Este é mais um caso de apropriação ilegítima de um êxito do SFM por técnicos que para ele nada contribuíram ou contribuíram negativamente, pelo que até deveriam ter sido incriminados por actuação incompetente que originou atraso de 5 anos na sua concretização, como irei demonstrar.
Na euforia da descoberta, o que se verificou foi um total esquecimento dos seus verdadeiros autores e a promoção, louvor e até condecoração desses incompetentes técnicos Tudo isto com a colaboração de altos dirigentes do País e de França.
Já me referi no post N.º 14 à primordial importância da gravimetria na prospecção mineira, sobretudo nas condições geológicas da Faixa Piritosa Alentejana.
Já salientei também as minhas insistentes recomendações a Mining Explorations (International), na minha qualidade de representante da Direcção Geral de Minas junto desta Companhia e de seu colaborador, nos termos contratuais, para passar a dar mais atenção a esta técnica geofísica antes de passar à fase de sondagens.
Salientei igualmente a importância da região de Castro Verde - Almodôvar, à qual MEI não estava a dedicar suficiente atenção.
Revelei também, no post N.º 33 que, tendo Mining Explorations (International) abandonado em 1971, a vasta área que lhe esteve adjudicada desde 23-3-1966, o Serviço de Prospecção do SFM, sob minha direcção, deu imediatamente início a campanha de prospecção gravimétrica de uma área de cerca de 100 km2, abrangendo a Mina do Cerro do Algaré e várias outras ocorrencias cupríferas que tinham originado pequenas explorações mineiras, em épocas anteriores.
Quando esta campanha se encontrava em curso e já estava revelada grande parte da anomalia que viria a dar origem à descoberta do jazigo de Neves – Corvo, fui novamente surpreendido pela celebração de contrato adjudicando a totalidade da área anteriormente atribuída a MEI, a um Grupo empresarial privado, constituído pela Sociedade Mineira de Santiago, pelo BRGM (Bureau de Recherches Géologiques et Minières, o equivalente francês do SFM) e pela Sociedade Mineira e Metalúrgica de Peñarroya Portuguesa Limitada.
Logo dei conhecimento, nos termos contratuais, dos resultados que estávamos a obter na área de 100 km2, onde estávamos então a actuar.
O Grupo empresarial, que se intitulou de Sindicato, deu imediatamente continuidade à campanha gravimétrica, definindo completamente a anomalia.
Passou, então, à fase de sondagens.
Deu início à sondagem N.º 1 e, perante a série estratigráfica que vinha atravessando, interpretou, ao atingir a profundidade de 244 metros, que já tinha sido ultrapassado o horizonte onde devia localizar-se jazigo de pirite se ele existisse. Deu o furo por terminado e passou a investigar outras zonas da vasta área que lhe fora adjudicada.
Surpreendido com esta decisão ainda chamei a atenção dos técnicos do Sindicato, para a sua atitude precipitada, dizendo-lhes que deveriam ter continuado a perfuração, uma vez que não estava explicada a anomalia gravimétrica.
Tal como aconteceu, várias vezes com MEI, também o Sindicato não se mostrou impressionado com as minhas reflexões. Nele predominavam Geólogos sem sensibilidade para dar a devida importância aos resultados gravimétricos.
O Sindicato andou durante cerca de 5 anos “perdido” sobretudo na região de Mértola, sem quaisquer resultados encorajantes.
Entretanto, ocorreu a Revolução de 25 Abril de 1974 e, como já revelei, alguns oportunistas interpretando no pior sentido as liberdades conquistadas, conseguiram afastar-me da direcção dos estudos no Sul do País.
Aconteceu que, em 5 de Abril de 1977, encontrei na Universidade de Aveiro, o Geólogo Xavier Leca do Sindicato que, tal como eu, tinha ido assistir a palestras sobre tectónica de placas.
Ainda interessado sobre os problemas da Faixa Piritosa, perguntei-lhe que zona da vasta área que lhe estava adjudicada estavam a estudar.
À sua resposta de que tinham regressado à zona da grande anomalia gravimétrica onde tinham realizado a sondagem N.º 1, estando já em curso a sondagem N.º 2, tive a seguinte reacção textual: “os meus parabéns! Se a área regressasse para estudo pelo SFM e eu ainda estivesse nas funções de Chefe da 1.ª Brigada de Prospecção, era para essa zona que eu voltaria imediatamente”. Noto que a validade do contrato do Sindicato com o Estado estava prestes a expirar.
Esta curta conversa, em intervalo das sessões, terminou por terem sido reiniciadas as palestras.
Em 20 de Maio de 1977, pelas 20 horas e 30 minutos, recebi telefonema do Geólogo Nabais Conde do Quadro de Técnicos do Sindicato, informando-me que a sondagem N.º 2 tinha começado a cortar jazigo de pirite, estando nessa data já com 20 metros em minério que se mostrava com boa percentagem de calcopirite.
Pretendia saber se tinham sido os Geólogos do SFM a escolher a área para ser prospectada por gravimetria.
Informei-o que não, que tinha sido sempre eu quem acreditara nos bons indícios representados pelas ocorrências cupríferas de Algaré, Barrigão, Brancanaes e Porteirnhos, e nas potencialidades de um ambiente geológico idêntico ao da tradicional Faixa Piritosa revelado pelo SFM na década de 40.
Na verdade, eu até tinha dúvidas de que o Geólogo destacado para apoiar os estudos do SFM na Faixa Piritosa, cumulativamente com estudos em áreas do Norte do Alentejo, alguma vez tivesse visitado a zona, antes de ela ter sido seleccionada para investigação por gravimetria.
O seu conhecimento da zona resultava das informações que eu prestava, durante as reuniões periódicas que tinha com os Engenheiros e com os Geólogos da 1.ª Brigada de Prospecção.
Os outros dois Geólogos da Brigada estavam encarregados de apoiar os estudos em curso na região de Cercal - Odemira e na Faixa Magnetítica e Zincifera Alentejana. Só acidentalmente prestavam colaboração na Faixa Piritosa.
Em 25 de Maio de 1977, foi o Geólogo Xavier Leca do BRGM a telefonar-me, pelas 16 horas e 55 minutos, de Beja, a informar-me de que a sondagem estava a cortar pirite na anomalia de Neves. Já tinham cortado 38 metros de pirite com bastante chumbo e algum cobre. Dei-lhe os meus parabéns e mostrei a minha satisfação por este êxito.
Reagiu ele dizendo que os parabéns eram para mim, por ter sido eu quem promovera a cobertura gravimétrica daquela área. Disse ainda que eu era o pai do jazigo! Salientou ter sido o seu Director em Paris, J. P. Prouhet a ordenar-lhe que me telefonasse a informar do êxito. Lembrou, a este respeito a nossa conversa em Aveiro que fora interrompida pelo reinício das palestras sobre tectónica de placas
Continua...
sábado, 10 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
36 – A descoberta do jazigo de pirite complexa do Gavião, em Aljustrel
Esta descoberta é mais um importante êxito do SFM, pela aplicação do método gravimétrico.
A ele me referi, no relatório de Março de 1968, nos seguintes termos:
“Na região de Aljustrel, a sul de Rio de Moinhos, já dentro da Bacia Terciária do Sado, registaram-se anomalias gravimétricas que, embora pouco pronunciadas, se revestem de bastante interesse, pelo facto de se localizarem exactamente no prolongamento dos horizontes mineralizados de Feitais - Estação e Moinho – S. João, após a rejeição pela falha de Messejana.”
Em reunião da Comissão de Fomento, realizada em 27 de Maio de 1968, na Sala das Sessões da Direcção-Geral de Minas, em Lisboa, sob a presidência do Director-Geral, estando presentes os dirigentes de todos os departamentos da Direcção-Geral, afixei, numa das paredes, mapa à escala 1:5000, no qual tinha colocado no alinhamento dos jazigos conhecidos em Aljustrel, a anomalia a que me referi, tendo para esse efeito cortado com tesoura o mapa segundo a falha de Messejana, com um deslocamento de 3 km que era exactamente a rejeição confirmada pela gravimetria.
Deixei este mapa exposto, para demonstração de mais um êxito que tinha sido conseguido pelo SFM, mas notei que, na reunião seguinte, já lá se não encontrava.
Em 2 de Outubro de 1969, fui surpreendido com a decisão superior, de adjudicar à Sociedade Mineira de Santiago (SMS), afiliada da CUF (Companhia União Fabril), a área envolvente das Minas de Aljustrel que tinha sido conservada, na Faixa Piritosa para os estudos do SFM.
A SMS imediatamente deu início a nova campanha de sondagens para reconhecimento do jazigo da Estação.
Simultaneamente, passou a investigar, também por sondagens, a área dentro da Bacia Terciária do Sado onde o SFM detectara a anomalia gravimétrica a que acima me refiro, a qual tinha interpretado como originada por parcela rejeitada dos jazigos de Aljustrel, como consequência da falha de Messejana.
As sondagens de SMS confirmaram plenamente a minha hipótese, dando-se a circunstância favorável de os minérios interceptados apresentarem bons teores de cobre.
Como já tinha acontecido com o concessionário das Minas de Aljustrel, que reclamou para si a descoberta do jazigo do Moinho, nitidamente evidenciado pelo método Turam, tornando este êxito independente do Carrasco, também a Sociedade Mineira de Santiago quis reivindicar a descoberta do jazigo da Gavião.
A atitude de SMS revestiu-se, neste caso de um grande deslealdade para com a Direcção-Geral de Minas que, em reconhecimento da elevada competência de um dos seus Geólogos, lhe tinha dado a honra de colaborar na redacção do capítulo III sobre a Faixa Piritosa do Sul de Portugal do Livro - Guia da Excursão N.º 4 (Principais Jazigos Minerais do Sul de Portugal), destinado a orientar as visitas de estudo integradas no CHILAGE (Congresso Hispano – Luso – Americano de Geologia Económica) que iria ter lugar, em Portugal e em Espanha, de 19 a 25 de Setembro de 1971.
Neste Livro - Guia, que só me foi possível consultar após a sua publicação, tive a surpresa de ler as seguintes afirmações:
1 – A meio da página 58: “Os levantamentos gravimétricos e magnéticos executados pelo Serviço de Fomento Mineiro não trouxeram grande achega para o conhecimento do rejeito dos jazigos de Aljustrel (vide mapa gravimétrico, fig. 9)”
2 – Na página 59: “Não se afigura provável que os depósitos do Gavião pudessem ter sido descobertos apenas pela aplicação de métodos geofísicos e geoquímicos; somente a aplicação dos conhecimentos de estratigrafia e da estrutura geológica de Aljustrel poderia ter conduzido à sua descoberta.
Maior gravidade assume o facto de esta escandalosa apropriação de mais um êxito do SFM ter sido sancionada por técnicos da Direcção – Geral de Minas, investidos em altos cargos directivos e ainda recentemente eu ter visto em documento acessível pela Internet, da autoria do Administrador da Empresa Pública EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro) referência ao jazigo do Gavião como tendo sido descoberto pela Sociedade Mineira de Santiago, sem qualquer referência à actividade anterior do SFM, organismo que proporcionou a esse actual Administrador a sua formação técnica, no qual se encontrava integrado quando a descoberta se concretizou.
A ele me referi, no relatório de Março de 1968, nos seguintes termos:
“Na região de Aljustrel, a sul de Rio de Moinhos, já dentro da Bacia Terciária do Sado, registaram-se anomalias gravimétricas que, embora pouco pronunciadas, se revestem de bastante interesse, pelo facto de se localizarem exactamente no prolongamento dos horizontes mineralizados de Feitais - Estação e Moinho – S. João, após a rejeição pela falha de Messejana.”
Em reunião da Comissão de Fomento, realizada em 27 de Maio de 1968, na Sala das Sessões da Direcção-Geral de Minas, em Lisboa, sob a presidência do Director-Geral, estando presentes os dirigentes de todos os departamentos da Direcção-Geral, afixei, numa das paredes, mapa à escala 1:5000, no qual tinha colocado no alinhamento dos jazigos conhecidos em Aljustrel, a anomalia a que me referi, tendo para esse efeito cortado com tesoura o mapa segundo a falha de Messejana, com um deslocamento de 3 km que era exactamente a rejeição confirmada pela gravimetria.
Deixei este mapa exposto, para demonstração de mais um êxito que tinha sido conseguido pelo SFM, mas notei que, na reunião seguinte, já lá se não encontrava.
Em 2 de Outubro de 1969, fui surpreendido com a decisão superior, de adjudicar à Sociedade Mineira de Santiago (SMS), afiliada da CUF (Companhia União Fabril), a área envolvente das Minas de Aljustrel que tinha sido conservada, na Faixa Piritosa para os estudos do SFM.
A SMS imediatamente deu início a nova campanha de sondagens para reconhecimento do jazigo da Estação.
Simultaneamente, passou a investigar, também por sondagens, a área dentro da Bacia Terciária do Sado onde o SFM detectara a anomalia gravimétrica a que acima me refiro, a qual tinha interpretado como originada por parcela rejeitada dos jazigos de Aljustrel, como consequência da falha de Messejana.
As sondagens de SMS confirmaram plenamente a minha hipótese, dando-se a circunstância favorável de os minérios interceptados apresentarem bons teores de cobre.
Como já tinha acontecido com o concessionário das Minas de Aljustrel, que reclamou para si a descoberta do jazigo do Moinho, nitidamente evidenciado pelo método Turam, tornando este êxito independente do Carrasco, também a Sociedade Mineira de Santiago quis reivindicar a descoberta do jazigo da Gavião.
A atitude de SMS revestiu-se, neste caso de um grande deslealdade para com a Direcção-Geral de Minas que, em reconhecimento da elevada competência de um dos seus Geólogos, lhe tinha dado a honra de colaborar na redacção do capítulo III sobre a Faixa Piritosa do Sul de Portugal do Livro - Guia da Excursão N.º 4 (Principais Jazigos Minerais do Sul de Portugal), destinado a orientar as visitas de estudo integradas no CHILAGE (Congresso Hispano – Luso – Americano de Geologia Económica) que iria ter lugar, em Portugal e em Espanha, de 19 a 25 de Setembro de 1971.
Neste Livro - Guia, que só me foi possível consultar após a sua publicação, tive a surpresa de ler as seguintes afirmações:
1 – A meio da página 58: “Os levantamentos gravimétricos e magnéticos executados pelo Serviço de Fomento Mineiro não trouxeram grande achega para o conhecimento do rejeito dos jazigos de Aljustrel (vide mapa gravimétrico, fig. 9)”
2 – Na página 59: “Não se afigura provável que os depósitos do Gavião pudessem ter sido descobertos apenas pela aplicação de métodos geofísicos e geoquímicos; somente a aplicação dos conhecimentos de estratigrafia e da estrutura geológica de Aljustrel poderia ter conduzido à sua descoberta.
Maior gravidade assume o facto de esta escandalosa apropriação de mais um êxito do SFM ter sido sancionada por técnicos da Direcção – Geral de Minas, investidos em altos cargos directivos e ainda recentemente eu ter visto em documento acessível pela Internet, da autoria do Administrador da Empresa Pública EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro) referência ao jazigo do Gavião como tendo sido descoberto pela Sociedade Mineira de Santiago, sem qualquer referência à actividade anterior do SFM, organismo que proporcionou a esse actual Administrador a sua formação técnica, no qual se encontrava integrado quando a descoberta se concretizou.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
35 - A descoberta do jazigo de pirite complexa da Estação em Aljustrel
Esta descoberta pode considerar-se paradigmática do sucesso em prospecção mineira.
Se se tivesse aproveitado a lição que ela encerra, muitos erros com os consequentes avultados dispêndios, poderiam ter sido evitados
Obstáculos não faltaram para a concretização deste êxito
Já me referi, no post N.º 14, ao inconcebível atraso de 10 anos (!) na aquisição insistentemente proposta, de um gravímetro, equipamento considerado essencial para o cumprimento dos programas apresentados pelas Brigadas que dirigi.
A prospecção na Faixa Piritosa Alentejana, iniciada em 1944, por iniciativa do primeiro Director do SFM, Engenheiro António Bernardo Ferreira, foi interrompida em 1949, por decisão do Director que se lhe seguiu.
No capítulo final do relatório “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo”, apresentei programa para lhe dar continuidade, acentuando que todos os trabalhos projectados poderiam e deveriam ser executados por pessoal português que tivesse adquirido a necessária especialização, conforme estava previsto no Decreto-lei de criação do SFM. …
As empresas concessionárias das Minas de S. Domingos, Aljustrel e Lousal-Caveira, atentas ao êxito do SFM com a descoberta do jazigo Carrasco-Moinho, em Aljustrel, pela aplicação de técnica geofísica, revelaram iniciativa que ao SFM faltou, passando elas a fazer aplicar, em áreas próximas ou envolventes das suas concessões, as mais modernas técnicas geofísicas e geoquímicas, através de contratos com companhias especializadas ou com professores de prestigiadas instituições universitárias.
Foi assim que a concessionária das Minas de Aljustrel chegou à descoberta do jazigo dos Feitais, do qual até já havia bons indícios na Mina de manganés da Herdade dos Feitais, como disse em post anterior.
Quando a Direcção do SFM se dispôs, finalmente, a dar andamento ao processo de aquisição de um gravímetro, muitos eram já os problemas que justificavam o seu uso, não apenas na Faixa Piritosa.
O desenvolvimento dos estudos entretanto realizados em outras áreas do Alentejo, permitiu, por exemplo, constatar que a Faixa Magnetítica cujos principais centros mineiros eram Montemor-o-Novo, Alvito e Orada, era simultaneamente uma Faixa de Sulfuretos, cujos principais centros eram as Minas de Caeirinha - Corte Pereiro em Alcácer do Sal, Caieira, em Montemor-o-Novo, Algares-Balsa em Portel, Preguiças-Ficalho e Vale do Vargo, em Moura.
Havia que confirmar nesta Faixa, que passamos a denominar Faixa Magnetítica e Zincífera devido ao predomínio da magnetite e de minerais de zinco, a existência de massas de sulfuretos idênticas às da Faixa Piritosa Sul-Alentejana.
De facto, alguns resultados positivos foram encontrados, sem contudo atingirem as dimensões habituais da Faixa Piritosa.
Isto não exclui que tal não possa ainda vir a ocorrer. Em futuro post, revelarei extraordinário indício, que consta de artigo publicado em “Estudos, Notas e Trabalhos do SFM”, quando eu já não dirigia os estudos nesta Faixa, não podendo consequentemente avalizar os estudos que lhe estiveram subjacentes.
Na Faixa Piritosa, além dos concessionários já nela instalados, começaram a surgir outras Empresas, talvez alertadas pelo êxito de Carrasco-Moinho, que fora objecto de artigo publicado pela European Association of Exploration Geophysicists, que era citado em livros de texto, como os de Parasnis e Routhier.
A Faixa Piritosa acabou por ficar adjudicada, na sua quase totalidade, a empresas privadas, ficando apenas reservada para os trabalhos do SFM umas restrita área envolvente das Minas de Aljustrel.
Quando a oportunidade surgiu, foi dado início a uma campanha de prospecção gravimétrica nesta restrita área de Aljustrel.
Os resultados não se fizeram esperar.
Logo se definiu, pela primeira vez, em toda a sua expressiva dimensão e intensidade a anomalia reveladora do jazigo de Carrasco – Moinho, que tinha sido descoberto pela aplicação do método electromagnético Turam.
Definiu-se, de modo igualmente expressivo, a anomalia dos Feitais que a Companhia Lea Cross, autora do levantamento que a revelara, apenas apresentara sob a forma de perfis.
Definiu-se ainda, uma outra anomalia a NW da do Feitais, de intensidade muito menor, mas suficientemente ampla para poder ser interpretada como podendo ser originada por massa de pirite complexa, a grande profundidade.
Justificava-se, por isso, a sua investigação por sondagens.
Com base em dados geológicos de superfície, recolhidos por Geólogo da 1.ª Brigada de Prospecção, foi projectada, em 29 de Julho de 1967, a sondagem N:º 1 (vertical) do SFM, da Região de Aljustrel, tendo-se previsto encontrar a massa de pirite responsável pela ténue anomalia, à profundidade de 350 metros.
No âmbito da boa colaboração que se estabeleceu, com todas as Empresas que actuavam na Faixa Piritosa, aproveitou-se também, neste projecto, contribuição de experiente Geólogo da Sociedade Mineira de Santiago, que actuava na Bacia Terciária do Sado.
Em 16 de Agosto de 1968, a Brigada de Sondagens do 3.º Serviço do SFM deu início a esta sondagem, com equipamento apropriado para atingir a profundidade projectada.
Esta sondagem, talvez devido a alguma inexperiência do pessoal sondador, encontrou grandes dificuldades no seu avanço, acontecendo que, tendo atingido, no mês de Outubro, a profundidade de 328 metros, em vez de avançar, ia recuando, nos meses de Novembro e Dezembro seguintes, devido a constantes desmoronamentos.
Fortes pressões fui recebendo do Director-Geral, em Lisboa, por intermédio do seu adjunto, o apelidado Ajax (o mais poderoso), no sentido de dar o furo por terminado, perante as grandes despesas que estava a originar, considerando escassa a probabilidade de ser encontrado jazigo a tão grande profundidade.
A minha reacção foi a seguinte: Se a Brigada de Sondagens do SFM se declarava incompetente para executar o projecto, só havia que confiar a sua execução a entidade que o conseguisse cumprir, pois continuava por explicar a anomalia que o justificou.
As densidades dos testemunhos, que sistematicamente íamos determinando, com uso de equipamento que concebi para esse efeito, não permitiam explicar a anomalia.
Felizmente a minha posição nesta matéria foi respeitada e a Brigada de Sondagens conseguiu finalmente fazer avançar o furo.
E grande foi a minha satisfação ao mais uma vez verificar que, quando existe base sólida de raciocínio, a persistência compensa.
Em Janeiro de 1968, a sondagem começou a penetrar em massa de pirite complexa aos 350,3 m, nela permanecendo na extensão de 75 m. O furo foi dado por concluído com 516,37 m
No mesmo perfil, foi ainda realizado um segundo furo com a inclinação de 80º, para definir a atitude do jazigo. Atingiu a extensão de 548,59 m, tendo cortado o jazigo numa extensão de 96 m.
Os resultados destas duas sondagens foram considerados suficientemente atractivos para despertarem o interesse de Empresas privadas na exploração do jazigo evidenciado. O SFM deu, por finda, em 20 de Setembro de 1968, a sua actuação na investigação desta anomalia gravimétrica.
O Director-Geral de Minas quis comunicar este importante êxito ao Secretário de Estado da Indústria. Para o efeito elaborei nota sucinta. No entanto, em Lisboa, esta nota foi considerada como susceptível de não ter, junto do Secretário, suficiente impacto.
O Engenheiro adjunto do Director-Geral, o mesmo que exercera fortes pressões para dar a sondagem N.º 1 por terminada, antes de ter sido explicada a anomalia gravimétrica, elaborou novo documento, com base no meu, mas mais extenso.
Neste novo documento, não teve pejo de apor a sua assinatura, a seguir à do Director do SFM, que tinha sido o principal responsável pelo atraso da aquisição do gravímetro que esteve na base da descoberta, quando teve a seu cargo a aquisição dos equipamentos durante a vigência da anterior Direcção do SFM. Neste documento, eu fui convidado a assinar em terceiro lugar!!
Mas não foi este o único curioso acontecimento relacionado com tão importante êxito.
Em Fevereiro de 1968, o Engenheiro Adjunto do Director-Geral dá-me conhecimento de afirmações produzidas na Direcção-Geral de Minas, em Lisboa, pelos Senhores De Barsy e Jacques Louis de “Mines d’Aljustrel S.A.” perante o Director-Geral, estando ele presente, bem como o Engenheiro Freire de Andrade das Minas de Aljustrel, as quais, em sua opinião, punham em causa a minha honra.
Os representantes das Minas de Aljustrel reivindicavam a concessão do jazigo da Estação recém-descoberto, com base em afirmação que eu lhes teria feito, segunda a qual lhes seria atribuída a concessão de qualquer jazigo que viesse a ser descoberto num círculo com raio de 5 km centrado na sua concessão!! Esclareço que, nessa data as concessões mineiras eram atribuídas por alvarás assinados pelo Presidente da República!
Eu deveria apresentar documento escrito a marcar a minha posição nesta matéria.
Assim procedi e, em 1 de Março de 1968, enviei, ao Director-Geral de Minas documento de 25 páginas dactilografadas, subordinado ao título: “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo. Breve história, com especial relevo para a região de Aljustrel. Minha posição neste problema”.
Neste documento, dou conta das minhas constantes diligências no sentido de dar eficaz cumprimento ao programa de prospecção que deixei enunciado no relatório “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo”, publicado em 1955, na Revista do SFM.
Dele destaco o resumo:
“Cremos ter demonstrado uma acção pessoal persistente, ao longo de muitos anos, no sentido de dotar o SFM dos meios que lhe permitissem atacar capazmente o problema de prospecção de pirites no baixo Alentejo e muitos outros.
Esta acção, até fins de 1963, não foi superiormente acarinhada.
Só o estatismo do SFM em tal matéria justificou que se concedessem autorizações de prospecção e pesquisa, das quais Mines d’Aljustrel S.A. beneficiou durante largos anos, em áreas contíguas ou envolventes da sua concessão.
Se se tivesse dado sequência aos programas propostos pela Brigada do Sul desde 1951, particularmente se o Engenheiro que em, 1953-54, esteve longo tempo a estudar gravimetria, tivesse continuado com este método a seu cargo, integrado numa equipa dinâmica, provavelmente todas as descobertas em Aljustrel, nos últimos 20 anos, teriam sido obra do Serviço de Fomento Mineiro.
A seguir ao Cerro do Carrasco, estava preparado o êxito do Moinho. E depois destes viriam, naturalmente os de Feitais e Estação e os que podem estar ainda para surgir.
Mines d’Aljustrel, S.A. não tem qualquer direito ao jazigo que acaba de ser evidenciado na sondagem N.º 1 do SFM.
Será, pelo contrário, talvez ocasião de pensar num aproveitamento racional das enormes reservas já reveladas nas concessões de Mines d’Aljustrel S.A. e daquelas que, seguramente, ainda podem ser evidenciadas. Trata-se de uma riqueza da Nação que deve reverter principalmente em benefício da gente portuguesa.
A tendência que vemos, em todo o Mundo, é para o aproveitamento das matérias-primas, nos países em que são extraídas. Efectivamente os grandes lucros são transferidos para as metalurgias.
Não sabemos se serão viáveis instalações destas no País. Mas sabemos que um estudo desta natureza seria mais que justificado.”
Fui informado pelo Ajax que o Director-Geral não apreciou este documento e, por isso, nem lhe deu sequer entrada!.
Todavia, eu inseri-o, como anexo, ao meu relatório do mês de Março de 1968 e ao anual de 1968. Ignoro se dos 4 exemplares que enviei ainda resta algum.
Se se tivesse aproveitado a lição que ela encerra, muitos erros com os consequentes avultados dispêndios, poderiam ter sido evitados
Obstáculos não faltaram para a concretização deste êxito
Já me referi, no post N.º 14, ao inconcebível atraso de 10 anos (!) na aquisição insistentemente proposta, de um gravímetro, equipamento considerado essencial para o cumprimento dos programas apresentados pelas Brigadas que dirigi.
A prospecção na Faixa Piritosa Alentejana, iniciada em 1944, por iniciativa do primeiro Director do SFM, Engenheiro António Bernardo Ferreira, foi interrompida em 1949, por decisão do Director que se lhe seguiu.
No capítulo final do relatório “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo”, apresentei programa para lhe dar continuidade, acentuando que todos os trabalhos projectados poderiam e deveriam ser executados por pessoal português que tivesse adquirido a necessária especialização, conforme estava previsto no Decreto-lei de criação do SFM. …
As empresas concessionárias das Minas de S. Domingos, Aljustrel e Lousal-Caveira, atentas ao êxito do SFM com a descoberta do jazigo Carrasco-Moinho, em Aljustrel, pela aplicação de técnica geofísica, revelaram iniciativa que ao SFM faltou, passando elas a fazer aplicar, em áreas próximas ou envolventes das suas concessões, as mais modernas técnicas geofísicas e geoquímicas, através de contratos com companhias especializadas ou com professores de prestigiadas instituições universitárias.
Foi assim que a concessionária das Minas de Aljustrel chegou à descoberta do jazigo dos Feitais, do qual até já havia bons indícios na Mina de manganés da Herdade dos Feitais, como disse em post anterior.
Quando a Direcção do SFM se dispôs, finalmente, a dar andamento ao processo de aquisição de um gravímetro, muitos eram já os problemas que justificavam o seu uso, não apenas na Faixa Piritosa.
O desenvolvimento dos estudos entretanto realizados em outras áreas do Alentejo, permitiu, por exemplo, constatar que a Faixa Magnetítica cujos principais centros mineiros eram Montemor-o-Novo, Alvito e Orada, era simultaneamente uma Faixa de Sulfuretos, cujos principais centros eram as Minas de Caeirinha - Corte Pereiro em Alcácer do Sal, Caieira, em Montemor-o-Novo, Algares-Balsa em Portel, Preguiças-Ficalho e Vale do Vargo, em Moura.
Havia que confirmar nesta Faixa, que passamos a denominar Faixa Magnetítica e Zincífera devido ao predomínio da magnetite e de minerais de zinco, a existência de massas de sulfuretos idênticas às da Faixa Piritosa Sul-Alentejana.
De facto, alguns resultados positivos foram encontrados, sem contudo atingirem as dimensões habituais da Faixa Piritosa.
Isto não exclui que tal não possa ainda vir a ocorrer. Em futuro post, revelarei extraordinário indício, que consta de artigo publicado em “Estudos, Notas e Trabalhos do SFM”, quando eu já não dirigia os estudos nesta Faixa, não podendo consequentemente avalizar os estudos que lhe estiveram subjacentes.
Na Faixa Piritosa, além dos concessionários já nela instalados, começaram a surgir outras Empresas, talvez alertadas pelo êxito de Carrasco-Moinho, que fora objecto de artigo publicado pela European Association of Exploration Geophysicists, que era citado em livros de texto, como os de Parasnis e Routhier.
A Faixa Piritosa acabou por ficar adjudicada, na sua quase totalidade, a empresas privadas, ficando apenas reservada para os trabalhos do SFM umas restrita área envolvente das Minas de Aljustrel.
Quando a oportunidade surgiu, foi dado início a uma campanha de prospecção gravimétrica nesta restrita área de Aljustrel.
Os resultados não se fizeram esperar.
Logo se definiu, pela primeira vez, em toda a sua expressiva dimensão e intensidade a anomalia reveladora do jazigo de Carrasco – Moinho, que tinha sido descoberto pela aplicação do método electromagnético Turam.
Definiu-se, de modo igualmente expressivo, a anomalia dos Feitais que a Companhia Lea Cross, autora do levantamento que a revelara, apenas apresentara sob a forma de perfis.
Definiu-se ainda, uma outra anomalia a NW da do Feitais, de intensidade muito menor, mas suficientemente ampla para poder ser interpretada como podendo ser originada por massa de pirite complexa, a grande profundidade.
Justificava-se, por isso, a sua investigação por sondagens.
Com base em dados geológicos de superfície, recolhidos por Geólogo da 1.ª Brigada de Prospecção, foi projectada, em 29 de Julho de 1967, a sondagem N:º 1 (vertical) do SFM, da Região de Aljustrel, tendo-se previsto encontrar a massa de pirite responsável pela ténue anomalia, à profundidade de 350 metros.
No âmbito da boa colaboração que se estabeleceu, com todas as Empresas que actuavam na Faixa Piritosa, aproveitou-se também, neste projecto, contribuição de experiente Geólogo da Sociedade Mineira de Santiago, que actuava na Bacia Terciária do Sado.
Em 16 de Agosto de 1968, a Brigada de Sondagens do 3.º Serviço do SFM deu início a esta sondagem, com equipamento apropriado para atingir a profundidade projectada.
Esta sondagem, talvez devido a alguma inexperiência do pessoal sondador, encontrou grandes dificuldades no seu avanço, acontecendo que, tendo atingido, no mês de Outubro, a profundidade de 328 metros, em vez de avançar, ia recuando, nos meses de Novembro e Dezembro seguintes, devido a constantes desmoronamentos.
Fortes pressões fui recebendo do Director-Geral, em Lisboa, por intermédio do seu adjunto, o apelidado Ajax (o mais poderoso), no sentido de dar o furo por terminado, perante as grandes despesas que estava a originar, considerando escassa a probabilidade de ser encontrado jazigo a tão grande profundidade.
A minha reacção foi a seguinte: Se a Brigada de Sondagens do SFM se declarava incompetente para executar o projecto, só havia que confiar a sua execução a entidade que o conseguisse cumprir, pois continuava por explicar a anomalia que o justificou.
As densidades dos testemunhos, que sistematicamente íamos determinando, com uso de equipamento que concebi para esse efeito, não permitiam explicar a anomalia.
Felizmente a minha posição nesta matéria foi respeitada e a Brigada de Sondagens conseguiu finalmente fazer avançar o furo.
E grande foi a minha satisfação ao mais uma vez verificar que, quando existe base sólida de raciocínio, a persistência compensa.
Em Janeiro de 1968, a sondagem começou a penetrar em massa de pirite complexa aos 350,3 m, nela permanecendo na extensão de 75 m. O furo foi dado por concluído com 516,37 m
No mesmo perfil, foi ainda realizado um segundo furo com a inclinação de 80º, para definir a atitude do jazigo. Atingiu a extensão de 548,59 m, tendo cortado o jazigo numa extensão de 96 m.
Os resultados destas duas sondagens foram considerados suficientemente atractivos para despertarem o interesse de Empresas privadas na exploração do jazigo evidenciado. O SFM deu, por finda, em 20 de Setembro de 1968, a sua actuação na investigação desta anomalia gravimétrica.
O Director-Geral de Minas quis comunicar este importante êxito ao Secretário de Estado da Indústria. Para o efeito elaborei nota sucinta. No entanto, em Lisboa, esta nota foi considerada como susceptível de não ter, junto do Secretário, suficiente impacto.
O Engenheiro adjunto do Director-Geral, o mesmo que exercera fortes pressões para dar a sondagem N.º 1 por terminada, antes de ter sido explicada a anomalia gravimétrica, elaborou novo documento, com base no meu, mas mais extenso.
Neste novo documento, não teve pejo de apor a sua assinatura, a seguir à do Director do SFM, que tinha sido o principal responsável pelo atraso da aquisição do gravímetro que esteve na base da descoberta, quando teve a seu cargo a aquisição dos equipamentos durante a vigência da anterior Direcção do SFM. Neste documento, eu fui convidado a assinar em terceiro lugar!!
Mas não foi este o único curioso acontecimento relacionado com tão importante êxito.
Em Fevereiro de 1968, o Engenheiro Adjunto do Director-Geral dá-me conhecimento de afirmações produzidas na Direcção-Geral de Minas, em Lisboa, pelos Senhores De Barsy e Jacques Louis de “Mines d’Aljustrel S.A.” perante o Director-Geral, estando ele presente, bem como o Engenheiro Freire de Andrade das Minas de Aljustrel, as quais, em sua opinião, punham em causa a minha honra.
Os representantes das Minas de Aljustrel reivindicavam a concessão do jazigo da Estação recém-descoberto, com base em afirmação que eu lhes teria feito, segunda a qual lhes seria atribuída a concessão de qualquer jazigo que viesse a ser descoberto num círculo com raio de 5 km centrado na sua concessão!! Esclareço que, nessa data as concessões mineiras eram atribuídas por alvarás assinados pelo Presidente da República!
Eu deveria apresentar documento escrito a marcar a minha posição nesta matéria.
Assim procedi e, em 1 de Março de 1968, enviei, ao Director-Geral de Minas documento de 25 páginas dactilografadas, subordinado ao título: “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo. Breve história, com especial relevo para a região de Aljustrel. Minha posição neste problema”.
Neste documento, dou conta das minhas constantes diligências no sentido de dar eficaz cumprimento ao programa de prospecção que deixei enunciado no relatório “Prospecção de pirites no Baixo Alentejo”, publicado em 1955, na Revista do SFM.
Dele destaco o resumo:
“Cremos ter demonstrado uma acção pessoal persistente, ao longo de muitos anos, no sentido de dotar o SFM dos meios que lhe permitissem atacar capazmente o problema de prospecção de pirites no baixo Alentejo e muitos outros.
Esta acção, até fins de 1963, não foi superiormente acarinhada.
Só o estatismo do SFM em tal matéria justificou que se concedessem autorizações de prospecção e pesquisa, das quais Mines d’Aljustrel S.A. beneficiou durante largos anos, em áreas contíguas ou envolventes da sua concessão.
Se se tivesse dado sequência aos programas propostos pela Brigada do Sul desde 1951, particularmente se o Engenheiro que em, 1953-54, esteve longo tempo a estudar gravimetria, tivesse continuado com este método a seu cargo, integrado numa equipa dinâmica, provavelmente todas as descobertas em Aljustrel, nos últimos 20 anos, teriam sido obra do Serviço de Fomento Mineiro.
A seguir ao Cerro do Carrasco, estava preparado o êxito do Moinho. E depois destes viriam, naturalmente os de Feitais e Estação e os que podem estar ainda para surgir.
Mines d’Aljustrel, S.A. não tem qualquer direito ao jazigo que acaba de ser evidenciado na sondagem N.º 1 do SFM.
Será, pelo contrário, talvez ocasião de pensar num aproveitamento racional das enormes reservas já reveladas nas concessões de Mines d’Aljustrel S.A. e daquelas que, seguramente, ainda podem ser evidenciadas. Trata-se de uma riqueza da Nação que deve reverter principalmente em benefício da gente portuguesa.
A tendência que vemos, em todo o Mundo, é para o aproveitamento das matérias-primas, nos países em que são extraídas. Efectivamente os grandes lucros são transferidos para as metalurgias.
Não sabemos se serão viáveis instalações destas no País. Mas sabemos que um estudo desta natureza seria mais que justificado.”
Fui informado pelo Ajax que o Director-Geral não apreciou este documento e, por isso, nem lhe deu sequer entrada!.
Todavia, eu inseri-o, como anexo, ao meu relatório do mês de Março de 1968 e ao anual de 1968. Ignoro se dos 4 exemplares que enviei ainda resta algum.
sábado, 3 de janeiro de 2009
34 – Os contratos de prospecção com empresas privadas. 3.ª parte
No âmbito da colaboração a Mining Explorations (International) (MEI), nos termos contratuais, chamei a atenção da Companhia para uma anomalia gravimétrica, na área da concessão Bicada, contígua à Mina de S. Domingos, que tinha sido detectada em levantamento efectuado na década de 50, sob a supervisão do Professor J. Bruckshaw do Imperial College of Science and Technology de Londres.
Uma flagrante semelhança desta anomalia com a de Feitais-Estação, registada na região de Aljustrel, levou-me a formular a hipótese de também ela poder corresponder a massa de pirite complexa, a grande profundidade.
A opinião do Professor Bruckshaw parecia-me, porém, essencial, visto o levantamento gravimétrico ter sido de sua autoria e eu não dispor dos dados de campo e das correcções que tinham sido introduzidas.
Perante estas reflexões, o Dr. Stanley Holmes, Presidente da MEI, sugeriu que eu fosse a Londres apresentar a minha hipótese ao Professor Bruckshaw.
O encontro no Imperial College aconteceu em 1 de Setembro de 1966, e eu tive a grande satisfação de obter a sua total concordância.
O Professor Bruckshaw justificou a pouca atenção que dera à anomalia da Bicada: “na época do seu levantamento, não se procuravam jazigos muito profundos”.
Admitindo-se agora a possibilidade de serem economicamente exploráveis jazigos com início a profundidades da ordem dos 400 a 500 metros, haveria que rever os dados de campo e as correcções introduzidas. Aconselhava, por isso, a consulta aos dados que tinha arquivados, os quais facultaria.
MEI mostrou-se interessada em os utilizar. Os cálculos que sobre eles tinham sido efectuados foram objecto de revisão, usando densidades para as correcções de Bouguer e de terreno mais em conformidade com as determinadas em sondagens na Faixa Piritosa.
Após revisão, a anomalia da Bicada revelou-se com maior nitidez e este facto levou-me a sugerir sondagem com extensão da ordem dos 500 metros.
Entusiasmado com um possível êxito que poderia revitalizar a região mineira de S. Domingos, exteriorizei esse entusiasmo perante o Colega que chefiava o 4.º Serviço, quando, acidentalmente, ele passava pelo meu gabinete. Grande foi a minha surpresa ao notar que, em vez de partilhar o meu entusiasmo perante uma previsível descoberta que, a concretizar-se, seria sobretudo um sucesso do SFM e do País, obtive como única reacção uma estupefacção manifestada por notória palidez, que interpretei como reveladora de um sentimento pouco nobre.
MEI concordou e a sondagem foi efectuada, mas os sondadores, embora exímios na técnica de perfuração, iniciaram o furo com diâmetro demasiado reduzido, com vista à profundidade a atingir.
Descuraram o controlo rigoroso da sua trajectória e eu fiquei convencido que desvios acentuados a afastaram consideravelmente do alvo pretendido. Apesar disso, houve indícios idênticos aos que tinham sido encontrados na sondagem N.º 1 de Aljustrel, antes de se ter atingido o jazigo da Estação.
Todavia, MEI, como já disse, em post anterior, decidiu abandonar a área e dar preferência a estudos que tinha em curso sobretudo em Espanha, com bons resultados.
Era meu parecer que a área de S.Domingos conservava potencialidades merecedoras de investigação. Seria caso único, na Faixa Piritosa a existência de importante zona mineira contendo apenas uma única massa de pirite.
Assim o considerou, também, o Dr. Stanley Holmes, quando criou a Intermine Limited, com capitais de outras empresas
Esta nova Companhia, após celebração de contrato com o Estado Português, para investigação de uma área restrita envolvente da Mina de S. Domingos, fez deslocar a esta zona mineira um especialista em métodos eléctricos de prospecção, pertencente ao Quadro da Companhia americana Amax, para aplicação de uma nova técnica, na qual depositava grandes esperanças.
Da aplicação desta técnica resultou um projecto de sondagens para atingirem profundidades inferiores a 200 metros.
Fiquei francamente surpreendido com tal projecto, pois a minha experiência já me tinha levado a concluir que, se existissem concentrações de pirite a tais profundidades, elas teriam uma expressão gravimétrica clara e pronunciada. E tal não era o caso.
As sondagens foram iniciadas e os resultados estavam a ser decepcionantes.
Sem possibilidade de ter uma intervenção vigorosa, por não ter sido nomeado representante da Direcção-Geral de Minas junto de Intermine Limited, fui assistindo ao desperdício de tempo e dinheiro em sondagens com escasso fundamento.
Ocorreu, entretanto, a Revolução de Abril de 1974.
O Director-Geral de Minas e o Director do SFM, que exerciam as suas funções, mais por protecção política do regime deposto do que por competência comprovada em currículo profissional, sentiram obviamente os seu s cargos em perigo.
O Director-Geral estava ciente da minha discordância da política de Salazar, sobretudo na preferência que dava aos seus apaniguados para o preenchimento de importantes lugares de chefia, em detrimento da competência profissional, residindo aí a principal causa do grande atraso no desenvolvimento do País.
Isto havia eu dito, em 1965, em viagem que ambos fizemos à região de Portel, acompanhados de uma terceira personagem como reacção aos seus elogios à Salazar.
Esta terceira personagem, que me não fora apresentada, manteve-se sempre calada, levantando-me a suspeita de se tratar de agente da Pide, ao qual o Director-Geral me tivesse pretendido denunciar! Soube mais tarde que era um seu afilhado, finalista do Curso de Geologia. A este personagem me referirei, em devido tempo.
Em 15 de Junho de 1974, isto é, pouco tempo após a Revolução, o Director-Geral, numa das suas deslocações à sede do SFM em S. Mamede de Infesta, veio ao meu gabinete, pelas 9 horas da manhã, para me informar da minha nomeação como seu representante junto de Intermine Limited, justificando o atraso com entraves suscitados pelo Secretário de Estado da Indústria.
Na conversa que tivemos, houve uma revelação que me deixou estupefacto, perante anteriores declarações públicas do Director-Geral. Mostrava-se agora simpatizante da Revolução, ele que até, no seu passado político, podia vangloriar-se de ter sido preso pela Pide!
A minha pronta reacção à nomeação junto de Intermine, foi de que ela pecava por tardia, pois a Companhia já havia decidido abandonar a região mineira de S. Domingos, perante os resultados negativos que estava a registar. Informei que, por falta de autoridade, não tinha conseguido evitar os seus erros flagrantes.
Já na qualidade de representante da Direcção-Geral de Minas, escrevi então carta ao Dr. Stanley Holmes a manifestar a minha divergência relativamente aos últimos estudos de Intermine Limited, na zona mineira de S. Domingos.
Em resultado desta carta, veio propositadamente da Irlanda, para ter encontro comigo, um técnico de uma das empresas que integravam Intermine.
Das conversas que tivemos, houve total acordo com o meu parecer de que as sondagens que ainda se encontravam em curso não tinham justificação. Fui informado de que o programa de sondagens teria que prosseguir, apenas para cumprimento do contrato com o empreiteiro.
Assim terminou a minha participação nas actividades de prospecção na zona mineira de S. Domingos.
Como já referi, em post anterior, as liberdades introduzidas pela Revolução de Abril de 1974, foram interpretadas, no pior sentido, por um conjunto de oportunistas e eu acabei por ser afastado da orientação dos estudos do SFM no Sul de Portugal. Isto constituirá matéria para vários posts, que ajudarão a compreender porque se extinguiu um importante Organismo criador de riqueza, como era o SFM.
Ignoro se a zona mineira de S. Domingos foi objecto de novos estudos e, em caso afirmativo, se estes foram devidamente acompanhados por pessoal do SFM ou de outro departamento da Direcção-Geral de Minas ou do Instituto que veio substituir este Organismo.
Sem possibilidade de conhecer a evolução dos estudos nesta zona, mantenho o parecer de que não estão esgotadas as possibilidades de virem a encontrar-se novas massa de pirite na região mineira de S, Domingos.
Continua
Uma flagrante semelhança desta anomalia com a de Feitais-Estação, registada na região de Aljustrel, levou-me a formular a hipótese de também ela poder corresponder a massa de pirite complexa, a grande profundidade.
A opinião do Professor Bruckshaw parecia-me, porém, essencial, visto o levantamento gravimétrico ter sido de sua autoria e eu não dispor dos dados de campo e das correcções que tinham sido introduzidas.
Perante estas reflexões, o Dr. Stanley Holmes, Presidente da MEI, sugeriu que eu fosse a Londres apresentar a minha hipótese ao Professor Bruckshaw.
O encontro no Imperial College aconteceu em 1 de Setembro de 1966, e eu tive a grande satisfação de obter a sua total concordância.
O Professor Bruckshaw justificou a pouca atenção que dera à anomalia da Bicada: “na época do seu levantamento, não se procuravam jazigos muito profundos”.
Admitindo-se agora a possibilidade de serem economicamente exploráveis jazigos com início a profundidades da ordem dos 400 a 500 metros, haveria que rever os dados de campo e as correcções introduzidas. Aconselhava, por isso, a consulta aos dados que tinha arquivados, os quais facultaria.
MEI mostrou-se interessada em os utilizar. Os cálculos que sobre eles tinham sido efectuados foram objecto de revisão, usando densidades para as correcções de Bouguer e de terreno mais em conformidade com as determinadas em sondagens na Faixa Piritosa.
Após revisão, a anomalia da Bicada revelou-se com maior nitidez e este facto levou-me a sugerir sondagem com extensão da ordem dos 500 metros.
Entusiasmado com um possível êxito que poderia revitalizar a região mineira de S. Domingos, exteriorizei esse entusiasmo perante o Colega que chefiava o 4.º Serviço, quando, acidentalmente, ele passava pelo meu gabinete. Grande foi a minha surpresa ao notar que, em vez de partilhar o meu entusiasmo perante uma previsível descoberta que, a concretizar-se, seria sobretudo um sucesso do SFM e do País, obtive como única reacção uma estupefacção manifestada por notória palidez, que interpretei como reveladora de um sentimento pouco nobre.
MEI concordou e a sondagem foi efectuada, mas os sondadores, embora exímios na técnica de perfuração, iniciaram o furo com diâmetro demasiado reduzido, com vista à profundidade a atingir.
Descuraram o controlo rigoroso da sua trajectória e eu fiquei convencido que desvios acentuados a afastaram consideravelmente do alvo pretendido. Apesar disso, houve indícios idênticos aos que tinham sido encontrados na sondagem N.º 1 de Aljustrel, antes de se ter atingido o jazigo da Estação.
Todavia, MEI, como já disse, em post anterior, decidiu abandonar a área e dar preferência a estudos que tinha em curso sobretudo em Espanha, com bons resultados.
Era meu parecer que a área de S.Domingos conservava potencialidades merecedoras de investigação. Seria caso único, na Faixa Piritosa a existência de importante zona mineira contendo apenas uma única massa de pirite.
Assim o considerou, também, o Dr. Stanley Holmes, quando criou a Intermine Limited, com capitais de outras empresas
Esta nova Companhia, após celebração de contrato com o Estado Português, para investigação de uma área restrita envolvente da Mina de S. Domingos, fez deslocar a esta zona mineira um especialista em métodos eléctricos de prospecção, pertencente ao Quadro da Companhia americana Amax, para aplicação de uma nova técnica, na qual depositava grandes esperanças.
Da aplicação desta técnica resultou um projecto de sondagens para atingirem profundidades inferiores a 200 metros.
Fiquei francamente surpreendido com tal projecto, pois a minha experiência já me tinha levado a concluir que, se existissem concentrações de pirite a tais profundidades, elas teriam uma expressão gravimétrica clara e pronunciada. E tal não era o caso.
As sondagens foram iniciadas e os resultados estavam a ser decepcionantes.
Sem possibilidade de ter uma intervenção vigorosa, por não ter sido nomeado representante da Direcção-Geral de Minas junto de Intermine Limited, fui assistindo ao desperdício de tempo e dinheiro em sondagens com escasso fundamento.
Ocorreu, entretanto, a Revolução de Abril de 1974.
O Director-Geral de Minas e o Director do SFM, que exerciam as suas funções, mais por protecção política do regime deposto do que por competência comprovada em currículo profissional, sentiram obviamente os seu s cargos em perigo.
O Director-Geral estava ciente da minha discordância da política de Salazar, sobretudo na preferência que dava aos seus apaniguados para o preenchimento de importantes lugares de chefia, em detrimento da competência profissional, residindo aí a principal causa do grande atraso no desenvolvimento do País.
Isto havia eu dito, em 1965, em viagem que ambos fizemos à região de Portel, acompanhados de uma terceira personagem como reacção aos seus elogios à Salazar.
Esta terceira personagem, que me não fora apresentada, manteve-se sempre calada, levantando-me a suspeita de se tratar de agente da Pide, ao qual o Director-Geral me tivesse pretendido denunciar! Soube mais tarde que era um seu afilhado, finalista do Curso de Geologia. A este personagem me referirei, em devido tempo.
Em 15 de Junho de 1974, isto é, pouco tempo após a Revolução, o Director-Geral, numa das suas deslocações à sede do SFM em S. Mamede de Infesta, veio ao meu gabinete, pelas 9 horas da manhã, para me informar da minha nomeação como seu representante junto de Intermine Limited, justificando o atraso com entraves suscitados pelo Secretário de Estado da Indústria.
Na conversa que tivemos, houve uma revelação que me deixou estupefacto, perante anteriores declarações públicas do Director-Geral. Mostrava-se agora simpatizante da Revolução, ele que até, no seu passado político, podia vangloriar-se de ter sido preso pela Pide!
A minha pronta reacção à nomeação junto de Intermine, foi de que ela pecava por tardia, pois a Companhia já havia decidido abandonar a região mineira de S. Domingos, perante os resultados negativos que estava a registar. Informei que, por falta de autoridade, não tinha conseguido evitar os seus erros flagrantes.
Já na qualidade de representante da Direcção-Geral de Minas, escrevi então carta ao Dr. Stanley Holmes a manifestar a minha divergência relativamente aos últimos estudos de Intermine Limited, na zona mineira de S. Domingos.
Em resultado desta carta, veio propositadamente da Irlanda, para ter encontro comigo, um técnico de uma das empresas que integravam Intermine.
Das conversas que tivemos, houve total acordo com o meu parecer de que as sondagens que ainda se encontravam em curso não tinham justificação. Fui informado de que o programa de sondagens teria que prosseguir, apenas para cumprimento do contrato com o empreiteiro.
Assim terminou a minha participação nas actividades de prospecção na zona mineira de S. Domingos.
Como já referi, em post anterior, as liberdades introduzidas pela Revolução de Abril de 1974, foram interpretadas, no pior sentido, por um conjunto de oportunistas e eu acabei por ser afastado da orientação dos estudos do SFM no Sul de Portugal. Isto constituirá matéria para vários posts, que ajudarão a compreender porque se extinguiu um importante Organismo criador de riqueza, como era o SFM.
Ignoro se a zona mineira de S. Domingos foi objecto de novos estudos e, em caso afirmativo, se estes foram devidamente acompanhados por pessoal do SFM ou de outro departamento da Direcção-Geral de Minas ou do Instituto que veio substituir este Organismo.
Sem possibilidade de conhecer a evolução dos estudos nesta zona, mantenho o parecer de que não estão esgotadas as possibilidades de virem a encontrar-se novas massa de pirite na região mineira de S, Domingos.
Continua
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
33 – Os contratos de prospecção com empresas privadas. 2.ª parte
As minhas recomendações à Mining Explorations (International) (MEI) sobre a aplicação intensiva da gravimetria, de preferência às sondagens com insuficiente apoio geofísico, não foram tidas na devida consideração e a Companhia via passar o tempo sem obter resultados positivos.
Começou a ficar desanimada e chegou a ponderar o abandono da área que lhe estava adjudicada, antes do termo do contrato.
Aconteceu, porém, um facto que levou MEI a rever esta atitude negativa.
O SFM acabava de revelar, na área de Aljustrel, que tinha conservado para as suas próprias investigações, uma grande concentração de minério piritoso com disseminação abundante de blenda e menor percentagem de galena e calcopirite.
Esta concentração mineral, que se situa no mesmo horizonte onde se localiza o jazigo de Feitais, anteriormente descoberto através dos estudos da Lea Cross Geophysical Company, ficou designada como jazigo da Estação, dada a proximidade da estação de caminho de ferro de Aljustrel.
Perante tão notável êxito, (a ele dedicarei um próximo post), MEI recuou na sua decisão, criando novo ânimo para continuar os seus estudos, por reconhecer que a parcela da Faixa Piritosa, que lhe estava adjudicada, mantinha ainda intactas áreas com forte potencialidade para a ocorrência de novos jazigos.
MEI, consciente do decisivo papel que eu tinha vindo a desempenhar na valorização da Faixa Piritosa Alentejana e da valiosa colaboração que tinha vindo a prestar-lhe, teve a simpatia de festejar a descoberta, no dia 28-3-1968, convidando-me para um jantar, no Hotel Tivoli, no qual estiveram presentes os mais altos dirigentes das Companhias que participavam no Consórcio.
Foram eles: Dr. Stanley Holmes (Presidente de MEI), Dr. Armstrong (Presidente de Cominco canadiana), Dr. Taylor (Presidente de Union Corporation sul-africana), Geólogo sénior Dr. Stam, Professor José Ávila Martins (representante de MEI em Portugal), Dr. Robert Batey (principal responsável pelos trabalhos de campo de MEI).
No final do repasto, houve discursos exaltando o mérito do êxito e manifestando o forte empenho de MEI em dar continuidade às suas investigações.
Quando chegou o momento para eu agradecer tão grande manifestação de apreço, causei alguma perplexidade aos meus anfitriões, ao declarar que se MEI ainda não tinha descoberto jazigo algum foi porque ainda o não merecera.
Salientei que a descoberta da Estação tinha sido a consequência de 20 anos de persistentes estudos, sem esmorecimentos perante alguns inevitáveis resultados negativos quanto a descobertas, mas positivos pela acréscimo de informação que auxiliara a encontrar os alvos desejados.
Classificava a actividade de MEI insuficiente para poder aspirar a um sucesso. Apesar de MEI já ter despendido cerca de 30 000 contos (o equivalente a perto de um milhão de euros actuais) era preciso trabalhar muito mais!
Mais tarde, o Geólogo Dr. Batey que estava encarregado da maior parte dos estudos no terreno, cujo esforço talvez não estivesse a ser devidamente apreciado, agradeceu-me vivamente esta intervenção.
Todavia, não se verificou no terreno a intensificação prometida, sobretudo em campanhas de gravimetria que eu tinha recomendado vigorosamente.
MEI não criou a sua própria equipa para a aplicação desta técnica.
Expirado o prazo de validade do seu contrato, sem ter descoberto jazigos, MEI não se interessou em celebrar novo contrato, preferindo fazer os seus investimentos em áreas de outros países onde estava a obter francos sucessos.
O seu Presidente Dr. Stanley Holmes formou novo Consórcio com capitais de outras Companhias e firmou contrato com o Estado para uma área envolvente das Minas de S. Domingos e Bicada, onde considerava existirem boas probabilidades de existência de novas massa de pirite, apesar das muitas sondagens que nessa área já tinham sido feitas.
O Director-Geral, por motivos que não me foram revelados, decidiu não me nomear seu representante junto desta nova Companhia, acontecendo que, sendo eu o único Engenheiro da Direcção-Geral a acompanhar os estudos de todas as Companhias que actuavam na Faixa Piritosa e a neles colaborar, era o único que não era remunerado por esta actividade suplementar!
Foi este o modo que o Director-Geral encontrou para manifestar o seu apreço pelo êxito da Estação de que eu tinha sido o principal autor. Mas não foi único, como irei revelar, nas devidas oportunidades.
Imediatamente após a libertação da vasta área que havia sido adjudicada a MEI, promovi que fossem realizados levantamentos gravimétricos numa área de cerca de 100 km2 que abrangia a Mina de Algaré e outras ocorrências cupríferas,
Logo começou a evidenciar-se extensa e pronunciada anomalia que viria a dar origem à descoberta do já célebre jazigo de Neves-Corvo.
A este tema dedicarei vários posts, para reposição da verdade que tem sido escandalosamente desrespeitada, em artigos publicados com grosseiros erros, em prestigiadas Revistas de vários países.
Alguns Geólogos oportunistas têm-se feito passar por autores do êxito, no qual tiveram intervenção insignificante, nula ou até negativa, chegando ao cúmulo de receber louvores em Diário do Governo e condecorações do Governo francês, com apoio presencial de altos dirigentes nacionais.
Continua ...
Começou a ficar desanimada e chegou a ponderar o abandono da área que lhe estava adjudicada, antes do termo do contrato.
Aconteceu, porém, um facto que levou MEI a rever esta atitude negativa.
O SFM acabava de revelar, na área de Aljustrel, que tinha conservado para as suas próprias investigações, uma grande concentração de minério piritoso com disseminação abundante de blenda e menor percentagem de galena e calcopirite.
Esta concentração mineral, que se situa no mesmo horizonte onde se localiza o jazigo de Feitais, anteriormente descoberto através dos estudos da Lea Cross Geophysical Company, ficou designada como jazigo da Estação, dada a proximidade da estação de caminho de ferro de Aljustrel.
Perante tão notável êxito, (a ele dedicarei um próximo post), MEI recuou na sua decisão, criando novo ânimo para continuar os seus estudos, por reconhecer que a parcela da Faixa Piritosa, que lhe estava adjudicada, mantinha ainda intactas áreas com forte potencialidade para a ocorrência de novos jazigos.
MEI, consciente do decisivo papel que eu tinha vindo a desempenhar na valorização da Faixa Piritosa Alentejana e da valiosa colaboração que tinha vindo a prestar-lhe, teve a simpatia de festejar a descoberta, no dia 28-3-1968, convidando-me para um jantar, no Hotel Tivoli, no qual estiveram presentes os mais altos dirigentes das Companhias que participavam no Consórcio.
Foram eles: Dr. Stanley Holmes (Presidente de MEI), Dr. Armstrong (Presidente de Cominco canadiana), Dr. Taylor (Presidente de Union Corporation sul-africana), Geólogo sénior Dr. Stam, Professor José Ávila Martins (representante de MEI em Portugal), Dr. Robert Batey (principal responsável pelos trabalhos de campo de MEI).
No final do repasto, houve discursos exaltando o mérito do êxito e manifestando o forte empenho de MEI em dar continuidade às suas investigações.
Quando chegou o momento para eu agradecer tão grande manifestação de apreço, causei alguma perplexidade aos meus anfitriões, ao declarar que se MEI ainda não tinha descoberto jazigo algum foi porque ainda o não merecera.
Salientei que a descoberta da Estação tinha sido a consequência de 20 anos de persistentes estudos, sem esmorecimentos perante alguns inevitáveis resultados negativos quanto a descobertas, mas positivos pela acréscimo de informação que auxiliara a encontrar os alvos desejados.
Classificava a actividade de MEI insuficiente para poder aspirar a um sucesso. Apesar de MEI já ter despendido cerca de 30 000 contos (o equivalente a perto de um milhão de euros actuais) era preciso trabalhar muito mais!
Mais tarde, o Geólogo Dr. Batey que estava encarregado da maior parte dos estudos no terreno, cujo esforço talvez não estivesse a ser devidamente apreciado, agradeceu-me vivamente esta intervenção.
Todavia, não se verificou no terreno a intensificação prometida, sobretudo em campanhas de gravimetria que eu tinha recomendado vigorosamente.
MEI não criou a sua própria equipa para a aplicação desta técnica.
Expirado o prazo de validade do seu contrato, sem ter descoberto jazigos, MEI não se interessou em celebrar novo contrato, preferindo fazer os seus investimentos em áreas de outros países onde estava a obter francos sucessos.
O seu Presidente Dr. Stanley Holmes formou novo Consórcio com capitais de outras Companhias e firmou contrato com o Estado para uma área envolvente das Minas de S. Domingos e Bicada, onde considerava existirem boas probabilidades de existência de novas massa de pirite, apesar das muitas sondagens que nessa área já tinham sido feitas.
O Director-Geral, por motivos que não me foram revelados, decidiu não me nomear seu representante junto desta nova Companhia, acontecendo que, sendo eu o único Engenheiro da Direcção-Geral a acompanhar os estudos de todas as Companhias que actuavam na Faixa Piritosa e a neles colaborar, era o único que não era remunerado por esta actividade suplementar!
Foi este o modo que o Director-Geral encontrou para manifestar o seu apreço pelo êxito da Estação de que eu tinha sido o principal autor. Mas não foi único, como irei revelar, nas devidas oportunidades.
Imediatamente após a libertação da vasta área que havia sido adjudicada a MEI, promovi que fossem realizados levantamentos gravimétricos numa área de cerca de 100 km2 que abrangia a Mina de Algaré e outras ocorrências cupríferas,
Logo começou a evidenciar-se extensa e pronunciada anomalia que viria a dar origem à descoberta do já célebre jazigo de Neves-Corvo.
A este tema dedicarei vários posts, para reposição da verdade que tem sido escandalosamente desrespeitada, em artigos publicados com grosseiros erros, em prestigiadas Revistas de vários países.
Alguns Geólogos oportunistas têm-se feito passar por autores do êxito, no qual tiveram intervenção insignificante, nula ou até negativa, chegando ao cúmulo de receber louvores em Diário do Governo e condecorações do Governo francês, com apoio presencial de altos dirigentes nacionais.
Continua ...
sábado, 13 de dezembro de 2008
32 – Os contratos de prospecção com empresas privadas.
O SFM foi criado para suprir a escassez de iniciativa privada séria para o aproveitamento dos recursos minerais do País.
Para impedir que viessem a ser requeridas concessões dentro das suas áreas de estudo, aproveitando resultados conseguidos pelo SFM sem as correspondentes contrapartidas, foram declaradas cativas para o Estado, por portarias publicadas no Diário do Governo, vastas áreas, sobretudo no Alentejo, onde decorria a quase totalidade das investigações em prospecção mineira.
Todavia, uma incompreensível morosidade da Direcção do SFM em dar andamento ao processo de aquisição de equipamentos de prospecção, considerados essenciais (são disso exemplo os 10 anos para se adquirir um gravímetro, apesar das insistentes referências à sua indispensabilidade, feitas em projectos de trabalhos e em outros documentos !!), deu origem a que empresas, sobretudo estrangeiras, se antecipassem ao SFM, mostrando-se interessadas na aplicação de técnicas modernas, para aumentar as suas reservas minerais, e requeressem autorizações para investigar zonas situadas no interior de áreas cativas para os trabalhos do SFM.
Para alguns destes requerimentos, chegou a ser pedida a minha informação.
Como o papel do SFM não era impedir a iniciativa privada mas, pelo contrário, estimulá-la, as minhas informações foram favoráveis, enquanto o SFM se não equipava convenientemente.
Foi assim que foram concedidas autorizações a todos os concessionários radicados na Faixa Piritosa Alentejana, sem outras condições para além da apresentação de relatórios periódicos sobre a sua actividade e sobre os resultados conseguidos.
Já revelei, em post anterior, a generosidade excessiva do contrato celebrado em 1960 com a CRAM (Compagnie Royale Asturienne des Mines), para o qual não fora pedida a minha informação.
Em 1965, começaram a aparecer outras empresas e outros grupos empresariais a manifestar interesse em fazer investimentos em Portugal, com vista à futura exploração de jazigos minerais
O Director-Geral então em exercício, acolheu bem este interesse mas informou que a generosidade dos contratos anteriores não iria repetir-se.
O SFM encontrava-se já razoavelmente preparado para cumprir os programas de prospecção para que tinha sido criado e estava em curso a aquisição de novos equipamentos e a especialização de técnicos para deles fazer bom uso.
Por isso, só seriam concedidos direitos de prospecção, no interior de áreas cativas, com vista à futura atribuição de novas concessões de exploração dos jazigos que viessem a ser revelados, mediante compensações.
Foi para a Faixa Piritosa Alentejana que se celebraram os principais contratos, por negociação directa com as entidades interessadas.
Em 1966 foi adjudicada a quase totalidade da Faixa.
O SFM apenas manteve, para estudos nesta Faixa, uma pequena área envolvente das Minas de Aljustrel, onde tinha em curso campanha de prospecção com aplicação privilegiada da técnica gravimétrica.
À Mining Explorations (International) (MEI) foi adjudicada uma vasta parcela de cerca de 4.000 km2, desde a fronteira nas proximidades da Mina de S. Domingos até às Minas de Aljustrel.
À Sociedade Mineira de Santiago, afiliada da CUF (Companhia União Fabril), foi atribuída a Bacia Terciária do Sado, entre as Minas de Aljustrel e Louzal.
A Mines et Industries, concessionária das Minas de Caveira e de Louzal, foi adjudicada uma área envolvente das suas concessões.
Todos estes contratos incluíam cláusulas sobre compensações ao Estado, que foram consideradas vantajosas.
Incluíam, além disso, outra cláusula, segundo a qual a Direcção-Geral de Minas nomearia um seu representante, junto de cada um dos contratantes, para acompanhar os trabalhos e prestar colaboração, tendo em vista facilitar a sua actividade.
Eu fui o representante junto de MEI; o Chefe do 3.º Serviço, que tinha a seu cargo os Petróleos e as Sondagens, foi o representante nomeado junto de Mines et Industries; outro Engenheiro que estava destacado na Circunscrição Mineira do Sul, mas exercia sobretudo funções de adjunto do Director-Geral (o apelidado de Ajax) foi o representante junto da Sociedade Mineira de Santiago.
Nem o Chefe do 3.º Serviço nem o adjunto do Director-Geral tinham a mínima experiência nas técnicas de prospecção aplicáveis na Faixa Piritosa, nem tinham exercido qualquer actividade nesta Faixa.
Estes dois Engenheiros e o Engenheiro Chefe do 4.º Serviço, que tinha a seu cargo o inventário das pedreiras, constituíam o designado “Gabinete de Estudos”, que funcionava junto do Director-Geral.
Nunca conheci a que estudos se dedicaram, nem percebi a razão pela qual os Chefes dos 3.º e 4.º Serviços exerciam as suas funções em Lisboa, junto do Director-Geral, quando eu (Chefe do 1.º Serviço) e o Chefe do 2.º Serviço desempenhávamos as nossas actividades a partir da sede do SFM em S. Mamede de Infesta.
Mas o Director-Geral resolveu compensá-los da sua dedicação, nomeando dois deles representantes simbólicos da Direcção-Geral junto das empresas, para lhes poder atribuir remuneração adicional.
Perante a sua total impreparação, fui eu o efectivo representante da Direcção Geral de Minas junto de todas as empresas contratantes.
A experiência adquirida durante os 20 anos que passara no Alentejo, sem nunca descurar o problema das pirites, dava-me essa possibilidade sem grande esforço.
Nas raras reuniões em que esses simbólicos representantes estiveram presentes, o que eu mais desejava era que as suas descabidas intervenções não viessem perturbar a análise dos problemas suscitados pelos trabalhos que se iam realizando.
Entre o Serviço de Prospecção do SFM, sob minha chefia, e as empresas estabeleceu-se uma estreita colaboração de que resultaram benefícios mútuos.
A elevada competência dos Geólogos integrados em todas as Empresas foi de grande utilidade para um conhecimento mais profundo da estrutura geológica da Faixa Piritosa.
Por outro lado, a experiência que o SFM vinha adquirindo com a aplicação das técnicas geofísicas, foi de extrema utilidade para as Empresas, pois todas, reconhecendo a sua qualidade, passaram a solicitar que o SFM realizasse para elas, campanhas sobretudo de gravimetria.
O SFM facturava essas campanhas com uma sobrecarga de 50% sobre o seu custo, valor que era considerado pelas empresas muito atractivo, quando comparado com o custo que seria facturado por especialistas estrangeiros que viessem cumprir contratos a Portugal.
As solicitações eram tantas que cheguei a ponderar a aquisição de um terceiro gravímetro. Já tínhamos dois gravímetros quase totalmente absorvidos pelas solicitações das empresas, atrasando assim os nossos programas próprios. Não fiz proposta, apenas porque continuava a enfrentar o grave problema da remuneração ao pessoal assalariado que teria que recrutar localmente e fazer preparar. Apesar das constantes exposições sobre este grave problema e de fazer notar que a actividade do 1.º Serviço não constituía encargo para o erário público, a Direcção-Geral da Contabilidade Pública não dava andamento às propostas de revisão salarial que lhe eram remetidas, segundo informava o Director do SFM. Dificilmente já conseguíamos manter o pessoal ao qual tínhamos dado formação especializada. Já tínhamos que atribuir, a vários deles, categorias de mais elevados salários da tabela superiormente aprovada, que não correspondiam às funções realmente desempenhadas.
Mining Explorations (International), detentora da maior área, privilegiava a execução de sondagens, com base nos seus estudos geológicos e em alguma gravimetria.
Na minha qualidade de representante da Direcção Geral de Minas junto da Companhia e de seu colaborador, apresentei relatórios com recomendações de trabalhos, acentuando a importância da técnica gravimétrica e aconselhando o seu mais amplo uso, antes de se passar à execução de sondagens.
No meu 3.º relatório, com data de 15-3-1968, do qual anexei cópia ao meu relatório mensal enviado ao Director do SFM, chamei vigorosamente a atenção de MEI para a necessidade de incrementar o uso da técnica gravimétrica, considerando a vastidão da área que lhe estava adjudicada.
Deste relatório, destaco as seguintes passagens:
“Além das áreas que já anteriormente foram objecto de levantamentos gravimétricos, muitas outras há, dentro da concessão de Mining explorations (International), onde nunca o método foi utilizado.
Recordamos, por exemplo, que na vasta área de rochas vulcânicas de Castro Verde – Panoias, que tem uma extensão superior a 30 km e uma largura que atinge 10 km, muito poucos trabalhos de prospecção gravimétrica se fizeram, até à data.”
…
“Noutras vastas áreas, como as de Albernoa, Juliana, Pomarão, Alcoutim e Ourique, onde a potencialidade é também grande, nada, praticamente foi feito, em matéria de prospecção gravimétrica.
Aconselhamos vigorosamente a aplicação deste método.
Lembremo-nos de que, a todos os jazigos novos conhecidos na Faixa Piritosa Alentejana correspondem anomalias bem definidas pela gravimetria, o mesmo não podendo afirmar de qualquer dos outros métodos que têm sido aplicados.
O Serviço de Fomento Mineiro poderá continuar a prestar a sua colaboração na matéria, em campanhas de curta duração, tal como fez em anos anteriores. As numerosas solicitações que tem de várias Companhias e o seu programa próprio não lhe permitem comprometer-se em campanhas longas.
Como o tempo de que dispõe Mining Ezxplorations (International), contando já com as prováveis prorrogações, é muito limitado para a cobertura de todas as áreas favoráveis, é aconselhável que Mining Explorations (International) disponha de, pelo menos, uma equipa de gravimetria, em trabalho permanente, até ao termo do contrato com o Estado Português.
Na impossibilidade de o Serviço de Fomento Mineiro lhe poder dar este apoio permanente, sugerimos que Mining Explorations (International) crie a sua própria equipa.
Computamos em cerca de 4.000$00/dia a despesa de uma destas equipas (contando já com a amortização de gravímetro, taqueómetro, níveis, viatura e outro equipamento auxiliar, em 5 anos, e duas estadias de Mr. Roux em Portugal, como supervisor deste trabalho).
…
Não se aconselham novas sondagens na Faixa Piritosa, sem haver um número suficientemente grande de anomalias gravimétricas que permita fazer uma selecção das verdadeiramente auspiciosas.
Quanto maior for o número de anomalias para escolha, maior será a probabilidade de sucesso.
Não deve esquecer-se que as maiores despesas na procura de jazigos minerais são as feitas pelas sondagens.
Um mês de trabalho com o gravímetro (considerando 50 observações diárias com malha d 100m x 100m) dá informação sobre 13 km2, a um custo muito inferior a 10 contos por km2. Uma só sondagem custa geralmente, algumas dezenas de vezes mais e a informação que presta é muito mais limitada”
Continua...
Para impedir que viessem a ser requeridas concessões dentro das suas áreas de estudo, aproveitando resultados conseguidos pelo SFM sem as correspondentes contrapartidas, foram declaradas cativas para o Estado, por portarias publicadas no Diário do Governo, vastas áreas, sobretudo no Alentejo, onde decorria a quase totalidade das investigações em prospecção mineira.
Todavia, uma incompreensível morosidade da Direcção do SFM em dar andamento ao processo de aquisição de equipamentos de prospecção, considerados essenciais (são disso exemplo os 10 anos para se adquirir um gravímetro, apesar das insistentes referências à sua indispensabilidade, feitas em projectos de trabalhos e em outros documentos !!), deu origem a que empresas, sobretudo estrangeiras, se antecipassem ao SFM, mostrando-se interessadas na aplicação de técnicas modernas, para aumentar as suas reservas minerais, e requeressem autorizações para investigar zonas situadas no interior de áreas cativas para os trabalhos do SFM.
Para alguns destes requerimentos, chegou a ser pedida a minha informação.
Como o papel do SFM não era impedir a iniciativa privada mas, pelo contrário, estimulá-la, as minhas informações foram favoráveis, enquanto o SFM se não equipava convenientemente.
Foi assim que foram concedidas autorizações a todos os concessionários radicados na Faixa Piritosa Alentejana, sem outras condições para além da apresentação de relatórios periódicos sobre a sua actividade e sobre os resultados conseguidos.
Já revelei, em post anterior, a generosidade excessiva do contrato celebrado em 1960 com a CRAM (Compagnie Royale Asturienne des Mines), para o qual não fora pedida a minha informação.
Em 1965, começaram a aparecer outras empresas e outros grupos empresariais a manifestar interesse em fazer investimentos em Portugal, com vista à futura exploração de jazigos minerais
O Director-Geral então em exercício, acolheu bem este interesse mas informou que a generosidade dos contratos anteriores não iria repetir-se.
O SFM encontrava-se já razoavelmente preparado para cumprir os programas de prospecção para que tinha sido criado e estava em curso a aquisição de novos equipamentos e a especialização de técnicos para deles fazer bom uso.
Por isso, só seriam concedidos direitos de prospecção, no interior de áreas cativas, com vista à futura atribuição de novas concessões de exploração dos jazigos que viessem a ser revelados, mediante compensações.
Foi para a Faixa Piritosa Alentejana que se celebraram os principais contratos, por negociação directa com as entidades interessadas.
Em 1966 foi adjudicada a quase totalidade da Faixa.
O SFM apenas manteve, para estudos nesta Faixa, uma pequena área envolvente das Minas de Aljustrel, onde tinha em curso campanha de prospecção com aplicação privilegiada da técnica gravimétrica.
À Mining Explorations (International) (MEI) foi adjudicada uma vasta parcela de cerca de 4.000 km2, desde a fronteira nas proximidades da Mina de S. Domingos até às Minas de Aljustrel.
À Sociedade Mineira de Santiago, afiliada da CUF (Companhia União Fabril), foi atribuída a Bacia Terciária do Sado, entre as Minas de Aljustrel e Louzal.
A Mines et Industries, concessionária das Minas de Caveira e de Louzal, foi adjudicada uma área envolvente das suas concessões.
Todos estes contratos incluíam cláusulas sobre compensações ao Estado, que foram consideradas vantajosas.
Incluíam, além disso, outra cláusula, segundo a qual a Direcção-Geral de Minas nomearia um seu representante, junto de cada um dos contratantes, para acompanhar os trabalhos e prestar colaboração, tendo em vista facilitar a sua actividade.
Eu fui o representante junto de MEI; o Chefe do 3.º Serviço, que tinha a seu cargo os Petróleos e as Sondagens, foi o representante nomeado junto de Mines et Industries; outro Engenheiro que estava destacado na Circunscrição Mineira do Sul, mas exercia sobretudo funções de adjunto do Director-Geral (o apelidado de Ajax) foi o representante junto da Sociedade Mineira de Santiago.
Nem o Chefe do 3.º Serviço nem o adjunto do Director-Geral tinham a mínima experiência nas técnicas de prospecção aplicáveis na Faixa Piritosa, nem tinham exercido qualquer actividade nesta Faixa.
Estes dois Engenheiros e o Engenheiro Chefe do 4.º Serviço, que tinha a seu cargo o inventário das pedreiras, constituíam o designado “Gabinete de Estudos”, que funcionava junto do Director-Geral.
Nunca conheci a que estudos se dedicaram, nem percebi a razão pela qual os Chefes dos 3.º e 4.º Serviços exerciam as suas funções em Lisboa, junto do Director-Geral, quando eu (Chefe do 1.º Serviço) e o Chefe do 2.º Serviço desempenhávamos as nossas actividades a partir da sede do SFM em S. Mamede de Infesta.
Mas o Director-Geral resolveu compensá-los da sua dedicação, nomeando dois deles representantes simbólicos da Direcção-Geral junto das empresas, para lhes poder atribuir remuneração adicional.
Perante a sua total impreparação, fui eu o efectivo representante da Direcção Geral de Minas junto de todas as empresas contratantes.
A experiência adquirida durante os 20 anos que passara no Alentejo, sem nunca descurar o problema das pirites, dava-me essa possibilidade sem grande esforço.
Nas raras reuniões em que esses simbólicos representantes estiveram presentes, o que eu mais desejava era que as suas descabidas intervenções não viessem perturbar a análise dos problemas suscitados pelos trabalhos que se iam realizando.
Entre o Serviço de Prospecção do SFM, sob minha chefia, e as empresas estabeleceu-se uma estreita colaboração de que resultaram benefícios mútuos.
A elevada competência dos Geólogos integrados em todas as Empresas foi de grande utilidade para um conhecimento mais profundo da estrutura geológica da Faixa Piritosa.
Por outro lado, a experiência que o SFM vinha adquirindo com a aplicação das técnicas geofísicas, foi de extrema utilidade para as Empresas, pois todas, reconhecendo a sua qualidade, passaram a solicitar que o SFM realizasse para elas, campanhas sobretudo de gravimetria.
O SFM facturava essas campanhas com uma sobrecarga de 50% sobre o seu custo, valor que era considerado pelas empresas muito atractivo, quando comparado com o custo que seria facturado por especialistas estrangeiros que viessem cumprir contratos a Portugal.
As solicitações eram tantas que cheguei a ponderar a aquisição de um terceiro gravímetro. Já tínhamos dois gravímetros quase totalmente absorvidos pelas solicitações das empresas, atrasando assim os nossos programas próprios. Não fiz proposta, apenas porque continuava a enfrentar o grave problema da remuneração ao pessoal assalariado que teria que recrutar localmente e fazer preparar. Apesar das constantes exposições sobre este grave problema e de fazer notar que a actividade do 1.º Serviço não constituía encargo para o erário público, a Direcção-Geral da Contabilidade Pública não dava andamento às propostas de revisão salarial que lhe eram remetidas, segundo informava o Director do SFM. Dificilmente já conseguíamos manter o pessoal ao qual tínhamos dado formação especializada. Já tínhamos que atribuir, a vários deles, categorias de mais elevados salários da tabela superiormente aprovada, que não correspondiam às funções realmente desempenhadas.
Mining Explorations (International), detentora da maior área, privilegiava a execução de sondagens, com base nos seus estudos geológicos e em alguma gravimetria.
Na minha qualidade de representante da Direcção Geral de Minas junto da Companhia e de seu colaborador, apresentei relatórios com recomendações de trabalhos, acentuando a importância da técnica gravimétrica e aconselhando o seu mais amplo uso, antes de se passar à execução de sondagens.
No meu 3.º relatório, com data de 15-3-1968, do qual anexei cópia ao meu relatório mensal enviado ao Director do SFM, chamei vigorosamente a atenção de MEI para a necessidade de incrementar o uso da técnica gravimétrica, considerando a vastidão da área que lhe estava adjudicada.
Deste relatório, destaco as seguintes passagens:
“Além das áreas que já anteriormente foram objecto de levantamentos gravimétricos, muitas outras há, dentro da concessão de Mining explorations (International), onde nunca o método foi utilizado.
Recordamos, por exemplo, que na vasta área de rochas vulcânicas de Castro Verde – Panoias, que tem uma extensão superior a 30 km e uma largura que atinge 10 km, muito poucos trabalhos de prospecção gravimétrica se fizeram, até à data.”
…
“Noutras vastas áreas, como as de Albernoa, Juliana, Pomarão, Alcoutim e Ourique, onde a potencialidade é também grande, nada, praticamente foi feito, em matéria de prospecção gravimétrica.
Aconselhamos vigorosamente a aplicação deste método.
Lembremo-nos de que, a todos os jazigos novos conhecidos na Faixa Piritosa Alentejana correspondem anomalias bem definidas pela gravimetria, o mesmo não podendo afirmar de qualquer dos outros métodos que têm sido aplicados.
O Serviço de Fomento Mineiro poderá continuar a prestar a sua colaboração na matéria, em campanhas de curta duração, tal como fez em anos anteriores. As numerosas solicitações que tem de várias Companhias e o seu programa próprio não lhe permitem comprometer-se em campanhas longas.
Como o tempo de que dispõe Mining Ezxplorations (International), contando já com as prováveis prorrogações, é muito limitado para a cobertura de todas as áreas favoráveis, é aconselhável que Mining Explorations (International) disponha de, pelo menos, uma equipa de gravimetria, em trabalho permanente, até ao termo do contrato com o Estado Português.
Na impossibilidade de o Serviço de Fomento Mineiro lhe poder dar este apoio permanente, sugerimos que Mining Explorations (International) crie a sua própria equipa.
Computamos em cerca de 4.000$00/dia a despesa de uma destas equipas (contando já com a amortização de gravímetro, taqueómetro, níveis, viatura e outro equipamento auxiliar, em 5 anos, e duas estadias de Mr. Roux em Portugal, como supervisor deste trabalho).
…
Não se aconselham novas sondagens na Faixa Piritosa, sem haver um número suficientemente grande de anomalias gravimétricas que permita fazer uma selecção das verdadeiramente auspiciosas.
Quanto maior for o número de anomalias para escolha, maior será a probabilidade de sucesso.
Não deve esquecer-se que as maiores despesas na procura de jazigos minerais são as feitas pelas sondagens.
Um mês de trabalho com o gravímetro (considerando 50 observações diárias com malha d 100m x 100m) dá informação sobre 13 km2, a um custo muito inferior a 10 contos por km2. Uma só sondagem custa geralmente, algumas dezenas de vezes mais e a informação que presta é muito mais limitada”
Continua...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
31 - A inauguração oficial das novas instalações do SFM em S. Mamede de Infesta
A inauguração oficial das novas instalações do SFM ocorreu em Agosto de 1964, com a presença do Presidente da República e de membros do Governo, do Director-Geral em exercício e do Director-Geral cessante.
O projecto destas instalações e o acompanhamento da sua construção ficaram a dever-se, ao Arquitecto António Linhares de Oliveira, que tinha ingressado no SFM como desenhador e que tirara o curso como estudante-trabalhador.
Com surpresa minha e de outros funcionários do SFM, o Director-Geral, recentemente nomeado, não lhe atribuiu a designação que lhe competia.
Designou-as como “Laboratórios da Direcção-Geral de Minas”, menosprezando assim o SFM, perante a passividade do dirigente deste Serviço, que se refugiou num total apagamento na cerimónia inaugural.
Esta foi a primeira indicação de que o novo Director-Geral pretendia exercer, as funções que competiam ao Director do SFM, consciente como estava da mediocridade deste e, também, porque confiava poder ser autor de algumas descobertas.
Se as equipas por mim constituídas tinham conseguido resultados notáveis, porque não poderia ele, com outras equipas, obter idênticos sucessos?
À actuação que teve, neste âmbito, ir-me-ei referir em devido tempo.
Recordo do seu discurso na inauguração, os elogios ao chamado “Estado Novo” da era Salazar e o estilo retórico, denunciando as “vestes sebastianistas” que muito fizeram rir o Engenheiro Castro e Solla que, a meu lado, não conteve os seus perspicazes comentários.
Recordo ainda alguns dos meus colegas constrangidos no fato-macaco que raramente usavam, mas que nesse dia se prontificaram a envergar, para dar mais evidência á sua actividade mineira.
A mim, não convidou a colaborar nessa ridícula atitude teatral, pois sabia de antemão que tal não seria aceite, apesar de saber das minhas muitas horas em trabalhos subterrâneos nos 15 anos em que os dirigi, quando exerci as funções de Chefe da Brigada do Sul.
O projecto destas instalações e o acompanhamento da sua construção ficaram a dever-se, ao Arquitecto António Linhares de Oliveira, que tinha ingressado no SFM como desenhador e que tirara o curso como estudante-trabalhador.
Com surpresa minha e de outros funcionários do SFM, o Director-Geral, recentemente nomeado, não lhe atribuiu a designação que lhe competia.
Designou-as como “Laboratórios da Direcção-Geral de Minas”, menosprezando assim o SFM, perante a passividade do dirigente deste Serviço, que se refugiou num total apagamento na cerimónia inaugural.
Esta foi a primeira indicação de que o novo Director-Geral pretendia exercer, as funções que competiam ao Director do SFM, consciente como estava da mediocridade deste e, também, porque confiava poder ser autor de algumas descobertas.
Se as equipas por mim constituídas tinham conseguido resultados notáveis, porque não poderia ele, com outras equipas, obter idênticos sucessos?
À actuação que teve, neste âmbito, ir-me-ei referir em devido tempo.
Recordo do seu discurso na inauguração, os elogios ao chamado “Estado Novo” da era Salazar e o estilo retórico, denunciando as “vestes sebastianistas” que muito fizeram rir o Engenheiro Castro e Solla que, a meu lado, não conteve os seus perspicazes comentários.
Recordo ainda alguns dos meus colegas constrangidos no fato-macaco que raramente usavam, mas que nesse dia se prontificaram a envergar, para dar mais evidência á sua actividade mineira.
A mim, não convidou a colaborar nessa ridícula atitude teatral, pois sabia de antemão que tal não seria aceite, apesar de saber das minhas muitas horas em trabalhos subterrâneos nos 15 anos em que os dirigi, quando exerci as funções de Chefe da Brigada do Sul.
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