dimensões idênticas às do enorme jazigo de Kirunavara, na Suécia, sendo a parte conhecida, com reservas estimadas em 600 milhões de toneladas, apenas a sua manifestação superficial, isto é, o equivalente à ponta de um iceberg. (Ver post N.º 67).
A história de Goinhas ignora também os estudos do SFM neste jazigo.
Registo que o mesmo Director-Geral que não aprovou este projecto, autorizou sondagens profundas, em áreas do Alentejo, com muito precários fundamentos, convencido de que iria proporcionar ao seu afilhado Delfim de Carvalho, apresentar-se como autor de grande descoberta, embora através de procedimentos indignos (Ver post N.º 86).
Em próximo post, referir-me-ei, mais detalhadamente a estas sondagens.
É surpreendente que Goinhas nem sequer tenha reparado nas excepcionais anomalias, a que me referi, as quais foram obtidas, em resultado de trabalho efectuado pela 1.ª Brigada de Prospecção, quando nela esteve integrado, ainda sob a minha chefia!!
É extraordinário que tenham passado mais de 30 anos, sem que se tenha conseguido revitalizar o centro mineiro de Moncorvo e sem que se tenha aproveitado este recurso mineral, para a instalação de uma indústria siderúrgica, com dimensão compatível com as enormes reservas existentes e a revelar.
A este respeito, ocorre-me a anedota que Soares Carneiro contou, numa reunião da Comissão de Fomento:
“Quando Deus distribuía, pela Terra, as riquezas minerais, S. Pedro chamou a sua atenção para a abundância com que privilegiava Portugal, em detrimento dos outros países.
Deus, complacentemente, explicou: Verás a qualidade de gente que lá vou colocar!
Carneiro usou termo escatológico para qualificar a gente de Portugal, na qual, obviamente estava a incluir-se.”
Os meios de comunicação social têm vindo recentemente a anunciar projectos ambiciosos visando a revitalização das Minas.
Também o Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira a eles se tem referido, embora não tenham sido de iniciativa governamental.
A este Ministro enderecei cartas directamente e através deste blogue (V. post N.º 67 A), às quais não recebi resposta, não obstante haver disposição legal que impõe aos dirigentes a obrigatoriedade de responder, em prazo determinado, às exposições que lhe são dirigidas.
Não chegou ao meu conhecimento o que de concreto tem sido realizado, no âmbito destes novos projectos.
7 – As sondagens nas Faixas Carboníferas do Douro e de Ourém
O que Goinhas escreve a respeito das Faixas Carboníferas do Douro e de Ourém está muito longe de corresponder à verdade das investigações efectuadas.
Conforme registei no post N.º 52, quando, em 1963, fui nomeado Chefe do Serviço de Prospecção do SFM, também tive a meu cargo os estudos com vista à definição de reservas de carvão no País.
Antes de terminar a licenciatura em Engenharia de Minas, eu tinha efectuado, em 1943, estágio sobre sondagens, na zona de Midões da Faixa Carbonífera do Douro.
Sabia que sondagens continuaram a ser realizadas, ao longo dos 20 anos decorridos desde então, nas diversas zonas do País, onde era conhecida a ocorrência de carvão.
Estava, porém, longe de suspeitar do estado em que se encontravam as investigações feitas na faixa carbonífera do Douro, e na faixa de Ourém.
A situação que se me deparou causou-me enorme surpresa.
Havia por estudar 40 sondagens longas que tinham sido efectuadas na Faixa Carbonífera do Douro e número semelhante na Bacia Carbonífera de Ourém.
Além disso, nem sequer estava feita a sua implantação em mapas geológicos.
A agravar a situação, decorriam sondagens na zona de Ourém, para investigar o prolongamento em profundidade de camadas de carvão de espessuras exíguas, sem hipótese de viabilidade de exploração económica, não fazendo, consequentemente, sentido, manter em curso tal projecto.
Encarreguei, então, o Agente Técnico de Engenharia Vitorino Correia de fazer a implantação em cartas geológicas, das sondagens e sanjas, efectuadas na Faixa Carbonífera do Douro, anteriormente à minha chefia do Serviço de Prospecção.
O Geólogo Silva Freire, a cujo cargo estivera o projecto de investigação desta Bacia passou largos meses a estudar os testemunhos das sondagens, apresentando os seus resultados em textos que anexava aos relatórios mensais.
Recusou-se a elaborar logs onde se registassem, sob a forma gráfica, ao longo dos furos, não só as formações atravessadas a percentagem de testemunhos, a orientação dos furos (direcção e inclinação), as análises químicas e outros dados de interesse que tivessem sido colhidos.
Tive, por isso, que encarregar o Agente Técnico Vitorino Correia de fazer esses logs e também de elaborar perfis geológicos longitudinais e transversais, pelas camadas de carvão, com base nos elementos que lhe foram disponibilizados.
Ao Geólogo competiria elaborar estes perfis, que iriam constituir a base para cálculo e identificação das reservas evidenciadas, para a planificação da futura exploração.
Mas o Geólogo, não só recusou fazer tal trabalho, como desvalorizou tudo quanto o Agente Técnico de Engenharia havia feito por ele.
Perante o ambiente que vigorava na sede do SFM, estimulado pelo Director e dado tratar-se de um dos funcionários mais antigos do SFM não me era possível impor a metodologia normal.
Quando ficaram concluídos os desenhos, entreguei, ao Geólogo, volumoso rolo em papel cenográfico que os continha para dele fazer adequado uso, apesar da sua relutância em o receber.
Registo a escassa ou nula representação por testemunhos inteiros das zonas onde se admitiu ter sido atravessado o carvão.
Por outro lado, não tinha havido o cuidado elementar de controlar devidamente as trajectórias dos furos.
Eu tinha dado instruções ao Geólogo no sentido de apresentar relatório sintetizando toda a actividade realizada na Faixa Carbonífera do Douro, para se poderem planificar as acções futuras.
Tal relatório teria obviamente que conter peças desenhadas, entre as quais os perfis longitudinais e transversais seriam fundamentais.
O relatório, que recebi, em Agosto de 1968, sem as peças desenhadas a que aludi, foi de pouca utilidade, não correspondendo ao que seria de esperar.
Aconteceu, então, que o Director do SFM, que em 1964 se mostrara incapaz de apresentar Plano que o Secretário de Estado lhe solicitara, sem me informar, chamou a si o problema dos carvões da Bacia Carbonífera do Douro, dando instruções directas ao Geólogo, resultantes de reuniões que realizou com um dos concessionários.
A continuação dos estudos na Bacia Carbonífera do Douro deixou, consequentemente de ser da minha responsabilidade.
A disciplina que eu pretendia introduzir nestes estudos foi destruída pelo Director do SFM.
Tive conhecimento de ter sido elaborado novo projecto de sondagens.
Constou-me também que as peças desenhadas preparadas pelo Agente Técnico de Engenharia, sob minha orientação, mas sem a indispensável revisão pelo autor do exame dos testemunhos das sondagens, acabaram por ter a utilidade que mereciam.
Em reunião da Comissão de Fomento, tomei conhecimento de que o concessionário da Minas do Pejão não tinha encontrado, em novo piso que instituíra, as camadas de carvão exploráveis, que o exame dos testemunhos das sondagens fizera prever.
As minas deram por finda a exploração, já quando eu estava aposentado. Disso tomei conhecimento pelos jornais. Pelo que me foi dado conhecer, quando o estudo dos carvões esteve sob a minha supervisão, sou levado a concluir que houve graves deficiências no reconhecimento desta importante faixa Carbonífera, que podem ser responsáveis pelo encerramento das Minas.
8 – Sondagens para prospecção de petróleo
No capítulo que Goinhas dedicou aos minérios energéticos, nada refere relativamente à prospecção de petróleos!!!
Nem sequer lhe ocorreu que o Governo tinha atribuído tal importância a este tema, que decidira criar um Organismo directamente dependente da Presidência do Conselho de Ministros, para que as investigações visando a descoberta deste precioso recurso, pudessem ter o impulso que não estava a ser conseguido, no âmbito da Direcção-Geral de Minas.
Foi assim criado o GPEP (Gabinete para a Prospecção e Pesquisa de Petróleo) (Ver post N.º 118).
Em resultado das sondagens realizadas por empresas privadas, antes e depois da criação do GPEP, acumulou-se enorme soma de dados de grande utilidade para o conhecimento geológico do território e para a prospecção de outros minérios.
Tenho conhecimento de que o Engenheiro Jorge Faria, que foi o primeiro Director deste Organismo, tomara a iniciativa de arquivar devidamente, em armazém localizado em Vila Franca de Xira, os materiais recolhidos nas sondagens, para eventuais futuros estudos.
Ignoro se esse armazém se mantém activo e se têm sido feitas consultas por empresas que continuam interessadas na procura de petróleo, tanto na área emersa, como nas vastas áreas imersas a zona exclusiva portuguesa.
É, uma vez mais, revelador da desorientação dos governantes, em matérias da indústria mineira, que Goinhas, apesar de ter ignorado, no documento que tenho vindo a analisar, a prospecção de tão importante recurso mineral, tenha sido nomeado Director do GPEP, quando o cargo ficou vago, por falecimento do Eng.º Jorge Faria!!!!
Continua…
Será prejudicial se não tiver havido esse elementar cuidado.
O Geólogo José Goinhas é exemplo de historiador, que não merece crédito.
A sua história da “Prospecção mineira em Portugal”, além de omitir os acontecimentos de maior relevância, distorce, intencionalmente, os que descreve.
É também elucidativo da extraordinária ignorância dos governantes, em matérias da indústria mineira, que esta história tenha sido elogiada pelo Secretário de Estado da tutela.
É, por outro lado, surpreendente que a Comissão Editorial, do Boletim de Minas, constituída por três Engenheiros de Minas, um Geólogo e um Economista, tenha decidido fazer a sua publicação, sem sequer ter utilizado a fórmula frequentemente adoptada: “As ideias expostas são da exclusiva responsabilidade do autor”, para não se comprometerem.
Tenho vindo a analisar, desde o post N.º 178, as descrições de José Goinhas, dispersas pelo seu documento, tentando enquadrá-las nas diferentes fases da prospecção mineira, no seu sentido lato.
Revistas as fases de Documentação, Investigação geológica com simultânea mineralometria, aplicação de técnicas geofísicas e geoquímicas, pequenos trabalhos de pesquisa suscitados pelas técnicas anteriores, cheguei, no post N.º 190, à fase de sondagens.
Tendo em consideração que o objectivo de José Goinhas, conforme sua declaração, era contribuir para a elaboração de novo Plano Mineiro Nacional, mais perfeito que anteriores planificações, era de esperar uma apreciação não só dos dados em que se basearam as sondagens, mas também dos procedimentos adoptados para se extrair o máximo de elementos sobre as formações que elas atravessaram.
Todavia, Goinhas apenas refere que foram executadas sondagens, quer pelos denominados “serviços oficiais”, quer pelas empresas privadas, sem adicionar quaisquer comentário, partindo, portanto, do princípio de que foram bem projectadas e bem conduzidas.
A realidade é, porém, bem diferente:
Houve graves deficiências, no que respeita, quer à fundamentação, quer à execução, tanto da parte dos “serviços oficiais”, como da parte das empresas privadas.
Já denunciei no post anterior três casos, em que dirigentes dos “serviços oficiais” adoptaram procedimentos escandalosos, de que resultaram desperdícios de dinheiros públicos e atrasos no cumprimento de programas racionalmente estruturados.
Vou agora citar mais exemplos, pouco edificantes, relativos a esta fase de sondagens.
4 - Sondagens efectuadas por Union Carbide na zona de Covas da Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima
Quando Union Carbide decidiu rescindir os seus contratos, com o Estado e com empresas concessionárias, enviei, em 5-12-1979, ao Director do SFM, Jorge Gouveia, ofício a dar conhecimento de diligências que tinha feito junto do dirigente local daquela Companhia americana, no sentido de ser entregue à DGGM toda a documentação respeitante aos seus estudos na Região, nela se incluindo os testemunhos das numerosas sondagens efectuadas.
Informei ter encontrado a melhor receptividade.
Union Carbide prometera entregar toda a documentação e propunha-se colocar também, no Porto, em local que lhe fosse indicado, as 1650 caixas de testemunhos, com o peso aproximado de 50 toneladas, resultantes dos seus trabalhos de prospecção mineira, apenas com a condição de o transporte ser efectuado até 31-12-1980, pois encerraria, nessa data, todas as actividades no País.
Informei o Director do SFM ser minha intenção analisar todos estes elementos e reprogramar a campanha de prospecção que, desde 1968, tinha em curso na Região, tendo em consideração os resultados dessa análise.
O que veio a acontecer foi deveras surpreendente.
Antes de me ter apercebido do uso que se pretendia dar à documentação que me estava a ser sonegada, eu escrevi, no relatório do 2.º trimestre de 1980, o que, a seguir transcrevo:
Obstrução à consulta da documentação técnica entregue por Union Carbide:
Por termos estado ausentes, em gozo de licença graciosa, durante a segunda quinzena do mês de Dezembro de1979, só em 9 de Janeiro recebemos a resposta do Director do Serviço, com data de 20-12-1979, ao ofício que lhe havíamos endereçado em 5-12-1979, acerca da intenção de Union Carbide entregar à Direcção-Geral de Minas, diversos documentos respeitantes à sua actividade na região de Caminha e também os testemunhos das sondagens efectuadas, a expensas suas, na mesma região.
Verificamos, com estupefacção, que se não aproveitou a oferta de Union Carbide de custear o transporte de cerca de 1650 caixas de testemunhos, de Covas para S. Mamede de Infesta, quando é certo que constantemente se afirma haver falta de meios de transporte no Serviço e, por este motivo, se criam obstáculos a certos trabalhos. Surgem, além disso, ordens recomendando parcimónia no consumo de combustíveis já que as dotações são escassas.
Verificamos, ainda, com alguma surpresa (na realidade já nada nos deveria surpreender do que acontece na Direccão-Geral de Minas) que, tendo sido exclusivamente mercê das minhas diligências e não por obrigação imposta por qualquer disposição legal ou contratual, que Union Carbide consentiu em fazer entrega quer dos testemunhos, quer dos logs das sondagens e outros documentos, o Director do Serviço decidiu, em nova atitude prepotente e obstrucionista, dificultar ou impedir mesmo a minha consulta a este material.
A maneira mais eficaz de atingir o seu objectivo foi introduzir no assunto o seu representante no núcleo de S. Mamede de Infesta, para “assuntos de rotina”, encarregando-o de receber o material e elaborar um documento, a que chamou “relatório”, sobre essa recepção.
Apesar das deficientes relações pessoais, que há muito mantemos com esse funcionário, cuja actuação no Serviço não tem merecido o nosso apreço, não tivemos dúvida em nos deslocarmos, no dia 3 de Janeiro, à região de Caminha, por ele acompanhados, a fim de lhe mostrarmos a quantidade de testemunhos a transportar, agora a expensas do Serviço e o modo como estavam acondicionados nas instalações de Union Carbide e lhe fazermos perceber os cuidados a ter no transporte, para que nada se destruísse e esse valioso material pudesse ser inteiramente aproveitado para novos estudos, quer do Serviço, quer de qualquer outra entidade.
Nessa data e, em vários dias seguintes, insistimos vigorosamente na indispensabilidade de prévia consulta à documentação já entregue ou a entregar ainda, por Union Carbide, antes de se iniciar o transporte, para que a identificação e a arrumação dos testemunhos, em S Mamede de Infesta, obedecesse a um plano, evitando que, por falta de cuidados, viesse a tornar-se inaproveitável tão valioso material.
Apesar das nossas insistências e das repetidas promessas, do género “Estou a elaborar o relatório (?!) que o Director pediu; na próxima semana, a documentação estará à sua disposição”, feitas desde Janeiro, sempre foram surgindo evasivas e a realidade incrível é que nenhum documento nos foi entregue por tal representante, até ao fim do trimestre.
A partir de certa data, quando nos convencemos de que a atitude era superiormente estimulada e que se pretendia nitidamente sonegar-nos a documentação, deixamos mesmo de falar no assunto.
O Director do Serviço, a terminar o seu ofício de 20-12-79, escreve:
“Na medida em que V. conhece melhor do que ninguém a actividade da empresa, poderá actuar junto da empresa, no sentido de não ser olvidada qualquer espécie de documentação.”
Como poderíamos nós saber se foi ou não olvidado algum documento de interesse, se ainda nesta data, nos mantemos na ignorância do que realmente foi entregue?
Não deveria, para tal, ter-nos sido confiada, com tempo para estudo, toda a documentação, antes de Union Carbide ter abandonado a região?
Escrevemos também no relatório da actividade do 1.º Serviço, no trimestre anterior:
“Até ao fim do trimestre, não se nos tornou possível, mercê da sonegação mencionada, dar qualquer passo no sentido da reavaliação do projecto de Covas e sua integração no plano geral de prospecção mineira, na região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Estamos convictos de que os documentos permanecem intactos, sem que alguém os tenha consultado, desde que Union Carbide os entregou.
Talvez seja mero capricho pueril ou talvez senil, a causa do obstrucionismo que está a ser praticado.
Entendemos ser já tempo de começar a responsabilizar aqueles que, além de não estimularem nem colaborarem seriamente, como é seu dever (para isso são remunerados), no inventário e na valorização da riqueza mineira nacional, pelo contrário, criam dificuldades à consecução deste objectivo”
Afinal, conforme já revelei, em posts anteriores, havia um real objectivo a justificar a sonegação dos documentos de Union Carbide.
Era preciso distribuir algum trabalho ao Engenheiro Rui Reynaud, recentemente admitido, na DGGM, na vaga de assaltos, a que me tenho referido, com frequência.
Este “génio” estava a justificar a sua admissão directamente com a elevada categoria de Director de Serviço (!!!), entretendo-se com inúteis exercícios académicos, repetindo cálculo de reservas já apresentados por Union Carbide (Ver post N.º 156 ).
Relativamente aos testemunhos das sondagens, escrevi no meu relatório do 2.º trimestre de 1980, texto de que, transcrevo as seguintes passagens:
“Incúria no tratamento de valioso material de sondagens alienado por Union Carbide, a favor da Direcção-Geral de Minas"
Três meses e meio passaram sobre a data do ofício que endereçamos, em 5-12-1979, ao Director do Serviço, acerca dos testemunhos que Union Carbide pretendia alienar a favor da Direcção-Geral de Minas, até que o funcionário representante do Director, no núcleo de S. Mamede de Infesta, “para assuntos de rotina”, se decidisse a cumprir a ordem que recebera de promover o transporte desse material para as instalações de S. Mamede de Infesta.
Argumentou-se que o problema não fora resolvido, em Dezembro de 1979, aproveitando transporte gratuito oferecido por Union Carbide, porque nós estivéramos ausentes.
No entanto, os transportes foram efectuados com total desrespeito pelas recomendações a que aludimos no n.º anterior.
Não se procurou identificar os testemunhos, antes de os retirar do local onde se encontravam metodicamente acondicionados.
Não houve o elementar cuidado de levar caixas para substituir as que apresentassem indícios de má conservação.
Não se estabeleceu qualquer plano para as cargas e descargas.
Não se aproveitou a minha sugestão de utilizar pessoal da Secção de Caminha para as cargas em Covas, tendo-se preferido deslocar de S. Mamede de Infesta ou de mais longe ainda, diversos funcionários (talvez 4 ou 5), em percursos superiores a 200 km, durante vários dias, com uso de duas viaturas (1 jeep para pessoal, um pequeno camião para os testemunhos) !!!
Afinal, uma vez mais, se confirma que as dificuldades de meios de transporte e de combustíveis só existem em certos casos.
Em S. Mamede de Infesta, empilharam-se as caixas ao ar livre, junto a um muro, de modo muito pouco cuidadoso, tendo algumas já caído e prevendo-se que a outras, em breve aconteça o mesmo.
Há já testemunhos dispersos pelo terreno, sendo duvidoso que se possa reconstituir a sua origem.
Receamos que grande parte do material transportado esteja já inaproveitável, constituindo pouco mais que lixo.
Não nos tendo sido facultada a documentação entregue por Union Carbide, obviamente nos poderia ser interdito ou revestir-se-ia de um reduzido interesse, o exame dos testemunhos.
Este é mais um assunto, para o qual chamamos a atenção superior.
O País não pode mais permitir que tão inconscientemente se destruam valiosos elementos de estudo, que custaram muitas dezenas de milhar de contos a produzir.”
Estas passagens de relatórios trimestrais foram transcritas na Introdução ao “Relatório circunstanciado dos trabalhos de prospecção mineira efectuados na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, até 29-2-1984”, sob a minha supervisão, o qual fui compelido a entregar ainda incompleto.
Neste relatório circunstanciado, acrescentei ainda:
“Vão passados 4 anos e, apesar de ter havido mudanças nas principais chefias da Direcção-Geral de Minas, ainda não tive acesso aos documentos entregues por Union Carbide !!!
Quanto aos testemunhos das sondagens permanecem atabalhoadamente empilhados, junto ao mesmo muro, sujeitos à intempérie, nas instalações de S. Mamede de Infesta, sendo já muito duvidoso que tenham qualquer utilidade!!!
Somos realmente um País muito rico, que se permite desperdiçar tamanho valor. Assim se deitam fora dezenas de milhar de contos!!!
Não temos dúvida em classificar isto de um autêntico crime. E não seria muito difícil encontrar os responsáveis.”
Conforme já revelei, tive oportunidade de entregar, pessoalmente ao Ministro Veiga Simão um exemplar desta Introdução.
As referências vagas e incorrectas de Goinhas aos jazigos tungstíferos da Região de Vila Nova de Cerveira –Caminha – Ponte de Lima demonstram não ter consultado os “relatórios internos”, que cita na extensa bibliografia com que termina o seu documento.
5 – As sondagens efectuadas na Mina de ferro de Vila Cova do Marão
A respeito de sondagens, que tinham sido efectuadas pelo SFM, para investigação deste jazigo, escrevi no post N.º 30:
“Nas Minas de Vila Cova, o SFM tinha feito realizar, no princípio da década de 40, uma campanha de prospecção magnética, por contrato com a Companhia sueca ABEM.
Em anos mais recentes, tinha dado cumprimento a um projecto de sondagens.
Numa das reuniões, o Director afirmou haver divergências grandes entre resultados dos estudos do concessionário e os do SFM.
Impunha-se uma análise cuidada de toda a documentação respeitante a este jazigo, pois se considerava a hipótese de novas sondagens deverem ser projectadas.
O Director encarregou-se de encontrar, não só os relatórios, como os logs, plantas e perfis pelas sondagens e os testemunhos destas sondagens.
Em reuniões seguintes, este caso de Vila Cova voltou a ser por mim abordado. Todavia, o Director começou a ficar embaraçado, pois nem relatórios, nem desenhos nem testemunhos se encontravam.
Deste embaraço resultou que não mais se realizaram reuniões!
No post N.º 68, acrescentei:
"Em relatório com data de 1966, o Geólogo Dr. António Ribeiro, menciona estudos anteriores, mais ou menos desenvolvidos, de diversos outros Geólogos, entre os quais Cotelo Neiva e Carlos Teixeira, para definir a estrutura do jazigo e avaliar as suas reservas.
Conclui, no entanto, das suas próprias observações, que o jazigo de Vila Cova se mantém incompletamente reconhecido.
Agora, pretendo apenas chamar a atenção para as possibilidades que se abrem com a aplicação conjugada dos métodos gravimétrico e magnético, na vasta área considerada potencial.
A campanha de prospecção magnética do início da década de 40 do século passado fez uso de equipamentos de baixa sensibilidade e limitou-se à área que então era tida como potencial.
A gravimetria permitirá fazer a avaliação das reservas, tal como aconteceu em jazigos de ferro descobertos no Alentejo, nomeadamente nos da Alagada e Vale de Pães, a que me referi nos posts N.ºs 45 e 46. Nestes casos, a avaliação, pela carta gravimétrica, foi plenamente confirmada pelo cálculo feita através dos resultados das sondagens.
O mesmo tinha acontecido com as massas de sulfuretos complexos de Moinho e Feitais em Aljustrel e parece a estar a confirmar-se com o conjunto das massas de sulfuretos de Neves-Corvo.
A História de José Goinhas é totalmente omissa no que respeita à prospecção com vista à descoberta de reservas de minérios de ferro, apesar de ferro e ouro terem sido, no início da actividade do SFM, quase os únicos estudos constantes dos programas deste Organismo.
6 – Sondagem profunda em Moncorvo
O Director-Geral de Minas Soares Carneiro não aprovou sondagem profunda, projectada para investigar a provável existência de uma parte oculta do jazigo de ferro de Moncorvo, que poderia contribuir para aumentar significativamente o valor das suas reservas, quer em quantidade quer em qualidade do minério.
Esta sondagem fundamentava-se em excepcionais resultados da aplicação dos métodos magnético e gravimétrico, registados em ambiente geológico altamente favorável.
As invulgares características destas anomalias, sobretudo no que respeita à sua intensidade, levaram-me, então, a emitir a hipótese de estarmos em presença de um depósito de dimensões idênticas às do enorme jazigo de Kirunavara, na Suécia, sendo a parte conhecida, com reservas estimadas em 600 milhões de toneladas, apenas a sua manifestação superficial, isto é, o equivalente à ponta de um iceberg. (Ver post N.º 67).
A história de Goinhas ignora também os estudos do SFM neste jazigo.
Registo que o mesmo Director-Geral que não aprovou este projecto, autorizou sondagens profundas, em áreas do Alentejo, com muito precários fundamentos, convencido de que iria proporcionar ao seu afilhado Delfim de Carvalho, apresentar-se como autor de grande descoberta, embora através de procedimentos indignos (Ver post N.º 86).
Em próximo post, referir-me-ei, mais detalhadamente a estas sondagens.
É surpreendente que Goinhas nem sequer tenha reparado nas excepcionais anomalias, a que me referi, as quais foram obtidas, em resultado de trabalho efectuado pela 1.ª Brigada de Prospecção, quando nela esteve integrado, ainda sob a minha chefia!!
É extraordinário que tenham passado mais de 30 anos, sem que se tenha conseguido revitalizar o centro mineiro de Moncorvo e sem que se tenha aproveitado este recurso mineral, para a instalação de uma indústria siderúrgica, com dimensão compatível com as enormes reservas existentes e a revelar.
A este respeito, ocorre-me a anedota que Soares Carneiro contou, numa reunião da Comissão de Fomento:
“Quando Deus distribuía, pela Terra, as riquezas minerais, S. Pedro chamou a sua atenção para a abundância com que privilegiava Portugal, em detrimento dos outros países.
Deus, complacentemente, explicou: Verás a qualidade de gente que lá vou colocar!
Carneiro usou termo escatológico para qualificar a gente de Portugal, na qual, obviamente estava a incluir-se.”
Os meios de comunicação social têm vindo recentemente a anunciar projectos ambiciosos visando a revitalização das Minas.
Também o Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira a eles se tem referido, embora não tenham sido de iniciativa governamental.
A este Ministro enderecei cartas directamente e através deste blogue (V. post N.º 67 A), às quais não recebi resposta, não obstante haver disposição legal que impõe aos dirigentes a obrigatoriedade de responder, em prazo determinado, às exposições que lhe são dirigidas.
Não chegou ao meu conhecimento o que de concreto tem sido realizado, no âmbito destes novos projectos.
7 – As sondagens nas Faixas Carboníferas do Douro e de Ourém
O que Goinhas escreve a respeito das Faixas Carboníferas do Douro e de Ourém está muito longe de corresponder à verdade das investigações efectuadas.
Conforme registei no post N.º 52, quando, em 1963, fui nomeado Chefe do Serviço de Prospecção do SFM, também tive a meu cargo os estudos com vista à definição de reservas de carvão no País.
Antes de terminar a licenciatura em Engenharia de Minas, eu tinha efectuado, em 1943, estágio sobre sondagens, na zona de Midões da Faixa Carbonífera do Douro.
Sabia que sondagens continuaram a ser realizadas, ao longo dos 20 anos decorridos desde então, nas diversas zonas do País, onde era conhecida a ocorrência de carvão.
Estava, porém, longe de suspeitar do estado em que se encontravam as investigações feitas na faixa carbonífera do Douro, e na faixa de Ourém.
A situação que se me deparou causou-me enorme surpresa.
Havia por estudar 40 sondagens longas que tinham sido efectuadas na Faixa Carbonífera do Douro e número semelhante na Bacia Carbonífera de Ourém.
Além disso, nem sequer estava feita a sua implantação em mapas geológicos.
A agravar a situação, decorriam sondagens na zona de Ourém, para investigar o prolongamento em profundidade de camadas de carvão de espessuras exíguas, sem hipótese de viabilidade de exploração económica, não fazendo, consequentemente, sentido, manter em curso tal projecto.
Encarreguei, então, o Agente Técnico de Engenharia Vitorino Correia de fazer a implantação em cartas geológicas, das sondagens e sanjas, efectuadas na Faixa Carbonífera do Douro, anteriormente à minha chefia do Serviço de Prospecção.
O Geólogo Silva Freire, a cujo cargo estivera o projecto de investigação desta Bacia passou largos meses a estudar os testemunhos das sondagens, apresentando os seus resultados em textos que anexava aos relatórios mensais.
Recusou-se a elaborar logs onde se registassem, sob a forma gráfica, ao longo dos furos, não só as formações atravessadas a percentagem de testemunhos, a orientação dos furos (direcção e inclinação), as análises químicas e outros dados de interesse que tivessem sido colhidos.
Tive, por isso, que encarregar o Agente Técnico Vitorino Correia de fazer esses logs e também de elaborar perfis geológicos longitudinais e transversais, pelas camadas de carvão, com base nos elementos que lhe foram disponibilizados.
Ao Geólogo competiria elaborar estes perfis, que iriam constituir a base para cálculo e identificação das reservas evidenciadas, para a planificação da futura exploração.
Mas o Geólogo, não só recusou fazer tal trabalho, como desvalorizou tudo quanto o Agente Técnico de Engenharia havia feito por ele.
Perante o ambiente que vigorava na sede do SFM, estimulado pelo Director e dado tratar-se de um dos funcionários mais antigos do SFM não me era possível impor a metodologia normal.
Quando ficaram concluídos os desenhos, entreguei, ao Geólogo, volumoso rolo em papel cenográfico que os continha para dele fazer adequado uso, apesar da sua relutância em o receber.
Registo a escassa ou nula representação por testemunhos inteiros das zonas onde se admitiu ter sido atravessado o carvão.
Por outro lado, não tinha havido o cuidado elementar de controlar devidamente as trajectórias dos furos.
Eu tinha dado instruções ao Geólogo no sentido de apresentar relatório sintetizando toda a actividade realizada na Faixa Carbonífera do Douro, para se poderem planificar as acções futuras.
Tal relatório teria obviamente que conter peças desenhadas, entre as quais os perfis longitudinais e transversais seriam fundamentais.
O relatório, que recebi, em Agosto de 1968, sem as peças desenhadas a que aludi, foi de pouca utilidade, não correspondendo ao que seria de esperar.
Aconteceu, então, que o Director do SFM, que em 1964 se mostrara incapaz de apresentar Plano que o Secretário de Estado lhe solicitara, sem me informar, chamou a si o problema dos carvões da Bacia Carbonífera do Douro, dando instruções directas ao Geólogo, resultantes de reuniões que realizou com um dos concessionários.
A continuação dos estudos na Bacia Carbonífera do Douro deixou, consequentemente de ser da minha responsabilidade.
A disciplina que eu pretendia introduzir nestes estudos foi destruída pelo Director do SFM.
Tive conhecimento de ter sido elaborado novo projecto de sondagens.
Constou-me também que as peças desenhadas preparadas pelo Agente Técnico de Engenharia, sob minha orientação, mas sem a indispensável revisão pelo autor do exame dos testemunhos das sondagens, acabaram por ter a utilidade que mereciam.
Em reunião da Comissão de Fomento, tomei conhecimento de que o concessionário da Minas do Pejão não tinha encontrado, em novo piso que instituíra, as camadas de carvão exploráveis, que o exame dos testemunhos das sondagens fizera prever.
As minas deram por finda a exploração, já quando eu estava aposentado. Disso tomei conhecimento pelos jornais. Pelo que me foi dado conhecer, quando o estudo dos carvões esteve sob a minha supervisão, sou levado a concluir que houve graves deficiências no reconhecimento desta importante faixa Carbonífera, que podem ser responsáveis pelo encerramento das Minas.
8 – Sondagens para prospecção de petróleo
No capítulo que Goinhas dedicou aos minérios energéticos, nada refere relativamente à prospecção de petróleos!!!
Nem sequer lhe ocorreu que o Governo tinha atribuído tal importância a este tema, que decidira criar um Organismo directamente dependente da Presidência do Conselho de Ministros, para que as investigações visando a descoberta deste precioso recurso, pudessem ter o impulso que não estava a ser conseguido, no âmbito da Direcção-Geral de Minas.
Foi assim criado o GPEP (Gabinete para a Prospecção e Pesquisa de Petróleo) (Ver post N.º 118).
Em resultado das sondagens realizadas por empresas privadas, antes e depois da criação do GPEP, acumulou-se enorme soma de dados de grande utilidade para o conhecimento geológico do território e para a prospecção de outros minérios.
Tenho conhecimento de que o Engenheiro Jorge Faria, que foi o primeiro Director deste Organismo, tomara a iniciativa de arquivar devidamente, em armazém localizado em Vila Franca de Xira, os materiais recolhidos nas sondagens, para eventuais futuros estudos.
Ignoro se esse armazém se mantém activo e se têm sido feitas consultas por empresas que continuam interessadas na procura de petróleo, tanto na área emersa, como nas vastas áreas imersas a zona exclusiva portuguesa.
É, uma vez mais, revelador da desorientação dos governantes, em matérias da indústria mineira, que Goinhas, apesar de ter ignorado, no documento que tenho vindo a analisar, a prospecção de tão importante recurso mineral, tenha sido nomeado Director do GPEP, quando o cargo ficou vago, por falecimento do Eng.º Jorge Faria!!!!
Continua…
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
190 - Um novo Plano Mineiro Nacional. Continuação 14
Sendo a prospecção mineira actividade de elevado risco, envolvendo grandes investimentos, é essencial que se respeitem, escrupulosamente, as fases em que se deve processar.
Tenho vindo a revelar que esta metodologia, não está patente nas vagas informações contidas nos quadros que constam da história da “Prospecção Mineira em Portugal”, da autoria de José Goinhas, apesar do propósito manifestado de a investigação histórica ter sido feita, com a intenção de contribuir para novo Plano Mineiro Nacional, destinado a aumentar a eficácia da nossa indústria mineira, que se encontrava em acentuada decadência.
Exemplo bem elucidativo do desrespeito pela disciplina, fundamental em prospecção mineira, é a “atitude de bombeiro”, que Soares Carneiro frequentemente assumiu (ver post N.º 2), em ostensivo abuso dos poderes do seu cargo de Director-Geral de Minas, convencido de que “queimando etapas”, rapidamente conseguiria chegar a grandes descobertas. (ver post N.º 56)
Sem a mínima consideração pelas funções que competiam ao Director do SFM e aos Chefes de Serviços, decidiu orientar directamente alguns estudos.
Em vários casos, passou à fase de sondagens, prescindindo dos trabalhos em que elas se deveriam fundamentar.
Destas acções indisciplinadas, nem um único sucesso resultou. Além de mau uso de dinheiros públicos, por quem tinha obrigação de dar bons exemplos, atrasou-se o cumprimento dos programas racionalmente estruturados.
O SFM, no seu período inicial, teve, naturalmente, que recorrer a empresas estrangeiras, para trabalhos especializados.
Visando encontrar novas reservas de minérios de ferro e de pirites complexas, firmou contratos com a empresa sueca ABEM, para aplicação de técnicas de prospecção, por métodos geofísicos, que começavam, então, a ser introduzidas na indústria mineira. (ver post N.º 5)
Para reconhecimento da Faixa Carbonífera do Douro e do carvão do Moinho da Ordem (Santa Susana, Alcácer do Sal), contratou a empresa de sondagens “Société Anonyme Belge d’Entreprise de Forage & de Fonçage (Foraky). (ver post N:º 52)
Previdentemente, acompanhou, com grande empenho, os procedimentos técnicos de ambas as empresas, extraindo ensinamentos para poder vir a encarregar-se, futuramente, de realizar, com equipamentos próprios, trabalhos dessa natureza.
No decurso dos tempos, o SFM foi obtendo os equipamentos necessários para atingir os seus objectivos.
Foi também adquirindo experiência na respectiva utilização.
Ficou, portanto, apto a realizar, não apenas trabalhos mineiros tradicionais, mas também a aplicar técnicas de prospecção geofísica e a fazer sondagens.
De realçar, o valiosíssimo material recebido, ao abrigo do Plano Marshall. (ver post N.º 15)
A aplicação de técnicas geofísicas, directamente pelo SFM, de modo sistemático, só teve início na década de 50, por manifesto desinteresse do Engenheiro, a quem foi confiada a denominada Brigada de Prospecção Geofísica (BPG), com tolerância do Director. (ver post N.º 13)
Porém, já em 1947, o SFM fora capaz de efectuar a sua primeira sondagem.
Este acontecimento, notável para a época, ficou a dever-se à iniciativa dos Agentes Técnicos de Engenharia, Luís de Albuquerque e Castro e Fernando Gonçalves Macieira, oriundos da sede em Lisboa, os quais eram dotados de grande capacidade organizativa, lamentavelmente desperdiçada e até hostilizada, pelo Engenheiro Norberto Queiroz, quando ocupou o cargo de Director do SFM.
A sondagem foi implantada próximo da Mina de chumbo do Braçal e teve por objectivo investigar a causa de anomalia electromagnética, registada em campanha a cargo da ABEM de Estocolmo.
O SFM realizou, depois, outras sondagens, em diversas zonas da Faixa Piritosa Sul - Alentejana, com base em anomalias electromagnéticas, seguindo também recomendações da ABEM de Estocolmo, a cujo cargo decorrera a campanha de 1944-49. (ver post N.º 10)
Na Região de Cercal – Odemira, onde tinham decorrido, durante 14 anos, importantes trabalhos de pesquisa e reconhecimento de filões ferro-manganíferos, projectaram-se e executaram-se sondagens, para reconhecer os filões, a profundidade que os trabalhos mineiros não puderam alcançar, por dificuldades de esgoto dos abundantes caudais de água encontrados.
Pretendeu-se aproveitar a experiência que a Brigada com especialização em Sondagens ia evidenciando, para reconhecer a profundidade superior a 300 m, o principal filão ferro – manganífero (na Serra do Rosalgar), na expectativa de que viessem a encontrar-se sulfuretos do grupo BGPC (blenda, galena, pirite, calcopirite).
Em caso afirmativo, seria mais um bom indício a favor da hipótese de estarmos em presença de uma área de características idênticas às da Faixa Piritosa, podendo os filões ser atribuídos a remobilizações provenientes de massas mineralizadas de grandes dimensões.
Todavia, a sondagem não foi realizada, por não se possuir ainda material com capacidade para tal empreendimento e o Director do SFM não ter considerado oportuna a sua aquisição.
Chegou ainda ao meu conhecimento terem sido realizadas sondagens, na década de 50, com equipamentos do SFM, para investigação do jazigo de ferro de Vila Cova do Marão.
Todavia, nem relatórios, nem logs, nem os testemunhos destas sondagens se encontraram, quando, pretendi fazer a sua consulta, no desempenho de novas funções que, em 1963, me foram atribuídas. (ver post N.º 30)
Também na década de 50, a Brigada de Sondagens deu execução a um vasto programa, na região de Barrancos, envolvendo furos, não só no exterior, mas também a partir de trabalhos interiores da Mina de cobre de Aparis.
A maioria destas sondagens apoiou-se em resultados da aplicação do método electromagnético Turam, obtidos em campanha efectuada sob minha orientação, ainda na qualidade de Chefe da Brigada do Sul, com equipamento que o SFM tinha adquirido, o qual a BPG se tinha mostrado incapaz de pôr em funcionamento. (ver posts N.ºs 20 e 21)
É de assinalar que a campanha no exterior esteve em risco de ser suspensa, logo no seu início, por dificuldade de obtenção de testemunhos.
A Brigada de Sondagens teve, porém, o mérito de solucionar este problema.
Entretanto, prosseguiam também sondagens na Faixa Carbonífera do Douro, em sucessivas campanhas, por contrato com a empresa belga Foraky, enquanto o Director do SFM não se dispunha a aproveitar a capacidade técnica que a Brigada de Sondagens vinha demonstrando, para adquirir equipamento com possibilidade de realizar furos com comprimentos da ordem dos 800 m.
Após a minha nomeação para chefiar um Serviço de Prospecção Mineira, com âmbito de actuação extensivo a todo o território metropolitano nacional, rapidamente começaram a surgir alvos justificativos de investigação por sondagens, resultantes da aplicação de variados métodos geofísicos e geoquímicos, em áreas previamente seleccionadas, através estudos geológicos pormenorizados.
A Brigada de Sondagens do SFM foi encarregada de dar a natural sequência aos estudos do Serviço de Prospecção e foi desempenhando, na generalidade dos casos, muito satisfatoriamente esse encargo, em cumprimento de projectos devidamente fundamentados.
Foi assim que puderam concretizar-se os êxitos variados, a que já fiz pormenorizada referência.
O Director-Geral de Minas, Soares Carneiro que, no início do seu mandato, não só não interferia na actividade disciplinada que ia decorrendo, como fazia questão de a revelar ao Ministro da tutela para demonstrar a eficácia do Organismo que lhe estava confiado, passou, a partir de determinada data, a encarregar-se de orientar directamente alguns estudos e a criar obstáculos à investigação, por sondagens, dos alvos que o Serviço de Prospecção, a meu cargo, ia definindo.
No post anterior, antecipei que, em matéria de sondagens, tinham sido cometidos pelos “serviços oficiais”, isto é, pela Director-Geral de Minas e pelo Director do Serviço de Fomento Mineiro, actos escandalosos e, até criminosos.
Vou, agora, referir exemplos desses actos (nalguns casos verdadeiramente anedóticos), para os quais, em tempo oportuno, chamei a atenção, em relatórios e, também em exposições ao Governo.
1 - A sondagem do nevoeiro em Caminha.
A seguir, transcrevo o que consta da coluna de Observações da peça desenhada N.º 149 (Log da sondagem N-º 3 da Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima) do “Relatório Circunstanciado”, a que tenho vindo a fazer frequente referência:
“Esta sondagem foi projectada por técnico do concessionário, com autorização do Director do Serviço de Fomento Mineiro, durante curta ausência, no Alentejo, do responsável pelos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Tendo tomado conhecimento, após o meu regresso, de que esta sondagem se encontrava em curso, manifestei ao Director do Serviço a minha total discordância quanto à sua implantação, para a qual não encontrava qualquer justificação técnica ou científica e a minha estupefacção pela indisciplina que representava a sua autorização.
Como reacção recebi a informação de que “as coisas não se passavam como eu julgava”, que “o Director-Geral estava ao corrente”, que “o concessionário também conhecia o jazigo e tinha, portanto, o direito de projectar sondagens!!!!”
Tendo, mais tarde, encontrado casualmente, na mina da Cerdeirinha, o autor do projecto e tendo-lhe perguntado os fundamentos da implantação desta sondagem, foi-me respondido que o furo fora iniciado em local errado, porque, no dia da sua marcação, esteve denso nevoeiro e o alinhamento que traçou, para o efeito, saiu defeituoso".(!!!!!!!)
Esta autêntica anedota foi o primeiro sinal da indisciplina que progressivamente se instalaria, assumindo proporções escandalosas, de verdadeiros crimes.
2- Suspensão de campanha de sondagens na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima
Quando decorria, com normalidade, sob a minha direcção, a investigação, por sondagens, das existências de mineralizações tungstíferas, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, estando projectado o furo N.º 69, com base em pronunciada anomalia magnética, com apoio geológico e geoquímico, fui surpreendido com ordem superior no sentido de ser suspensa a campanha.
Na tentativa de justificar esta inesperada decisão, o Director-Geral Soares Carneiro, convocou-me para participar em reunião, em Lisboa, que teria por objectivo fazer a distribuição das poucas sondas que o SFM possuía, tendo em atenção as prioridades dos programas que as solicitavam.
Também participaram, nessa reunião, além do Engenheiro Múrias de Queiroz , Director do SFM, e do Engenheiro Fernando José da Silva, que pouco tempo antes, assumira a chefia da Brigada de Sondagens, o Geólogo José Goinhas, em representação da 1.ª Brigada de Prospecção, onde também decorriam sondagens e o Engenheiro Francisco Limpo de Faria.
O argumento apresentado para a decisão tomada foi a urgência em investigar um “muito promissor jazigo tungstífero”, que os denominados “scheeliteiros” tinham descoberto em Cravezes, na região de Mogadouro.
Encontrando-se em utilização todas as sondas de que o SFM dispunha, haveria que transferir uma delas, de programa com menor prioridade.
E o programa escolhido foi o que estava a decorrer, a meu cargo, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima!
Deveras surpreendentes foram declarações produzidas pelo Engenheiro Fernando Silva.
Começou por dizer que tinha sondas em armazém, em tarefas de manutenção, por não lhe terem sido apresentados projectos para pôr em execução!
Assim contradizia, sem disso se ter apercebido, a argumentação do Director-Geral para suspender a campanha a meu cargo. Penso que ignorava esta argumentação, pois não era de esperar que ousasse afrontar o Director-Geral.
De facto, havia projectos, e não só, para a Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima. Também havia, para a Faixa Metalífera da Beira Litoral, há anos aguardando concretização.
Não se tinham apresentado projectos envolvendo muitos furos, porque se usava a boa prática de fazer depender cada novo furo dos resultados do anterior.
Mas era previsível a necessidade de executar campanhas mais ou menos longas, nas diversas áreas onde se registaram extensos alinhamentos de anomalias geofísicas e (ou) geoquímicas.
Quando chamei a atenção para a enorme disparidade entre o rendimento da sonda do SFM que tinha estado a actuar em Caminha, e o rendimento de sondas que actuavam para a Companhia americana Union Carbide, o Engenheiro Fernando Silva só encontrou um comentário: Os americanos eram super-homens! E ninguém contestou tão estranha afirmação!
Não teve o brio nem o zelo que manifestaram os Agentes Técnicos de Engenharia Fernando Macieira e Luís Albuquerque e Castro, que, na década de 40, se não tinham intimidado e conseguiram introduzir a técnica das sondagens no SFM, nem idêntico brio e zelo demonstrado por vários outros técnicos, que foram desenvolvendo o sector das sondagens.
Nem lhe ocorreu seguir o exemplo da minha persistente luta para introduzir as técnicas geofísicas e geoquímicas, cujo sucesso foi de tal ordem, que empresas privadas nacionais ou estrangeiras, passaram a solicitar a colaboração do SFM em trabalhos desta natureza, dando-lhes preferência relativamente às empresas especializadas estrangeiras, por lhes reconhecerem maior qualidade.
Seria natural que um chefe diligente, tivesse manifestado o propósito de providenciar no sentido de o SFM passar a agir com rendimento idêntico ou superior ao que demonstravam os sondadores contratados por Union Carbide.
Mas Fernando Silva, que se declarou ignorante em matéria de sondagens, porque a sua actividade anterior se passara em trabalhos diferentes, ao resignar-se a manter a Brigada que chefiava em tal situação de inferioridade, não se mostrou sequer disposto a aproveitar o mérito dos colaboradores que herdara dos seus antecessores.
Demonstrou, uma vez mais, a mediocridade, de que tinha dado abundantes provas, em vários cargos que ocupara.
A decisão de suspender a campanha de sondagens que decorria na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima foi referida, em relatórios trimestrais e anuais e em outros documentos, como mais uma dificuldade a acrescentar a muitas outras que deliberadamente vinham sendo provocadas ao desempenho das minhas funções, no SFM.
Transcrições parciais desses documentos, constam da “Introdução do Relatório Circunstanciado”, da qual dei directo conhecimento ao Ministro Veiga Simão, com as consequências descritas nos posts N.ºs 164 a 173.
A seguir, reproduzo curtas passagens desses documentos:
a) Na página 7 do Relatório da Actividade do 1.º Serviço durante o ano de 1976:
“Os levantamentos magnéticos e geoquímicos efectuados na zona da Costa das Vinhas, cobrindo o flanco NE da grande estrutura anticlinal, que temos vindo a investigar pormenorizadamente, revelaram diversas anomalias com interesse suficiente para justificarem sondagens.
Dentre estas, destaca-se, junto à Ribeira de S João, a cerca de 400 m a Norte da confluência da Ribeira de Arga com esta Ribeira, uma anomalia magnética de mediana intensidade, com bom apoio geoquímico, registada em ambiente geológico francamente favorável à ocorrência de mineralizações de tungsténio.
Esta anomalia foi seleccionada para implantação da sondagem N.º 69.
Tal sondagem não chegou, porém, a efectuar-se, por superiormente se ter decidido suspender a campanha de sondagens, na Região de Caminha, conforme já referimos.
...
Parece-nos ainda de interesse registar que, no mês de Dezembro, a Companhia americana Union Carbide Exploration Corporation requereu superiormente autorização para estender os seus trabalhos de prospecção e pesquisa a uma área envolvente das concessões de Geomina Limitada, que coincide com aquela onde tem ultimamente incidido a actuação do 1.º Serviço e da qual foi retirada a equipa sondadora, por haver outra zona com maior prioridade para execução de sondagens.
b) De páginas 15 e 16 do Relatório da Actividade do 1.º Serviço, no ano de 1977
"Não podemos ainda deixar de referir um importante êxito obtido pela Companhia americana Union Corporation Exploration Corporation, na área cativa para o Estado que, recentemente lhe foi adjudicada para trabalhos de prospecção, pesquisa e exploração mineira.
Esta Companhia não teve quaisquer dúvidas em transferir imediatamente, uma das sondas que, na região, tem em serviço, para investigar a zona de anomalias magnéticas e geoquímicas que havíamos seleccionado para a implantação da sondagem N.º 69.
Lembramos que, em Setembro de 1976, quando se deveria efectuar este furo, a chamada Comissão de Direcção do Serviço de Fomento Mineiro decidiu retirar a sonda que, há 8 anos, se encontrava em trabalho na região de Caminha, com argumentos inconsistentes, como oportunamente assinalamos, em diversos documentos.
Lembramos também que, num desses documentos, chamamos a atenção para o facto de poucas sondagens se terem efectuado, na Região de Caminha e até em todo o Serviço de Fomento Mineiro, com tão sólidos fundamentos, como a que se projectou com o N.º 69.
Conclui-se que a Comissão dita de Direcção do Serviço de Fomento Mineiro, está pouco interessada em obter êxitos.
Prefere que eles sejam preparados pelos sectores sãos do Serviço, para que outros os concretizem, com a maior das facilidades!
Foi o que aconteceu neste caso.
A Companhia americana, investigando as anomalias definidas pelo Serviço, sem necessidade de proceder a quaisquer outros estudos, intersectou, na sondagem que efectuou, à profundidade de cerca de 50 m, um nível de skarn, com espessura superior a 5 m e com um teor médio de WO3 de 1,5%!
A mineralização, muito semelhante à de Valdarcas, consta de pirrotite maciça, com volframite e scheelite. Nalgumas zonas, ocorre, ainda, a calcopirite, em relativa abundância.”
Este resultado, francamente positivo, encorajou Union Carbide a efectuar várias outras sondagens, com as quais definiu reservas justificativas de futura exploração. Requereu e obteve a respectiva concessão, a que deu o nome de Telheiras.
Com estas novas reservas, aproximou-se significativamente do total de 1 milhão de toneladas com o teor médio de 0,8%, disperso por várias parcelas, que considerava necessário para passar à fase de exploração.
Todavia, uma acentuada baixa de cotação do tungsténio, provocada pela China, tornou anti-económica a exploração de numerosas minas, a nível mundial.
Por esse motivo, Union Carbide decidiu abandonar o seu projecto de Covas. (ver posts N.ºs 148 e 149)
Por minha indicação e não porque tal formalidade constasse de contrato com o Estado, Union Carbide entregou vasta documentação, que eu tencionava usar para reprogramar os estudos na Região, tendo em consideração estes novos dados.
Foi, porém, grande a minha surpresa, ao verificar que esta documentação me foi deliberadamente ocultada e que se tinham intrometido nos estudos da Região, como se nada mais houvesse a fazer no SFM, o Engenheiro Reynaud, recém-admitido, com a categoria de Director de Serviço (!) e um Engenheiro de nome Gonzalez, que não cheguei a conhecer, mas que soube ter vindo, por diversas vezes, clandestinamente, retirar testemunhos das sondagens do SFM, sem que eu chegasse a saber o que deles fazia.
Quando, em 2-2-84, me desloquei a Lisboa, convocado pelo Director do SFM, para análise do projecto de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, e este Director não pôde comparecer, por se ter declarado “doente”, enquanto se aguardava o seu restabelecimento, o Engenheiro Reynaud, quis demonstrar os seus talentos, explicando-me novo cálculo de reservas que fizera, para a zona de Telheiras, com o propósito de aperfeiçoar a avaliação feita por Union Carbide, com base nos resultados das sondagens que projectara e fizera executar.
Registo que Telheiras era a zona onde eu projectara a sondagem N.º 69.
Não atribuí, obviamente, qualquer mérito a esta reavaliação, que considerei despropositada e um simples trabalho académico.
Não compreendia que Reynaud tivesse aceite os locais de implantação das sondagens, o exame dos testemunhos, as amostragens e os resultados das análises e só pusesse em dúvida a avaliação das reservas feita por técnicos directamente envolvidos no projecto.
A decisão dos dirigentes de não executar esta sondagem marcou o fim da campanha de sondagens na Região, sob a minha orientação!!!
Lembro que, a este respeito, escrevi no post N.º 156.
Reynaud aproveitou a oportunidade para falar de um relatório, que disse estar a elaborar, sobre as minas de Covas, com base nos dados de Union Carbide!!!!
Propunha-se racionalizar o aproveitamento do jazigo, promovendo a integração das concessões numa única entidade exploradora.
…
Parecia-me muito estranho que Reynaud nada revelasse sobre actividade própria, não parasitária, que estivesse a desempenhar, em cumprimento dos programas do SFM, sabendo-se quão atrasado se encontrava o estudo de muitas outras áreas do País, com grandes potencialidades para a ocorrência de minérios vários, e estivesse a intrometer-se no projecto de Caminha, sem nunca lá ter efectuado qualquer trabalho e sem ter demonstrado sequer ter percebido o significado dos resultados das técnicas que lá se aplicavam.
Tomava a sua exposição como um exercício académico, procurando a aprovação do professor.
Nesta atitude, comentei que o seu conhecimento era muito incompleto, que não bastaria usar documentos de outros, que era necessário um conhecimento mais real, que só a presença nas minas, no terreno, facultaria.
Além disso, não era de técnico com a sua formação e mantendo a sua residência no Sul, que o projecto de Caminha estava necessitado. Até Daniel percebera ser no domínio da geologia estrutural que maior carência se notava, apesar dos progressos conseguidos pelos cerca de 20 Geólogos que haviam passado pela Union Carbide.
A deslocação da sonda, para a região de Mogadouro, redundou num dos maiores “fiascos” registados no SFM.
O Director-Geral de Minas, Soares Carneiro, que tinha passado 20 anos no Norte, principalmente em serviços de fiscalização de minas de estanho e volfrâmio, afinal ignorava a propriedade da scheelite, de se tornar fluorescente, quando sobre ela incide radiação de determinado comprimento de onda.
Ao aperceber-se de que eu vinha obtendo êxitos, ao fazer uso desta propriedade, no conjunto de técnicas visando a descoberta de novas ocorrências tungstíferas na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, aplicando um velho “mineralight” que trouxera do Alentejo, logo pensou que também ele poderia chegar às grandes descobertas, se tirasse partido dessa propriedade.
A scheelite não se distingue facilmente, à simples observação visual, de um conjunto de minerais estéreis, entre os quais pode ocorrer disseminada.
Uma campanha de prospecção apoiada simplesmente no uso de um “mineralight”, sem necessidade de aplicação de outras técnicas mais sofisticadas, poderia conduzir a espectaculares descobertas, as “Torres dos Clérigos”, como gostava de as designar, em reuniões da Comissão de Fomento. (Ver post N.º 56)
Nestas reuniões, estava sempre presente o Director do SFM, Múrias de Queiroz, que apoiava, sem discussão, todas as decisões de Soares Carneiro.
Tão confiante se mostrara no êxito da campanha, que não hesitou, em destacar, para sua execução, 10 funcionários da sede do SFM, aos quais adicionaria trabalhadores localmente recrutados.
Da Ordem de Serviço N.º 18/75 (Ver post N.º 106), constam os seguintes, que constituíam o denominado “Grupo de Trabalho do Tungsténio”:
Três Geólogos (Santos Oliveira, Francisco Viegas e Farinha Ramos), um prospector, um auxiliar de prospecção, um ajudante de preparador, um ajudante de Laboratório, dois motoristas, um jornaleiro, diverso pessoal eventual a contratar nos locais de trabalho.
É elucidativa o confronto com o núcleo sediado em Caminha, constituído apenas por 4 a 5 funcionários, actuando sob a minha direcção e com a minha participação, os quais tinham sido admitidos nos locais de trabalho, apenas com a instrução primária e tinham adquirido, por meu intermédio, preparação nas técnicas que estavam a ser aplicadas.
À acção deste núcleo se ficou devendo a continuidade da exploração nas Minas de Valdarcas, Fervença e Cerdeirinha e a introdução de Union Carbide na Região.
O denominado “Grupo de Trabalho do Tungsténio” actuou, durante anos, sob a orientação do Director-Geral, em áreas de Mogadouro, Tarouca, Freixo de Numão e Lagoaça.
Foi em Cravezes, na região de Mogadouro, que declarou ter descoberto “ um muito promissor jazigo”, a exigir imediata investigação por sondagens, assumindo estas, tal prioridade, que se justificaria, para as efectuar, retirar a sonda que se encontrava a cumprir campanha na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima.
Isto acontecia, quando estava projectado o furo N.º 69, que tinha óptimo apoio geológico, geofísico e geoquímico, como realcei anteriormente!
Esta descoberta de Cravezes começou por ser apresentada como um grande sucesso dos “scheeliteiros”, mas a realidade acabou por surgir, com toda a crueza. Os teores de WO3, quer em trabalhos à superfície, quer nas sondagens, eram insignificantes, muito longe de permitirem exploração remuneradora.
Não se estava, de facto, em presença de”jazigo”, mas de simples ocorrência de scheelite em rochas classificadas como calco-silicatadas, que deveria ter sido objecto de cuidadosa análise, por estudos de geologia estrutural, geofísicos e geoquímicos, a fim de serem seleccionados alvos realmente dignos de investigação por sondagens.
Os “sheeeliteiros” pretenderam despertar o interesse da Companhia americana Union Carbide que actuava na Região de Covas.
Todavia, o dirigente desta Companhia, Bobby Glenn Cahoon, falando comigo, a este respeito, comentou que o propagandeado minério de Cravezes tinha teor de WO3 inferior ao do estéril da lavaria que funcionava na Mina de Valdarcas.
Procurou também despertar o interesse da Companhia Billinton, que então se encontrava no País a realizar trabalhos de prospecção, em outras áreas.
Conforme revelei no post Nº 114, o scheeliteiro Luís Viegas, quando se propunha fazer a apresentação da Mina à Billinton, não foi capaz de informar a localização dos furos de sonda que tinham sido efectuados, limitando-se a dizer que se situavam junto a umas oliveiras, que eram as árvores que mais abundavam na região.
Também não pôde mostrar os logs das sondagens, por não terem sido feitos. Não soube indicar onde se encontravam os respectivos testemunhos.
E não existiam relatórios finais dos estudos que realizaram!!!
E eram estes “sábios prospectores” que se propunham tomar conta dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira – Ponte de Lima!! (ver post N.º 114)
É oportuno registar que todas as sondagens efectuadas na Região de Vila Nova de Cerveira - Caninha - Ponte de Lima se encontram pormenorizadas descritas em logs, dos quais consta, para cada uma:
a) No rosto
Coordenadas do furo, no sistema Hayford-Gauss, em relação ao Ponto Central, aproximadas ao centímetro, calculadas através de levantamento topográfico propositadamente efectuado; altitude da origem; direcção inicial; pendor inicial; sonda utilizada; data do início; data da conclusão; diâmetros dos testemunhos; legenda das formações atravessadas; principais resultados.
b) Ao longo de várias colunas do log, à escala de 1:100:
Percentagem de testemunhos; distâncias à origem; orientação do furo (rumo e pendor ao longo do furo); formações atravessadas (representação colorida e descrição pormenorizada); densidades; susceptibilidades magnéticas; análises químicas (WO3, Au e Ag); observações.
Estes logs e perfis geológicos passando pelas sondagens constituem as peças desenhadas N.ºs 146 a 246 do “Relatório circunstanciado”. (ver post N.º 158)
Continua …
Tenho vindo a revelar que esta metodologia, não está patente nas vagas informações contidas nos quadros que constam da história da “Prospecção Mineira em Portugal”, da autoria de José Goinhas, apesar do propósito manifestado de a investigação histórica ter sido feita, com a intenção de contribuir para novo Plano Mineiro Nacional, destinado a aumentar a eficácia da nossa indústria mineira, que se encontrava em acentuada decadência.
Exemplo bem elucidativo do desrespeito pela disciplina, fundamental em prospecção mineira, é a “atitude de bombeiro”, que Soares Carneiro frequentemente assumiu (ver post N.º 2), em ostensivo abuso dos poderes do seu cargo de Director-Geral de Minas, convencido de que “queimando etapas”, rapidamente conseguiria chegar a grandes descobertas. (ver post N.º 56)
Sem a mínima consideração pelas funções que competiam ao Director do SFM e aos Chefes de Serviços, decidiu orientar directamente alguns estudos.
Em vários casos, passou à fase de sondagens, prescindindo dos trabalhos em que elas se deveriam fundamentar.
Destas acções indisciplinadas, nem um único sucesso resultou. Além de mau uso de dinheiros públicos, por quem tinha obrigação de dar bons exemplos, atrasou-se o cumprimento dos programas racionalmente estruturados.
O SFM, no seu período inicial, teve, naturalmente, que recorrer a empresas estrangeiras, para trabalhos especializados.
Visando encontrar novas reservas de minérios de ferro e de pirites complexas, firmou contratos com a empresa sueca ABEM, para aplicação de técnicas de prospecção, por métodos geofísicos, que começavam, então, a ser introduzidas na indústria mineira. (ver post N.º 5)
Para reconhecimento da Faixa Carbonífera do Douro e do carvão do Moinho da Ordem (Santa Susana, Alcácer do Sal), contratou a empresa de sondagens “Société Anonyme Belge d’Entreprise de Forage & de Fonçage (Foraky). (ver post N:º 52)
Previdentemente, acompanhou, com grande empenho, os procedimentos técnicos de ambas as empresas, extraindo ensinamentos para poder vir a encarregar-se, futuramente, de realizar, com equipamentos próprios, trabalhos dessa natureza.
No decurso dos tempos, o SFM foi obtendo os equipamentos necessários para atingir os seus objectivos.
Foi também adquirindo experiência na respectiva utilização.
Ficou, portanto, apto a realizar, não apenas trabalhos mineiros tradicionais, mas também a aplicar técnicas de prospecção geofísica e a fazer sondagens.
De realçar, o valiosíssimo material recebido, ao abrigo do Plano Marshall. (ver post N.º 15)
A aplicação de técnicas geofísicas, directamente pelo SFM, de modo sistemático, só teve início na década de 50, por manifesto desinteresse do Engenheiro, a quem foi confiada a denominada Brigada de Prospecção Geofísica (BPG), com tolerância do Director. (ver post N.º 13)
Porém, já em 1947, o SFM fora capaz de efectuar a sua primeira sondagem.
Este acontecimento, notável para a época, ficou a dever-se à iniciativa dos Agentes Técnicos de Engenharia, Luís de Albuquerque e Castro e Fernando Gonçalves Macieira, oriundos da sede em Lisboa, os quais eram dotados de grande capacidade organizativa, lamentavelmente desperdiçada e até hostilizada, pelo Engenheiro Norberto Queiroz, quando ocupou o cargo de Director do SFM.
A sondagem foi implantada próximo da Mina de chumbo do Braçal e teve por objectivo investigar a causa de anomalia electromagnética, registada em campanha a cargo da ABEM de Estocolmo.
O SFM realizou, depois, outras sondagens, em diversas zonas da Faixa Piritosa Sul - Alentejana, com base em anomalias electromagnéticas, seguindo também recomendações da ABEM de Estocolmo, a cujo cargo decorrera a campanha de 1944-49. (ver post N.º 10)
Na Região de Cercal – Odemira, onde tinham decorrido, durante 14 anos, importantes trabalhos de pesquisa e reconhecimento de filões ferro-manganíferos, projectaram-se e executaram-se sondagens, para reconhecer os filões, a profundidade que os trabalhos mineiros não puderam alcançar, por dificuldades de esgoto dos abundantes caudais de água encontrados.
Pretendeu-se aproveitar a experiência que a Brigada com especialização em Sondagens ia evidenciando, para reconhecer a profundidade superior a 300 m, o principal filão ferro – manganífero (na Serra do Rosalgar), na expectativa de que viessem a encontrar-se sulfuretos do grupo BGPC (blenda, galena, pirite, calcopirite).
Em caso afirmativo, seria mais um bom indício a favor da hipótese de estarmos em presença de uma área de características idênticas às da Faixa Piritosa, podendo os filões ser atribuídos a remobilizações provenientes de massas mineralizadas de grandes dimensões.
Todavia, a sondagem não foi realizada, por não se possuir ainda material com capacidade para tal empreendimento e o Director do SFM não ter considerado oportuna a sua aquisição.
Chegou ainda ao meu conhecimento terem sido realizadas sondagens, na década de 50, com equipamentos do SFM, para investigação do jazigo de ferro de Vila Cova do Marão.
Todavia, nem relatórios, nem logs, nem os testemunhos destas sondagens se encontraram, quando, pretendi fazer a sua consulta, no desempenho de novas funções que, em 1963, me foram atribuídas. (ver post N.º 30)
Também na década de 50, a Brigada de Sondagens deu execução a um vasto programa, na região de Barrancos, envolvendo furos, não só no exterior, mas também a partir de trabalhos interiores da Mina de cobre de Aparis.
A maioria destas sondagens apoiou-se em resultados da aplicação do método electromagnético Turam, obtidos em campanha efectuada sob minha orientação, ainda na qualidade de Chefe da Brigada do Sul, com equipamento que o SFM tinha adquirido, o qual a BPG se tinha mostrado incapaz de pôr em funcionamento. (ver posts N.ºs 20 e 21)
É de assinalar que a campanha no exterior esteve em risco de ser suspensa, logo no seu início, por dificuldade de obtenção de testemunhos.
A Brigada de Sondagens teve, porém, o mérito de solucionar este problema.
Entretanto, prosseguiam também sondagens na Faixa Carbonífera do Douro, em sucessivas campanhas, por contrato com a empresa belga Foraky, enquanto o Director do SFM não se dispunha a aproveitar a capacidade técnica que a Brigada de Sondagens vinha demonstrando, para adquirir equipamento com possibilidade de realizar furos com comprimentos da ordem dos 800 m.
Após a minha nomeação para chefiar um Serviço de Prospecção Mineira, com âmbito de actuação extensivo a todo o território metropolitano nacional, rapidamente começaram a surgir alvos justificativos de investigação por sondagens, resultantes da aplicação de variados métodos geofísicos e geoquímicos, em áreas previamente seleccionadas, através estudos geológicos pormenorizados.
A Brigada de Sondagens do SFM foi encarregada de dar a natural sequência aos estudos do Serviço de Prospecção e foi desempenhando, na generalidade dos casos, muito satisfatoriamente esse encargo, em cumprimento de projectos devidamente fundamentados.
Foi assim que puderam concretizar-se os êxitos variados, a que já fiz pormenorizada referência.
O Director-Geral de Minas, Soares Carneiro que, no início do seu mandato, não só não interferia na actividade disciplinada que ia decorrendo, como fazia questão de a revelar ao Ministro da tutela para demonstrar a eficácia do Organismo que lhe estava confiado, passou, a partir de determinada data, a encarregar-se de orientar directamente alguns estudos e a criar obstáculos à investigação, por sondagens, dos alvos que o Serviço de Prospecção, a meu cargo, ia definindo.
No post anterior, antecipei que, em matéria de sondagens, tinham sido cometidos pelos “serviços oficiais”, isto é, pela Director-Geral de Minas e pelo Director do Serviço de Fomento Mineiro, actos escandalosos e, até criminosos.
Vou, agora, referir exemplos desses actos (nalguns casos verdadeiramente anedóticos), para os quais, em tempo oportuno, chamei a atenção, em relatórios e, também em exposições ao Governo.
1 - A sondagem do nevoeiro em Caminha.
A seguir, transcrevo o que consta da coluna de Observações da peça desenhada N.º 149 (Log da sondagem N-º 3 da Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima) do “Relatório Circunstanciado”, a que tenho vindo a fazer frequente referência:
“Esta sondagem foi projectada por técnico do concessionário, com autorização do Director do Serviço de Fomento Mineiro, durante curta ausência, no Alentejo, do responsável pelos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima.
Tendo tomado conhecimento, após o meu regresso, de que esta sondagem se encontrava em curso, manifestei ao Director do Serviço a minha total discordância quanto à sua implantação, para a qual não encontrava qualquer justificação técnica ou científica e a minha estupefacção pela indisciplina que representava a sua autorização.
Como reacção recebi a informação de que “as coisas não se passavam como eu julgava”, que “o Director-Geral estava ao corrente”, que “o concessionário também conhecia o jazigo e tinha, portanto, o direito de projectar sondagens!!!!”
Tendo, mais tarde, encontrado casualmente, na mina da Cerdeirinha, o autor do projecto e tendo-lhe perguntado os fundamentos da implantação desta sondagem, foi-me respondido que o furo fora iniciado em local errado, porque, no dia da sua marcação, esteve denso nevoeiro e o alinhamento que traçou, para o efeito, saiu defeituoso".(!!!!!!!)
Esta autêntica anedota foi o primeiro sinal da indisciplina que progressivamente se instalaria, assumindo proporções escandalosas, de verdadeiros crimes.
2- Suspensão de campanha de sondagens na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima
Quando decorria, com normalidade, sob a minha direcção, a investigação, por sondagens, das existências de mineralizações tungstíferas, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, estando projectado o furo N.º 69, com base em pronunciada anomalia magnética, com apoio geológico e geoquímico, fui surpreendido com ordem superior no sentido de ser suspensa a campanha.
Na tentativa de justificar esta inesperada decisão, o Director-Geral Soares Carneiro, convocou-me para participar em reunião, em Lisboa, que teria por objectivo fazer a distribuição das poucas sondas que o SFM possuía, tendo em atenção as prioridades dos programas que as solicitavam.
Também participaram, nessa reunião, além do Engenheiro Múrias de Queiroz , Director do SFM, e do Engenheiro Fernando José da Silva, que pouco tempo antes, assumira a chefia da Brigada de Sondagens, o Geólogo José Goinhas, em representação da 1.ª Brigada de Prospecção, onde também decorriam sondagens e o Engenheiro Francisco Limpo de Faria.
O argumento apresentado para a decisão tomada foi a urgência em investigar um “muito promissor jazigo tungstífero”, que os denominados “scheeliteiros” tinham descoberto em Cravezes, na região de Mogadouro.
Encontrando-se em utilização todas as sondas de que o SFM dispunha, haveria que transferir uma delas, de programa com menor prioridade.
E o programa escolhido foi o que estava a decorrer, a meu cargo, na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima!
Deveras surpreendentes foram declarações produzidas pelo Engenheiro Fernando Silva.
Começou por dizer que tinha sondas em armazém, em tarefas de manutenção, por não lhe terem sido apresentados projectos para pôr em execução!
Assim contradizia, sem disso se ter apercebido, a argumentação do Director-Geral para suspender a campanha a meu cargo. Penso que ignorava esta argumentação, pois não era de esperar que ousasse afrontar o Director-Geral.
De facto, havia projectos, e não só, para a Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima. Também havia, para a Faixa Metalífera da Beira Litoral, há anos aguardando concretização.
Não se tinham apresentado projectos envolvendo muitos furos, porque se usava a boa prática de fazer depender cada novo furo dos resultados do anterior.
Mas era previsível a necessidade de executar campanhas mais ou menos longas, nas diversas áreas onde se registaram extensos alinhamentos de anomalias geofísicas e (ou) geoquímicas.
Quando chamei a atenção para a enorme disparidade entre o rendimento da sonda do SFM que tinha estado a actuar em Caminha, e o rendimento de sondas que actuavam para a Companhia americana Union Carbide, o Engenheiro Fernando Silva só encontrou um comentário: Os americanos eram super-homens! E ninguém contestou tão estranha afirmação!
Não teve o brio nem o zelo que manifestaram os Agentes Técnicos de Engenharia Fernando Macieira e Luís Albuquerque e Castro, que, na década de 40, se não tinham intimidado e conseguiram introduzir a técnica das sondagens no SFM, nem idêntico brio e zelo demonstrado por vários outros técnicos, que foram desenvolvendo o sector das sondagens.
Nem lhe ocorreu seguir o exemplo da minha persistente luta para introduzir as técnicas geofísicas e geoquímicas, cujo sucesso foi de tal ordem, que empresas privadas nacionais ou estrangeiras, passaram a solicitar a colaboração do SFM em trabalhos desta natureza, dando-lhes preferência relativamente às empresas especializadas estrangeiras, por lhes reconhecerem maior qualidade.
Seria natural que um chefe diligente, tivesse manifestado o propósito de providenciar no sentido de o SFM passar a agir com rendimento idêntico ou superior ao que demonstravam os sondadores contratados por Union Carbide.
Mas Fernando Silva, que se declarou ignorante em matéria de sondagens, porque a sua actividade anterior se passara em trabalhos diferentes, ao resignar-se a manter a Brigada que chefiava em tal situação de inferioridade, não se mostrou sequer disposto a aproveitar o mérito dos colaboradores que herdara dos seus antecessores.
Demonstrou, uma vez mais, a mediocridade, de que tinha dado abundantes provas, em vários cargos que ocupara.
A decisão de suspender a campanha de sondagens que decorria na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima foi referida, em relatórios trimestrais e anuais e em outros documentos, como mais uma dificuldade a acrescentar a muitas outras que deliberadamente vinham sendo provocadas ao desempenho das minhas funções, no SFM.
Transcrições parciais desses documentos, constam da “Introdução do Relatório Circunstanciado”, da qual dei directo conhecimento ao Ministro Veiga Simão, com as consequências descritas nos posts N.ºs 164 a 173.
A seguir, reproduzo curtas passagens desses documentos:
a) Na página 7 do Relatório da Actividade do 1.º Serviço durante o ano de 1976:
“Os levantamentos magnéticos e geoquímicos efectuados na zona da Costa das Vinhas, cobrindo o flanco NE da grande estrutura anticlinal, que temos vindo a investigar pormenorizadamente, revelaram diversas anomalias com interesse suficiente para justificarem sondagens.
Dentre estas, destaca-se, junto à Ribeira de S João, a cerca de 400 m a Norte da confluência da Ribeira de Arga com esta Ribeira, uma anomalia magnética de mediana intensidade, com bom apoio geoquímico, registada em ambiente geológico francamente favorável à ocorrência de mineralizações de tungsténio.
Esta anomalia foi seleccionada para implantação da sondagem N.º 69.
Tal sondagem não chegou, porém, a efectuar-se, por superiormente se ter decidido suspender a campanha de sondagens, na Região de Caminha, conforme já referimos.
...
Parece-nos ainda de interesse registar que, no mês de Dezembro, a Companhia americana Union Carbide Exploration Corporation requereu superiormente autorização para estender os seus trabalhos de prospecção e pesquisa a uma área envolvente das concessões de Geomina Limitada, que coincide com aquela onde tem ultimamente incidido a actuação do 1.º Serviço e da qual foi retirada a equipa sondadora, por haver outra zona com maior prioridade para execução de sondagens.
b) De páginas 15 e 16 do Relatório da Actividade do 1.º Serviço, no ano de 1977
"Não podemos ainda deixar de referir um importante êxito obtido pela Companhia americana Union Corporation Exploration Corporation, na área cativa para o Estado que, recentemente lhe foi adjudicada para trabalhos de prospecção, pesquisa e exploração mineira.
Esta Companhia não teve quaisquer dúvidas em transferir imediatamente, uma das sondas que, na região, tem em serviço, para investigar a zona de anomalias magnéticas e geoquímicas que havíamos seleccionado para a implantação da sondagem N.º 69.
Lembramos que, em Setembro de 1976, quando se deveria efectuar este furo, a chamada Comissão de Direcção do Serviço de Fomento Mineiro decidiu retirar a sonda que, há 8 anos, se encontrava em trabalho na região de Caminha, com argumentos inconsistentes, como oportunamente assinalamos, em diversos documentos.
Lembramos também que, num desses documentos, chamamos a atenção para o facto de poucas sondagens se terem efectuado, na Região de Caminha e até em todo o Serviço de Fomento Mineiro, com tão sólidos fundamentos, como a que se projectou com o N.º 69.
Conclui-se que a Comissão dita de Direcção do Serviço de Fomento Mineiro, está pouco interessada em obter êxitos.
Prefere que eles sejam preparados pelos sectores sãos do Serviço, para que outros os concretizem, com a maior das facilidades!
Foi o que aconteceu neste caso.
A Companhia americana, investigando as anomalias definidas pelo Serviço, sem necessidade de proceder a quaisquer outros estudos, intersectou, na sondagem que efectuou, à profundidade de cerca de 50 m, um nível de skarn, com espessura superior a 5 m e com um teor médio de WO3 de 1,5%!
A mineralização, muito semelhante à de Valdarcas, consta de pirrotite maciça, com volframite e scheelite. Nalgumas zonas, ocorre, ainda, a calcopirite, em relativa abundância.”
Este resultado, francamente positivo, encorajou Union Carbide a efectuar várias outras sondagens, com as quais definiu reservas justificativas de futura exploração. Requereu e obteve a respectiva concessão, a que deu o nome de Telheiras.
Com estas novas reservas, aproximou-se significativamente do total de 1 milhão de toneladas com o teor médio de 0,8%, disperso por várias parcelas, que considerava necessário para passar à fase de exploração.
Todavia, uma acentuada baixa de cotação do tungsténio, provocada pela China, tornou anti-económica a exploração de numerosas minas, a nível mundial.
Por esse motivo, Union Carbide decidiu abandonar o seu projecto de Covas. (ver posts N.ºs 148 e 149)
Por minha indicação e não porque tal formalidade constasse de contrato com o Estado, Union Carbide entregou vasta documentação, que eu tencionava usar para reprogramar os estudos na Região, tendo em consideração estes novos dados.
Foi, porém, grande a minha surpresa, ao verificar que esta documentação me foi deliberadamente ocultada e que se tinham intrometido nos estudos da Região, como se nada mais houvesse a fazer no SFM, o Engenheiro Reynaud, recém-admitido, com a categoria de Director de Serviço (!) e um Engenheiro de nome Gonzalez, que não cheguei a conhecer, mas que soube ter vindo, por diversas vezes, clandestinamente, retirar testemunhos das sondagens do SFM, sem que eu chegasse a saber o que deles fazia.
Quando, em 2-2-84, me desloquei a Lisboa, convocado pelo Director do SFM, para análise do projecto de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, e este Director não pôde comparecer, por se ter declarado “doente”, enquanto se aguardava o seu restabelecimento, o Engenheiro Reynaud, quis demonstrar os seus talentos, explicando-me novo cálculo de reservas que fizera, para a zona de Telheiras, com o propósito de aperfeiçoar a avaliação feita por Union Carbide, com base nos resultados das sondagens que projectara e fizera executar.
Registo que Telheiras era a zona onde eu projectara a sondagem N.º 69.
Não atribuí, obviamente, qualquer mérito a esta reavaliação, que considerei despropositada e um simples trabalho académico.
Não compreendia que Reynaud tivesse aceite os locais de implantação das sondagens, o exame dos testemunhos, as amostragens e os resultados das análises e só pusesse em dúvida a avaliação das reservas feita por técnicos directamente envolvidos no projecto.
A decisão dos dirigentes de não executar esta sondagem marcou o fim da campanha de sondagens na Região, sob a minha orientação!!!
Lembro que, a este respeito, escrevi no post N.º 156.
Reynaud aproveitou a oportunidade para falar de um relatório, que disse estar a elaborar, sobre as minas de Covas, com base nos dados de Union Carbide!!!!
Propunha-se racionalizar o aproveitamento do jazigo, promovendo a integração das concessões numa única entidade exploradora.
…
Parecia-me muito estranho que Reynaud nada revelasse sobre actividade própria, não parasitária, que estivesse a desempenhar, em cumprimento dos programas do SFM, sabendo-se quão atrasado se encontrava o estudo de muitas outras áreas do País, com grandes potencialidades para a ocorrência de minérios vários, e estivesse a intrometer-se no projecto de Caminha, sem nunca lá ter efectuado qualquer trabalho e sem ter demonstrado sequer ter percebido o significado dos resultados das técnicas que lá se aplicavam.
Tomava a sua exposição como um exercício académico, procurando a aprovação do professor.
Nesta atitude, comentei que o seu conhecimento era muito incompleto, que não bastaria usar documentos de outros, que era necessário um conhecimento mais real, que só a presença nas minas, no terreno, facultaria.
Além disso, não era de técnico com a sua formação e mantendo a sua residência no Sul, que o projecto de Caminha estava necessitado. Até Daniel percebera ser no domínio da geologia estrutural que maior carência se notava, apesar dos progressos conseguidos pelos cerca de 20 Geólogos que haviam passado pela Union Carbide.
A deslocação da sonda, para a região de Mogadouro, redundou num dos maiores “fiascos” registados no SFM.
O Director-Geral de Minas, Soares Carneiro, que tinha passado 20 anos no Norte, principalmente em serviços de fiscalização de minas de estanho e volfrâmio, afinal ignorava a propriedade da scheelite, de se tornar fluorescente, quando sobre ela incide radiação de determinado comprimento de onda.
Ao aperceber-se de que eu vinha obtendo êxitos, ao fazer uso desta propriedade, no conjunto de técnicas visando a descoberta de novas ocorrências tungstíferas na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha – Ponte de Lima, aplicando um velho “mineralight” que trouxera do Alentejo, logo pensou que também ele poderia chegar às grandes descobertas, se tirasse partido dessa propriedade.
A scheelite não se distingue facilmente, à simples observação visual, de um conjunto de minerais estéreis, entre os quais pode ocorrer disseminada.
Uma campanha de prospecção apoiada simplesmente no uso de um “mineralight”, sem necessidade de aplicação de outras técnicas mais sofisticadas, poderia conduzir a espectaculares descobertas, as “Torres dos Clérigos”, como gostava de as designar, em reuniões da Comissão de Fomento. (Ver post N.º 56)
Nestas reuniões, estava sempre presente o Director do SFM, Múrias de Queiroz, que apoiava, sem discussão, todas as decisões de Soares Carneiro.
Tão confiante se mostrara no êxito da campanha, que não hesitou, em destacar, para sua execução, 10 funcionários da sede do SFM, aos quais adicionaria trabalhadores localmente recrutados.
Da Ordem de Serviço N.º 18/75 (Ver post N.º 106), constam os seguintes, que constituíam o denominado “Grupo de Trabalho do Tungsténio”:
Três Geólogos (Santos Oliveira, Francisco Viegas e Farinha Ramos), um prospector, um auxiliar de prospecção, um ajudante de preparador, um ajudante de Laboratório, dois motoristas, um jornaleiro, diverso pessoal eventual a contratar nos locais de trabalho.
É elucidativa o confronto com o núcleo sediado em Caminha, constituído apenas por 4 a 5 funcionários, actuando sob a minha direcção e com a minha participação, os quais tinham sido admitidos nos locais de trabalho, apenas com a instrução primária e tinham adquirido, por meu intermédio, preparação nas técnicas que estavam a ser aplicadas.
À acção deste núcleo se ficou devendo a continuidade da exploração nas Minas de Valdarcas, Fervença e Cerdeirinha e a introdução de Union Carbide na Região.
O denominado “Grupo de Trabalho do Tungsténio” actuou, durante anos, sob a orientação do Director-Geral, em áreas de Mogadouro, Tarouca, Freixo de Numão e Lagoaça.
Foi em Cravezes, na região de Mogadouro, que declarou ter descoberto “ um muito promissor jazigo”, a exigir imediata investigação por sondagens, assumindo estas, tal prioridade, que se justificaria, para as efectuar, retirar a sonda que se encontrava a cumprir campanha na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima.
Isto acontecia, quando estava projectado o furo N.º 69, que tinha óptimo apoio geológico, geofísico e geoquímico, como realcei anteriormente!
Esta descoberta de Cravezes começou por ser apresentada como um grande sucesso dos “scheeliteiros”, mas a realidade acabou por surgir, com toda a crueza. Os teores de WO3, quer em trabalhos à superfície, quer nas sondagens, eram insignificantes, muito longe de permitirem exploração remuneradora.
Não se estava, de facto, em presença de”jazigo”, mas de simples ocorrência de scheelite em rochas classificadas como calco-silicatadas, que deveria ter sido objecto de cuidadosa análise, por estudos de geologia estrutural, geofísicos e geoquímicos, a fim de serem seleccionados alvos realmente dignos de investigação por sondagens.
Os “sheeeliteiros” pretenderam despertar o interesse da Companhia americana Union Carbide que actuava na Região de Covas.
Todavia, o dirigente desta Companhia, Bobby Glenn Cahoon, falando comigo, a este respeito, comentou que o propagandeado minério de Cravezes tinha teor de WO3 inferior ao do estéril da lavaria que funcionava na Mina de Valdarcas.
Procurou também despertar o interesse da Companhia Billinton, que então se encontrava no País a realizar trabalhos de prospecção, em outras áreas.
Conforme revelei no post Nº 114, o scheeliteiro Luís Viegas, quando se propunha fazer a apresentação da Mina à Billinton, não foi capaz de informar a localização dos furos de sonda que tinham sido efectuados, limitando-se a dizer que se situavam junto a umas oliveiras, que eram as árvores que mais abundavam na região.
Também não pôde mostrar os logs das sondagens, por não terem sido feitos. Não soube indicar onde se encontravam os respectivos testemunhos.
E não existiam relatórios finais dos estudos que realizaram!!!
E eram estes “sábios prospectores” que se propunham tomar conta dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira – Ponte de Lima!! (ver post N.º 114)
É oportuno registar que todas as sondagens efectuadas na Região de Vila Nova de Cerveira - Caninha - Ponte de Lima se encontram pormenorizadas descritas em logs, dos quais consta, para cada uma:
a) No rosto
Coordenadas do furo, no sistema Hayford-Gauss, em relação ao Ponto Central, aproximadas ao centímetro, calculadas através de levantamento topográfico propositadamente efectuado; altitude da origem; direcção inicial; pendor inicial; sonda utilizada; data do início; data da conclusão; diâmetros dos testemunhos; legenda das formações atravessadas; principais resultados.
b) Ao longo de várias colunas do log, à escala de 1:100:
Percentagem de testemunhos; distâncias à origem; orientação do furo (rumo e pendor ao longo do furo); formações atravessadas (representação colorida e descrição pormenorizada); densidades; susceptibilidades magnéticas; análises químicas (WO3, Au e Ag); observações.
Estes logs e perfis geológicos passando pelas sondagens constituem as peças desenhadas N.ºs 146 a 246 do “Relatório circunstanciado”. (ver post N.º 158)
Continua …
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