quarta-feira, 26 de abril de 2017

56 A – 13.ª parte – Continuação 4


Correspondendo ao convite da Direcção do Departamento de Mineralogia e Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, para instituir, no âmbito do Departamento, um novo Curso de Prospecção Mineira, beneficiando de contribuição financeira do Fundo Social Europeu da OCDE, entreguei, em 17-2-1987, documento de 11 páginas dactilografadas a um espaço, contendo as minhas sugestões no sentido de o Curso ter a eficácia pretendida.

A seguir apresento um extracto do capítulo “Resumo e conclusões”, inserido nas páginas 9 a 11:

1 – Deve aproveitar-se a oportunidade para criar, no Departamento, uma linha de investigação, em domínios da Prospecção Mineira e para preparar a execução de trabalhos para autarquias e empresas privadas (mineiras ou não), no âmbito da PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE.

2 – Face à quase total carência de equipamentos de prospecção mineira e afins, no Departamento, deve proceder-se às aquisições consideradas indispensáveis.
Consultadas várias firmas, nacionais e estrangeiras, seleccionei os equipamentos que, a seguir, indico, com os respectivos custos aproximados:
2.1 – Propostos por firmas nacionais
Material de topografia 1 192 296$
Material de resistividade eléctrica 2 388 614$
Soma 4 580 910$

2.2 - Propostos por firmas estrangeira
1 gravímetro 4 549 375$
1 magnetómetro 920 750$
1 equipamento electromagnético 980 000$
1 equipamento sísmico 800 000$
1 equipamento radiométrico 420 000$
1 equipamento para investigações laboratoriais 2 400 000$
Soma 10 070 125$

2.3 – 1 viatura”Todo o Terreno” 2 000 000$

2.4 – Material e despesas diversas (Osciloscópio, materiais de consumo, despesas de deslocação e estadia no estrangeiro, etc).
Estimativa grosseira 3 000 000$
A aquisição de material de Laboratório deve ficar dependente da sua prévia observação, na origem, em Inglaterra, se possível em trabalho, aproveitando a sugestão da empresa fabricante.
Outro material, agora não considerado, poderá vir a justificar-se, dependendo de um melhor conhecimento das suas características, através da sua observação em trabalho no campo, aproveitando a circunstância de já existirem unidades no País, numa Organização estatal.
Deve procurar-se isenção de direitos aduaneiros, para este material, dados os fins a que se destina.

3 – Deve prever-se uma SALA-LABORATÓRIO, não só para acondicionamento de todos os equipamentos, quando não estejam em uso, mas também para as montagens necessárias às aulas práticas e aos trabalhos de investigação.

4 – Devem ser destacados, numa fase inicial, dois docentes, para o sector de PROSPECÇÃO MINEIRA, aos quais competirá especializarem-se em MINERALOMETRIA, ELECTRÓNICA e INFORMÁTICA e prepararem-se para a minha substituição nas cadeiras de PROSPECÇÃO, quando tal se impuser.

5 – Deve procurar-se que os trabalhos de prospecção, visando quer o ensino, quer a investigação científica aplicada, se integrem em programas de prospecção de âmbito nacional.
Reitera-se a sugestão de aproveitar a estrutura do actual Serviço de Fomento Mineiro (ou do Instituto de Investigação que vier a substituir este Organismo), oferecendo-lhe colaboração técnica, em pessoal e em equipamentos, na campanha de prospecção, em curso na REGIÃO DE VILA NOVA DE CERVEIRA – CAMINHA - PONTE DE LIMA, com o objectivo fundamental de descobrir concentrações de minérios tungstíferos.

6 – Deve procurar-se o incremento da colaboração com outras instituições universitárias, sobretudo do Norte do País

7 – Na hipótese de se tornar inviável a contribuição financeira da C.E.E., considero este tema de tal importância que se justificaria a procura de soluções alternativas.
Talvez o Instituto Nacional de Investigação Científica e a Fundação Calouste Gulbenkian pudessem prestar alguma colaboração.
Seria também de considerar a colaboração de grandes Empresas mineiras, não fora a grave crise que, presentemente, afecta quase todas.
No entanto, não seria descabida uma consulta à SOMINCOR, já que esta Empresa é consequência directa das actividades sistemáticas do Serviço de Fomento Mineiro, durante dezenas de ano.

A este longo documento, anexei um quadro-resumo das 25 firmas consultadas e dos elementos principais das respostas recebidas.
Anexei, também um volume contendo os ofícios enviados e as propostas recebidas, acompanhadas de catálogos e outros documentos.
Qual foi, então, o resultado do meu esforço despendido, para corresponder ao convite de instituir um novo Curso de Prospecção Mineira, para cuja plena eficiência me foi prometida a verba de 30 000 contos, destinada à aquisição inicial de equipamentos indispensáveis?
Foi mais uma desconsideração, a adicionar a outras anteriores! Nem uma resposta me foi dada!!!!
Assim se goraram as minhas expectativas de poder continuar, pela via universitária, a contribuir para o racional aproveitamento dos nossos preciosos recursos minerais.
Sei apenas que, com uso de verbas disponibilizadas pelo Fundo Social Europeu da C.E.E., foi adquirido um jeep, para as deslocações de pessoal do Departamento.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

56 A – 13.ª parte- Continuação 3



XLV –A minha proposta de instituição de um Centro de Investigação em Prospecção Mineira, no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, vocacionado para prestar serviços à comunidade, começando pela imediata retoma dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira-Caminha-Ponte de Lima


Soares Carneiro faltou ao compromisso, que assumira, de nomear Múrias de Queiroz, para o cargo de Director do SFM, a título meramente transitório.

A evolução, que eu vinha observando, de privilegiar os seus interesses pessoais, desrespeitando o juramento que fizera, pela sua honra, de cumprir, com lealdade as funções que lhe tinham sido confiadas, induzia-me a duvidar da credibilidade das suas afirmações.

De facto, para os seus interesses, até se tornou vantajosa a presença de Múrias de Queiroz nesse cargo, perante a humilhação a que ele se sujeitou, ao aceitar escrever carta, que lhe foi imposta,
solicitando a nomeação.

Múrias não tivera pudor em declarar que precisava de melhor remuneração, para fazer face às despesas com sua prole!!!

O Secretário de Estado, Edgar de Oliveira, ex-confrade de Múrias de Queiroz, na organização de tipo fascista JUC (Juventude Universitária Católica), já havia indicado a Soares Carneiro, aquela nomeação.

Mas Soares Carneiro ia adiando, o que se explicaria com algum escrúpulo pelos previsíveis prejuízos para o País, de tal perversidade.

Múrias de Queiroz, uma vez nomeado, não tardou, de facto, a exercer o poder do modo expectável do seu mesquinho carácter.

Fanático por futebol, a ponto de se empolgar recordando insignificantes pormenores de jogos de recuados tempos, desprezou o princípio, muitas vezes invocado, de que “em equipa que ganha, não se
mexe”.

A sua primeira acção foi destruir as equipas, que eu tinha laboriosamente organizado, no Sul do País, com pessoal adestrado nas técnicas adequadas à execução das tarefas inerentes às funções, em que
eu tinha sido investido.

Essas equipas eram responsáveis pelos mais importantes estudos de toda a DGMSG, os quais até já tinham conduzido a êxitos, como nunca antes haviam sido registados.

Múrias foi, durante 15 anos (!), sobretudo um burocrata, pois Soares Carneiro decidiu assumir as funções técnicas, apesar da sua nula experiência, em fases fundamentais da prospecção mineira!

Conforme já descrevi, ambos deram substancial contributo para a destruição do SFM.

Os dirigentes que lhes sucederam (o senil subserviente Jorge Gouveia, o tresloucado e cobarde Fernando Daniel, o oportunista arrogante Alcides Rodrigues Pereira, o astucioso convencido Luís
Costa, e os respectivos sequazes), deram continuidade a estas práticas destrutivas, daí resultando decadência, quase até à extinção, de um Organismo que chegara a ser citado, a nível internacional, como exemplo a seguir, pela eficaz organização de sectores que tinham resistido às acções obstrutivas.

Após a Revolução de Abril de 1974, os funcionários foram, na sua generalidade, convidados a contribuir para a Reestruturação da DGMSG, pois tal era sistematicamente referido como indispensável.

A minha contribuição, em longo documento, foi no sentido de transformar o SFM em Instituto Geológico e Mineiro, com muito mais vasto âmbito de actuação e com categoria hierárquica equivalente a Direcção-Geral, portanto independente da Direcção-Geral de Minas.

Tal proposta, pela sua novidade, teve rejeição da totalidade dos funcionários.

Foi na fase mais decadente do SFM (o regabofe a que tenho aludido), que se recuperou essa ideia. Porém, o suposto novo Organismo não passou de um arremedo do que eu tinha pretendido.

No Sul do País, a grande dimensão da 1.ª Brigada de Prospecção, que eu lá tinha organizado, e de cuja chefia fui afastado, em uso criminoso das liberdades conquistadas pela Revolução de 1974, não facilitava rápida extinção.

Até Gouveia comentara que, lá andavam a inventar trabalho, para tanto pessoal. A isto respondi que, durante a minha chefia, esse pessoal nem metade do que eu projectava conseguia cumprir.

Recordo, uma vez mais, que foi de trabalho por mim projectado e dirigido que resultou a descoberta do gigantesco jazigo de Neves-Corvo, cuja história descrevi, em posts anteriores, corrigindo erros crassos de artigos publicados, um dos quais por oportunista (Delfim de Carvalho) que nada teve a ver com a descoberta.

O facto de os traidores responsáveis pelo meu afastamento da chefia da Brigada terem ousado promover a publicação de artigo acerca de “sensacional descoberta, na região de Alcácer do Sal, com desonestas interpretações das técnicas de prospecção aplicadas, suscitou-me fortes dúvidas sobre a qualidade dos estudos que lá prosseguiam.

O último núcleo do SFM, com actividade racional, a ser destruído, foi a que se empenhava em campanha se investigação mineira, na Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima, a qual eu costumava utilizar, também, para aulas práticas da disciplina de Prospecção Mineira, na qualidade de Professor Convidado das Universidades de Porto (Faculdades de Ciências e de Engenharia), Aveiro e Braga.

Aconteceu, então, algo que me fez renascer a esperança de poder, através das instituições universitárias, promover os estudos, com carácter científico, essenciais ao inventário e ao bom aproveitamento dos recursos minerais do País, previstos no Decreto-lei de 1939, que instituiu o SFM.

Curiosamente, enquanto o SFM entrava em profunda decadência, transformando-se em refúgio de parasitas, que se aproveitavam de êxitos de estudos por mim projectados e dirigidos, para convencerem os sucessivos Governos, da utilidade da manutenção deste Organismo, era a OCDE a demonstrar nova preocupação com a escassez de matérias-primas nos territórios dos países seus constituintes.

Recordo anteriores diligências no mesmo sentido, na primeira das quais eu fui, em 1961, designado representante de Portugal, em Grupo de Trabalho constituído na CEE, sobre “Métodos modernos de prospecção mineira (Ver post N.º 22).

Posteriormente, ministrei Cursos de Prospectores, financiados pela OCDE, através da Faculdade de Ciências do Porto (Ver post N: º120)

E, por último, em 1986-87, fui convidado pela Direcção do Departamento de Mineralogia e Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, a organizar um Curso de Prospecção Mineira, com contribuição financeira do Fundo Social Europeu da OCDE.

Fui, então, oralmente informado de que me seria facultada, por esse Fundo, a importância de 30 000 contos, para uma primeira aquisição de equipamentos essenciais às aulas do Curso.

Com base nesta informação, fiz as diligências necessárias para conseguir os equipamentos de mais premente necessidade, delas resultando proposta que apresentei em 17-2-1987.

Essa proposta e a sua sequência serão tema do próximo post.
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sábado, 7 de maio de 2016

56 A- 13ª parte. Continuação 2



XLV –A minha proposta de instituição de um Centro de Investigação em Prospecção Mineira, no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, vocacionado para prestar serviços à comunidade, começando pela imediata retoma dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de  Lima

Quando, em obediência a ordem do Director do SFM, extingui a Secção de Cercal – Odemira, quase todos os trabalhadores, que nesta Secção actuavam, foram dispensados.

Apenas os que tinham atingido significativo grau de especialização foram transferidos para as Secções de Castro Verde e de Moura da Brigada do Sul, passando esta última Secção a abranger também a Região de Barrancos, pelo que passou a designar-se por “Secção de Moura e Barrancos”.

Na região de Barrancos, são numerosos os sistemas filonianos com mineralização cuprífera, que lá ocorrem.

Dentre eles, destaca-se o de Aparis.

Nele fiz incidir investigações por variadas técnicas, com realce para trabalhos mineiros, que atingindo profundidade de 150 m abaixo da superfície, definiram valiosas reservas certas.

Empresa nacional, adrede constituída, fez a exploração da parcela mais rica, em circunstâncias descritas no post N.º 48.

Este invulgar desenvolvimento de trabalhos mineiros não parecia do agrado de Guimarães dos Santos, perante o contraste com a quase nula actividade mineira do SFM, no Norte e no Centro do País.

Eu estranhava que, ao contrário do seu antecessor, pouco se interessasse em observar “in loco” os trabalhos da Brigada do Sul, sob minha orientação.

E estranhei ainda mais, os surpreendentes reparos quanto a “luxuosas instalações para uma Brigada de campo”, quando notou uma eficaz organização da sede da Brigada, numa das suas raras visitas.

Consciente da utilidade de divulgar a qualidade dos estudos em Aparis, apresentei, em colaboração com os Agentes Técnicos de Engenharia João de Oliveira Barros e Carlos de Araújo, 3 desenvolvidos relatórios respeitantes a dois períodos de actividade mineira e à aplicação do método electromagnético Turam, todos preparados para publicação.

Mas Guimarães dos Santos, mais uma vez, optou, por manter ocultos, os sucessos do SFM, nos quais eu me encontrasse envolvido.

Aparis era, então, de longe, o mais importante núcleo de actividades do SFM.

Pessoal, a variados níveis, adquiriu ou aperfeiçoou, ali, a sua formação, essencialmente em Trabalhos Mineiros tradicionais, ao desempenhar as respectivas funções durante mais de uma dezena de anos.

Com a minha obstinada atitude de formar especialistas, cheguei a propor que a Mina de Aparis, perante as excepcionais condições que reunia, fosse usada como Mina – Escola, não só para pós-graduação dos futuros candidatos a ingresso no SFM, mas também para ensaio dos novos equipamentos que fossem surgindo no mercado.

Mas Guimarães dos Santos não dava importância à formação profissional, parecendo sentir-se mais à vontade com pessoal pouco adestrado, em confirmação do antigo aforismo “Similes cum similibus facile congregantur”

A nomeação do Eng.º Fernando José da Silva, que estava integrado na Brigada do Sul, para a chefia da Brigada de Prospecção Geofísica (BPG), quando faleceu Mateus de La Cueva Couto, é disso um exemplo bem representativo.

La Cueva Couto, na fase final da sua vida, tomara verdadeira consciência da nefasta influência que, sobre ele, estavam exercendo colegas improdutivos, instalados na sede do SFM.

Não tendo formação em métodos geofísicos, de modo a poder desempenhar, com eficácia, as funções de Chefe da BPG, que lhe competiam, entrara, nesta fase final, em boa colaboração comigo, acolhendo, de bom grado, as sugestões que eu lhe fazia, fundamentadas na minha muito maior experiência, adquirida na antiga Brigada de Prospecção Eléctrica.

Foi nesta fase que consegui, após persistência de 10 anos, que fosse introduzida a gravimetria, no âmbito das actividades normais do SFM (Ver post N.º14)

Fiquei profundamente indignado pelo ultraje que representou aquela nomeação, porquanto, em conformidade com sugestões reiteradamente feitas em relatórios e em planos de trabalhos, seria de esperar que a Brigada do Sul adicionasse às suas atribuições os estudos de que se ocupava a denominada Brigada de Prospecção Geofísica, sendo certo que a Brigada do Sul, tinha já sob sua responsabilidade o método electromagnético Turam, isto é, mais de 90% da actividade geofísica decorrente no Sul do País.

Em exposições, para o Director do SFM e para o Director-Geral, reagi vigorosamente, declarando ilegal e contrária ao interesse do SFM esta nomeação (Ver post N.º 221)

Com extrema estupefacção, recebi de colega amigo, sediado em Lisboa, recado a avisar-me das possíveis más consequências do meu “atrevimento” e chamando a atenção para disposições legais, declarando que “os chefes têm sempre razão”!!!

Obviamente que me não deixei intimidar, pois tinha esperança de que Castro e Solla, mais uma vez usasse da sua diplomacia, para anular tão insensata ordem.

Porém, Castro e Solla, inesperadamente, decidiu abdicar das funções de Director-Geral (Ver Post N.º 25) e Soares Carneiro, que o substituiu, rapidamente evidenciou maior preocupação com os seus interesses pessoais que com o interesse do País.

Sem respeito pelo aperfeiçoamento do pessoal, a diferentes níveis, que eu me esforçava por conseguir, para poderem cumprir-se, cabalmente, os objectivos do SFM, manteve a ordem de Guimarães dos Santos.

Porém, Silva, poucos meses permaneceu no cargo.

Apesar desta curta presença, não desperdiçou a oportunidade de deixar a marca negativa que costumava imprimir ao desempenho das funções, que lhe eram atribuídas.

Soares Carneiro iria, porém, demonstrar, no preenchimento de cargos importantes para a economia nacional, de modo muito mais notório, a sua preferência por técnicos claramente alinhados com o regime político vigente, a técnicos com exemplar currículo profissional.

Um novo acontecimento imprevisto veio alterar profundamente a organização do SFM, com reflexos de vária ordem.

Também Guimarães dos Santos aproveitou vaga de Inspector Superior, ocorrida por aposentação de anterior titular, para concorrer ao seu preenchimento, assim se libertando do fardo que já estavam a representar as funções de Director do SFM, pelo desempenho das quais nunca demonstrou o mínimo entusiasmo

Para o preenchimento da vaga deixada por Guimarães dos Santos, Soares Carneiro, induzido por um Secretário de Estado oriundo da JUC (Juventude Universitária Católica, que era Organismo do Estado Novo), nomeou Norberto Afonso Múrias de Queiroz, ex- confrade do Secretário naquele Organismo, nas circunstâncias descritas no post N.º 25.

Esta nomeação era tão destituída de fundamento que Soares Carneiro sentiu necessidade de me explicar a sua causa, declarando-me que se tratava de uma decisão transitória, pois ele tinha a consciência de que seria eu o técnico competente para desempenhar o cargo, tal como já havia reconhecido o seu antecessor Castro e Solla.

Continua…

sexta-feira, 8 de abril de 2016

56 A – 13.ª parte- Continuação 1

            XLV –A minha proposta de instituição de um Centro de Investigação em Prospecção Mineira, no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, vocacionado para prestar serviços à comunidade, começando pela imediata retoma dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima

Tenho vindo a dar o devido relevo às diligências da CEE, em diferentes épocas, no sentido de facilitar a adopção de medidas conducentes a um racional aproveitamento dos recursos minerais existentes nos países seus constituintes, ao mesmo tempo que acentuo o contraste com deliberações, em sentido oposto, de portugueses investidos em altos cargos directivos, que ocasionaram a progressiva extinção de importantes núcleos de actividade do Serviço de Fomento Mineiro (SFM) da Direcção-Geral de Minas e dos Serviços Geológicos (DGMSG).

Foram responsáveis por tais deliberações, Engenheiros e Geólogos, inexperientes em prospecção mineira, que conseguiram apropriar-se de cargos directivos, através de estratagemas, aos quais nem faltou descarada ostentação de currículo falso (Ver 5.ª parte deste post), tudo isto agravado pelo “regabofe” subsequente à Revolução de Abril de 1974 (Ver posts N.ºs 126 e 127).

Tão ignorantes, quanto arrogantes, na tomada de decisões erradas, estes reais criminosos, sem respeitarem as determinações reiteradamente expressas no Decreto-lei N:º 29725 de 1939, foram originando a sucessiva eliminação de núcleos que, em certos casos, tinham atingido notável capacidade técnica.

O primeiro Director do SFM, o Engenheiro António Bernardo Ferreira, tinha criado esses núcleos, nas principais zonas mineiras, de Norte a Sul do território continental português, confiante de que o pessoal técnico para eles destacado teria, no decurso do tempo, o voluntarismo de evoluir, da sua formação académica de base, até níveis que lhe permitissem resolver, correctamente, os complexos problemas que inevitavelmente iriam enfrentar.
Bernardo Ferreira não hesitou mesmo em recorrer a empresas estrangeiras, para facilitar essa evolução, introduzindo as mais modernas técnicas, então conhecidas.
Infelizmente Bernardo Ferreira faleceu em 1947.
Todos os dirigentes, que lhe sucederam, revelaram espantosa mediocridade para o exercício de tão importante cargo.
O segundo Director, o Engenheiro Guimarães dos Santos, cedo demonstrou preocupação em dar por findos estudos iniciados na vigência directiva de Bernardo Ferreira.
Em sua opinião. os estudos no terreno, deveriam ter curta duração.
E, curiosamente, exprimia o parecer de que não deveríamos ter a pretensão de “tudo” descobrir! Algo deveríamos deixar para as gerações vindouras!!!

Ele não tinha o elementar cuidado de se actualizar, tomando conhecimento do que se publicava.
Se consultasse os livros e os artigos que se editavam, constataria que uma das principais características da prospecção é o seu período de gestação, sobretudo a nível estatal, podendo necessitar-se de alongamentos por 10, 20, 30 ou mesmo 50 anos, para se obterem resultados positivos, que serão sempre compensadores dos investimentos, se bem orientados.
Exigia relatórios finais, em vez de relatórios de fases de estudo completadas, cujos resultados mereciam divulgação, não impondo necessariamente a extinção dos núcleos que tinham sido instituídos, para permitir esses estudos.

Foi assim que mandou terminar a campanha de prospecção na Faixa Piritosa Alentejana, quando nem sequer o levantamento pelo método electromagnético Turam, da responsabilidade da Empresa sueca ABEM, tinha abrangido todas as áreas potenciais definidas pelo levantamento litológico que eu tinha sugerido e que dera origem, para sua execução, à 1.ª Brigada de Levantamentos Litológicos.

Os primeiros grandes sucessos do SFM tiveram origem nas iniciativas de Bernardo Ferreira.

Fora, de facto, em investigação de forte anomalia registada pelo método electromagnético Turam que se descobrira importante concentração de minério piritoso em Aljustrel.

Este resultado foi inserido em artigo, de minha autoria, publicado na Revista do SFM, intitulado “Prospecção de Pirites no Baixo Alentejo”, no qual exprimi o parecer de que o estudo da Faixa Piritosa estava apenas na sua fase inicial, muito havendo ainda a investigar por outras técnicas, com especial relevância para a gravimetria.

Um extracto desse artigo, limitado à descoberta em Aljustrel foi, depois, objecto de novo artigo também de minha autoria, que fui convidado a elaborar, pela Direcção da EAEG (European Association of Exploration Geophysicists), para ser inserido em publicação destinada a divulgar, internacionalmente, os maiores êxitos da aplicação de métodos geofísicos, em determinado período.

A Guimarães dos Santos, também não interessava a investigação, por técnicas apropriadas, de potencialidades, antes insuspeitadas, que os estudos, criteriosamente conduzidos, iam revelando, em áreas inicialmente seleccionadas para pesquisas por sanjas, galerias, poços.

Era óbvio que haveria de se regressar a essas zonas precipitadamente abandonadas, para investigar todas as potencialidades, que se iam revelando.
Mas como já disse, para Guimarães dos Santos métodos diferentes dos tradicionais trabalhos mineiros, só no Sul tinham cabimento!

Foi assim que eu também fui intimado a dar por findo o estudo dos jazigos ferro-manganíferos da Região de Cercal – Odemira, com o argumento de já se prolongar por 14 anos.

A grande maioria dos trabalhos decorrera, durante os últimos 7 anos, sob minha directa orientação, tendo para tal contribuído a possibilidade que me foi proporcionada de usar óptimo equipamento, gratuitamente posto à disposição do SFM, ao abrigo do Plano Marshall.

A muito custo, ainda consegui autorização para concluir o levantamento geológico de uma área de 399 km2, abrangendo a totalidade das ocorrências conhecidas de minérios de ferro e manganés.
Apresentei o relatório respectivo, em 4 exemplares. cada um com 4 grossos volumes (enviados para Direcção do SFM em S. Mamede de Infesta, para a sede da DGMSG em Lisboa, para o arquivo da sede da Brigada do Sul em Bela, ficando eu com o 5.º exemplar).

Neste volumoso relatório, corrigi erros grosseiros de anteriores publicações do SFM, não detectados, em prévia apreciação feita pelo Conselho Superior de Minas.
Estas anteriores publicações, subscritas por um Engenheiro de Minas, um Geólogo e vários Agentes Técnicos de Engenharia, estavam totalmente erradas, nas referências geológicas e até continham grosseiro erro topográfico, mas mereceram elogio da “Brigada do Reumático” em que se convertera o Conselho Superior de Minas.

 Tão extraordinário elogio originou promoção do Engenheiro, coautor dos erros grosseiros que eu corrigi!!
E foi assim, que tamanho ignorante em Geologia e em Topografia me ultrapassou na classificação no Quadro da DGMSG, chegando, com base na posição hierárquica conquistada, a dar-me ordens, muitas vezes despropositadas!!!

Eu estava convencido de que o meu relatório seria publicado, como era regra instituída. (Ver post Nº 205)
Tal não aconteceu, porém, com o falacioso argumento de que seria muito dispendiosa a sua publicação.
Outras matérias, apresentadas em grosso volume, como por exemplo, o Catálogo das Minas de ferro do Continente, de inferior mérito, por não representarem trabalho original, tiveram honras de figurar na Série “Relatórios” do SFM.
O mesmo viria a acontecer com a maioria dos outros relatórios de minha autoria, conforme já tenho assinalado.

Mas Guimarães dos Santos, que nunca se libertara das características burocráticas herdadas da sua passagem pela sede da DGMSG em Lisboa, chamou para seus mais directos colaboradores, os então jovens Engenheiros Múrias de Queiroz e Orlando Cardoso que, durante a vigência directiva de Bernardo Ferreira, pouco ou nada de útil tinham produzido

Isto contribuiu, muito significativamente, para o completo falhanço da maioria dos estudos realizados, durante o seu mandato, nas zonas Norte e Centro do País.

Mas havia também os Agentes Técnicos de Engenharia, Fernando Macieira e Luís de Albuquerque e Castro, dotados de grande capacidade organizativa, que Bernardo Ferreira tinha destacado da sede em Lisboa, para seus directos colaboradores e Guimarães dos Santos não desdenhou mantê-los nas funções que antes bem desempenhavam.

Uma dessas funções era a preparação dos relatórios da actividade do SFM, da qual se encarregava Fernando Macieira, compilando os principais dados constantes dos relatórios dos diferentes núcleos do SFM (no terreno e nos laboratórios).

Estes relatórios da actividade total do SFM eram, depois, publicados na Revista, “Estudos, Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento Mineiro”, que tinha sido criada por iniciativa do colaborador Cotelo Neiva.

Da actividade descrita, destacava-se sempre o que acontecia na Brigada do Sul, sendo obviamente omitidos os meus comentários aos obstáculos introduzidos pelo Director e pelos seus colaboradores, que podiam integrar-se no velho aforismo “dividir para governar”.

Era este realmente, o resultado da criação de Brigadas ditas especializadas, que se revelaram verdadeiras anedotas, por terem sido confiadas a técnicos sem a preparação adequada ao desempenho das funções que lhes foram atribuídas.
Quem hoje quiser saber o que foi feito, nesta Região de Cercal – Odemira, pode, pelo menos, consultar estes relatórios da actividade do SFM.

Perante o regabofe a que esteve sujeito o SFM, não me admiraria se o meu relatório de Cercal-Odemira tivesse sido destruído.

Fica aqui, para tal eventualidade, a informação de que conservo um exemplar em meu poder.

Mas aconteceu um facto surpreendente. 

Eu tinha solicitado ao Professor da Universidade de Coimbra, Dr. Cotelo Neiva, na sua qualidade de Colaborador do SFM, auxílio na resolução de problemas no âmbito da geologia estrutural, que se me deparavam, na Região de Cercal - Odemira.

Acedendo ao meu pedido, Cotelo Neiva fez duas visitas à Região, durante as quais lhe transmiti as minhas ideias sobre as potencialidades que eu detectara, quanto à ocorrência de concentrações de sulfuretos de cobre, chumbo e zinco, quer nos filões ferro-manganíferos, bem evidenciadas no jazigo do Torgal, por mim descoberto, nas proximidades de Odemira, quer em massas estratificadas idênticas às da Faixa Piritosa.

O auxílio de Cotelo Neiva foi praticamente nulo, mas este Colaborador, sem o mínimo escrúpulo, usou procedimento que afinal já adoptava normalmente, na zona Norte do SFM.
Ao seu vastíssimo currículo, adicionou artigo sobre as ocorrências minerais (conhecidas e potenciais) da Região de Cercal - Odemira, incluindo até as reservas minerais evidenciadas pelo SFM!!!-

E este artigo foi publicado na Revista do SFM !!!!.

 Continua …

sábado, 27 de fevereiro de 2016

56 A – 13.ª parte

XLIV –A minha proposta de instituição de um Centro de Investigação em Prospecção Mineira, no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, vocacionado para prestar serviços à comunidade, começando pela imediata retoma dos estudos na Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima

              Na 11.ª parte deste post, registei que os estudos na Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima, após a nova programação, que Alcides Rodrigues Pereira decidira mandar efectuar, em abuso do cargo de Director – Geral de Minas, que ilegalmente ocupava, consistiram numa série de erros grosseiros.

Como era previsível, esses erros conduziram à extinção da Secção de Caminha da 2.ª Brigada de Prospecção do SFM.

Registei, também, que os resultados dos trabalhos executados com base na minha anterior programação, continuavam a justificar expectativas altamente favoráveis, quanto à existência de novas concentrações de minerais úteis, para além das já descobertas, com realce para as tungstíferas.

É oportuno recordar as acções da CEE, em várias épocas, no sentido se obter um eficaz aproveitamento dos recursos minerais existentes nos países abrangidos por essa Comunidade, de modo a evitar ou diminuir a necessidade de importações.

Já em 1961, eu tinha sido nomeado, pelo então Director-Geral de Minas, Eng.º Luís de Castro e Solla, para representar Portugal, em Grupo de peritos, “ad hoc” constituído na CEE, para promover a aplicação de “Métodos modernos de prospecção mineira”.

Nesta qualidade, participei em diversas reuniões realizadas em Paris, nas quais se fizeram representar os 18 países da CEE.

Subsequentemente, mantive correspondência epistolar com os dirigentes do Grupo, daí resultando a vinda a Portugal, do Professor Robert Woodtly da Universidade de Lausanne, com a finalidade de dar seguimento à colaboração da CEE ao nosso País.

Acompanhei este Professor, em visitas às seguintes instituições:
a) Instituto Superior Técnico;
b) Junta de Energia Nuclear;
c) Faculdade de Engenharia do Porto;
d) Direcção do Serviço de Fomento Mineiro no Porto.

Foi deveras decepcionante a receptividade, na quase totalidade dos Organismos visitados.
Apenas, nos Serviços de Prospecção da Junta de Energia Nuclear, o seu Director Eng.º Rogério Cavaca, se apercebeu da importância da colaboração oferecida. (Ver post N.º 4)

A realidade era que do elenco dos cursos de Engenharia de Minas dos estabelecimentos de ensino superior visitados, não constava a disciplina de Prospecção Mineira, e os professores que nos receberam, não demonstraram intenção de passar a incluí-la nos respectivos Cursos
O Director do SFM, Eng.º Guimarães dos Santos, também não revelou interesse, chegando ao cúmulo de afirmar que prospecção só tinha aplicabilidade no Sul.

De facto, era muito vago o seu conhecimento dos métodos geofísicos, que constavam dos programas por mim submetidos anualmente a aprovação.
Lamentavelmente, nem sequer me era facilitada a aplicação desses métodos, na zona sul do País, cujo estudo me tinha sido atribuído.

Não obstante eu tudo ter preparado para aplicação dessas novas técnicas, o Director do SFM entendeu instituir uma Brigada de Prospecção Geofísica, independente da minha orientação.

Não foi, porém, brilhante a actuação desta nova Brigada, apesar do auxílio que sempre lhe prestei, mesmo sabendo não ser recebido de bom grado (Ver post N.º4)

Mais tarde, ainda na qualidade de representante do País no Grupo, eu apresentara um projecto de prospecção aérea de vastas áreas do Alentejo.
Tal projecto teve tão boa receptividade, que a CEE pretendeu ampliar a sua área de actuação para o país vizinho (Ver também post N.º 4).

Dois dirigentes do Grupo, professores das Universidades de Paris e Lausanne vieram a Portugal, propositadamente para lhe dar sequência.
Mas, quando isso aconteceu, eu já não era o representante de Portugal no Grupo!
Castro e Solla havia abdicado do cargo de Director-Geral de Minas e Soares Carneiro, que o substituíra tomou a infeliz decisão de nomear o seu amigo Guimarães dos Santos, apesar da ignorância deste dirigente em prospecção mineira, demonstrada na sua surpreendente afirmação sobre a aplicabilidade dos métodos de prospecção apenas no Sul de Portugal.

Nas reuniões que se realizaram em Lisboa, Soares Carneiro teve comportamento deveras indecoroso, altamente desprestigiante do elevado cargo, que ocupava.
Guimarães dos Santos tinha requerido o meu auxílio, de que tinha absoluta necessidade, não só pela sua ignorância em prospecção mineira, mas também pela sua incapacidade de se exprimir em línguas diferentes do português.
Saí envergonhado pelo deprimente espectáculo proporcionado sobretudo por Soares Carneiro e pelo seu Adjunto Costa Almeida.

As minhas tentativas no sentido de o projecto ter seguimento foram, consequentemente infrutíferas (Ver post N.º 200).

Apesar deste enorme “fiasco”, a, CEE voltou, anos mais tarde, a oferecer a sua colaboração.

Instituiu, o Fundo Social Europeu, cujas confortáveis verbas se destinavam à formação dos cientistas e técnicos especializados, a que me referi no post anterior.

Para aproveitamento destas verbas, eu fui convidado pela Direcção do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto para reger disciplina de Prospecção Mineira, integrada em Cursos de Prospectores, de curta duração, com carácter essencialmente prático, destinados a indivíduos sem especiais habilitações académicas.

Não foi revelado o quantitativo total das verbas, de que o Departamento dispunha, mas foi-me prometido que eu poderia contar com 30.000 contos, após a conclusão dos Cursos, para aquisição de equipamentos de prospecção, pois a Faculdade não possuía material algum desta natureza.

Nas aulas do Curso de Geologia, na minha qualidade de Professor Auxiliar Convidado, eu utilizava equipamentos, não só do Serviço de Fomento Mineiro, mas também alguns que a Faculdade de Engenharia e a Universidade de Aveiro me tinham disponibilizado.

Os Cursos de Prospectores eram, como disse, de carácter essencialmente prático e destinavam-se a indivíduos sem especiais habilitações académicas, mas aconteceram dois factos que perverteram completamente estas características.
O primeiro foi a incorrecta selecção dos candidatos à frequência dos Cursos.
No ano de 1987, os frequentadores foram, sobretudo, alunos de Geologia da Faculdade que, iriam ter, no elenco dos seus Cursos, aulas da mesma matéria, mas com maior desenvolvimento.
E em 1988, os frequentadores foram, na generalidade, indivíduos que pouco interesse manifestaram na aprendizagem, pois a sua motivação fora o dinheiro que lhes era atribuído pela presença, quer conseguissem nota positiva ou não, no exame final que eu lhes fazia.

O segundo facto foi a constituição dos Cursos.
Foram inseridas disciplinas de interesse secundário, em prejuízo das horas atribuídas à Prospecção, tendo eu tido necessidade de dar muitas aulas suplementares, sem remuneração alguma, para ensinar matéria que considerava fundamental, quer do ponto de vista teórico, mas essencialmente do ponto de vista prático.
Para as aulas práticas, usei sempre a Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima, deslocando-me, do Porto, com os alunos, em autocarro propositadamente fretado, para esse fim.
Essa região reunia, de facto, as condições ideais para as aulas práticas.
Além da sua relativa proximidade do Porto, eu podia demonstrar a eficácia de vários métodos, levando os alunos a efectuar o seu trabalho, em perfis onde haviam sido registadas, nas anteriores investigações do SFM, significativas anomalias, algumas das quais com mérito comprovado por lucrativas explorações de valioso minério.
Não posso deixar de registar os surpreendentes obstáculos do SFM na cedência, por curto período, de equipamentos que tinham sido adquiridos por minha exclusiva iniciativa.
A 1.ª Brigada de Prospecção, que já se encontrava em franca desagregação, como referi na 7.ª parte deste post e que um ex-Director do SFM declarara, perante mim, que andava desorientada, a “inventar trabalho” recusou ceder, para uso temporário alguns dos equipamentos que o dirigente do Departamento de Geologia havia solicitado, por minha sugestão.

Felizmente que se encontrou boa receptividade nos Serviços Meteorológicos Nacionais, na cedência temporária de um gravímetro que eu próprio me encarreguei de ir buscar à sede destes os Serviços em Lisboa.
Conforme referi, anteriormente, também a Universidade de Aveiro, e a Faculdade de Engenharia, cederam equipamentos de que dispunham.

Continua …

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

56 A -12.ª parte Continuação

 XLIII – A importância da Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima, na formação de especialistas nas técnicas de prospecção mineira

 
Na minha persistente preocupação em conseguir o cumprimento, tão correcto quanto possível, dos objectivos do SFM, incentivei também os meus colaboradores a melhorarem ou adquirirem a formação essencial para tal fim.

Aos Engenheiros e a alguns Agentes Técnicos de Engenharia, destacados nos departamentos sob minha chefia, ministrei ensinamentos, justificados pela impreparação que demonstravam para tarefas das mais elementares.

Sobretudo em topografia, matéria de fundamental importância, casos houve, de assombrosa ignorância.

A Geólogos, igualmente mal preparados, antes de lhes distribuir áreas de actuação, para aperfeiçoarem os estudos que vinham sendo empreendidos sob minha directa orientação, facultei estágios junto de experientes técnicos, que concessionários mineiros haviam contratado e, nalguns casos, diligenciei que frequentassem cursos pós-graduação em Universidades estrangeiras.

Estranhamente, foi em pessoal localmente recrutado, com escolaridade limitada, no máximo, a antiga 4.ª Classe de Instrução Primária, que encontrei os mais dedicados colaboradores, verdadeiramente empenhados em realizar, com rigor, as tarefas, quer no campo, quer no gabinete, cuja execução tinham comigo aprendido.

Aceitavam de bom grado as minhas instruções, que cumpriam, inspirando-me plena confiança.

 Eu já vinha, portanto, exercendo funções docentes, embora não em estabelecimentos de ensino.

Quando exerci formalmente essas funções, na qualidade de Professor Convidado da Universidade do Porto (de 1970 até 1990), usei as investigações no âmbito do Serviço de Fomento Mineiro (SFM), para nelas fazer participar os alunos. Tendo-lhes ensinado, em aulas teóricas, os princípios das técnicas de prospecção mineira, passava às aulas práticas, no campo, e aproveitava o seu trabalho no progresso dos estudos do SFM.

A minha colaboração à Universidade tinha sido, não apenas autorizada, mas estimulada por Soares Carneiro, na fase inicial do seu cargo de Director-Geral de Minas.

De facto, em resposta a solicitação do Director da Faculdade de Ciências do Porto, acentuou que
“o trabalho do engenheiro de minas de 1ª classe Albertino Adélio Rocha Gomes, pela natureza da sua especialidade, não requer a exigência de um horário rígido, sendo portanto sempre possível conciliar a sua actividade no Serviço de Fomento Mineiro com as exigências do horário que lhe venha a ser fixado para a regência da cadeira de Prospecção Geológica, Geofísica e Geoquímica” (sic).

Com o termo da comissão de serviço de Soares Carneiro, nas funções de Director-Geral de Minas, o Geólogo Alcides Rodrigues Pereira, que passou a ocupar o cargo, também expressou o seu apoio à colaboração da DGMSG aos estabelecimentos de ensino superior.

E pretendendo evidenciar maior zelo no desenvolvimento da nossa indústria mineira, convenceu o Ministro da Indústria da necessidade de um “Plano Mineiro Nacional”, em que tal colaboração fosse expressamente contemplada.
Mas Alcides, que se havia introduzido na DGMSG, em estranhíssimas circunstâncias (Ver posts N.ºs 112 a 116) demonstrava desconhecer leis fundamentais da nossa indústria mineira !!

É que tal Plano se encontrava, desde 1939, em progressivo cumprimento, havendo núcleos de actividade instituídos por todo o território continental português, nos quais se efectuavam estudos, em variadas fases (geologia, prospecção geofísica e geoquímica, sondagens, trabalhos mineiros clássicos).

É certo que, após o falecimento, em 1948, do primeiro Director do SFM, vinha acontecendo uma sensível diminuição da qualidade dos estudos, à qual só os núcleos do Sul conseguiam resistir.

Imprevisivelmente, porém, a Revolução de Abril de 1974 veio ocasionar ainda maior degradação no SFM.

Com ostensivo abuso das liberdades conquistadas, novos cargos directivos foram atribuídos a indivíduos ignorantes dos mais elementares princípios da prospecção.

Foram trágicas as consequências deste abuso.

Tinha sido o regabofe instalado na DGMSG (Ver post N.ºs 126 e 127), que alcandorara Alcides, contra todas as expectativas, ao cargo máximo na DGMSG.

O Ministro da tutela, acreditando nas “fanfarronadas” deste chico-esperto, que exaltavam as vantagens do Plano, sem revelarem as disposições do Decreto-lei de criação do SFM, providenciou no sentido de serem obtidas contribuições de entidades públicas e privadas, directa ou indirectamente relacionadas com o aproveitamento dos recursos minerais do País.

Foi deste modo que me chegaram às mãos, documentos a solicitarem a minha contribuição para a elaboração desse Plano.

Recebi, por exemplo, do Director do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, mensagem requerendo a minha contribuição para se aproveitarem verbas de um “fundo social” instituído pela CEE com o objectivo de formar cientistas e técnicos especialistas.

Reagindo a este pedido, em 28-5-86, chamei a atenção para documentos anteriores, onde eu realçava as grandes carências nacionais de técnicos competentes, na indústria mineira

Perante a real debilidade em que se encontrava esta indústria, declarei, então, ser essencial incrementar a fase da prospecção, impondo-se, para isso, a formação de especialistas nos vários domínios em que esta fase se desdobra.

E como especialização só se consegue efectuando trabalho, eu tinha advogado a intensificação de colaboração, que já tinha estabelecido com o SFM.

Era a Região de Vila Nova de Cerveira – Caminha - Ponte de Lima que eu mais utilizava, não só para aulas aos meus alunos, mas também para aulas de professores da Universidade de Aveiro (meus antigos discípulos), a alunos seus, que se deslocavam de Aveiro, de modo a todos podermos seguir do Porto para o campo, às 8 horas da manhã.

Por minha indicação, também o meu ex-aluno João Coelho, já na qualidade de Assistente do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, tinha efectuado, na mesma Região, proveitoso estágio, sob a orientação de experientes Geólogos da empresa americana Union Carbide, que ali procedia a investigações, integradas no programa do SFM visando à descoberta de concentrações de minérios de tungsténio.

Este estágio viria a ser ponto de partida para posterior tese de doutoramento.

Apesar das expectativas geradas pelo anunciado Plano Mineiro Nacional, quanto a um significativo desenvolvimento da indústria mineira do País, a que os jornais da época deram grande relevo, reforçadas agora pelo apoio da CEE, através de um Fundo criado para subsidiar a formação de técnicos especializados, aconteceu que Alcides, surpreendentemente, tomou resoluções abertamente contrárias à colaboração da DGMSG com os estabelecimentos de ensino, que tanto proclamara.

Os obstáculos que introduziu na execução dos projectos a meu cargo, muito prejudicaram essa colaboração.

Começou por causar grande perplexidade, ao Reitor da Universidade do Porto, ofício que lhe endereçou, a indagar os horários das minhas aulas, aos alunos dos cursos de Geologia e de Engenharia, exprimindo inquietação perante a provável ilegalidade das remunerações que eu estaria auferindo pela acumulação de funções, em duas Faculdades. (Ver post N.º 207).

Quando seria se esperar apreço pela minha disponibilidade para auxiliar também a Faculdade de Engenharia, Alcides quisera demonstrar, no meu caso particular, um rigor no uso dos dinheiros públicos, que estava longe de evidenciar, em casos escandalosos, por mim denunciados, dos quais tinha perfeito conhecimento.

A Alcides não passava pela cabeça haver alguém capaz de colocar o País acima dos interesses pessoais e se oferecesse para dar aulas, sem receber remuneração e até com despesas, como era o meu caso.

No ambiente universitário, esta estranhíssima atitude de um Director-Geral de Minas foi muito negativamente comentada, porquanto eventuais dúvidas deviam ter sido eliminadas, a nível interno, consultando o meu currículo, no meu processo individual.

Apesar das facilidades quanto a horários, herdadas de Soares Carneiro, eu decidi transferir as aulas para os sábados, isto é, para dias em que os funcionários públicos estavam dispensados de comparecer ao serviço.

Tal transferência não impediu que a maioria dos alunos comparecesse, apesar de não haver registo de presenças.

Compareciam, também, engenheiros de recente formatura, interessados em adquirir conhecimentos, que não tinham constado do elenco do seus cursos, mas de cuja fundamental importância para a sua futura actividade se haviam apercebido.

A Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima onde decorriam, a meu cargo, trabalhos de prospecção mineira, era, como tenho descrito, a minha zona preferencial, para as aulas práticas.

Mas Alcides, em escandaloso abuso do poder do cargo em que tinha sido colocado, decidiu, inesperadamente, suspender as minhas actividades no campo, impondo-me a apresentação de um relatório circunstanciado de todos os trabalhos por mim orientados na Região, durante dezenas de anos, afim de serem reprogramados os estudos que se encontravam em curso, obedecendo a projectos superiormente aprovados!!

Estas decisões do tão ignorante quanto arrogante Alcides conduziram, afinal, à extinção da Secção de Caminha do SFM, isto é, a mais um degrau na marcha para a total decadência do SFM.

Além dos prejuízos para a economia nacional, (seria utópico aspirar a novas descobertas, como Neves – Corvo!), tornou-se, também, impossível manter a colaboração com as Universidades do Porto e de Aveiro!
O famoso Plano Mineiro Nacional, que apesar de nunca ter sido concluído, produziu, nas suas fases preparatórias, efeitos muito negativos, nem sequer me permite estabelecer a comparação com a montanha da fábula que pariu um rato!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

56 A -12.ª parte

XLIII – A importância da Região de Vila Nova de Cerveira - Caminha - Ponte de Lima, na formação de especialistas nas técnicas de prospecção mineira

Entidades esclarecidas do País reconhecem, desde recuados tempos, a potencialidade do território nacional, quanto à ocorrência de minerais úteis, em concentrações susceptíveis de proporcionarem explorações altamente lucrativas, que poderiam contribuir para a instalação de indústrias e, consequentemente, para melhoria de vida da população.

Lamentam, porém, não se ter ainda conseguido eliminar os obstáculos, que impossibilitam o racional aproveitamento desses valiosos recursos.

Dentre tais obstáculos, avulta a carência de especialistas nas técnicas fundamentais para poderem efectivar-se os estudos adequados à concretização dos objectivos pretendidos.

Já em 1939, quando foi instituído o Serviço de Fomento Mineiro (SFM), no âmbito da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos (DGMSG), o primeiro dirigente do SFM ambicionava que este Organismo, além de proceder, como lhe competia, ao inventário dos recursos minerais do País, progredisse na especialização do seu pessoal técnico, a ponto de se transformar em verdadeira Escola pós-graduação, na qual adquirissem a necessária formação os futuros elementos dos quadros superiores da DGMSG.

Era notório que, por insuficiente conhecimento das realidades mineiras, proveniente da falta de experiência directa no terreno, a grande maioria dos técnicos instalados na sede da DGMSG, em Lisboa, acabava por contribuir para o conceito propalado em sectores de grande responsabilidade no nosso tecido económico, de Portugal ser um País pobre de recursos minerais ou, mais eufemisticamente, de ser um País rico em minas pobres!!

A realidade era que os cursos de Engenharia de Minas e de Geologia, ministrados nos estabelecimentos de ensino superior e médio, então existentes no País, eram quase totalmente omissos em temas de Prospecção Mineira.

Nesses estabelecimentos, o ensino era essencialmente livresco, sendo vulgar o chamado “incesto intelectual”.

Alguns dos melhores alunos eram convidados, no final dos seus cursos, para preencherem os quadros de pessoal docente, passando, consequentemente, a transmitir sobretudo os conhecimentos que tinham adquirido, na sua formação.

Era no âmbito da Geologia que surgiam as maiores insuficiências.

O Professor Miguel Montenegro de Andrade, que dirigia, em 1970, o Laboratório de Mineralogia e Geologia da Faculdade de Ciências do Porto, apercebendo-se desta deficiência, tomou a iniciativa de convidar, para funções docentes, personalidades nacionais que tinham evidenciado experiência válida, em domínios relacionados com a prospecção mineira.

Foi nesta conformidade que eu recebi convite para reger disciplina inicialmente denominada de “Prospecção Geológica, Geofísica e Geoquímica”.

Eu não tinha beneficiado do privilégio, que tiveram outros técnicos do SFM, de ser selecionado para frequentar cursos de especialização, em adequados centros estrangeiros, conforme estava previsto no Decreto de criação do SFM

Apesar desta discriminatória atitude dos dirigentes do SFM, relativamente à minha formação de base, eu tinha conseguido, naquela data, uma sólida e diversificada experiência, nas principais técnicas aplicáveis à descoberta de jazigos minerais, mercê das circunstâncias em que decorrera, durante cerca de 30 anos, a minha actividade profissional.
Conquistara essa experiência, sobretudo na Região do País a sul do Rio Tejo, onde menos se sentia a influência nefasta dos dirigentes que sucederam ao primeiro Director do SFM, o saudoso Eng.º Bernardo Ferreira.

Os novos dirigentes, alguns de assombrosa incompetência, que haviam sido alcandorados aos seus elevados cargos por favoritismo politico - religioso, nunca conseguiram libertar-se do estilo de desempenho das suas funções, que justificava a alcunha de “técnicos de papel selado”, pela qual eram pejorativamente designados.

Em arrogante abuso de autoridade, característico de ignorantes, tomavam decisões desfasadas das realidades no terreno, que mal conheciam, pois se mantinham, na generalidade do seu tempo, comodamente sentados às secretárias, nos gabinetes das instalações do SFM, na então muito distante cidade do Porto, onde estava implantada a sede deste Organismo.

Lembro que, nesses remotos tempos, não havia auto- estradas e não era fácil o trânsito nos pisos macadamizados das estradas existentes, onde, não raro, abundavam buracos, que obrigavam a manobras para deles escapar. Automóveis eram talvez menos de 50 000, em todo o País.

A circunstância de ser na zona Sul que se localiza uma das mais importantes zonas mineiras do território nacional - a denominada Faixa Piritosa Alentejana - foi especialmente propícia à obtenção da minha experiência.
De facto, foi nesta Faixa, como já tenho referido, com frequência, que iniciei a minha actividade profissional.
Tinha-me sido confiada, pelo Eng.º Bernardo Ferreira, a responsabilidade de dirigir uma Brigada, cujo objectivo era descobrir concentrações de minério, idênticas às conhecidas em áreas concedidas a Companhias estrangeiras, que nelas vinham praticando intensa exploração, há largas dezenas de anos.

O minério tem a pirite como constituinte predominante, mas acessoriamente, contem valiosos minerais de cobre, zinco e chumbo, além de oligoelementos que recentemente têm adquirido significativo valor, devido a peculiares propriedades, que os tornam essenciais em equipamentos de novas tecnologias, como é, por exemplo, o caso do índio.
Causava-me estranheza que os nossos mais importantes jazigos estivessem a ser explorados por empresas estrangeiras e que o minério fosse geralmente exportado, sem qualquer tratamento metalúrgico, passando Portugal depois a grande importador dos metais contidos nesses mesmos minérios.

Eu ignorava as disposições legais que proibiam a adjudicação de explorações mineiras a entidades estrangeiras, até porque publicação da DGMSG, da autoria do Secretário Auditor Jurídico do SFM, na qual era feita uma exaustiva compilação de toda a legislação promulgada, não inseria essas importantes disposições.
Mas os aspectos negativos deste escandaloso incumprimento de legislação vigente, precisamente pelo Organismo de Estado que tinha o dever de zelar pelo bom uso dos nossos recursos (Ver post N.º 227), foram, pelo que me diz respeito, muito positivamente compensados, por aprendizagens que me foram proporcionadas.

De facto, as empresas detentoras de concessões mineiras, na Faixa Piritosa Alentejana recorriam frequentemente ao saber de professores universitários dos seus países de origem e à colaboração de companhias especializadas em técnicas geológicas, geofísicas e geoquímicas, através de contratos para aperfeiçoamento dos seus estudos.

Eu nunca desperdicei oportunidade alguma de aproveitar a presença destas entidades, para me inteirar dos seus procedimentos, no terreno.

E apraz-me declarar sempre ter encontrado a melhor colaboração de todas estas entidades estrangeiras, que também se mostravam agradecidas por dados que eu lhes facultava, originadas pela minha maior presença nas zonas em estudo.

À boa preparação, sobretudo em temas de Matemáticas, Topografia e Electrónica adquirida nos vários estabelecimentos de ensino que frequentei, graças às magníficas aulas de alguns bons professores, adicionei a formação assim adquirida.

Lamentavelmente, era nas matérias mais directamente relacionados com as profissões de Geólogo e de Engenheiro de Minas, que surgiam as maiores dificuldades, por deficiente constituição dos cursos.

O ensino centrava-se no exame laboratorial de minerais e de rochas, na cristalografia e na paleontologia, em detrimento de investigações no terreno.

A geologia estrutural, matéria fundamental para a compreensão dos jazigos minerais e obviamente para a sua prospecção, era quase totalmente ignorada!

Por esta razão, Portugal tornou-se até território privilegiado para Geólogos de outros países fazerem teses de doutoramento, porque os nacionais não mostravam capacidade para investigações com a qualidade exigível por tal grau académico.

Tive oportunidade de beneficiar do saber de cientistas holandeses, alemães e franceses, aos quais também prestei informações que eles utilizaram, fazendo a óbvia referência, nos textos que publicaram.

Recordo os seguintes:

o Geólogo alemão Gunter Strauss - a sua magistral tese sobre o jazigo do Louzal na Faixa Piritosa Alentejana;

o Geólogo alemão Bayer - a sua tese sobre a Mina de Valdarcas, esclarecedora da estrutura do jazigo tungstífero de Covas, que estava mal interpretada pelo Director Técnico da Mina, com nefastas consequências para a sua exploração.;

o Professor da Universidade de Amsterdam Mc Gillavry, orientador das teses dos seus ex-alunos

Van den Boogard - tese sobre a região do Pomarão, que se tornou fundamental na interpretação da estrutura geológica da Faixa Piritosa Alentejana, e

Klein - tese sobre a geologia da Região de Cercal-Odemira;

Delcey, cientista francês, com superior orientação do Professor Routhier da Universidade de Paris – tese sobre a Mina de S. Domingos, na Faixa Piritosa Alentejana.

Estranhamente, alguns conceituados Geólogos nacionais não aceitavam, de bom grado, a presença destes seus colegas, em vez de os acolherem com simpatia, pelo valioso auxílio que nos prestavam.

Mc Gillavry, apercebendo-se do facto, comentava ser a mim que encontrava no terreno e não a eles, quando casualmente nos cruzávamos, no desempenho das nossas actividades e trocávamos impressões sobre as matérias dos nossos estudos.

Recordo também as presenças de outros Geólogos contratados por concessionários:

David Williams, Professor de Universidade inglesa, cuja vinda à Mina de S. Domingos fora por mim aconselhada à empresa que explorava o jazigo e deparava com dificuldades para localizar parcela rejeitada do jazigo, por falha geológica, que eventualmente não tivesse sido removida pela erosão;

os categorizados Geólogos checos Yanecka e Strnad, que tinham sido contratados por um dos concessionários da exploração do jazigo tungstífero de Covas;

o eminente Geólogo holandês Shermerhorn, contratado pela Sociedade Mineira de Santiago, afiliada da antiga CUF (Companhia União Fabril);

o Geólogo com grau de doutoramento Robert Batey, contratado pela empresa Mining Explorations (International).

 Continua ...